Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou...

Estava conversando com o marido de uma amiga brasileira hoje e ele disse que simplesmente não suporta mais ouvir esta música em todos os comerciais de todos os programas da Globo internacional, mas pensando bem, este seria o meu slogam de hoje.
Porque hoje pela manhã, recebi um email da imigração dizendo que sou a mais nova residente permanente do país, ou seja, finalmente o tão esperado green card chegou.
Ainda estou num estado de euforia e choque. Depois que passar esta época gostosa de férias volto pra contar um pouco mais sobre isto, mas só queria deixar registrado este fato tão importante na minha vida para fechar 2012 com chave de ouro e fazer milhões de planos para um ano de 2013 que vai iniciar cheio de mudanças e perspectivas de uma nova vida.

"Muitas são, SENHOR meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que se podem contar." Salmo 40:5


Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!

Nem acredito que estamos tão próximos do Natal!
Esta é sem dúvida a minha época favorita do ano. Apesar que é uma época que traz muitas alegrias e brilho, é uma época em que o coração sempre aperta com muita saudade da família no Brasil.
Por aqui tenho aproveitado o máximo que posso, indo para musicais de Natal, saindo para caminhar e ver a decoração de Natal das casas vizinhas, preparando cookies para dar de presentes para conhecidos e amigos, decorando a casa e claro, enviei e já estou recebendo muitos cartões de pessoas tão queridas e que moram longe.
O único lugar que eu fujo e pretendo ir somente no próximo ano é o shopping! Sério mesmo! Já tinha comprado com antecedência o presente do meu marido e família, porque ninguém merece passar raiva tentando estacionar carro em estacionamento lotado e pessoas enfurecidas!
Infelizmente esta é a parte que não gosto muito aqui do Natal... as pessoas ficam tão preocupadas com presentes, jantares, família, compromissos que acabam esquecendo do maior significado do Natal: convidar o menino Jesus para fazer parte da sua vida, não somente no Natal mas em todos os dias.
Espero que no meio das loucuras e celebrações, você encontre tempo para celebrar o nascimento do menino Jesus, que mudou para sempre as nossas vidas!

Que o Natal de cada um seja cheio de muito amor, paz e harmonia e que 2013 traga infinitas alegrias e realizações de sonhos e objetivos!


De qual Brasil você é?

Ontem reunimos um casal de amigos (brasileira casada com inglês) para assistirmos a série de viagens feita pelo Michael Palin ao Brasil. Meus sogros tinham visto a série na televisão na Escócia e não paravam de comentar sobre e todos que eu conhecia e que tinham assistido não paravam de falar sobre e só ganharam o desejo de conhecer o Brasil.
Ao todo são 4 DVDs, onde ele mostra um pouco do Nordeste (Recife, São Luis, Salvador), o Norte (Manaus, o Rio Xingu e uma tribo indígena), o Pantanal, Minas, São Paulo, Foz do Iguaçu, Parati e claro, Rio de Janeiro.
Gostei muito da parte do Nordeste e Norte, mas confesso que fiquei um pouco decepcionada com o que ele mostrou de São Paulo. Mesmo assim, foi uma excelente série que deixou muita gente com água na boca para visitar o Brasil e ele tentou desmistificar os estereótipos dos brasileiros.
Após assistir a série comecei a conversar com a minha amiga brasileira que é do Sul e fiquei um tempão filosofando de como somos parecidas e ao mesmo tempo tão diferentes.
O nosso país é tão grande e tão cheio de culturas e costumes diferentes, dependendo de cada região que apesar de sermos todos brasileiros parece que viemos de mundos diferentes.
Por ter origens nordestinas, meus pais são ambos do sertão da Bahia, eu conheço um pouco da cultura bahiana, e claro a loucura da vida de São Paulo. Mas tem tanta coisa que gostaria de aprender sobre o nosso povo, nossos costumes.
Vendo aqueles DVDS eu me deparei com a nossa riqueza cultural que muitas vezes deixamos de lado, por falta de conhecimento mesmo. Há muito tempo parei de dizer que no Brasil as coisas são assim, ou no Brasil as coisas são assado primeiro porque estive no país há 6 anos e muita coisa de lá para cá mudou. E outra, não posso dizer que a forma como vivi e conheci a vida em São Paulo é verdade para todos os lugares do Brasil.
E isto me dá uma grande tristeza no coração, porque conheço muito melhor a cultura americana e os estados americanos do que o meu próprio país, já que quando morava lá tinha a vida de trabalhar, estudar e tentar pagar as contas no final do mês sem sair do vermelho.
Uma das minhas grande ambições agora é assim que for possível retornar ao país, conhecer um pouco mais sobre a minha própria cultura e estes Brasils tão interessantes e tão diferentes do meu.
Por isto que fico chateada quando escuto que o nosso país está adotando coisas importadas como a celebração do Halloween, já que temos uma cultura tão rica e tão bonita.
Eu sou do Brasil de São Paulo. A cidade caótica, transito terrivel, onde se ganha melhores salários mas onde somos escravos do relógio, da pressa, do stress. Daquele lugar onde muitos chegam com muitos sonhos e acabam encontrando uma dura realidade, a cidade de "loucos" como meus primos bahianos descreveram. A São Paulo de prosperidade, mas de violência, de medo, de falta de liberdade.
E você de que Brasil é?

Be thankful, today, tomorrow, every day...

Todos os dias deveria ser thanksgiving's day. Dia de dar ação de graças.
Um coração agradecido é um coração alegre, com esperança e cheio de amor.
Não espere um dia no ano para agradecer o que de bom você tem, ou dizer para as pessoas que você ama o quanto elas são importantes para você. Todo dia deveria ser assim.
Mesmo que você não more nos EUA, páre um momento hoje e agradeça. Esqueça os problemas, as dúvidas, as dores... e foque apenas nas coisas boas que recebeu.

Antes x Depois

Navegando pela internet não é difícil encontrar as provas de transformações de pessoas e coisas através das famosas fotos conhecidas como "Antes x Depois". O conceito destas fotos é muito simples: antes da transformação uma foto é tirada para fazer comparação com o resultado de como ficou depois da transformação. E quem aqui já não ficou de boca aberta com a diferença entre as duas fotos? Eu já fiquei várias vezes, principalmente aquelas fotos de emagrecimento onde você quase não acredita que as duas fotos pertencem a mesma pessoa.
Este tipo de comparação serve como inspiração para muitos para dar idéias de decoração, mudança de cabelo, maquiagem, emagrecimento, etc,etc,etc... você encontra de tudo por aí. E principalmente, conquistar uma foto do "depois", serve como um pequeno troféu para o seu dono, motivo de orgulho e satisfação.
Fico fascinada com esta comparação, mas confesso que muitas vezes fico iludida. Porque colocando uma foto do Antes x Depois lado a lado parece que a transformação aconteceu assim, num piscar de olhos, num clique de mouse. E todos nós sabemos (ou deveríamos saber) que grandes transformações não acontecem do dia para a noite. E nem todas as transformações que passamos na vida é possível tirar uma foto para mostrar o que éramos antes e o que somos depois.
E é este motivo que estou escrevendo este post. Para falar um pouco sobre o durante que sempre fica omitido nestas comparações.
O durante é muitas vezes um período difícil. Uma verdadeira batalha. É onde precisamos tomar a decisão de deixar o antes, seja lá o que for, e trabalhar arduamente com a esperança de vermos os resultados do depois. É um período com muitos conflitos internos, muita renúncia, muito esforço, muitas lágrimas e muita solidão.
Porque somente você pode fazer o que precisa ser feito para mudar. Você pode ser abençoado de ter pessoas ao seu redor para te apoiar, ajudar, incentivar, consolar nos momentos em que você acha que não vai conseguir. Mas algumas vezes a luta é entre você e um inimigo invisível. Sua própria força de vontade, seus medos. Já dizia em algum lugar na internet que você é o seu próprio inimigo, com pensamentos negativos, com frases do tipo: "este esforço é em vão", "eu nunca vou conseguir mudar".
Porém se a persistência for grande, a força de vontade, a fé, o desejo de mudar... mesmos que leve algum tempo conseguimos ver os resultados do nosso trabalho e aí nada tem sabor mais delicioso do que ver resultados, que você está cada dia mais próximo do seu objetivo. E aí você vê que pode sim, e que pra chegar no seu alvo só depende de você.
Pois é, depende absolutamente de você! De ninguém mais. E isto é o que leva algumas pessoas a nunca conseguirem alcançar suas metas. Porque a culpa é sempre do outro ou de alguma coisa. Os obstáculos da vida, as tentações, a falta de suporte, a dor... pensando assim é mais fácil culpar alguém por não ter conquistado o que não quer. Fugir da responsabilidade que é chave para uma transformação bem sucedida.
Mesmo aqueles que tem a maior força de vontade, empolgação, um dia passa por dias complicados. Dias de desânimo, de reclamação, de choro. Mudar não é fácil, nunca foi e nunca será. Às vezes durante este processo precisamos mexer em feridas, superar obstáculos. Ninguém está esperando que você seja um super-herói ou super-heroína. O importante é não deixar estas fases se prolongarem demais de tal forma que comprometa o seu objetivo.
Por isto é importante na fase do durante o apoio. De uma amigo, do marido, de Deus. Alguém que te coloque pra cima, alguém que escute o seu desabafo, que lhe dê uma palavra de ânimo, de conforto. Ninguém vence as batalhas da vida sozinho. Ninguém chega ao pódio sem ter tido o apoio de alguém. Nem um super atleta, nem pessoas bem sucedidas, nem eu e nem você. Todos nós precisamos de alguém que nos ajude nos momentos de fraqueza, quando pensamos em desistir...
Por isto, se você tem um objetivo a atingir, seja lá qual for: emagrecer, adquirir uma habilidade, mudar de carreira, reformar a casa, seja lá o que for; tenha em mente que o durante pode ser um período árido na sua vida, uma fase difícil, mas que ao chegar no depois você verá que nenhum esforço foi em vão e que tudo começou com a simples decisão de sair da posição inicial. Pode ser que seja uma transformação rápida, pode ser que demore uma vida inteira. Não se prenda tanto ao tempo, porque isto vai te trazer ansiedade e preocupação desnecessária. Mantenha o foco e siga em frente.
Um dia você chega lá.

Encontros e despedidas...

Hoje pensei em tantas pessoas que encontrei durante a minha vida. Pessoas tão queridas, outras nem tanto. Mas foi com um pesar muito grande que me recordei de pessoas que gostaria que ainda fizessem parte do meu círculo de amigos próximos,mas que por mil motivos tornaram-se apenas recordações ou um rosto numa fotografia.
Deu saudade e não vou mentir, um pouco de tristeza também. E automaticamente uma trilha sonora veio à mente. A trilha sonora de todos nós, mas que se encaixa tão perfeitamente na minha vida neste exato momento.

Tudo junto e misturado...

Estou aqui há meia hora tentando decidir o que escrever. Idéias não faltam, mas sabe quando está tudo junto e misturado na sua cabeça? Pois bem, a minha está assim. Então vamos por partes...

Esta semana foi o famoso Fleet Week aqui em San Francisco e apesar de ter feito mil planos, decidimos ficar em casa arrumando papelada, fazendo lição de casa e apenas relaxando. Tivemos a oportunidade de ir em um restaurante mexicano que nunca tinha ido antes e adorei a comida, o arroz com feijão lembrou muito a comida brasileira, estava uma delícia. Hoje fomos passear num parque a beira da baía, apesar de estar totalmente despreparada (com o sapato errado, com bolsa pesada e sem óculos escuros) foi uma delícia. Adoro estes pequenos momentos em que posso caminhar de mãos dadas com o meu marido e esqueço do resto do mundo.

Esta semana começa a terceira semana de volta às aulas. Pela primeira vez em 4 trimestres que estou normal. Não estou estressada com os trabalhos, provas, aulas, colegas, professores. Organizo-me cada dia para fazer lições de casa, estudo, dou o meu melhor mas jamais deixo de passar um tempo com o meu marido, batendo papo com um amigo pelo telefone ou através de chat, e principalmente cuidar da minha saúde, porque estas coisas tem prioridade número 1 na minha vida.

E por falar em aulas, este trimestre estou tendo aula de "Gerenciamento de Stress". É isto mesmo que você leu. Faz parte das matérias de conhecimentos gerais e acho que chegou em boa hora. Tive apenas algumas aulas, mas o que eu já li e pesquisei sobre o assunto dá até medo. Medo porque estamos detonando a nossa saúde com stress muitas vezes desnecessários. E eu descobri que fico extremamente estressada no trânsito e tenho tentado controlar isto. Combater stress não é bicho de sete cabeças, na verdade é algo bem simples mas como é simples a  gente acredita que não deve funcionar, mas funciona. Tenho colocado em prática e tem funcionado.

Aliás, tenho tentado mudar a minha visão sobre a vida, sobre mim mesma. Viver de forma mais contente, mais otimista. E sabe o que eu descobri? Parece que pessoas otimistas irritam os demais. Porque não é normal você dizer que está se sentindo bem, mesmo que esteja com uma pilha  de problemas. Porque parece que as pessoas, até aquelas que se intitulam "amigos" parece que ficam esperando você chegar com uma lista de reclamações e insatisfações. Acho que é uma questão de empatia sabe. Uma destas "amigas" achou que eu estava com raiva dela só porque eu parei de conversar com ela todo dia assuntos fúteis, depressivos, parei de reclamar e principalmente de escutar as fofocas dela. A gente aprende a lidar com isto e se eu ficar com menos "amigos" por causa desta minha atitude de vida, só mostra que eu estava enganada em chamá-los amigos.

Mesma coisa quando você diz que está fazendo reeducação alimentar e se exercitando para emagrecer e ter uma vida mais saudável. Lógico que eu quero emagrecer, mas quero acima de tudo saúde. Aí o povo diz que você está bitolando demais com o assunto, que comer um docinho aqui e ali não faz mal e que amanhã você volta para a dieta. Dá medo. Então eu to dando o meu melhor para ser melhor e recebo o apoio de quem me ama de verdade. Lição nova aprendida: nem tudo que fazemos ou sentimos devemos sair contando por aí...

Estava lendo esta semana no site do uol (porque sim, eu moro nos EUA mas leio as notícias do Brasil todos os dias e sou às vezes melhor informada do que as pessoas que moram no Brasil...) de que haveria uma reunião entre diplomatas brasileiros e americanos para discutir questões diplomáticas (dãã) e um dos assuntos em pauta é a eliminação do visto de turista para ambos. Não acredito que isto vá acontecer, por mil e uma razões. ESte assunto só está sendo discutido porque os americanos querem ir para a Copa e as Olimpíadas no Brasil e não querem passar pela burocracia e gasto com vistos (como nós temos que fazer). Já vi entrevista de americanos para obtenção de visto no Consulado de San Francisco e tive vontade de dar risada. É praticamente um bate-papo camarada de 2 minutos e o visto sempre é concedido. E quem já passou pelo consulado dos EUA no Brasil sabe o terror que é aquele lugar (o de São Paulo seria cenário digno de filme de terror) e Deus me abençoe pra que que jamais precise colocar meus pés naquele lugar. Não acredito que aconteça nada em relação a isto, mas vamos ver. Os EUA parece que virou o novo Paraguai. Só fico curiosa pra saber onde o povo acha tanto dinheiro para gastar aqui, já que vivem reclamando no Brasil que a coisa tá preta. Vai entender...

Outra coisa engraçada que presenciei esta semana foi um casal de namorados brasileiros chegaram aqui na área e me encontraram através de um site de encontros, o meetup. Eu como boa menina, respondi o email enviado pela brasileira e logo de cara ela me pede pra adicionar no facebook. Sorry. E aí papo vai papo vem e ela veio com o velho "American Dream" de que em poucos meses em que estará aqui com o visto de turista, ela vai encontrar um trabalho que irá trocar o visto dela para visto de trabalho. Gente, será que o povo não assiste ou procura se informar sobre a economia americana antes de vir pra cá? Claro que há possibilidades disto acontecer e foi o que disse pra ela, mas a não ser que ela tenha uma habilidade excepcional para ser empregada na frente dos milhares de desempregados que possuem residência ou são americanos. E aí a pessoa quer que você pegue na mãozinha dela e mostre todos os truques, caminhos, dê dicas, conselhos, etc. Eu sou da opinião que se você não consegue ser auto-sustentável e procurar por si informações que lhe interessa, talvez você não seja a pessoa indicada para tentar morar em um outro país, porque aqui muitas vezes você contará apenas com Deus e a sua boa vontade para resolver as coisas.

Quando eu tiver mais tempo e as idéias da cabeça se organizarem melhor, volto para contar a minha experiência como aula universitária aqui nos EUA.

Boa semana para todas!

Até logo Endeavour...

Aqui na Califórnia não se falava em outra coisa durante esta semana. O ônibus espacial iria fazer o seu último vôo (acoplado em um Boing 747) em direção a um museum em Los Angeles e como a Califórnia foi o estado onde foi construído, iria fazer um trajeto especial passando por diversos pontos turísticos do estado.
Assim que ouvi no rádio de tal acontecimento, já procurei na internet maiores informações sobre o local, o horário e o melhor lugar para observar a passagem do ônibus espacial. A astronauta dentro de mim não perderia este evento por nada do mundo!
No começo o meu marido não deu muita atenção, pois há um campus da NASA numa cidade vizinha e no site oficial já dizia que 1.000 permissões para estacionar haviam sido emitidas e lógico que estaria lotado. Os portões iriam abrir às 6:00 da manhã, sendo que o vôo pela região estava previsto para acontecer entre 9:00 a 9:30.
Mas quando o dia foi chegando, ele mesmo entrou no site e achou maiores informações e disse que a gente não poderia perder de jeito nenhum este momento!
Então sexta-feira de manhã nos organizamos para ir a um lugar onde poderíamos ver a Endeavour, mas fugir da multidão. A Nasa estava lotada desde muito cedo, mas o meu marido disse que havia um campo de golfe que fica do lado oposto da pista de pouso do campus da Nasa. Não ficava muito longe de casa e com certeza não estaria cheio. Dito e feito! Haviam algumas pessoas com cadeiras no estacionamento, mas sem nenhuma multidão. Chegamos por volta de 9:30 da manhã porque estávamos acompanhando o trajeto do ônibus espacial pelo website da nasa e eles disseram que deveria passar por nós entre 10 e 10:30 da manhã.
A princípio somente o meu marido estava planejando tirar fotos, mas aí ele pediu pra eu usar o iphone dele pra filmar também.
E lá ficamos esperando até que alguém que estava com um rádio nos avisou que o ônibus espacial tinha acabado de passar pela Golden Gate Bridge e estava a caminho.
Quando olhei nos prédios ao redor todo mundo estava do lado de fora com câmeras e celulares na mão, esperando a passagem do ônibus espacial. Aí ouvi o meu marido dizendo, olha o avião de caça e aí comecei a gravar e quando me dei conta o ônibus espacial estava passando do outro lado! Uau!
Fiquei toda arrepiada!
Lógico que sabia que era um avião grande e que voaria baixo, mas eu não esperava que iria ser tão grande e que voaria tão baixo!!!
Foi um momento que durou apenas alguns segundos, mas que vai ficar marcado na memória para sempre! Não é todo dia que a gente vê uma coisa destas no céu lindo da Califórnia. E depois foi tão gostoso compartilhar as fotos com nossos amigos e familiares, e ver as outras fotos e vídeos através da televisão e também da internet.
A austronauta dentro de mim sentiu-se um pouco mais feliz!
E claro, seria egoísmo meu não compartilhar o vídeo que o meu marido editou e colocou no youtube, se você ainda não viu, veja!


E com certeza iremos fazer uma visitinha a Endeavour daqui a algum tempo lá em Los Angeles.

Doces lembranças do verão...

Apesar de tecnicamente ainda ser verão até o dia 22 de setembro, aqui nos Estados Unidos existe a "temporada de verão" que começa no Memorial Day, o feriado que sempre cai na última segunda-feira de maio e vai até Labor Day, que é a primeira segunda-feira de setembro.
Depois do Labor Day, o ano letivo começa em todas as escolas e faculdades, e aos poucos atrações de parques e praias terminam, porque o verão acabou.

Engraçado que aqui na região de San Francisco esta é a época mais quente do ano. É o que chamamos de "Indian Summer", onde a temperatura aumenta na cidade e fica aquele clima de verão, quando em todos os outros lugares já começa a dar uma esfriadinha por causa do outono.
Para a decepção e surpresa de muitos, San Francisco durante o verão tem temperaturas frias, já que a tal famosa fog (neblina) criada pelo efeito do ar quente nas águas geladas do Pacífico (se quiser uma explicaçao mais detalhada está aqui).

Sempre gostei demais dos verões daqui, mas sei que não é a expectativa que muitos turistas tem quando chegam na região, acho que porque somos saturados com a imagem da Califórnia como sendo o lugar dos surfistas, muita praia e gente jovem e bonita se bronzeando. Isto pode até ser verdade lá pelas bandas de Los Angeles, mas não acontece aqui.

Durante este verão tive a oportunidade de passar alguns dias maravilhosos em New York City e tinha me esquecido como aquele lugar fica quente e úmido no verão. Era só colocar o pé para fora do hotel que já começava a suar e aí dale água para manter a hidratação. A cidade fica bem movimentada até altas horas da noite, mas sinceramente... New York pra mim novamente só na época mais fria :-). Mas foi gostoso passear pela "minha" cidade, descobrir novos lugares com o marido e visitar velhos conhecidos. E foi uma delícia poder assistir a um concerto da Filarmonica de New York no Central Park, que muitos dizem ser o acontecimento do verão. E o Central Park também tão lindo, tão verde... bem diferente da última vez que o vi quando a neve estava da altura do meu joelho!

O outro oposto foi passar alguns dias em Las Vegas, pois a minha amiga queria muito conhecer a cidade. A temperatura estava batendo 45C todos os dias e sem umidade nenhuma, então era como se você estivesse torrando no forno como uma cookie. O que a gente não faz pela melhor amiga  né? Culpa dela que fui parar em Vegas na época mais quente do ano! A coisa boa é que os hotéis estão em promoção e muitos shows também, para atrair pessoas para a cidade. E lógico, as famosas pool parties, que não fazem o meu gênero. Tivemos a oportunidade de assistir um show do Cirque du Soleil, o Ka, que foi fantástico e também fui pela primeira vez no topo da Torre Eiffel do hotel Paris, com uma vista incrível da cidade.

Minha amiga passou 2 semanas aqui com o marido e foi muito bom. Fiquei afastada de computador, de preocupação com escola, nada, nada, nada. MInha única preocupação era para onde íamos e o que iríamos comer. Apesar de 2 semanas parecer bastante passou voando e  ficou com o gostinho de quero mais. Fiz uma lista de todas as atrações da cidade e ela escolheu as que queria ir e assim fomos cumprindo o roteiro pré determinado. Depois com mais calma eu coloco esta lista para quem estiver interessado em visitar a região da Bay Area.

Logo após a partida dela foi hora de comemorar os 2 anos de casamento com uma viagem que estávamos planejando desde a época que estávamos namorando e foi simplesmente maravilhosa! Fomos até San Diego de avião e retornamos de trem. Apesar das 14h de viagem entre San Diego e San Jose, não fiquei nem um pouco cansada ou entediada porque a viagem é linda, os trilhos do trem passa por sua grande parte pela costa da Califórnia, então víamos praias lindas, até golfinhos eu vi pelo trem. O dia estava lindo e depois de San Luis Obispo, viajamos pelas montanhas douradas da região, vinículas, parte agrícola. Foi uma experiência e tanto. Agora nós estamos fazendo planos de ir para Seattle com o mesmo trem de preferência na época de inverno, porque assim podemos ver as montanha cobertas de neve. O condutor disse que é uma viagem fantástica também e que vale muito a pena.

Então depois deste verão agitado, a realidade voltou. E a casa estava sozinha. E a saudade bateu. Pra mim os dias estavam cinzentos e frios como no inverno. Mas acho que é normal a gente se sentir um pouco triste depois de tanta gente, tanta diversão. Por isto preferi me recolher e cuidar um pouco de mim por uns tempos. Mas graças a Deus que existem pessoas maravilhosas neste mundo para trazer raios de luz e calor para a nossa vida e já estou animada novamente para a nova estação que está para chegar.

As minha aulas só começam no final do mês o que ainda está me dando algumas semaninhas extras para aproveitar o "Indian Summer" em San Francisco, com calor e quem sabe até um pouco de praia?

Voltando ao começo do post e toda a explicação sobre o tempo ( hehe), engraçado que ainda faltam algumas semanas para a entrada oficial do outono, mas dá para sentir no vento a chegada da nova estação. Estes dias estava no meu quintal cuidando das minhas flores e senti aquela brisa fria, tão gostosa e a única coisa que pude fazer foi fechar os olhos e pensar que o outono está bem próximo e que logo as folhas vão mudar de cores, a temperatura vai esfriar, vai chegar a época de Thanksgiving... mal posso esperar pois o outono é a minha estação favorita!

Enquanto isto, vou deixar algumas fotos do meu verão que já está deixando saudades e mil idéias para o verão de 2013!

PS: o Indiam Summer e a fog são características da cidade de San Francisco e de cidades costeiras, aqui na minha cidade teve bastante calor durante o verão e as temperaturas já estão baixando também!

Dia típico de verão em San Francisco

The Strip vista do alto da Torre Eiffel do Hotel Paris

A famosa fonte de águas dançantes do Bellagio

Times Square em plena meia noite de uma segunda-feira

Central Park - Simplesmente amo como ele fica verde


Coronado Beach, San Diego

Vista do trem Coast Starlight

Vista do trem Coast Starlight


"Wake me up when September ends..."

Obrigada a todas que deram opinião sobre a situação dos hóspedes, foi de muita ajuda e muito interessante ler e saber como as pessoas tratam os hóspedes em suas casas e como agem como hóspedes.
A estadia da minha amiga aqui foi muito bom e de uma importância enorme pra mim, mas depois que ela foi embora ficou um vazio.
Aos poucos eu e meu marido tomamos a nossa rotina e me dá tristeza só de pensar que no final de setembro começam as aulas na faculdade, que neste trimestre estarão mais puxadas e serão todos os dias! Não vejo a hora de me formar, esta é a verdade.
Ainda não recebi a notícia que estava esperando no começo de agosto, mas tenho fé que receberei em setembro, assim que eu tiver uma resposta positiva eu conto o que é e a minha saga para conseguir esta resposta.
O post está um pouco melancólico, mas é assim que estou me sentindo no momento. Em breve volto com mais notícias sobre o verão não tão quente do Norte da Califórnia.

A nossa hospitalidade brasileira...

Cresci na periferia de São Paulo. Uma casa modesta, que não tinha (e até hoje não tem) uma sala de estar. Eram 2 quartos, 2 banheiros um corredor e a cozinha. Desde pequena estou acostumada a ter a casa cheia de parentes, primos, amigos dos meus pais. A gente costumava ter uma festa na época do Natal em que grande parte dos meus tios vinham e a gente dançava forró até o pé cansar.
A minha família é grande e como nós brasileiros temos o costume de passar na casa de amigos e familiares sem avisar, a minha mãe sempre fazia mais comida do que necessário nos finais de semana porque era certeza de que alguém iria aparecer (e aparecia!). Foi com ela que aprendi o lema: "A casa não é bonita e é pequena, mas o coração é grande e sempre cabe mais um".
E aí eu vim parar na América.

Gente que choque!!!! A hospitalidade aqui nos Estados Unidos não é nada comparada com a hospitalidade que eu cresci e vivi durante a minha vida com a minha família. Isto é reflexo dos costumes e da cultura americana que são bem diferentes da brasileira, é um fato!

Não é com muita frequência, mas de vez em quando recebo alguns convidados aqui em casa. Amigos e família tanto meus como da parte do meu marido. E eu fico muito feliz! E acho que acostumada a ver a preparação da minha mãe quando era pequena, começo a preparar a casa para as visitas. :-)
Preparo menu, os passeios que faremos, limpo, organizo, e que satisfação de ter a casa cheia!

Quando conto para os meus amigos americanos que terei visita em casa, vejo muitas vezes eles virarem os olhos, achando uma loucura ter "tanta gente por tanto tempo" dentro da minha casa. É que os americanos prezam muito pela privacidade deles. Então parente e amigo ficar na casa deles, só em época de Natal e de Ação de Graças e olhe lá. Jamais você vai chegar sem ser convidado ou ter marcado na casa de um americano. É capaz dele fechar a porta na sua cara dizendo que no momento está ocupado e que não pode lhe atender.

E as festas? Todas elas tem um horário para começar e para terminar. Às vezes eles especificam (é, especificam) o traje que deve ser usado e se há necessidade de levar alguma coisa como salada, sobremesa, etc. Coisa de americano. Mas não julgo, algumas coisas acabei incorporando na minha vida. Hoje em dia, não me vejo mais tendo um ataque de espontaneidade e indo para a casa de alguém sem ter combinado antes. Acho que é uma questão de respeito.

Não importa qual é a sua cultura respeito tem que estar acima de tudo né? E tem gente que se aproveita da nossa boa hospitalidade brasileira para abusar um pouco.
Não sei se vocês já passaram por isto, mas por morar na Califórnia, o sonho de destino de viagem para muitos, já passei por umas saias justas e muitas pessoas ficaram de boca aberta com a forma como reagi em certas situações, e até começaram a dizer que eu estou muito americanizada( ou estou deixando de ser trouxa). Pois bem, vejam só:

Situação 1: Uma ex-colega de trabalho queridíssima do Brasil um dia entra no msn e diz que está com muitas saudades de mim e que pensa em ir me visitar. Lembrando que a casa não é só minha, mas do meu marido também, eu SEMPRE pergunto para ele se posso receber fulano ou siclano em casa (tirando família que são sempre bem-vindos, claro!) e ele olha na agenda pra ver se não estará fora da cidade, me pergunta sobre a pessoa e a relação que tenho com ela. A mesma coisa acontece do outro lado, ele sempre me pergunta se pode receber alguém em casa. Ele diz que por ele tudo bem, até esta amiga dizer que vai trazer a tira-colo o namorado mala dela. Veja bem, eu o conhecia muito bem. Ele era engenheiro na empresa onde trabalhava como estagiária e nem posso te contar quantas vezes o cara tentou me humilhar e fazer a minha vida difícil. Nunca me respeitou como profissional e como pessoa e agora... tcharam quer ser hóspede na minha casa? O que você faria?

Situação 2: Um casal de amigos durante a estadia deles aqui em casa  recusaram (educadamente) comer qualquer refeição conosco, afinal, eles não queriam nos dar trabalho nenhum. Saíam de casa 8 da manhã e só voltavam 10 da noite. Não fizemos nenhum passeio juntos, conversamos algumas horas antes de ir dormir e foram embora pra casa felizes cheio de sacolas, enquanto o meu marido ficou extremamente ofendido por eles terem ficado em nossa casa e não ter passado nenhum tempo consoco. Não aconteceu ainda, mas se eles se convidarem novamente pra ficar em casa a resposta será não. Nos sentimos usados, literalmente. E não quero que o meu marido fique chateado com uma situação destas novamente. E você o que faria nesta situação?

Situação 3: Amigo do meu marido que vem aqui em casa com certa frequência (2,3 vezes ao ano) e mora na Alemanha é muito, muito pão duro. Eu não me importo de cozinhar quando temos visita, afinal, se formos comer fora todos os dias, o nosso orçamento acaba furado e pra morarmos aqui, precisamos pagar contas né? Pois bem. Nas raras vezes que eu não estou com saco de cozinhar e vamos jantar fora, ele nunca oferece para pagar a conta. Gente, não quero que ele pague, acho justo cada um pagar a sua, mas sabe aquela coisa de pelo menos oferecer por educação? Não rola. E ele meio que fica na expectativa de chegar na nossa casa, abrir a geladeira e ter cerveja esperando por ele (nós não bebemos nada alcóolico em casa, mas compramos quando ele vem nos visitar). Não sei se é bom ou ruim, mas ele se sente tão a vontade em casa, que põe o pé no sofá, anda pela casa de pijama e reclama quando os ovos mexidos que eu faço passa sempre do ponto e ficam seco!

Situação 4: Aquele conhecido que nunca mais falou com você, acha o seu email e te manda um email dizendo que tá morrendo de saudades e que está planejando me visitar na época tal. E já diz no email que não vê a hora de conhecer a minha casa e passarmos tempos juntos, colocando as fofocas em dia. O que responder?!

Bom, depois de passar por todas estas situações eu aprendi a ser seletiva. De verdade. Amamos receber nossas famílias e amigos aqui em casa, mas também aprendemos a dizer não. Hotel é caro aqui na Califórnia e a gente infelizmente sabe que a vontade de algumas pessoas é ter acomodação gratuita, que inclua refeições e internet rápida e claro, um tour especializado dos locais, sem precisar pagar gasolina, pedágio e estacionamento. Hospitalidade tem limite e eu encontrei a minha. E aqui foram as respostas das situações acima:

Situação 1 - Resposta: Disse para a minha querida ex-colega de trabalho que ela era muito bem vinda na minha casa, mas que o namorado dela não era. Se ela quisesse, eu passava uma relação de hotéis próximos da minha casa onde ele poderia se hospedar. Ela achou que fui grossa e não tive consideração por ela, disse que ele mudou e blábláblá. Eles nunca vieram pra Califórnia, não que eu saiba, e engraçado... ela nunca mais mandou email pra mim...

Situação 2 - Resposta: Bom, não teve resposta. Depois do incidente  fiquei sem falar com eles um bom tempo e fiquei ainda mais chateada quando mandei 3 emails e eles não responderam. Engraçado que quando estavam planejando a viagem, me ligavam do Brasil 4, 5 vezes na semana. Acho que nem preciso dizer mais nada...

Situação 3 - Resposta: Ele ainda vem em casa, mas quando ele vem não compramos mais cerveja. SE ele quiser, pode ir até o mercado e comprar o que ele gosta. Uma vez ele disse que queria vir pra cá a trabalho, ou seja, a empresa estava pagando a viagem, mas ele queria hotel grátis pra ficar com o dinheiro das diárias. Dizemos que estávamos fora da cidade e ele ficou em um hotel. E fomos para outra cidade, 10 minutos da nossa casa :-). Acabamos encontrando com ele para jantar, mas cada um pagou a sua conta e o problema foi resolvido. Agora pra me agradar, ele sempre está trazendo chocolate :-).

Situação 4 - Resposta: Nem preciso dizer que esta foi  fácil. Mandei pro meu conhecido uma relação de albergues da juventude com precinhos de diárias bem camaradas em San Francisco. E falei pra ele quando viesse pra cidade, pra me avisar e nos encontrarmos por lá.

Assim como a casinha da minha mãe, a minha casa sempre estará de portas abertas para aqueles que amo, mas para os aproveitadores, eu fecho a porta na cara, sem dó! Que eu saiba em frente a minha casa tem apenas um número e não uma placa dizendo: Acomodação gratuita.

E por falar em hospedagem, nas próximas semanas ficarei ausente do blog por conta de viagens e estarei recebendo a minha melhor amiga aqui em casa, estou que não me aguento de felicidade!

Depois volto para contar as novidades deste mês de agosto que promete muito!


Muitas expectativas...

Uma semana cheia de expectativas. E eu só peço a Deus para preparar o meu coração para receber as notícias que estou esperando.

Ahhh... como a grama do vizinho é verdinha!!!

Este post não é sobre jardinagem.
Somente depois de morar nos EUA é que entendi que para se ter uma grama verdinha dá muito trabalho. É preciso regar muito bem a grama durante os meses quentes do ano, cortá-la semanalmente, colocar adubo, às vezes replantar antes do inverno para que ela germine e cresça novamente na primavera. Qualquer pessoa pode ter um gramado bem verdinho, é preciso apenas tomar os cuidados necessários. Leva tempo. Custa dinheiro. Dá trabalho.

Lendo o post da Gisley (Querido Deus, obg por me exportar) esta semana me deu uma vontade de falar sobre um assunto que acho que tem relação com este post e que me fez lembrar de uma época da minha vida em que eu sempre ficava admirando a grama do vizinho verdinha e me perguntava porque o meu tinha aquela grama marrom.

Não gente, eu não ficava invejando a grama alheia, ou o que as outras pessoas tinham. Só que ficava comparando a minha vida com a vida de outras pessoas e ficava tentando entender porque eles tinham coisas que eu não tinha e porque eu não era tão bem sucedida como eles. Eu queria achar as respostas do sucesso alheio, quando tudo estava bem ali na minha cara: páre de comparar a sua vida com a dos outros e faça alguma coisa pra mudar o que não gosta na sua.

Se não há receitas para a felicade eu posso te dar uma receita garantida para ser infeliz: Comparar a sua vida com a de outras pessoas.

Isto sempre vai te dar uma frustração enorme, porque o outro sempre parece ter algo que você não vai conseguir alcançar. Só que a gente só vê o exterior, o resultado final...

Ninguém pára para pensar que para ter um corpo bonito e saudável, aquela amiga teve que abrir mão dos docinhos e acordava 5:00 da manhã todos os dias para ir fazer exercício na academia. A gente só vê a amiga esbelta e fica perguntando como é que ela conseguiu emagrecer em tão pouco tempo...

Ninguém vê aquela pessoa gastando o seu sábado a tarde estudando inglês e fazendo trabalho da faculdade, cansada e frustrada porque não pôde comparecer ao churrasco dos amigos. A gente só vê aquele conhecido indo trabalhar de manhã de terno e gravata naquela empresa super conceituada e a gente se pergunta quem é que ele conhecia naquela empresa pra arrumar um emprego tão bacana, sendo que o emprego foi resultado de seu esforço próprio...

Sinceramente eu acredito que nós possuímos uma força incrível para superar dificuldades e fazer sonhos se tornarem realidade quando temos FOCO.

Durante muito tempo perdi preciosos momentos da minha vida tentando entender o porquê das coisas, principalmente quando as coisas davam errado na minha vida. Passei anos tentando superar desilusões amorosas, entender porque não apertei o botão salvar da prova online que me daria um resultado ótimo de uma certificação e um emprego garantido... Ficava remoendo emoções e situações que traziam uma tristeza e amargura tão grande pro meu espírito só porque eu queria entender o que levou fulano a fazer ou falar tal coisa pra mim.  Entenda que não era uma pessoa amarga ou pessimista para os outros, muito ao contrário, era totalmente o oposto. Porém, era prisioneira do  meu  passado, acorrentada com pessoas que me trouxeram a dor e desilusão.

E aí começava a olhar a grama alheia e tentava  entender o porque eles eram mais felizes do que eu,  tão mais bem sucedido profissionalmente,  fisicamente e emocionalmente... ahh se eu fosse como fulana a minha vida seria tão mais fácil. Mas eu não sou fulana. A minha vida é diferente dela, os meus valores, a minha experiência. Comparando a minha vida com a de outras pessoas, eu sempre saía perdendo, porque eu só via as coisas boas da vida do outro, não via que cada um deles haviam percorrido uma trajetória, que também haviam problemas. Porque a gente só enxerga a grama verde, não vemos o vizinho acordando de manhã para regar, cortar e adubar o gramado.

Então um dia eu tomei uma decisão. Após o pior "pé-na-bunda-sem-motivo" (depois eu achei os motivos) da minha história, 8 kilos a menos, ameaça de perder o meu emprego porque a insônia estava interferindo no meu rendimento eu tomei rédeas da minha vida. E prometi pra mim mesma que eu faria tudo o que EU poderia fazer para alcançar o meu objetivo.

Deus sem dúvida foi a minha maior força, inspiração, suporte, amigo. Sem Ele não poderia ter feito e alcançado nada o que fiz, mas EU tive que tomar a decisão de cuidar de mim. E corri atrás do meu sonho. Um sonho que eu tinha enterrado dentro de mim, mas que ressurgiu com uma força assutadora. Os obstáculos vieram no meio do caminho, mas fui persistente. Tive medo? Sim! Fui criticada e desencorajada? Sim, por aqueles que eu mais confiava e amava, mas mesmo assim não desisti.

Fiz o que estava ao meu alcance, aos poucos. Estudei, trabalhei, superei medos. Corri atrás. E isto não me dava tempo de ficar comparando com o que fulaninho ou siclano estavam fazendo com suas vidas. E aí os resultados começaram a surgir. Terminei o curso de inglês, me formei numa faculdade que muitos acharam que não ia dar conta... criei coragem, fiz as malas e fui rumo ao desconhecido. Literalmente.

E as alegrias foram muitas, mas muitas as tristezas também. Foi longe de casa que eu aprendi quem eram meus verdadeiros amigos, mas também foi longe de casa que aprendi quem era a verdadeira Eliana. O que eu realmente queria fazer, o que eu realmente sentia. Era libertador e assustador ao mesmo tempo. Muitos me chamaram de rebelde, de louca, outros de heroína. Foi tudo muito lento, mas tão necessário.

Assim de longe, atrás de emails, telefonemas e fotos as coisas boas eram evidentes e a minha grama passou a ser a mais verde da vizinhança. Mas ninguém viu a solidão, o medo, as incertezas, os sapos engolidos, os momentos de dúvida, de raiva, de angústia. Ninguém viu as noites perdidas em meio às lágrimas por causa da SAUDADE!

Ninguém é melhor do que ninguém. Temos histórias de vidas diferentes, experiências, aprendizados, dores e alegrias diferentes. Podemos aprender muito uns com os outros, mas fazer qualquer comparação entre pessoas e situações é sempre algo injusto e perigoso. E totalmente nocivo para a sua própria felicidade.

Demorou alguns anos, mas aprendi a minha lição. E se alguém me perguntar qual o segredo para ser feliz e buscar felicidade, independente do que você queira conquistar, a minha resposta será: 

Confie em Deus. Dê o seu melhor sempre, e não compare a sua vida com a de outra pessoa.

Funcionou pra mim.

E você? Qual a sua receita pra ser feliz?

Quando os pequenos acidentes ocorrem...

No meio de um jantar romântico, após uma gostosa conversa sobre ser otimista diante das dificuldades e obstáculos da vida meu marido pede licença para ir ao banheiro. Ao retornar, ele sorri para mim e quando vai sentar se tropeça no pé da mesa fazendo com que o meu copo cheio de água vire em câmera lenta e toda a água caia em cima de mim. Enquanto o meu marido pede milhões de desculpas, caio na gargalhada. Ótima oportunidade para colocar o otimismo em pratica. Pelo menos era apenas água :-)

New York

Em New York me sinto em casa. O barulho, a agitação, o trânsito. Tão típico de São Paulo. O subway lotado e confuso, a sujeira e tanto português pelas ruas!
Andar pelas ruas de New York é como estar num filme, no seriado preferido. É esperar ver a senhora sem-teto que era amiga dos pombos em Central Park e Tom Hanks pulando no grande piano da Fao Schwarz. É andar pela 5th Avenue e quase ver a Carrie Bradshaw namorando um sapato novo ou olhar para o alto dos arranha-céus e ver o Homem-Aranha indo salvar alguma mocinha indefesa.
New York é especial porque foi cenário das minhas aventuras e andanças no primeiro ano em que estive nos Estados Unidos e morei na East Coast. Foi lá, no aeroporto JFK que coloquei os meus pés em solo americano pela primeira vez.
Pisar novamente em solo nova-iorquino foi bom e triste ao mesmo tempo. Todas as boas recordações vieram a memória, mas fez a saudade de pessoas queridas aumentar. Pessoas que andaram comigo por aquelas ruas e pessoas que desejo muito um dia poder estarem lá. Apesar de gostar tanto da cidade, a minha última visita mostrou que o meu lugar não é mais lá.
New York foi o lugar onde sonhei e realizei muitos sonhos, um lugar querido que sempre estará em meu coração.

Fonte: Arquivo pessoal


Os donos de toda a verdade

Durante o tempo em que moro nos EUA encontrei muitos, mas muitos brasileiros de todas as regiões do país e de todas as classes sociais. Independente de onde veio e o que veio fazer aqui, existe uma categoria de patrícios que são extremamente irritantes e que prefiro manter distância: aqueles que sabem e conhecem tudo,  generalizam tudo, odeiam o Brasil e os tipos "água e óleo".

1 - O tipo sei tudo, conheço tudo e generalizo tudo

Tem coisa mais irritante do que tentar manter uma conversa com uma pessoa que sabe absolutamente tudo sobre tudo? Este tipo geralmente coleta informação dos outros, de coisas que ouviu falar ou então viu na televisão e geralmente não sabe a história inteira ou todos os fatos. Mas acaba fazendo de sua própria opinião a verdade absoluta e ai de você se tentar contrariá-lo, especialmente em frente a outras pessoas. Explica pra mim como uma pessoa que morou a vida inteira no Sul do Brasil tem autoridade para falar sobre o Nordeste? Ou alguém de São Paulo dizer como é a vida em Manaus? No Brasil, a não ser que você seja milionário, a maioria das pessoas não tem oportunidade de viajar tanto dentro do nosso país  e ficar nestes lugares tempo suficiente para conhecer bem cada região, cada costume e cultura. Porque dentro do Brasil há vários "brasils" com sua própria característica. Mas os donos da verdade sabem de tudo sobre tudo e muitas vezes já vi gente dando informação equivocada sobre a minha querida São Paulo.
Quando alguém me pergunta algo sobre o Brasil, eu dou aquelas informações gerais, porque infelizmente não tive a oportunidade de viajar tanto em nosso país como tive aqui. O mais interessante é que quando encontro e converso com pessoas que ainda moram ou que acabaram de sair do Brasil, fico surpresa em como o nosso país mudou em 5 anos. Então agora quando dou informações eu sempre digo que "Há cinco anos, as coisas eram assim, mas estão mudando". Para as pessoas que sabem tudo eu escuto educadamente por 5 minutos e vou embora. Não tenho paciência e acho que não vale a pena confrontar, mesmo quando você sabe que a informação está errada. E como eu encontro isto em blogs! Especialmente quando a pessoa fala: Aqui nos EUA as coisas são assim! Mas peraí, você já morou em todos os estados e cidades americanas? Então não tem autoridade para falar como as coisas são nos EUA porque a enooormes diferenças entre estados e até mesmo entre cidades. Por exemplo: A Califórnia é muito grande e o estilo de vida das pessoas de Los Angeles e de São Francisco são muito diferentes. As cidades são diferentes, o clima é diferente.. .então eu não posso dizer que "Aqui na Califórnia as coisas são assim". Sempre vejo com desconfiança e pra mim, este tipo de comentário faz a pessoa perder totalmente a credibilidade.
Precisamos lembrar que somos pessoas diferentes e percebemos o mundo ao nosso redor de forma diferente e apesar do país e cidade em que moramos terem características comuns e uma cultura comum, há enorme diferenças de língua, costumes e cultura de região para região. Por isto tome cuidado com o que você ouve dos "Donos da verdade".

2 - O tipo: eu odeio o Brasil

Não sei se me dá nojo ou dó de pessoas assim. Acho que um pouco dos dois. O Brasil é um país perfeito? Não! Tem corrupção, tem falta de educação, de segurança, injustiça, pobreza. Mas isto também tem aqui nos EUA e em todo lugar do mundo. Nenhum lugar deste mundo é livre de defeitos e problemas, mas na cabeça destas pessoas o Brasil é um lixo e eles ficam felizes por terem saído de lá. Este tipo de atitude mostra uma pobreza de espírito muito grande. O Brasil é um país de potencial enorme e me traz tristeza muito grande de ver tantos recursos desperdiçados. Nós brasileiros somos os responsáveis pela situação em que o nosso país se encontra, não a nossa querida presidente e os políticos. Jogar a culpa neles é mais fácil, sentar e reclamar é mais fácil, tentar mudar dá muito trabalho e não adianta, então melhor é sair daqui.
Bom ou ruim, foi o país que você nasceu, onde recebeu educação (ou não), onde suas raízes estão. Nunca escondo os problemas do nosso país quando as pessoas me perguntam, mas tento enfatizar o lado bom porque sim, há muita coisa boa no nosso país que passa desapercebido ou desvalorizado como a alegria, a hospitalidade, as comidas, as belezas naturais, o potencial econômico, etc.
Encontrei pessoas aqui que faziam questão de esconder que eram brasileiros, tentavam a todo custo perder o sotaque e se americanizar o mais rápido possível. Um dia talvez estas pessoas aprenderão que eles podem mudar de endereço, podem até renunciar a cidadania brasileira se quiser, mas o Brasil será sempre parte da vida deles e isto não é motivo de vergonha para ninguém.
Um dia tive uma discussão daquelas com uma indiana que disse que quando EU me tornar cidadã americana não preciso mais me preocupar com passaporte e deveres brasileiros, afinal, eu serei americana. Ela me deu tal sugestão, porque foi o que ela fez. Se você perguntar pra ela o que ela é, ela é americana e não indiana. (prova que este tipo de pessoa está em todos os lugares do mundo). Pra este tipo de pessoa eu só posso dizer uma coisa, que posso até me tornar cidadã americana um dia, mas isto NUNCA vai mudar o fato de que sou brasileira. E se alguém me perguntar de onde sou, posso estar morando em Marte e ter uma coleção de 10 passaportes na minha bolsa, a resposta sempre será brasileira.
Às vezes penso que estas pessoas estão fazendo um enorme favor ao Brasil em sairem do país, espero que um dia elas possam achar um lugar realmente em que serão e se sentirão em casa.

3 - O tipo "água e óleo"

Acho que este é o tipo mais comum. A pessoa que não se mistura com os outros brasileiros de jeito nenhum, seja por vergonha, por medo de não se adaptar, ou simplesmente por achar que todo brasileiro é "gentalha" e deve ser evitado a todo custo.
Claro que é mais fácil encontrar e reconhecer os brasileiros festeiros e barulhentos pelos lugares em que passa, porque afinal, eles são barulhentos! Mas detesto quando vem a generalização de que "todo brasileiro é festeiro, não leva a vida a sério, só fala em português e só quer passar a perna nos outros." Existem este tipo de pessoas? Sim, claro que existe! Assim como americanos, chineses, coreanos, indianos... mas também há muitas pessoas que assim como qualquer pessoa comum trabalha, estuda, vai pra igreja, faz passeios saudáveis e está levando a vida numa boa. Estes a gente encontra por acaso, porque afinal, estão na deles vivendo a vida deles, então antes de torcer o nariz quando ouvir que a pessoa é do Brasil, as pessoas deveriam conhecê-la primeiro. Já fui alvo deste tipo de preconceito, porque sim, é um preconceito.Quando trabalhava numa escola de inglês, tinha contato com muuuuuuuuitos brasileiros. Gente de todos os níveis sociais e de diferentes personalidades. Tinha os barulhentos? Sim! Mas tinham médicos, pessoas mais velhas, donos de próprio negócio, estudantes focados num objetivo. Eu aprendi tanto com todos eles! Apesar de não se tornarem amigos mais íntimos porque tinham interesses diferentes dos meus, eram pessoas com quem eu trocava idéias e por morar mais tempo na Califórnia, alguém que eles podiam contar para uma ajuda ou um conselho. 
Da mesma forma que não se pode julgar um livro pela sua capa, não devemos fazer discriminação de pessoas por causa de suas nacionalidades. E pra mim, não há coisa mais patética do que discriminar alguém que  possue a mesma nacionalidade que você!

E alguém já se deparou com um destes tipos? Como você reage a eles?

TÔ DE FÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉRIAS!

Nem preciso dizer o quanto estou feliz por estar de férias, né?
Só de imaginar que terei 3 maravilhosos meses para aproveitar e fazer o que eu quero sem me preocupar com exames, trabalhos, redações e notas, o meu coração já fica aliviado e feliz!
Férias não significa ficar em casa sem fazer nada, apesar que irei aproveitar uns bons dias de pijama, mas temos organizado 2 viagens, me matriculei no curso de espanhol e tenho vários pequenos projetos pra fazer em casa.
Fora isto, 7 livros na estante olhando pra mim, mas estes eu irei ler por prazer e não por obrigação!
Estou tão feliz, mas tão feliz!
E para começar bem as férias, nada do que deixar o campus da faculdade e ir direto para uma praia. E agradecer a Deus pela força e sabedoria para terminar o trimestre com notas boas, acabar o primeiro ano da faculdade e pelos 3 meses de férias que estão me esperando! E claro, agradecer a Ele também pelo privilégio de morar e desfrutar as maravilhas da Califórnia.

Pôr-do-Sol em Half Moon Bay, CA

Cade meu cobertor? Está fazendo 35C lá fora!!!

Uma das coisas que mais gosto na região que moro são as temperaturas durante o ano. No frio é bastante frio, mas nada que um casaco não dê jeito e no verão é calor, mas não aquele calor insuportável com alta umidade - como em New Jersey/New York. Eu sou uma pessoa que não funciona bem sob intenso calor - a pressão baixa e tenho heat rash (que são aquelas marcas avermelhadas na pele quando esquenta muito e o suor fica preso entre os poros da pele).
Marido como bom gringo fabricado na Escócia não está acostumado com temperaturas altas, e eu como boa brasileira, não tenho muita tolerância ao frio.
Então a dinânima de temperatura na minha casa é algo muito interessante. Enquanto no frio eu to morrendo de frio e com meia, ele está de camiseta pela casa, e raramente colocamos o aquecedor para funcionar porque o ar fica seco e o nariz começa a sangrar.
Já no verão, enquanto lá fora está 35C, dentro da minha casa a temperatura fica por volta dos 20C. Comprar casa com ar condicionado central foi uma exigência do marido, que pra mim era artigo de luxo até eu ver o bicho pegando nos dias de alta temperatura que teve semana passada.
O problema é que como o ar gelado está circulando pela casa, tenho sempre que manter distância das aberturas do ar condicionado. E alguém pode achar muito estranho, mas quando está muito calor lá fora, eu preciso de um cobertorzinho que sempre deixo em cima do sofá para poder assistir televisão, porque tem uma abertura do ar bem perto do sofá e o meu pé congela.
Quando entramos no carro eu sempre deixo o meu ar condicionado ligado até o momento de esfriar o carro e depois desligo, para o marido ligar 2 minutos depois dizendo que está derretendo de calor. E lógico que entrar no carro dele num dia ensolarado é a mesma coisa que entrar dentro de um freezer sem jaqueta para manter a temperatura do seu corpo, motivo que eu sempre desligo a saída de ar do  lado do passageiro.
Acho esta diferença tão engraçada, principalmente quando a minha sogra pergunta como está a temperatura daqui e quando eu respondo frio ou calor, ela sempre pergunta os números porque ela sabe que a minha brasileirice interfere na noção de temperatura. :-)
Isto acontece com vocês também?

No meio do caos... pequenas provas de amor fazem toda a diferença

As duas últimas semanas de junho serão caóticas. Provas finais na faculdade. Pelo menos 40 páginas para estudar e um essay pra escrever sobre um livro. Sentar 2 horas na frente do computador pra fazer uma prova online. E no meio disto tudo... amigos vindo de outro estado para férias numa cidade vizinha, querendo a nossa atenção e carinho durante a estadia. Visita no final da semana que vem. Meu aniversário para planejar e executar. Marido para cuidar, casa para limpar, comida para preparar.
Minha cabeça estava até doendo só de imaginar então eu respirei e pedi para Deus me dar sabedoria para planejar atividades de forma mais eficiente possível e não ficar maluca com ansiedade.
Aí chegam de forma completamente inesperada pequenos presentes divinos, que poderia ser totalmente insignifante para alguns, mas provam o cuidado de Deus para comigo e que não estou sozinha e vai dar tudo certo.
A minha sobrinha conversou comigo durante 20 minutos no telefone, e eu preciso escrever sobre esta conversa porque foi a coisa mais fofa do mundo! Ela cantou, contou histórias, me ensinou português ;-). Ela que detesta falar ao telefone mais do que oi e tchau e que nem em frente a webcam se concentra tanto conversou comigo. Minha irmã chamou de sorte, eu chamo de pequeno milagre, cuidado de Deus.
Hoje pela manhã ao cortar legumes para uma sopa a campainha toca.
O carteiro pediu a minha assinatura para receber um pequeno pacote branco. Bato os olhos e reconheço aquela letra. Meu melhor amigo enviou 2 livros como presente de aniversário. Meus olhos se enchem de lágrimas e um enorme sorriso no rosto. Sempre uma imensa alegria receber cartas e pacotes do Brasil. É uma lembrança de que sim, mesmo longe sou amada e querida.
Vou até a caixa de correio e recebo outro pacote, dos nossos amigos ingleses que irão chegar aqui no final da semana que vem, mas estão fazendo um tour pelos Parques Nacionais antes de chegar até aqui numa viagem de carro longa e louca. Dou pulinhos de alegria porque sei o que aquele pacote contem, mesmo sem abrir e sem descrição por fora.
Como eles moram na Bélgica, a única coisa que peço pra eles quando eles veem é óbvio, chocolate belga. O que faltava para tornar não somente o meu dia, mas a minha semana mais doce.
Você pode chamar de coincidência.
Eu chamo de bençãos de Deus.
Ótima semana para todos!

A beleza de ter um blog...

Hoje pela manhã fui dar uma olhada se tinha novidade nos blogs que acompanho com frequência e num deles tive uma surpresa maravilhosa. Uma garota que "conheço" há muitos anos, acho que lá por 2006 teve duas grandes conquintas: se formou numa faculdade americana e ficou noiva.
Até aí, tudo bem, todo mundo tem este tipo de conquista, mas a diferença é que eu não a conheço pessoalmente, mas tínhamos um blog na época em que éramos aspirantes a au pair (sim, eu sou ex-au pair) e dividimos tantas coisas juntas e sempre acompanhávamos o que acontecia na vida uma da outra. Porque eu cancelei o meu antigo blog e não tenho facebook, nós não mantemos contato, mas eu continuo lendo e torcendo por ela...
O que eu quero dizer aqui é que ter um blog é compartilhar um pouco da sua vida para pessoas que você nem conhece. Geralmente as pessoas que vão deixar alguma mensagem ou comentário tem algo bom pra dizer pra você e geralmente "te acompanha". Claro que tem também o lado ruim, de pessoas indesejadas e pobres de espírito ler o que você escreveu e te atacar, fazer fofoca, mas este não é o foco deste post e pra estas pessoas não vale a pena nem dar atenção.
O meu antigo blog está guardado no meu computador e quando releio o que escrevi, as pessoas que conheci, dá uma saudade e lamento ter parado de postar, porque muita gente ficou sem saber o que aconteceu com a minha vida.
Não sei se é so comigo que acontece isto, mas durante muito tempo você acompanha uma pessoa e aí do nada a pessoa pára de postar. Eu sinto falta. Pra falar a verdade fico até preocupada. Lembro que chorei de emoção uma vez quando uma pessoa depois de uns bons 8 meses voltou a postar no blog dela e até mesmo explicou o que tinha acontecido. Eu fiquei aliviada.
Os laços que criamos com pessoas de blog é interessante... claro que em alguns casos onde há um interesse em comum ou afinidade você se transforma amigo pessoal da pessoa, mas ler blogs pessoais é como ler um livro. E você sempre fica querendo saber o que vai acontecer com o personagem principal. E você sofre, chora, ri, se emociona...
Acho que esta é a beleza de ter um blog. Dividir a sua vida, pensamentos e emoções com pessoas desconhecidas e se tornar conhecido, companheiro de viagem.
Tenho que dizer que admiro muito as pessoas que se expõe (cara e coragem literalmente) em seus blogs. Aquelas que não apenas coloca um rosto, mas situações, emoções verdadeiras, dividem o bom e o ruim, porque afinal, embora algumas pessoas tente criar um mundo cor-de-rosa, todos nós sabemos que a vida não é perfeita para ninguém e todos tem as suas limitações, tristezas e dificuldades também.
Escolhi o semi-aninomato porque eu já fui muito machucada neste mundo virtual, mas embora não diga nome, endereço, tenha foto e conte coisas íntimas, posso afirmar que eu estou muito presente nas coisas que escrevo.

A todos que dividem um pouco de si comigo através de blogs, o meu muito obrigada. De coração.
Através deles eu encontrei pessoas incríveis, histórias fantásticas, inspiração, consolo.

Será que estamos perdendo a arte de dialogar?

Da última vez que chequei no dicionário diálogo significava conversação entre 2 ou mais pessoas. Estou correta?
Pois bem, não sei se vocês já tiveram a experiência de ter um diálogo com uma pessoa que só fala de si mesma. Eu tive ontem.
Encontrei por acaso um colega de trabalho do meu marido que toda vez que o encontra sempre pergunta por mim. Fui dizer um oi e já achei estranho ele abrindo os braços para me abraçar. Antes que alguém diga que americanizei demais, eu nunca fui uma pessoa muito chegada a abraços e 3 beijinhos com pessoas nas quais não tenho intimidade. Sempre cumprimentei com oi ou aperto de mão, a não ser que a pessoa seja minha amiga.
Mas voltando ao cidadão, após o abraço ele já desembestou dizendo o quanto ele adora o pessoal da América do Sul, blábláblá e eu fiquei escutando, esperando ele me perguntar "como você está?". Quando ele deu uma pausa para recuperar o fôlego, eu perguntei como ele estava e aí ele desembestou a falar do trabalho, do hotel, do que ele comeu no jantar e não parava de falar! Olhei para o meu marido tentando sinalizar pra ele interromper a conversa e dizer que precisávamos ir, mas ele não percebeu e o cara continuou falando, falando, falando, falando, até eu dizer que foi um prazer revê-lo e fui embora.
Achei a situação engraçada, mas depois ao conversar com o meu marido sobre o assunto, percebi que na verdade foi uma situação muito triste.
Existem algumas pessoas que simplesmente é impossível manter um diálogo porque a todo momento quando um novo assunto ou pergunta é introduzido na conversa, a pessoa sempre tem algo para dizer e  dar experiências pessoais.
Sou do tipo de pessoa que amo conversar com pessoas e ouvir experiências de vida, mas   é extremamente cansativo e até mesmo uma falta de cortesia falar ficar apenas ouvindo o que o outro tem a dizer.
Já dizia o ditado que Deus nos deu 2 ouvidos e apenas uma boca porque deveríamos escutar mais do que falar, certo?
No meio desta história toda eu comecei a questionar se isto não é um resultado da "conversa com o muro"que as pessoas mantém em sites de relacionamento. Elas falam o que precisam dizer, expõe idéias e opiniões e aí se alguém quiser comentar alguma coisa, apenas vai lá depois e escreve alguma mensagem. Tudo gira em torno de mim, do que eu penso, do que eu quero, do que eu gosto, do que eu vivi... e as outras pessoas tornam-se apenas expectatores da minha maravilhosa apresentação pessoal.
Ou será que é uma questão de personalidade (ou será defeito?!) de algumas pessoas que simplesmente se amam demais pra perder tempo ouvindo o que o outro tem a dizer?
Só sei que eu agora estou me policiando mais do que nunca. Quando pergunto ao meu marido como foi o dia dele, eu escuto. Com sinceridade e vontade. Às vezes interrompo, mas peço perdão e deixo ele terminar o que tem pra falar, pra só depois dizer o que estou pensando, porque confesso que eu adooooooro falar!
E vocês o que acham disto? Será que estamos perdendo a arte de dialogar (de verdade)?

Michel Teló who?

Nunca tinha ouvido falar deste cidadão até um dia conversando com a minha sobrinha de 4 anos e meio ela começou a cantar uma música que segundo ela tinha inventado que falava "Ai se eu te pego, delicia, delicia"... conhecendo bem o tipo de música que faz sucesso no nosso país, perguntei pra uma amiga se ela conhecia e ela respondeu imediatamente que era sucesso enorme no Brasil, um tal de Michel Teló. E minha amiga falou que tinha versão até em inglês! E lá fui eu procurar no youtube a tal da música.
Mal sabia eu que estava desinformada do sucesso do camarada... quando descobri a existência o cidadão, ele já estava fazendo sucesso na Europa!
Pois bem, nem lembrava mais do assunto até o momento que fui dar uma olhada nos vídeos mais acessados de todos os tempos no youtube. "Charles don't bite my finger" continua sendo número 1 absoluto, mas qual foi a minha surpresa ao ver que o tal do Michel Teló está como o segundo vídeo mais visto no youtube! Como pode?!
Meu marido morreu de dar risada quando vimos várias versões no próprio youtube em francês, em grego!
Eu só tive uma coisa a dizer: "No comments!"

Aniversário de 75 anos da Golden Gate Bridge

No domingo passado a ponte mais famosa e mais fotografada do mundo completou 75 anos! Dá para acreditar?
Na televisão passou vários documentários sobre a ponte e na cidade claro, teve festa e fogos de artifício para celebrar esta data tão importante!
Como tinha Carnaval em um bairro no centro da cidade e em todos os lugares estavam avisando para não usar o carro para ir até o local porque a ponte seria fechada e várias ruas perto da localidade estaria interditada para carros e sem lugar para estacionar, ir para a cidade de transporte público (trem+2 onibus) não seria algo viável, então acabei nem indo ver as comemorações, mas me deu uma pontinha de arrependimento quando vi o belíssimo show de fogos de artifício da ponte pela televisão.
Até uma amiga no Brasil disse que viu as fotos no site do uol e falou que tinha certeza de que eu estaria no meio da multidão...
Achei super bacana que até mesmo o Google homenageou a ponte e eu claro, tinha que dar um print screen na tela com a imagem para guardar de recordação.
Quem vier para San Francisco jamais pode deixar passar a oportunidade de visitar a ponte (pode parecer brincadeira, mas já conheci pessoas que vieram para a cidade e não foram!) você encontra AQUI um post que coloquei no começo do blog sobre esta ponte tão especial, que para sempre terá um lugar especial no meu coração.

Fonte: Google

Eclipse do Sol na Califórnia

Hoje estava conversando com o meu marido que escolhi o melhor trimestre para ter aulas de astronomia. Tanta coisa acontecendo lá no céu e eu tenho a oportunidade não somente de ver, mas entender um pouco mais sobre estes fenômenos.
Ontem aconteceu o eclipse total do Sol em alguns lugares nos Estados Unidos e na Ásia. A Lua não cobriu totalmente o Sol, criou um efeito de anel de fogo. Aqui na Califórnia o eclipse foi parcial, a Lua cobriu cerca de 85% do Sol. Eu claro, não iria perder por nada!
Tentei lembrar quando foi a última vez que vi o eclipse do Sol e como eu fiquei morrendo de medo porque todo mundo dizia que iria ficar a maior escuridão. Eu era criança, deveria ter uns 11 anos, porque eu lembro que corri igual uma louca da escola até em casa para ver, mas como eu não tinha os óculos pra ver e só consegui dar uma espiadinha direto no Sol (apesar de todos dizerem que não era pra fazer isto), não lembro de ter ficado impressionada.
Desta vez eu estava preparada. Já tinha feito planos com meu marido para irmos para a praia mais próxima para vermos o eclipse, mas reconsideramos o lugar porque como os dias tem sido quentes por aqui, havia a probabilidade que na costa a neblina estaria presente e eu jamais me perdoaria se perdesse o fenômeno por causa de uma neblina!
Resolvi então procurar mais informações na internet e descobri que o observatório de uma faculdade aqui perto de casa estaria com o telescópio aberto ao público para quem quisesse olhar o fenômeno e lógico que mudamos os planos na hora.
Um amigo que mora na Alemanha estaria aqui e perguntamos se ele gostaria de ir conosco e ele ficou super empolgado! E por sorte ele tinha um o óculos para ver o eclipse solar que ele guardou desde 1999 quando aconteceu na Alemanha.
Chegamos no local por volta de 4:45 da tarde e já estava cheio de gente. Entramos na fila do telescópio e aguardamos ansiosos pelo momento! O eclipse aqui começou 5:17pm e todos ficaram muito alegres! Tinha tanta gente mas tanta gente! Óculos para observar o eclipse era algo raro e precioso e sempre tinha um pedindo pra dar uma espiada, o que o nosso amigo alemão não gostou muito... Enfim...
Ficamos na fila até mais ou menos 6:30 da tarde e acreditem ou não, não vimos o eclipse pelo telescópio pelo seguinte motivo: tinha 3 pessoas na nossa frente e de repente haviam 25 pessoas! Pois é... tinha alguém guardando lugar para um grupo enorme e a fila não andava de jeito nenhum! Como o nosso amigo tinha o óculos, achei bem melhor olhar diretamente para o céu do que perder o ápice do eclipse numa fila! Fiquei chateada, mas valeu a pena.
O nosso amigo usou a câmera digital dele simples para tirar algumas fotos que acabaram ficando muito boas, uma ótima recordação daquele momento.
E enquanto muitos estavam em filas para ver os telescópios dos astrônomos amadores, eles perderam um fenômeno muito engraçado que o meu professor tinha dito para procurarmos. Se olhássemos para a sombra de uma árvore, iríamos conseguir ver o reflexo do Sol! Ninguém tinha percebido até eu apontar e tentar tirar uma foto, aí todo mundo resolveu imitar...
Foi uma experiência fantástica que irá se repetir aqui nos EUA apenas em 2023!
Quando chegamos em casa, ainda olhamos para o Sol e chegamos a conclusão de que teríamos uma ótima vista do quintal de casa mesmo... mas foi bom estar no meio da muvuca e pelo menos por um momento muitos estavam ansiosos para ver um espetáculo gratuito e magnítico!

As fases do Eclipse

Reflexo do Sol nas folhas de uma árvore próxima

Finalmente me rendi...

Nao eh de hoje que meus amigos e minha familia disse que eu americanizei. Os costumes mudaram, os pensamentos mudaram... tenho ate uma amiga que diz que eu tenho sotaque de gringo quando falo portugues (acho que isto eh coisa da cabeca dela, mas tudo bem). E apesar de ter certeza de que sim, durante estes 5 anos em que moro aqui muita coisa mudou na minha vida, nao concordo com o rotulo de americanizada.
Entao hoje, na correria para ir para a faculdade, eu faco um sanduiche de pasta de amendoim com geleia de morango pra levar comigo.
Perai.
Desde quando eu como sanduiche de pasta de amendoim com geleia no almoco?? Eu sempre achei a combinacao a coisa mais nojenta do mundo e ca estou eu, preparando um para o meu almoco, o que foi que aconteceu comigo???
Morri de dar risada quando me dei conta disto e pensei comigo: eh, definitivamente americanizei...

Tesouros celestiais

Reencontrei uma paixão antiga.
Uma paixão que tinha abandonado e até mesmo esquecido, por conta da correria do dia a dia.
Observar o céu.
Eu sempre amei olhar o céu, as estrelas, a Lua... lembro quando era criança e ficava olhando o céu e a minha mãe dizia que não podia contar estrelas senão iria nascer a mesma quantidade de verrugas nas mãos.
Aqui nos Estados Unidos a experiência mais linda que tive foi ver o céu no ARizona, numa noite de Lua Cheia. Tinha tanta estrela, mas tanta estrela, que o céu nem estava tão escuro assim.
Depois do começo das minhas aulas de Astronomia na faculdade, tenho aprendido tanta coisa sobre o sistema solar, estrelas, nosso planeta o universo... não me incomodo de ouvir toda a explicação científica, dentro do meu coração há apenas um Criador do universo... e pra mim não importa se foi através de uma explosão, em um dia ou em milhões de anos... pra mim aprender sobre o universo só me ensina o quanto somos tão pequenos, até mesmo insignificantes em espaço, mas mesmo assim o nosso Deus maravilhoso tem uma paixão enorme por cada um de nós individualmente. Se isto não te deixa maravilhado... é uma pena.
Enfim... as minhas aulas de Astronomia são no planetário da faculdade, então temos demostrações e simulações do céu durante as aulas. Semana passada o professor nos ensinou a encontrar algumas constelações e ele nos disse que Venus, Marte e Saturno estariam bem visíveis, até mesmo numa cidade iluminada.
Aproveitando que ontem teria a Super Lua, ou seja, a Lua estaria na posição mais próxima da Terra, um amigo nosso nos convidou para irmos ver a Lua através do super telescópio que ele tem.
Geralmente este amigo nos convida para programa de índio, mas este eu topei sei nem pensar duas vezes.
E eu mal sabia que a Lua seria apenas uma coadjuvante da noite...
Ver a Lua pelo telescópio é uma coisa incrível, dá para ver as crateras e até mesmo as montanhas, é algo lindo e muito iluminado. Como havia comentado com o meu amigo sobre os planetas visíveis, ele falou que poderíamos dar uma espiada em Saturno e depois em Marte, já que Venus saiu do campo de visão quando decidimos olhar.
Ele colocou primeiro uma lente fraca e apontou pra Saturno... olha, foi a coisa mais linda que eu já vi através de uma lente! Deu para ver Saturno direitinho com o anel em volta. Eu fiquei tão emocionada que eu gritei: "Get out of here! That's so amazing!" que tinha um casal passando por nós na trilha e quiseram olhar no telescópio também.
Depois ele colocou 2 outras lentes e pudemos ver mais perto e olha, eu jamais vou esquecer o que os meus olhos viram. É igualzinho nos livros! E conseguimos ver algumas das luas de Saturno, que no total são 12 eu acho. Até agora estou com a imagem na minha memória!
Vimos Marte também mas como é um planeta menor, o meu amigo não ficou tão entusiasmado, mas é bem vermelho. Coisa emocionante demais!!!!
E olhando para o céu, me deu saudade de casa...
Porque como estamos em outro hemisfério não vemos as mesmas estrelas e constelações e me deu uma saudade enorme de olhar o céu e tentar achar o Cruzeiro do Sul.
Ficamos mais ou menos umas 3 horas e meia em pé, no meio de uma trilha olhando para o céu e foi uma coisa tão simples, mas maravilhosa. Uma importante lição de que as coisas mais incríveis na nossa vida estão tão próximas para serem descobertas e aproveitadas. Que possamos aprender a parar e encontrar estes tesouros tão preciosos na nossa vida. Talvez não seja um planeta, ou a Lua, mas o sorriso de uma criança, uma flor, uma nuvem no céu.
Quando encontrar este tesouro, sorria e agradeça a Deus.
Ótima semana a todos!

É difícil...

Um tempo atrás estava conversando com um casal de conhecidos em português e o marido sempre antenado para entender o que estava sendo dito. Até que eu  olho pra ele e digo:
Paulistana - É difícil né?
Marido: "Quê?"
Paulistana: - É difícil?
Marido: What about  the building?
Paulistana: What are you talking about?
Marido: O edifício.

Eu caí na gargalhada quando entendi que ele estava fazendo confusão com as duas palavras. Tentei explicar pra ele que é difícil e edifício tem intonações diferentes e repeti, repeti, repeti.... e ele bateu o pé e disse que era tudo a mesma coisa e por isto era tão complicado aprender português!
Mas achei o máximo ele saber da palavra building em português, coisa que nunca ensinei pra ele!
Que orgulho :-)

Uma mera estudante...

Ser estudante nos Estados Unidos não é fácil.
Esta semana eu ouvi a minha professora de inglês, aquela mesma que pediu os nossos nomes americanos, dizendo que é para esquecermos namorados e namoradas até o dia 27 de junho (quando acaba o trimestre e entramos nas férias de verão) se quisermos passar na matéria dela. Olhei bem no fundo dos olhos dela e tive que sentar em cima das minhas mãos pra não levantá-la e perguntar pra ela o que deveria dizer para o meu marido quando chegasse em casa. Segurei a tentação e fui embora pra casa indignada.
Mas tudo não passa de indignação, afinal, se eu quiser passar não somente na matéria dela mas em todas as outras, terei que me dedicar e é o que tenho feito.
As vezes dá um certo pânico quando eu olho o meu caléndario da semana e um monte de coisa pra ler, estudar, escrever pra entregar, mas eu respiro fundo e tento manter a calma. Quando menos esperar junho chega e me livro desta vida por 3 meses!
A única coisa que salva a minha sanidade mental  neste trimestre é a aula de astronomia, que eu amooooo de paixão. Ainda mais porque a nossa "sala de aula" é o planetário da faculdade, então podemos ver e até mesmo viajar no espaço. Saio de todas as aulas maravilhada, é algo realmente incrível e fascinante.
Mas é frustrante. Às vezes muito frustrante, mas não me interprete mal, é uma experiência maravilhosa e agradeço a Deus por esta oportunidade. Afinal, eu precisava tirar poeira do meu cérebro que estava sem uso por algum tempo e estou reciclando o meu conhecimento na área de tecnologia, o que irá me render bons frutos no futuro.
O segredo é ter muita paciência, consigo mesma e com as coisas que às vezes acabo deixando meio de lado, como a diversão, assistir filmes, ler livros que gosto, passar tempo interagindo com amigos pela internet. Mas é só uma fase e 27 de junho está bem ali ó.
Se eu der uma sumida, já sabem, não é falta de interesse não.
Beijos e até mais!


Pare. Respire. Observe as maravilhas ao seu redor.

Fonte: Arquivo pessoal

Há bençãos e maravilhas por todos os lugares.
No sorriso de uma criança
No bom dia do nosso amado cônjuge.
Nas flores desabrochando no início da primavera.
Num email inesperado, com ótimas notícias
Um cartão postal do seu sobrinho que está aprendendo a escrever.
O pôr-do-Sol, o Mar, o lindo céu azul.
A sua saúde.
Palavras de conforto, de incentivo.
Uma fruta saborosa.
Pare. Respire. Observe as maravilhas ao seu redor.
Não deixe os problemas te cegar,
A pressa, os compromissos as contas a pagar sugar suas energias.
Olhe ao seu redor e reconheça estas maravilhas.
E não surpreenda-se se a alegria, a paz encher o seu coração.
E  você descobrir que a felicidade, que parecia estar perdida,
Agora é a sua melhor companhia.


Qual é o seu nome americano?

Na região onde moro há uma comunidade muito grande de asiáticos. Coreanos, vietnamise, chinês, japonês e portanto na faculdade onde estudo poderia dizer que mais ou menos 75% dos alunos é de origem asiática.
Todo mundo sabe (e se você não sabe, vai ficar sabendo agora) que não é fácil pronunciar alguns nomes e quando eles se parecem um com o outro então? Os professores sempre ao começar a fazer a chamada já avisam que se o nome for pronunciado errado, para a pessoa não se ofender e corrigí-lo. Até aí tudo bem. Algumas pessoas preferem ser chamadas pelo "American name", ou seja, eles traduzem ou adotam um nome como Sebastian, Joann, Aodrey. Algumas pessoas, como uma ex colega chamava-se River. Até aí tudo bem, é uma escolha da pessoa que deve ser respeitada já neste país as pessoas até  recebem carta do banco ou até mesmo tem o apelido adotado em documentos  ao invés do nome (eu já vi um conhecido que tinha na driver's license NED ao invés do nome dele).
No primeiro dia de aula a professora começa a fazer chamada e eu já sabia o que me esperava...
"Elena". Levantei a mão e disse que não era Elena e sim Eliana. A professora pergunta de novo como se pronuncia, eu repeti Eliana. Sério, pode parecer a coisa mais idiota do mundo, mas não aceito que me chamem de Elaine (Ileeeine) ou Elena (Eliina). Sei que ninguém vai pronunciar o meu nome do jeito que nós brasileiros fazemos, mas trocar de nome jamé.
A professora me olha com a cara torta e continua a chamada. A cada colega asiático ela pergunta "Do you have an American name?" o que alguns dizem rapidamente e outros dizem apenas que não. Aí um que chamava-se Lagnegyte (impossível de pronunciar, ela teve que soletrar) ela perguntou se ele tinha um "American name" e ele disse que não ela falou "Vou chamar você de L".
Péraaaaaaaaiiii, mermão!
Como assim a professora simplesmente decidiu que o nome da pessoa é difícil de pronunciar e vai colocar um apelido nele pra fazer a vida dela mais fácil???
Ao terminar a chamada ela continuou com a aula e aí quando achei que seríamos dispensados, ela veio com um sermão enorme sobre "American name".
Ela falou que como estamos morando na América devemos fazer de tudo para facilitar a nossa vida e também a vida dos outros, que ninguém gosta de ter o nome trocado ou pronunciado de forma errada, então seria uma ótima idéia que as pessoas com "nomes complicados" adotar um nome americano. Ela explicou que isto não vai mudar quem nós somos e a nossa cultura, só vai fazer a nossa vida mais fácil.
Sinceramente, eu fiquei extremamente ofendida com o que a professora falou. Pode parecer exagero gente, mas desde quando você tem que mudar o seu nome para fazer a vida dos outros fácil? Sei que ela só estava querendo ajudar, mas achei extremamente de mau gosto colocar apelido nas pessoas pra fazer a vida dela mais fácil.
Foi a primeira vez que encontrei uma professora assim, que por sinal, é peruana e fala espanhol. Todos os professores que encontrei até agora respeitam os alunos e aqueles que não tem um "nome americano", eles chamam pelo nome mesmo.
Engraçado que na próxima aula que fui o professor com o sotaque mais texano do mundo chamou o meu nome e falou bonitinho!! O único trabalho que ele teve foi ler o que estava no papel, gente! E pra minha surpresa ele pronunciou todos os nomes asiático bonitinhos e aqueles que ele tinha dificuldade, soletrou.
Agora gente, me dá uma opinião por favor, pra eu não achar que estou ficando louca... será que eu estou exagerando com esta questão de nome? Até que ponto precisamos nos "Americanizar" pra fazer a nossa vida e a vida dos outros mais fácil?

PS: As aulas já começaram num ritmo maluco, mas eu prometo que escrevo sobre as férias assim que possível!

Back to California

Ainda acho maravilhosa e engraçada a sensação ao ouvir "Welcome to San Francisco" quando o avião aterrissa em San Francisco, porque o coração fica em paz pois estou em casa.
Califórnia pra mim é sinônimo de rotina, trabalho, estudo, não férias. Ah quem me dera viver constantemente em férias neste lugar... mas os finais de semana estão aqui para isto, não?
Tive uma semana de descanso merecido, e acho que estou pronta para o próximo trimestre de aulas e aí serão 3 maravilhosos e agitados meses de férias de verão.
Graças a Deus e a dedicação aos estudos, fui bem em todas as provas e estou esperando apenas a nota de uma matéria sair.
Obrigada a todas que passaram por aqui e desejaram boas férias e boa Páscoa, prometo que assim que meus sogros voltarem pra casa eu conto como foi a minha aventura no Arizona.

Férias!

Tão desejada, tão almejada...
Terminei a última prova hoje de manhã e queria sair gritando pelo campus da faculdade de alegria...
Férias até 09 de abril, quando irei começar a contar as férias de verão que irão durar 3 meses!!!
A todas já deixo por aqui os desejos de uma Páscoa abençoada e principalmente para aqueles que moram nos EUA, não deixe o coelhinho da Páscoa e os ovinhos de chocolate apagarem o real sentido da Páscoa: Amor, Sacrifício, Vida Eterna através de Jesus!

Fui!!!!

Um ótimo jeito de começar a semana...

Saio de casa mais tarde, marido me dá carona até a faculdade porque meu carro ia para o conserto. (Além da minha batida na garagem, alguém fez o favor de bater no meu carro no estacionamento da faculdade.)
Passo o dia na faculdade utilizando todos os minutos que possuo adiantando lição de casa e estudando, já que semana que vem é semana de provas.
Mil coisas na cabeça, sogros chegam na quarta, muita coisa pra fazer.
Pego onibus de volta pra casa, tenho que caminhar 30 minutos até em casa e aí me dou conta no meio do caminho... que esqueci a chave de casa.
Bora sentar 40 minutos na frente de casa e  esperar o marido chegar em casa. Ainda bem que guardei algumas cookies que tinha levado de sobremesa, fome não passo.
A vontade de ir ao banheiro está "segurável".
Penso como seria bom viver num lugar onde os vizinhos se conhecem pois poderia estar tomando cafézinho com alguém neste momento, enquanto espero... mas estamos falando de Califórnia, ok?
Vamos pensar pelo lado bom.
Está frio, mas não está chovendo.
E eu decidi levar o laptop na mochila, o que quer dizer que posso ficar surfando na internet enquanto espero.
Acho que se não fosse por ele, alguém já tinha ligado pra polícia averigar o que uma estranha está fazendo sentada no degrau de uma das casas do condomínio.

Vivendo num lugar multicultural

Esta semana entreguei uma redação para uma das minhas aulas de inglês sobre como educar crianças em um ambiente multicultural. A professora ficou admirada com o meu trabalho, porém mais ainda quando eu disse que não tinha filhos. Como é que alguém que não tem filhos escreve sobre criação dos mesmos num lugar multicultural. Porque um dia eu os terei, ora bolas e desde já, quando eles não estão nem nos planos tento me educar sobre o assunto, porque sei que os desafios serão imensos.
Que os Estados Unidos é uma mistureba de culturas todos sabem, mesmo que não pareça. Só que alguns lugares são mais multiculturais dos que os outros. Principalmente nas duas costas, de forma acentuada nas regiões de San Francisco e New York pessoas das mais diversas culturas e origens dividem o mesmo espaço.
Isto é bom? Na maior parte do tempo eu digo que sim, mas claro que nem tudo são flores.
Em primeiro lugar quando você convive com pessoas diferentes, que pensam, acreditam e vivem de forma diferente de você, automaticamente e indiretamente os seus próprios valores e conceitos são confrontados. Lembro que quando mudei-me para os Estados Unidos, comecei a analisar e questionar a forma como os americanos vivem e como eu vivia. Aprendi muita coisa, muita coisa deixei de lado porque não é para mim, não combina com os meus valores e estilo de vida. É natural, é saudável. Viver dentro do casulo e dizer que nunca muda, nunca mudará e sempre será assim não é melhor atitude, já que independente de onde moramos, o que fazemos e como vivemos, estamos em constante mudança.
Como disse acima, gosto muito de morar num lugar multicultural. Apesar de ter muitos brasileiros na minha região, eu não faço parte da panelinha. Não é atitude esnobe, ou rebelião,  nada disso. Talvez falta de oportunidade, talvez desinteresse. Não converso com pessoas e tento fazer amizades por causa de nacionalidae, mas por afinidade. E muitos dos brasileiros que encontrei por aqui nasceram no mesmo país do que eu, e esta era a única coisa que tínhamos em comum.
E quanta coisa eu já aprendi por aqui por não conviver com pessoas apenas da minha nacionalidade, por ter curiosidade e conversar com pessoas diferentes, de lugares diferentes. Fico fascinada como uma pessoa é um mundo inteiro a ser descoberto e fico maravilhada principalmente que apesar de não termos o mesmo idioma e não dividirmos a mesma crença e costumes algumas vezes, somos em essência o mesmo e buscamos o mesmo.
Aprendo demais com meus colegas de faculdade, mesmo aqueles chatos que nunca concordam com nada. Cada um tem uma história, um ensinamento e eu estou sempre pronta para aprender com eles. Tento também ser uma boa referência como brasileira. Dizer a verdade sobre o nosso povo e sobre o nosso país, sem exageros, sem muitas críticas. Já tive que rodar a baiana algumas vezes quando algum desinformado vem com aquelas idéias pré-concebidas sobre nós, como a velha idéia de que somos índios e vivemos na selva. Lembro que uma vez os meus colegas asiáticos ficaram de boca aberta quando mostrei o Brasil no mapa. "Nossa, não sabia que o seu país era tão grande!". A gente sempre aprende algo novo, basta estar aberto para isto.
E foi assim que eu também aprendi a experimentar comidas diferentes antes de entortar a boca e dizer "ECAAA". E com a facilidade de encontrar comidas autênticas por aqui, já que há uma variedade imensa de nacionalidades na Bay Area, sou abençoada com a opotunidade de fazer a volta ao mundo em restaurantes pelas redondezas. Antigamente eu comia muita comida tailandesa e mexicana. Agora aprendi a comer comida indiana, grega. Já experimentei um pouco de chinesa, coreana. Eu experimento de tudo, quer dizer, quase tudo. De vez em quando dá uma vontade maluca de comer comida brasileira, mas não sinto aquela vontade de comer arroz e feijão todos os dias. Acho que nem conseguiria me adaptar a esta rotina novamente. As vezes descrevo as comidas para amigos e família do Brasil e eles soltam o famoso "ECAAAAA" sem nunca terem experimentado. Acho que recebi o espírito de aventureira da minha mãe, que quando me visitou experimentou absolutamente tudo. E além da brasileira, claro... comida italiana sempre!
Outra coisa que sou apaixonada são as línguas. Algumas mais do que as outras, mas se eu pudesse, viveria estudando idiomas. Fiz uma classe de espanhol e outra de francês e fiquei apaixonada. Quem sabe quando tiver mais tempo.... mas acho engraçado que aqui é tão comum entrar no ônibus e ter instruções escritas em inglês, espanhol, vietnamise e chinês. Alguns lugares tem coreano também. Algumas pessoas não gostam desta mistura de idiomas, acham que somente o inglês deveria ser usado em todos os lugares. É um assunto super polêmico, do qual eu não tenho uma opinião completamente formada.
Alguns colegas dizem que é muito chato morar aqui. Principalmente os chineses, coreanos e vietnamises. Porque estas comunidades são grandes na região, então eles podem falar a língua deles o tempo inteiro, encontram pessoas da mesma nacionalidade em todos os lugares. Pra eles, é como se não tivessem saído do países dele, o que perde o sentido de viver uma nova cultura.
Entendo a situação deles. Quando morava em New Jersey, tinha uma cidade com uma comunidade brasileira muito grande e eu me sentia no Brasil. É muito estranho mesmo.
Ao mesmo tempo que é tão bom viver nesta mistura, as vezes é um lugar muito solitário também. As pessoas de cultura diferentes interagem de formas diferentes e pode ser um impedimento para se fazer amizades. É muito mais complicado do que se parece. Palavra de quem vive na pele esta situação. E acho que estas é uma das razões pelas quais você vai perceber que geralmente o pessoal da mesma nacionalidade criam grupinhos. Aí se você é diferente fica de fora...
Uma coisa que detesto é o preconceito que ainda existe, principalmente de alguns americanos cabeça fechada. Gente, o país foi criado e desenvolvido por imigrantes! Que eu saiba os americanos não são descendentes diretos dos "Native Americans", certo? Eles são descendentes dos europeus, asiáticos, africanos, blábláblá... então porque que ter preconceito com os imigrantes? Nem vou entrar na questão de imigração e de empregos, mas de aceitar pessoas ao redor que continuam cultivando sua própria cultura e língua. Nem todo mundo que vem para os Estados Unidos se tornarão americanos. Americanizados pode até ser, pois o ambiente onde vivemos tem uma grande influência nas nossas vidas, quer gostemos ou não.
Pros meus amigos do Brasil, eu estou americanizada. Pra mim, estou aberta a novas culturas, novos conhecimentos. Aprendi a pensar "outside de box", saí da minha bolha onde morava. A gente não sabe que vive numa bolha até quando temos a oportunidade de sairmos dela. Só assim me dei conta de quem eu era, o que pensava, como vivia, no que acreditava.  Não sou melhor do que ninguém, como não acredito que ninguém é melhor do que eu, só porque tem vários carimbos no passaporte. Não adianta viajar e apenas visitar os lugares, olhar as coisas da mesma forma. É preciso aprender a respeitar acima de tudo, o indivíduo e saber que nem ele e nem você é melhor do que o outro, ou mais inteligente ou mais bonito ou mais nada. Somos todos iguais e ponto final, quer você goste ou não. E nem precisa sair do país para sair da bolha. Mudar de cidade, de bairro, de estado e você vai ver a diferença.