Retrospectiva 2014

Esperei até o último dia do ano para fazer uma pequena retrospectiva do que aconteceu em 2014.
Pra ser sincera nem estou acreditando que hoje é dia 31 de dezembro e algumas partes do mundo já é 2015.
Ao pensar em 2014 terei um sentimento misturado, porque foi um ano cheio de lutas, muita solidão, tristeza, dor, medo. Mas também foi um ano em que aprendi muita coisa boa, cresci muito e vi muitos milagres acontecerem.
A maneira mais fácil e interessante de fazer um resumo do que aconteceu foi responder ao questionário abaixo, inspirado no post da Cintia contando como foi o ano dela.

  1.  O que você fez em 2014 que você nunca tinha feito antes? Fiquei internada em um hospital por uma semana
  2. Você manteve as suas resoluções de ano novo, e você fará novas resoluções para o próximo ano? Por motivos de forças maiores não pude manter as minhas resoluções para 2014, e vou sim fazer resoluções para 2015. Na verdade eu tento fazer um balanço da minha vida e ver em quais áreas preciso melhorar e traço objetivos e sonhos a serem conquistados
  3. Alguém próximo de você teve filhos? Sim, uma amiga.
  4.  Alguém próximo de você morreu? Não, graças a Deus.
  5. Quais países você visitou? Escócia e Brasil - Estava na Escócia no começo do ano e fui para o Brasil visitar a família no final de novembro.
  6. O que você gostaria de ter em 2015 que lhe faltou em 2014? SAÚDE!!
  7. Quais as datas de 2014 que ficarão em sua memória e por quê? 13 de janeiro, o dia que meu mundo entrou de cabeça pra baixo e 27 de agosto, aniversário de 4 anos de casamento
  8. Qual foi a sua maior realização neste ano? Manter disciplina para seguir dieta e fazer tudo o que estava ao meu alcance para salvar meus rins.
  9. Qual foi a sua maior falha? Falta de paciência
  10. Você teve alguma doença/sofreu acidente? Infelizmente sim, fui diagnosticada com Lupus
  11. Qual foi a melhor coisa que você comprou? Passagem de avião para a minha mãe passar uns dias aqui comigo
  12. Onde você gastou a maior parte do seu dinheiro? Pagando contas e poupando
  13. O que mais te deixou animada? A visita da família do meu marido no verão e a minha ida ao Brasil
  14. Qual música vai te fazer lembrar 2014? Let it gooooooooo! Let it goooo!!!! - ô praga de música que está em tudo quanto é lugar :-)
  15. Comparando com a mesma época no ano passado, você está:
    1. mais feliz ou mais triste? Mais feliz
    2. mais magra ou mais gorda? Mais gorda
    3. mais rica ou mais pobre? Mais rica
  16. O que você gostaria de ter feito mais? Gostaria de ter aproveitado melhor os dias em que me sentia bem e estar mais presente na vida das pessoas que eu amo
  17. O que você gostaria de ter feito menos? Gostaria de não ter desperdiçado precioso tempo chorando e me preocupando com pessoas que não se importavam comigo.
  18. Como você passou o seu Natal? Fui à praia de manhã com meu marido olhar o mar e ao retornar preparamos nosso jantar. Foi tranquilo em casa e eu agradeço a Deus por isto
  19. Qual foi o seu programa favorito? Estudio i, da Globo Internacional
  20. Quais foram os seus livros favoritos neste ano? Bíblia (serviu de consolo e conforto e meu guia) , "Você vai sair dessa" do Max Lucado (renovou minhas forças num momento muito difícil)  e os livros da série "44 Scotland Street" do Alexander McCall Smith (me fizeram rir e me fizeram uma boa companhia)
  21. Qual foi a sua música favorita neste ano? Apesar de escutar muita música este ano, não tenho como escolher uma música favorita.
  22. Qual foi o seu filme favorito este ano? Pay it forward (A corrente do bem) - não é um filme novo, mas eu nunca tinha assistido e a mensagem me tocou demais. The fault in our stars (A culpa é das estrelas) - a mensagem do filme é linda, devemos viver a vida intensamente e amar intensamente porque não sabemos o dia de amanhã como será.
  23. O que você fez no seu aniversário e quantos anos você completou? Completei 33 anos, eu fiz um bolo de chocolate com cobertura de beijinho e comi com muito gosto e à noite fui jantar com meu marido e alguns amigos.
  24. O que faria o seu ano imensuravelmente mais satisfatório? Se eu pudesse ter rido mais da vida e de mim mesma.
  25. O que a manteve sã? Deus, meu marido ( com todo amor, carinho e paciência) e amigos próximos que se mostraram mais próximos do que irmãos.
  26. Conte uma lição de vida preciosa aprendida em 2014. Foram tantas coisas aprendidas... a mais preciosas foram: ninguém vive neste mundo sozinho, é preciso ter humildade para pedir ajuda e aceitar ser ajudado. É difícil, mas é importante pedir perdão porque tira um peso de dentro do coração. A vida pode ser difícil, injusta, triste, solitária, tudo depende de como você a enxerga. É possível ter paz e alegria mesmo em meio às dificuldades e esta escolha só você pode fazer. Jesus é o bem mais precioso que eu tenho, o meu pilar, minha fonte de vida e a minha esperança para o futuro, sem Ele eu não sou absolutamente nada.
A todos um 2015 repleto de muita saúde e de muitas realizações e alegrias. E como eu li em algum lugar hoje, pra ter uma vida nova em 2015 é preciso mais do que mudar a folha do calendário, é preciso mudar as atitudes e semear coisas boas.

Os conflitos natalinos...

"It's the most wonderful time of the year!!!"... Se você mora pelas bandas de cá a esta altura do campeonato não consegue mais ouvir o refrão desta música natalina que toda sem parar, em várias versões diferentes no rádio, no shopping, no mercado, até mesmo no meio da rua... as músicas de Natal começam a ser tocadas nos rádios no dia depois do dia de Ação de Graças (este ano foi dia 27/novembro) e se eu não me engano páram no dia 26 de dezembro. - Graças a Deus a Simone não toca nas bandas de cá.
Mas será que este é realmente "a melhor época do ano"? Natal pra mim tem um grande significado porque eu sou cristã, mas isto fica meio perdido por aqui, afinal, a única coisa que o povo pensa é comprar. Comprar, comprar, comprar, comprar, comprar. Hoje a muito contra-gosto fui ao shopping devolver uma roupa que veio do tamanho errado e decidi ir às 10h da manhã, assim que o mesmo abrisse pois teria poucas pessoas. E qual foi a minha surpresa quando cheguei e o estacionamento estava lotado! Só descobri o motivo quando cheguei na porta do shopping e vi que esta semana ele abre as 8 HORAS DA MANHÃ! Pensa!
Mas não é sobre isto que queria falar neste post... acho interessante como as diferenças culturais aparecem nesta época do ano entre eu e o meu marido. Na maior parte das vezes a gente dá risada, mas tem horas que fico extremamente irritada e estressada quando chega esta época do ano.

PRESENTES
Bom, todo mundo gosta de ganhar presentes não é mesmo? E nesta época é comum a troca de presentes - ainda mais por aqui... o problema é que como você recebe o presente, você tem a OBRIGAÇÃO de dar presente também e todo ano rola o maior stress por conta disto. Acho que começa mesmo em novembro a minha sogra perguntando o que eu quero ganhar de presente de Natal. Acho bonito da parte dela querer me dar um presente, mas eu acho um saco ter que dizer pra pessoa o que quero ganhar... Alguns anos atrás eu estava de olho numa bota, num casaco, tudo bem, mas este ano eu simplesmente não quero/preciso de nada, acho que os 7 anos que já estou na família e o bom tempo que passamos juntas ultimamente daria idéia para ela comprar algo que eu goste, mas aí fica a pressão pra dizer algo que eu quero/goste. E o meu marido fica super aflito porque ele também me pergunta o que quero ganhar e eu digo que não precisa, não precisa e ele fica desesperado dizendo: "Não posso deixar minha esposa sem presente de Natal!!". O problema é que eles estão acostumados culturalmente a "pedir" presente. Primeiro para o Papai Noel, depois diz aos pais o que quer, assim ninguém ganha presente que não quer/gosta, o que é prático, ótimo, mas perde a graça... Só que aí entra o meu problema porque eu também sou obrigada a dar um presente pra sogra, pra cunhada, pros sobrinhos... porque eles me compram presente então preciso retribuir. Na minha família, presente de Natal era uma roupa nova e um brinquedo (e olhe lá) quando crianças. Depois que crescemos a gente comprava uma lembrancinha ou outra pra mãe e pronto. NInguém era obrigado a dar presente pra ninguém então eu acho este conceito bem estranho. Fora que ninguém merece pagar o dobro do valor do presente no envio do correio e torcer para chegar inteiro até o destinatário.

PAPAI NOEL
Meu marido cresceu acreditando em Papai Noel. Meus pais nunca me contaram a história do Papai Noel, via na televisão, nos desenhos, pra dizer a verdade acho que nenhum dos meus amiguinhos acreditava... achava legal a história, mas tinha coisas que nunca entravam na minha cabeça, como a entrega de presentes pela chaminé. Até aí tudo bem, os dois já estão bem crescidinhos pra saber que o bom velhinho não existe, mas os sobrinhos pequenos ainda acreditam. Detesto mentira e desculpa os defensores, mas pra mim história de Papai Noel é a primeira grande mentira que os pais contam para as crianças. E tem toda a enrolação de deixar as evidências de que ele passou na casa para deixar presente, a chantagem para o bom comportamento... Lembro-me que ano passado eu passei o Natal da casa deles e quase deixei escapar a verdade porque eu não estou acostumada a contar as histórias e tal. E olha, aqui entra a parte dos presentes e o motivo que a partir deste ano os meus sobrinhos vão ganhar dinheiro da nossa parte. Eu vi o MUNDO de brinquedos e coisas que eles ganham de Natal. O primeiro que eles abrem é o que o Papai Noel deixou, algo que eles pediram e lógico que ganharam porque se comportaram bem. O resto dos presentes... bem é apenas resto. Eu vi eles rasgarem com euforia presente atrás de presente, sem nem ao menos dar atenção o que era e quem deu. Veja bem, eles não são crianças mimadas, mas é assim que acontece quando se há muito ao mesmo tempo. E o presente que eu corri igual uma louca pra achar no shopping ficou lá no meio dos outros, fiquei sentindo meio chateada sabe? Pelo menos agora com o dinheiro eles tem o poder de economizar e comprar algo que querem, assim quem sabe dá um pouco mais de valor.

COMIDA
Esta parte é realmente interessante. A comida que pra mim representa Natal - além de Panetone, é claro, é salada de maionese. Não me pergunte porque mas quando era criança sempre achei que salada de maionese era comida que a gente só podia comer no Natal. Eu amo, amo, amo, amo, mais do que todo o resto do peru, do frango, dos doces. E o meu marido detesta. Odeia salada de batata normal e odeia azeitona. Então quando chega o Natal eu fico toda empolgada pra fazer salada de maionese, mas tenho que fazer só pra mim, porque ele não come.  Eles comem praticamente o que comemos na ceia, peru, purê de batata, salada de batata e os legumes cozinhos/assados. Agora o que é bastante tradição pra eles comer é "Christmas pudding" e um bolo que aqui nos EUA é motivo de piada (o bolo que só existe um e ninguém quer e vai passando de casa em casa) chamado Fruit Cake. Eu acho extremamente doce, mas o meu marido adora. Este ano tentei encontrar pra fazer parte da nossa ceia Natalina, mas os outros britânicos da região chegaram primeiro do que eu na loja e não consegui encontrar. Outra coisa que não suporto é o couve de bruxelas cozido. Dá arrepio só de pensar...

CARTÕES DE NATAL
Todo ano fazemos a lista da família e amigos para o qual iremos enviar cartões de Natal. Embora seja um hábito em muito desuso no Brasil, aqui e na Escócia é tradição levada a sério. Este ano eu resolvi fazer os nossos cartões e foi uma experiência ótima. O que me mata de rir é a diferença do que escrevemos dentro dos cartões. Os cartões que o meu marido escreve geralmente ele só coloca Feliz Natal e Feliz Ano Novo com amor e assina. Eu fico pasma. Não tem mensagenzinha de felicitações, votos para o próximo ano... bem simples e prático. Enquanto eu demoro pra escrever 1 cartão, ele já escreveu 10. Já tentei fazer ele escrever algo mais pessoal nos cartões, mas não deu certo, então seguimos com os nossos estilos.

Os conflitos são administrados com bom-humor e aos poucos estamos criando as nossas próprias tradições também. Gosto de decorar a árvore de Natal e um pouco a casa, mas não tem uma data certa, já que segundo ele deveríamos fazer apenas 12 dias antes do Natal, no Brasil eu aprendi que é no dia 6 de dezembro e aqui é quando der na telha, mas muitas famílias já decoram depois do dia de Ação de Graças. Eu amooooo ver as decorações de Natal das casas, então algumas vezes durante a noite, saímos pela vizinhança para olhar as decorações e eles capricham!!! Também vamos à apresentação de Natal da nossa igreja que acontece no começo de dezembro chamado Christmas Spectacular que já deixa a gente com o espírito do Natal. Também gostamos de ir até San Francisco para ver a árvore de Natal no pier 39.  Durante o tempo que estamos juntos, já passamos o Natal em casa, com família, com amigos, viajando... e cada um tem os seus sabores e dissabores, como sempre.

O importante pra mim nesta época é lembrar do nascimento de Jesus e tentar seguir o seu exemplo de humildade, paz e ajudar as pessoas próximas.  Espero que todos tenham um bom Natal e um ano de 2015 cheio de saúde porque com isto a gente consegue correr atrás do resto.

A Bolha do Vale do Silício...

Sempre digo ao meu marido que nós vivemos numa bolha, afinal, as características econômicas, sociais e culturais daqui não dá para comparar com outras regiões da Califórnia, quem dirá dos Estados Unidos.
Às vezes recebo emails de pessoas que querem saber um pouco mais sobre como é a vida aqui, custo de vida, se vale a pena pegar uma passagem e "vir tentar a vida" por aqui. Esta é uma pergunta tão, mas tão difícil de responder... depende de tanta coisa, depende tanto da pessoa, do que ela quer, de como vive, de como consegue se adaptar...
O que sempre digo é que a realidade aqui não é tão cor-de-rosa como as pessoas pintam. A televisão brasileira ainda vende demais o sonho americano, que infelizmente, tem morrido até mesmo para muitos americanos. E é preciso tomar muito cuidado com o que se lê por aí na internet e do "amigo do tio do primo do vizinho do meu cunhado", porque existem pessoas bem sucedidas aqui sim, brasileiros que encontraram o seu lugarzinho ao Sol possuem uma boa vida, mas muita gente esconde a realidade dura de se viver aqui e só "compartilha" nas redes sociais o glamour de sábado à noite, ou aquela viagem maneira que fez depois de ter trabalhado quase 80 horas em 3 empregos diferentes pra poder pagar o aluguel do quarto compartilhado com mais 8 pessoas. Pessoalmente conheci uma menina que passou fome, mas dizia para a família e para os amigos no Brasil que estava tudo bem, e as fotos da página dela mostravam uma vida que era longe de ser a verdadadeira...
Não mato os sonhos de ninguém. Pra mim impossível é uma palavra que a gente impõe pra nós mesmos, ou então colocamos como desculpa para não correr atrás de um sonho. Pra muita gente, eu estar aqui hoje era algo impossível. Não foi algo que aconteceu do dia para noite também, tive que passar os meus perrengues para chegar onde cheguei e sou grata a Deus pelas oportunidades e pelas decisões que tomei - muitas vezes contra a maré - pois todas juntas foram importantes para chegar onde cheguei.
Achei interessante que dois canais de notícias esta semana mostraram uma realidade pouco conhecida daqui. A crescente população de moradores de ruas. E ao contrário do que se imagina, estas pessoas não são pobres coitados, ou bêbados ou drogados, são trabalhadores assalariados em sua grande maioria, pessoas que ainda trabalham mas não conseguem pagar os preços rídiculos dos aluguéis daqui...
Uma coisa que tem aumentado muito são as pessoas pedintes, sabe aquelas pessoas que páram no farol para pedir alguma coisa, segura uma plaquinha? Pois é... eu achei que nunca veria estas coisas por aqui, afinal estou em um país do primeiro mundo, no lugar mais rico do país e mesmo assim a realidade é bem outra...
Por isto, se você quer tentar a vida por aqui pesquise muito, muito mesmo.... planeje-se, guarde dinheiro... a qualidade de vida aqui é boa, mas a vida não é fácil, nem para os americanos quem dirá para os imigrantes que precisam começar do zero?
Abaixo as duas reportagens em português sobre o desmantelamento de um acampamento sem-teto em San Jose, o coração do Vale do Silício

Reportagem 1 sobre o desmantelamento do acampamento sem-teto em San Jose
Reportagem com vídeo sobre acampamento de sem-tetos em San Jose


São Paulo...

Então nos encontramos novamente. Fazia apenas 1 ano e meio que tínhamos nos visto, depois de longos anos separadas.
Em minha memória haviam doces lembranças da época em que fazíamos parte da vida uma da outra. Dividimos tudo até os meus 25 anos de idade, quando parti. Saí dela, mas ela não saiu de mim. Para onde fui levei comigo o que aprendi passeando por suas ruas, sempre com um olhar desconfiado e um passo apressado. O céu cinza nunca me incomodou. Nunca tinha reparado no seu forte cheiro de gasolina misturado com poeira. O trânsito, sua marca registrada, nunca me preocupou ou irritou. A violência tão presente nos noticiários, nunca impediu que saísse de casa.
Mas São Paulo mudou. Ou será que fui eu que mudei tanto assim?
Tudo pareceu mais caótico, mais cheio, mais triste, mais cinza.
Pela primeira vez, me senti perdida mesmo passando por ruas tão familiares.
Era tanto barulho, tanta gente que mal conseguia escutar os meus pensamentos e o meu coração.
Senti-me solitária, senti vontade de voltar pra casa. E foi aí que percebi, que aquele não era mais o meu lar. Fui tratada como estranha na minha própria cidade. E tudo isto doeu demais.
Acho que São Paulo também sentiu a mesma dor, a dor da nossa separação... porque quando nos despedimos choveu sem parar...

Bem-vindo à terra do intolerante à lactose, gluten, ovos, vegano, vegetariano...

Se você tem algum tipo de restrição alimentar ou segue uma dieta específica a Bay Area é um dos melhores lugares do mundo para se morar. As pessoas respeitam e fazem de tudo para acomodar restrições alimentares sejam elas por conta de problemas de saúde ou apenas estilo de vida ou adotadas por questões religiosas.
Vou ser bem sincera que eu nunca tinha pensado muito sobre este tipo de coisa até ter me mudado para os Estados Unidos. Cresci numa casa onde a comida era posta no prato e se você quiser comer, comia, senão ficava sem comer. Cada uma das minhas irmãs tinham uma determinada preferência, como por exemplo a minha irmã mais nova não toma leite ou come nada que venha na forma de creme como strogonoff, requeijão, etc. Pra mim, aquilo era uma frescura, mas a gente sempre respeitou os gostos dela (apesar de quando crianças sempre tentar dar uma forçadinha pra ela comer estas coisas, até perceber que não tinha jeito, ela não comia e pronto). Nunca tinha conhecido uma pessoa que era por exemplo, alérgica à lactose.
O meu primeiro encontro com a realidade de alergia à comida foi quando fui ao McDonald's assim que cheguei nos EUA e pedi um sundae de chocolate. Para a minha surpresa o Sundae veio sem os amendoins em cima, o que eu achei muito estranho mas não quis perguntar sobre isto para o atendente. Ao retornar para casa perguntei para o meu host dad porque o sundae não tinha o amendoim e ele me explicou que muitas pessoas nos EUA eram alérgicas à amendoim e por isto como medida de segurança os amendoins do Sundae são entregues em saquinhos para quem pedir, assim não há contaminação dos outros alimentos. Lembro-me de ter ficado chocada com o fato de alguém ser alérgico à amendoim e muito mais por muitas pessoas nos EUA terem este tipo de alergia.
Ao me mudar para a Califórnia eu descobri que restrições alimentares não aconteciam apenas por conta de alergias, mas também por conta de filosofias de vida e também questões religiosas. Aqui aprendi o que era vegano, dieta paleolítica, alimentação gluten-free e também alimentos kosher.
Como eu trabalhei com crianças por vários anos aqui, era comum lidar com algum tipo destas restrições quando ajudava as mães a preparar algum tipo de playdate (encontro para as crianças brincarem), festas de aniversário e até mesmo preparar o lanche para a escola. Aqui eles levam muito a sério esta questão alimentar, respeitam e fazem de tudo para acomodar todo mundo o que é bom por um lado, mas confesso que enche o saco por outro lado também.
Lembro-me que uma das crianças da qual eu cuidava estudava numa classe onde um dos coleguinhas era extremamente alérgico à qualquer tipo de nozes, então sempre que eu ia fazer o lanchinho para levar para a escola eu tinha que ter certeza de que não havia nada no lanche do meu menino que tivesse nozes.  Claro que no caso era uma criança de apenas 4 anos de idade e a escola pequena estava preocupada já que ela era extremamente alérgica à nozes e qualquer contato poderia levar esta criança para o hospital, porém eu fico pensando até que ponto todas as pessoas ao redor devem fazer o esforço de mudar seus hábitos alimentares para acomodar uma pessoa com determinada restrição. Às vezes eu fico pensando neste tipo de coisa quando viajo de avião por exemplo... nunca aconteceu de eu entrar num vôo com alguém extremamente alérgico a nozes, mas o meu marido entrou uma vez e eles pediram para todos os passageiros que não comessem nada que tivesse nozes já que poderia passar algum traço para o ar condicionado e causar problemas para esta pessoa. Imagina se a única coisa que eu tivesse trazido para comer fosse um sanduíche com pasta de amendoim (muito comum por aqui) ou então tivesse comprado cookies com amendôas? Complicado né?
A questão de respeitar e tentar acomodar restrições das dietas é uma das coisas que facilitam e me admira muito no serviço de restaurantes aqui nos EUA, especialmente aqui onde moro. Em todos os restaurantes hoje em dia é possível encontrar pelo menos uma opção sem glúten (que virou modinha agora dieta sem glúten para emagrecer, mas novamente, muitas pessoas aqui nos EUA tem alergia ao glúten e precisam ter uma dieta gluten-free) e há várias opções vegetarianas também. Uma coisa que me deixa contente (e algumas pessoas abusam) é o fato de você pedir que alterações sejam feitas nos pratos do menu, adicionando ou retirando ingredientes do mesmo, o que facilita a vida daqueles que estão com alguma restrição alimentar sem custos adicionais.
Existem por aqui também restaurantes especializados em pratos veganos, que eu nunca tinha ouvido falar até colocar os meus pés aqui na Califórnia, ou seja, comidas que não contenham nenhum ingrediente que tenha origem animal. Comida vegetariana é super fácil de encontrar e confesso que a minha concepção de pratos vegetarianos mudou muito quando vim morar aqui. Antigamente achava que vegetariano vivia de salada e tofu, mas a variedade de pratos é muito grande e a comida é realmente saborosa. Eu particularmente gosto muito de pratos vegetarianos da cozinha Indiana e até mesmo aprendi a cozinhar alguns.
Nunca tinha pensado muito sobre o assunto até eu me deparar com restrição na minha alimentação, no meu caso por conta de saúde, onde precisava limitar a quantidade  de sódio e eliminar completamente o sal de cozinha. No princípio eu achei que jamais iria conseguir encontrar alguma coisa com sabor para comer depois de eliminar o sal da minha dieta, mas descobri as grandes possibilidades de comer bem e com muito sabor sem o nosso amigo branquinho. Outra coisa que percebi é a enorme quantidade de sódio que existem nos alimentos no geral, e fico boba em saber que um aperitivo de um restaurante aqui por exemplo, contém 2x a quantidade total de sódio que eu posso comer em um dia!!!! E como é que eu sei disto? Aqui na Califórnia existe uma lei em que qualquer restaurante que tenha mais do que 10 unidades precisa oferecer ao cliente a tabela nutricional dos alimentos servidos e a grande maioria também disponibiliza esta informação online. Então sempre que vou comer fora eu dou uma olhada para me preparar e pedir as modificações que preciso para poder comer.
O rótulo com informação nutricional dos alimentos ajuda e muito as pessoas que precisam ficar de olho em certos ingredientes proibidos. Aqui os alimentos vendidos nos supermercados possuem informação nutricional com descrição das calorias, quantidade de gordura, açúcar, proteína, fibra, sódio e também a descrição por quantidade do que contém o produto. Qual foi a minha surpresa, por exemplo ao descobrir que o nosso querido Nuttela, que é uma pasta de avelã achocolatada é composto principalmente de açúcar, pois este é o primeiro ingrediente da lista de ingredientes que compõe o produto!!! Ler estes rótulos ajuda bastante quem tem alergia pois por lei é preciso descrever com letras em negrito e em destaque se o produto contém glúten, leites, ovos, nozes ou se é produzido em lugares onde exista a possibilidade de contaminação com os mesmos, já que foi produzido em lugar onde estes alimentos também são manipulados.
Existem diversas teorias sobre esta "alergia" louca que os americanos tem com alimentos e infelizmente parece que está ficando cada vez mais comum encontrar pessoas com algum tipo de alergia alimentar. Algumas pessoas acreditam que o grande consumo de alimentos processados, que contenham high-frutose corn syrup e os alimentos geneticamente modificados estão causando esta epidemia de alergia nas pessoas, por isto o consumo de produtos orgânicos tem crescido e muito por aqui. Se comparado com o Brasil os alimentos orgânicos são bem mais baratos e bem mais acessíveis e sempre que posso compro produtos orgânicos. Uma coisa que não abro mão de jeito nenhum é comprar frango orgânico, pois infelizmente aqui se usa muito antibiótico para fazer com que o frango cresça rápido para o abatimento.
Então, se você tem algum tipo de problema com algum ingrediente ou comida, seja bem vindo ao paraíso do intolerante à lactose, gluten, ovos, veganos e vegetarianos, adeptos da dieta paleo e suas variações também. Aos que querem dizer adeus ao sal e ao sódio, a luta é pouco mais difícil, mas não é impossível encontrar boas opções para comer fora também. O importante é sempre ter uma atitude pró-ativa, não espere que você vá a um jantar na casa de alguém e a pessoa prepare uma comida especial para você. Ofereça de levar a sua própria comida (não há vergonha nenhuma nisto) ou leve um prato que você sabe que pode comer para dividir com outras pessoas, assim se não houver algo que você possa comer, você sabe que tem aquele prato preparado por você como alternativa. Tenho amigos maravilhosos que sempre preparam algo especial pra mim e fico sempre emocionada e agradecida, porque sei que é um trabalho a mais e eles fazem isto com todo cuidado e amor!
E se você não precisa pensar ou ler rótulos antes de comer, sinta-se abençoado e respeite outras pessoas que precisam ter este cuidado. Jamais tire sarro ou ignore quando alguém diz que não pode comer alguma coisa, tentando esconder o alimento porque isto pode trazer consequências seríssimas! Um amigo meu contou que quando seu irmão começou a namorar disse que a namorada tinha alergia a alho e o pai, como bom italiano disse que era balela, afinal, quem é que tem alergia a alho? Ele achou que era frescura por causa do gosto e preparou um banquete italiano regado a muito alho (bem picadinho, claro) para dar boas vindas à nova namorada que nunca tinha comido na casa deles. Pois ela mal começou a almoçar e teve que ser levada às pressas para o pronto-socorro. O sogro ficou morrendo de remorso e demorou um pouco pra namorada confiar comer novamente naquela casa, mas eles aprenderam uma valiosa lição naquele dia: alergia à alimento, pois mais absurdo que seja, não é frescura!

Era onde queria estar...

Um dos meus lugares favoritos em San Francisco - Baker Beach


Walk to End Lupus San Francisco 2014

Hoje, pela primeira vez, participei de uma caminhada com uma causa - o de conscientização da Lupus. Tinha prometido para mim mesma quando estava internada no começo do ano que se minha saúde permitisse, eu estaria no Golden Gate Park participando desta caminhada.
Estava esperando um dia cinzento e frio, mas o dia foi lindo! O clima era bem caloroso e tinha em torno de umas 2.000 pessoas. Ao olhar aquelas pessoas fiquei contente que haviam muitos engajados na causa de angariar fundos para pesquisas que levem a descoberta da cura desta doença e de melhores tratamentos para os pacientes - já que todos disponíveis atualmente são altamente tóxicos.
Eu e minha amiga terminamos a caminhada de 5km em mais ou menos 2 horas, já que a gente ia caminhando tranquilamente, tirando várias fotos e aproveitando o dia.
Abaixo gostaria de compartilhar um pouco do evento...

Começo da caminhada

Porque eu caminho...

Passando pelo jardim botânico

Alguns dos participantes

Jardim Botânico no Golden Gate Park

Eleições presidenciais em San Francisco

Domingo estava um dia lindo em San Francisco. Um pouco quente demais para o meu gosto, mas o dia perfeito de verão - comuns nos meses de setembro/outubro aqui na região.
Acordei super animada para ir para o Consulado votar e fui pra lá sem pressa alguma pois achei que seria bem movimentado mas tranquilo.
Estacionei na estação de metrô mais próxima de casa e fui para o centro de San Francisco de BART, já que tem uma estação bem próxima do consulado. Eu e o meu marido fomos caminhando tranquilamente, até eu chegar na rua próxima do consulado e ver a fila G-I-G-A-N-T-E que dava volta no quarteirão!
Era mais ou menos meio dia e o meu marido falou para eu desistir, mas não tinha como! Já estava ali! Tentei animá-lo dizendo que o ato de votar em si não demora mais do que alguns segundos e lá fomos para a fila... 1h30min depois nós conseguimos entrar no prédio para pegar o elevador e ir até o terceiro andar, onde fica o consulado. A fila era para entrar no prédio e eles foram bem organizados para as pessoas entrarem e saírem dos elevadores. As pessoas estavam animadas, todas pareciam não se incomodar tanto com a fila, batendo papo e fazendo amigos de infância durante a espera...
Chegando dentro do consulado haviam várias "seções", mesas com as urnas eletrônicas. E só havia uma pessoa na minha frente. Infelizmente o meu marido não pôde entrar, ele estava super curioso para ver as urnas e como funcionava o voto.
Acho que fomos a nossa costa foi a última zona a ser fechada e apurada, junto com Vancouver por causa do fuso horário, por isto na volta para casa a maioria dos votos já haviam sido apurados e eu desacreditei totalmente nos resultados que via... ainda não consigo entender como as pessoas gritam e protestam e pedem mudanças mas na hora de fazer algo de concreto para mudar a situação nada muda!  Mas não vou discutir política por aqui. Dia 26 de outubro tentarei fugir da fila, mas estarei mais uma vez presente para fazer a diferença para o meu querido país.
O meu marido queria muito comer comida brasileira mas imaginamos que a maior parte dos brasileiros naquela fila iriam acabar em um ou outro restaurante brasileiro da cidade, então decidimos caminhar até o Ferry Building que tem vários restaurantes e barraquinhas. Gosto tanto da praça em frente ao Ferry Building, tem uma feirinha hippie com várias coisas interessantes para se ver: pinturas, roupas, bijuterias, lembrancinhas... o meu marido comprou uma torta e eu comi um sanduíche do lado de fora olhando as balsas e a movimentação e ouvindo português por todos os cantos também :-).
Antes de ir embora fomos até o pier 7, um dos meus lugares favoritos da cidade, posso ficar lá por horas a fio, mas o calor estava tão grande que tomamos um sorvete e retornamos para casa exaustos!

Fila para votação em San Francisco

Ferry Building - San Francisco

Em frente ao Ferry Building San Francisco
Pier 7 - San Francico (um dos meus lugares favoritos)
Transamérica Building visto do Pier 7 - San Francisco


Acompanhando a apuração dos votos presidenciais pelo telefone 99% concluído (vermelho-Dilma, azul-Áecio, amarelo-Marina)

Carmel-by-the-Sea ... a cidade que conquistou meu coração.

Existe uma pequena cidade litorânea ao Sul do Vale do Silício chamada Carmel-by-the-Sea que é uma cidade que eu amo e nunca me canso de visitar.
Existem na cidade pelo menos duas praias - (Carmel Beach e Carmel River State Beach) que para ser sincera não existe nada de espetacular. A areia é branca e bem fofinha, o Oceano como sempre muito, muito gelado. Já tive o prazer de sentar por algumas horas olhando o mar e ver golfinhos nadando ou lontras marinhas.
A região do centro da cidade é constituída de muitas lojas de arte e joalherias e o único shopping a céu aberto possuem lojas mais caras também. Há vários restaurantes e cafés, mas todos independentes porque existe uma lei na cidade que proibe franquias.
O charme da cidade está exatamente aí, porque as casas e hotéis são a maioria com fachadas de pedras e as árvores do tipo Cypress dão um charme a mais para a região.
Como estamos falando do litoral Norte da Califórnia, não espere dias quentes para aproveitar a praia, pois no verão onde ao Sul (Los Angeles/San Diego) as temperaturas vão às alturas, por aqui o tempo está nublado e frio por conta da neblina. E os dias mais lindos ensolarados são justamente os meses de outono/inverno onde as temperaturas são mais baixas.
Mas pra ser sincera, não importa a época do ano... toda vez que estou com vontade de ver o mar há várias opções de praias mais próximas aqui de casa, mas sempre acabo escolhendo ir para Carmel.
É possível também visitar um parque ecológico para fazer trilhas, observar vida marinha e pássaros chamado Point Lobos, que fica sempre lotado nos finais de semana. Quando fui com o meu marido nós só conseguimos estacionar o carro na estrada e andamos bastante até chegar a entrada do parque, mas valeu a pena. Levamos conosco um lanche e fizemos picnic por lá mesmo, foi um dia cansativo mas bem gostoso.
Carmel é considerada uma cidade muito romântica e por isto muitos casais decidem se casar nas praias da cidade. É bem comum você chegar na praia e estar acontecendo um churrasco, aniversário e também ao final da tarde, as pessoas acendem uma fogueira e reunem os amigos.
É nesta cidade onde também fica o campo de golfe mais famoso dos EUA chamado Pebble Beach. Para ir até lá é preciso pagar 10 dólares na estrada chamada 17 miles drive. Na verdade é um condomínio fechado constituído de vários campos de golfes e mansões que não dá para acreditar que existem!! Durante o percurso das 17 miles, existem alguns pontos turísticos como a Lonely Cypress, uma árvore no topo de um morro sozinha e alguns pontos à beira da praia para ver leões marinhos e lontras. As praias daquela região tem bastante rochas e bastante esquilos também, é sempre bem relaxante dirigir ao lado do mar e sentir a brisa marinha... mas mesmo que você não queira gastar 10 dólares para entrar na 17 miles drive (que aliás é descontado o valor se você comer em um dos restaurantes dos campos de golf), vale a pena passear por esta cidade charmosa e encantadora.
Pebble Beach é como se fosse um resort, tem restaurante, hotel, várias lojas de souvenir e de roupas de golf. Para quem chega no lugar pode se sentir um pouco intimidado pelos "almofadinhas", confesso que a primeira vez que fui lá fiquei meio sem jeito, mas percebi que o lugar é lindo e tanta coisa legal para olhar que mesmo eu que não estou nem aí para golf, sempre acabo me divertindo. Existe um restaurante que é bem caro, mas tem um bar chamado "The tap room" que é tipo pub onde há várias opções de saladas, sanduíches e hamburgues por um preço camarada - e olha, as porções são gigantescas, quando eu pedia um sanduíche por exemplo sempre dividia com alguém.
Digo para o meu marido que se ganharmos na loteria é lá onde irei comprar uma casa e passar os meus dias de aposentada...
Como ainda estava em fase de recuperação quando o nosso aniversário de casamento chegou em agosto, passamos um final de semana super tranquilo e romântico por Carmel, sem fazer nada específico além de caminhar pela praia, conversar e comer. Aproveitamos que também ficamos na cidade e numa tarde ensolarada resolvemos pegar um pouco o trecho da famosa Highway 1 até a cidade chamada Big Sur. É um dos trechos mais bonitos da Highway 1 na minha opinião. É um pouco longe para fazer um bate e volta da minha casa, mas estando em Carmel foi um passeio bem gostoso e tranquilo...
Se você estiver pela região eu recomendo muito uma visita a esta cidade para relaxar e aproveitar a natureza. Infelizmente não tenho muitas fotos da arquitetura apaixonante da cidade, mas vou colocar algumas fotos que tenho dos meus lugares favoritos e que citei aqui neste post. Ai ai, só de olhar já dá vontade de pegar o carro e ir pra lá novamente, vou jogar na loteria pra quem sabe ter a oportunidade de abrir a janela e ver esta paisagem todos os dias :-). Sonhar não custa nada, não é mesmo?

Carmel River State Beach
Carmel Beach
Mission Trail
Carmel Mission - Isto é um museu, mas nós não entramos

Centro da cidade
Centro da cidade

Shopping a céu aberto

Meu café favorito na cidade :-)
Muitas flores sempre pela cidade
A casa dos meus sonhos...

Point Lobos National Park

Point Lobos National Park

Vista da praia Carmel do campo de golf Pebble Beach
O famoso 18th do campo de golf Pebble Beach

O hotel do campo de golfe Pebble Beach
Vista da 17 mile drive
Pôr-do-Sol na Carmel Beach

Chegou a hora da verdade! - Será?

Apesar de não morar no Brasil há muitos anos, continuo acompanhando de perto - da melhor forma possível - o que anda acontecendo por lá. Converso com amigos e com a família e todos são unânimes em dizer que as coisas estão indo de mal a pior...
Quando ligo a televisão e vejo as notícias dos escândalos de corrupção o meu estômago revira. Fico pensando como e quando é que as coisas irão finalmente mudar, e lembro que as eleições estão apenas há 1 semana de distância.
É ali, naqueles segundinhos apertando os botõezinhos da urna que as coisas podem e devem mudar. Mas quantas vezes nós vamos até o local de votação com a maior má vontade do universo, sem esperança alguma, com o sentimento de que estamos apenas apenas cumprindo com uma obrigação e que nada vai mudar?
Não me envolvo em discussões políticas e nem defendo ninguém a ferro e fogo. A política no Brasil é tão complicada, tão ineficiente! Já conheci pessoas do bem que tentaram fazer diferença no meio político e desistiu no caminho por conta da muita sujeira. Conheci também pessoas que participaram do "esquema" e achava que os fins iriam acabar justificando os meios. O problema da corrupção é tão complexo porque é algo cultural, arraizado profundamente na nossa cultura e faz parte do nosso dia-a-dia que passa muitas vezes desapercebido e é aceito desde que não faça mal a ninguém, ou você acha que o nosso famoso "jeitinho" não é corrupção?
Enfim... estas eleições pra mim são especiais porque é a primeira vez que votarei desde 2006 quando ainda morava no Brasil. Durante os anos em que estou aqui sempre enviei a minha justificativa pelo correio e após a chegada do meu green card decidi que era hora de transferir o meu título de eleitor para cá.
Transferi o meu título porque queria poder fazer alguma coisa para o meu país além de reclamar. Lembro-me de como fiquei arrasada no ano passado quando estavam sendo feito protestos por todo o Brasil e pelo mundo para o fim da corrupção, que o gigante tinha acordado... fiquei decepcionada por não estar ali, mas eu tinha muita consciência que a minha hora de agir chegaria quando colocasse o meu voto na urna.
Em segundo lugar já estava cansada de ter que enviar uma justificativa eleitoral a cada 2 anos para o Brasil, já que as eleições para prefeito/vereadores são diferentes das presidenciais/governadores. E eu gosto de ter as coisas certinhas, não queria ficar esperando pra quando for ao Brasil pagar uma multa para colocar a situação em dia, mesmo porque eu sou obrigada a manter as coisas em dias porque sem isto não consigo ter o meu único documento brasileiro válido aqui - passaporte.
Nem sempre é conveniente transferir o título de eleitor no exterior pois às vezes as zonas para votação fica muito longe de casa, no meu caso é apenas mais uma desculpa para ir até San Francisco. O processo lembro que não foi difícil, eu levei o meu título antigo e acho que preenchi um papel no site da justiça eleitoral e imprimi como estava a minha situação também. Pra ser sincera eu acho um saco esta obrigatoriedade de voto, uma coisa que até hoje o meu marido não consegue entender. E fica ainda mais difícil pra ele entender as implicâncias burocráticas - como problemas para emitir passaporte - em não votar... Mas enquanto não é anulada a obrigatoriedade de votar, a partir de agora até os meus 70 anos, a cada 4 anos irei às urnas para votar apenas para presidente, já que é o único cargo que brasileiros no exterior votam.
Enfim... espero que a população brasileira pense com muito carinho na hora de apertar os botõezinhos da urna no próximo domingo. As pesquisas que eu vejo me deixam bastante preocupada porque não acredito que seja o fiel retrato do que está acontecendo por lá. Achei bem interessante o que a Bah falou sobre a pesquisa Datafolha neste post , só para confirmar as minha suspeitas sobre a integridade destas pesquisas...
O meu sincero desejo é que as pessoas votem com consciência nestas eleições e não se esqueçam da palhaçada que aconteceu e está acontecendo no Brasil. É com este sentimento que vou para as urnas no próximo domingo.

As vidas de uma expatriada na América

Durante o tempo em que moro nos Estados Unidos, passei por experiências bem diferentes como expatriada. Se for para colocar status imigratórios eu já fui intercambista (Au Pair), estudante e agora residente permanente. Eu jamais imaginei quando cheguei nesta terra que 7 anos se passariam e eu continuaria aqui como uma imigrante. E não tinha a menor idéia de como o sistema de imigração dos Estados Unidos é enrolado, complicado, subjetivo e lento. Muito lento.
Tem gente que acha que aqui tudo funciona bonitinho, afinal, aqui é os "States", mas basta conversar com alguém que passou pelo processo de imigração neste país pra saber que absolutamente nada é preto no branco. Há muitos, muitos tons de cinza envolvidos e são mais frequentes do que se imagina, por isto que eu não me intrometo em dar opinião sobre o processo imigratório de ninguém. Eu passo as informações que sei, dos processos que eu passei e deixo que a pessoa que está interessada em vir pra cá correr atrás das informações no bom e velho google ou consultar um advogado que pode ajudar melhor do que eu. Porque cada caso realmente é um caso
O que posso afirmar com certeza é que cada experiência é única e por isto eu me irrito profundamente quando vejo em blogs por aí pessoas afirmando com todas as letras do mundo que aqui nos EUA as coisas funcionam assim, assim e assim e que você como expatriado/imigrante terá a vida assim, assim e assado. Acho válido compartilhar experiências, mas é impossível dizer que todo mundo passa por isto ou "aqui é assim" porque não é. Até mesmo as minhas três vidas - como au pair, estudante e residente - foram diferentes, com suas responsabilidades, dificuldades e alegrias também.
Algumas pessoas me perguntam se vale a pena vir tentar a vida aqui nos EUA. Sinceramente, não sei responder esta pergunta e acho que nem devo fazê-la. Quando cheguei aqui em 2007 não tinha intenção de ganhar a vida nos EUA, as coisas foram simplesmente acontecendo. Sair do país com a intenção de mudar-se de uma vez pra cá é algo que eu sinceramente não sei se teria tido coragem.
O que sempre falo para as pessoas que pensam em vir pra cá é para pesquisar bastante sobre o lugar onde se deseja morar, se preparar financeiramente e também psicologicamente para isto. É importante ter um objetivo, porque chegando aqui é muito fácil se deslumbrar com tudo e se "perder". Nem tudo é tão fácil como se parece, por isto esteja preparado para os obstáculos da língua, da cultura, dos custos de vida e principalmente do sistema de saúde americano que apenas agora estou começando a entender. E claro, lidar com a saudade de casa e das pessoas que tanto se ama.
Como intercambista (au pair - babá que trabalha e mora em família americana e tem possibilidade de estudar também) tive a oportunidade de morar em lugares incríveis (em New Jersey perto de New York e em Sausalito ao norte de San Francisco). Tinha conforto e não precisava me preocupar em pagar contas, além das minhas despesas pessoais, passeios, etc. A vida era relativamente boa. Digo relativamente boa porque na minha época o salário era de 139 dólares por semana. Apesar de não ter que pagar contas nenhuma, precisava planejar direitinho os meus gastos para que eu pudesse me divertir viajando, comprando algumas coisas, etc. Consegui economizar e aproveitar relativamente bem durante estes dois anos principalmente porque eu não saía para balada e gostava de fazer programas simples que não gastava muito. O problema de ser au pair é como disse lá em cima,
é morar onde se trabalha. Tive até um bom relacionamento com a primeira família com quem eu morei, mas não tive um relacionamento pessoal muito bom com a segunda, então a convivência era muito difícil pra mim. Era preciso comer muitos sapos, e ter um pouco de "sangue de barata" para poder aguentar os desaforos que acontece no relacionamento patrão-empregado.
Ser estudante nos EUA tem os seus desafios também. Em primeiro lugar estudante internacional sempre paga pelo menos 10x mais caro o curso do que os americanos, tudo porque os nossos créditos são mais caros e há um mínimo para se estudar por semestre (12 créditos) para se manter o visto de estudante. Outra coisa importante é que com o visto de estudante não há a possibilidade de se trabalhar fora do campus da faculdade e quando isto acontece, não pode ser mais do que 20h. Claaaaaro que a não ser que você tenha uma situação financeira muito boa, irá encontrar alguns bicos por fora para poder se sustentar. O problema é conciliar o mundaréu de lição de casa e trabalhos que precisam ser feitos, já que os professores exigem bastante dos alunos porque pra eles, ser estudante é a única obrigação de estudantes universitários. Então além de pagar as contas e pagar o custo da faculdade, é preciso encontrar também um tempinho para ter uma vida normal e socializar. :-). Apesar de estar rodeada de americanos, é muito complicado fazer amizade com eles na faculdade, pelo menos para mim foi difícil pois além da diferença de idade, todos estavam sempre correndo de um lado para outro. Até mesmo aqueles que mantém contato é mais questão de coleguismo por conta dos trabalhos da faculdade, etc. Ser estudante em universidade americana não é difícil como eu sempre digo, mas é algo muito trabalhoso e vai consumir muito do seu tempo, por isto é preciso se dedicar pra não se afogar no meio das tarefas e esquecer de viver.
Por fim, viver como residente permanente é bom porque te dá a liberdade para trabalhar, estudar, viajar, morar onde quiser. E claro, ter a vida de "adulto" por aqui. E como todo adulto há várias responsabilidades, o pagamento das contas, etc. Entrar no mercado de trabalho americano é mais difícil do que se imagina, pelo menos esta é a experiência que eu tive. O mercado de trabalho é super competitivo e é preciso ter boa qualificação, domínio do idioma, experiência e assim como no Brasil, muitas vezes... QI - quem indica. Há outros aspectos da vida de um residente permanente que são comuns a qualquer adulto em qualquer parte do mundo - casamento, filhos, etc. e que muitas vezes tem o fator "complicante" das diferenças culturais.
O que quero dizer com este post é que como expatriato, não importa qual seja o seu status imigratório, sempre haverá obstáculos mas também as suas delícias. O importante é sempre aproveitar da melhor forma possível a fase que se está vivendo e estar preparado para os percalços que podem acontecer no caminho.
Durante a minha estadia aqui conheci muita gente que viveu aqui de forma ilegal. Não posso dar a minha opinião de como é a vida de um imigrante ilegal, porque não passei por esta situação mas posso dizer que a reclamação número 1 de todos é a falta da liberdade e a limitação que a falta de um status imigratório dá. É possível sim trabalhar, comprar casa, carro, matricular filhos nas escolas, etc e ter até mesmo uma vida relativamente "boa" como imigrante ilegal, mas o constante medo de ser descoberto e as limitações dos trabalhos que se pode fazer além de não poder ir visitar a família no Brasil são fatores que pesam muito e que pelo menos pra mim nunca foi uma opção. Viver aqui de forma legal já dá a maior dor de cabeça, imagino como deve ser muito mais difícil o contrário, mas tem gente que vive assim por muitos anos e é feliz. Tudo depende do seu objetivo de vida.

O sabor do Brasil...

Incrível como a nossa relação com comida não é apenas algo necessário para mantermos o bom funcionamento do nosso corpo. Este final de semana assisti um filme muito bom com o meu marido chamado "The hundred-foot journey" que fala sobre o encontro de culturas/comidas diferentes. Quem tiver a oportunidade de assistir, eu recomendo e muito!
Mas uma das cenas mais bonitas do filme e que me fez chorar muito, foi quando o chef de sucesso estava saindo do seu restaurante famosíssimo onde ele cozinhava comidas bem sofisticadas e encontrou um colega de trabalho comendo uma comida típica do pais deles e este compartilha da sua comida. O famoso chef então começa a comer e imediatamente ele começa a lembrar de coisas que aconteceram no seu passado e o seu colega diz: "Cada bocado te leva pra casa, não?".
Ahhh, só quem mora longe de casa sabe o significado desta frase... às vezes dá uma vontade louca de comer algo que às vezes a gente nem dava muita bola quando morava no Brasil. Acredito que seja mais do que vontade de comer a comida em si, de sentir o sabor, mas das lembranças associadas que esta comida traz dos lugares onde se esteve e das pessoas com quem se compartilhava aquela comida.
Muitas coisas me lembram o Brasil... durante a minha vida de expatriada aprendi a cozinhar muitas comidas pra ter o gostinho de casa - as vezes até as amigas ajudam na preparação como o dia em que resolvo fazer coxinha  - mas pra mim não tem uma coisa que me lembre mais o Brasil do que couve,  que aqui é chamado de collard greens. É só dar "um sustinho" nela bem fininha com azeite, alho e cebola (devido as minhas restrições alimentares nada de sal ou bacon) e eu estou lá, num dia qualquer no Brasil rodeada das pessoas que eu amo. E olha que eu nem comia tanto couve no Brasil, mas o sabor me transporta diretamente para lá, da mesma forma os lanches do Subway me lembram muito a época em que eu era au pair e ia passear em New York com minhas amigas.
Perguntei para o meu marido qual era a comida que lembrava a Escócia e ele falou: curry (comida indiana) e fish & chips (peixe empanado frito com batatas fritas). Achei a resposta interessante e sei que se perguntasse para outro escocês, a resposta provavelmente seria diferente.
E pra você, qual comida que te lembra o Brasil ou lembra algum lugar especial ou época da sua vida?

Ninguém

Hoje acordei com vontade de cantar música bem alto em Português.
Resgatei o meu Ipod velhinho, sincronizei com o computador e pluguei no carro. E cantei alto algumas músicas do Skank, Legião Urbana, Ira!, Pitty, Paralamas do Sucesso... ahhh que delícia cantar aquelas melodias tão conhecidas e tão cheias de memórias...
E aí eu cheguei na playlist da Maricel Ioris, uma cantora que conheci através de uma amiga brasileira... E escutei a mesma música, uma, duas, três, quatro, cinco vezes... como consegue traduzir bem em palavras e melodia o que estava na minha cabeça, no meu coração...


Ninguém - Maricel Ioris


Aquele que corre precisa que alguém o espere, que alguém o aguarde
Aquele que não vê precisa que alguém o guie, que alguém o ampare
Aquele que ama precisa da sua musa e do seu desejo
Aquele que dorme precisa que guardem silêncio e falem mais baixo
Aquele que ensina precisa que olhem, que ouçam e que o indaguem
Aquele que trabalha precisa que o motivem e o paguem
Aquele que guia precisa ligar o rádio e ouvir outras vozes
Aquele que toca e que canta precisa ouvir os aplausos e os bises

Ninguém é alguém sem ninguém
É alguém sem ninguém
(ninguém é alguém sem ninguém e eu não sou ninguém sem você)
Ninguém é alguém sem ninguém
É alguém sem ninguém
(ninguém é alguém sem ninguém, você precisa saber)

Aquele que não ouve precisa que alguém preste atenção nos seus gestos
Aquele que está solitário precisa que alguém o ensine a ser feliz
Aquele que dança precisa de espaço e alguém que acompanhe seus passos
Aquele que aprende a andar precisa de uma mão que segure a sua.

Ninguém é alguém sem ninguém
É alguém sem ninguém
(ninguém é alguém sem ninguém e eu não sou ninguém sem você)
Ninguém é alguém sem ninguém
É alguém sem ninguém
(ninguém é alguém sem ninguém, você precisa saber)

Aquele que vai embora precisa de saudade pra voltar pra casa
Aquele que ainda chora precisa de perdão pra esquecer a culpa
Pra se consolar
É preciso ouvir
Alguém falar
Pra não desistir
E procurar
A verdade em tudo
É valioso o relacionamento humano


As outras músicas dela você pode ouvir online por aqui ou pode baixas as músicas no Itunes.

Você vai sair dessa...



Às vezes esta frase não traz nenhum conforto porque geralmente vem de alguém que simplesmente não sabe o que dizer pra você, provavelmente quando você está enfrentando um problema ou um obstáculo na vida. Num naqueles momentos onde a dor é maior do que a alegria de viver, o desespero é maior do que a esperança de que dias melhores virão. Escutei esta frase várias vezes, especialmente nos últimos meses. Eu sei como é, não são todos os dias que acordo feliz e cantando louvores com o que vejo.
Porém, sexta-feira na cadeira do hospital, olhando ao meu redor e vendo outros pacientes a capa do livro com esta frase “Você vai sair dessa.” fez sentido pra mim. Fechei os meus olhos e me vi sozinha no leito de hospital desejando apenas um banho quentinho. Também me vi na minha própria cama, no escuro desejando apenas ter forças para caminhar lá fora, sair de casa e fazer as minhas atividades rotineiras como limpar, dirigir, fazer compras no mercado. Estou num lugar maravilhoso agora? De forma alguma, mas já estive em lugares piores, com certeza.
Não é fácil lidar com a dor, não importa como ela venha. Pode ser que seja um problema de saúde ou financeiro, um relacionamento quebrado ou sonhos não realizados. Dor é dor. Não é possível compartilhar dor, também não pode ser comparada ou medida. A dor machuca, mas não dura para sempre.
Eu vou sair dessa. E você também. Não estou sozinha e nem você, mesmo que você não acredite. Deus está esperando por você com Seus braços abertos. Ele entende a sua dor. Nós vemos o passado e o presente. Ele vê o que o futuro trará para você. Nosso trabalho é confiar Nele e pedir a Sua ajuda.
Seja paciente.
Olhe ao seu redor e veja as coisas boas que você já teve/tem. Isto vai dar forças para você continuar. Isto vai alimentar a sua esperança e a fé para dias melhores que estão por vir. Isto é o que faço quando os momentos/dias negros chegam. Isto é o que estava pensando sexta-feira e isto é o que estou pensando agora.
Não sei ou entendo porque tenho que passar por este caminho, mas confio que Deus está comigo e este caminho me levará para um lugar melhor e eu vou ter dias melhores. Não esquecerei destes momentos sombrios e de dor porque eles irão construir o meu caráter, eles irão me fazer uma pessoa melhor e mais forte. O que eu sei é que estes momentos não tão felizes vai fazer com que eu seja mais grata pela vida e valorizar o que realmente tem valor. A vida é tão preciosa e nós não damos o devido valor à ela muitas vezes… mais do que deveríamos, nós perdemos tempo com pequenos aborrecimentos e perdemos a visão do que é viver. A vida é boa e não deve ser desperdiçada. Nós nos esquecemos de sorrir e aproveitar a jornada. A breve jornada que temos aqui na Terra com os nosso amados.

Quando é preciso deixar partir...

A lição mais difícil que tive que aprender na vida foi deixar pessoas partirem.
Sabe aquela famosa metáfora de que nossa vida é um trem e que pessoas entram e saem em determinadas estações? Pra mim, os meu trem se assemelharia ao metrô de SP na estação da Sé em horário de pico. Abarrotado. E mesmo assim, não queria que ninguém saísse.

Pois bem. Desde muito jovem eu me agarrava demais às pessoas. Sofria horrores por paixões não correspondidas. Por anos! Curei-me da minha primeira paixão - que foi não correspondida depois de uns 4 anos de rejeição após me apaixonar e ser rejeitada novamente e ficar sofrendo por mais uns 2 anos. E assim por diante. Gastei grande parte da minha juventude sofrendo porque quem eu gostava não gostava de mim. Mas eu tinha os meus amigos. E isto acabava compensando tudo, certo? Errado.

Por muito tempo na escola eu fui odiada pelos meus colegas porque era a CDF, a chata puxa-saco da professora (mesmo não sendo puxa-saco coisa nenhuma) que sempre tirava notas boas. Não me perguntem porque mas eu não tinha muitos amigos na escola e sempre tinha alguém que queria me pegar na hora da saída, pelo simples fato de eu "ser metida". Claro que eu nunca briguei na porta da escola, eu ia pra casa mesmo sob vaias de "arregou, arregou, arregou". E foi somente na minha adolescência que eu encontrei a minha turma, no grupo de jovens da igreja em que frequentava.

Achava que todo mundo era meu amigo e que nós iríamos crescer juntos e conquistar o mundo juntos! E que a amizade iria durar eternamente, até chegarmos ao céu. Como eu era ingênua...
Bastou uma crise de depressão - por conta de um dos amores rejeitados - que vi um a um, todos os meus supostos amigos sumirem. E aí veio a primeira dura lição. A lição de que nos momentos mais negros da sua vida, naqueles momentos em que você não tem nada de bom para oferecer para ninguém, são pouquíssimas as pessoas que irão até você e te extender a mão para te tirar do fundo do poço.

Depois daquela depressão nunca mais fui a mesma. Nunca mais entrei no meio da multidão, não tive mais sorriso fácil e me arrisquei a fazer amizades com quem simplesmente olhasse pra mim. Comecei a ser seletiva porque o meu coração estava muito machucado. E não existe amizade sem doação certo? Mesmo assim, ao longo da minha vida, por todos os lugares por onde passei - trabalhos, faculdade, cursos, lugares onde morei sempre existe pelo menos uma pessoa com a qual consegui construir um laço de amizade que dura até hoje e isto pra mim é uma conquista enorme. Talvez estas pessoas não estejam tão presentes na minha vida como eu gostaria, mas sei que apenas um clique ou um telefonema basta para reconectar.

Algumas pessoas muito boas eu tive que deixar pra trás contrariada, porque era chegada a hora delas partirem, descerem em alguma das estações da vida. Percebi que elas estavam no meu trem porque a porta estava fechada. Era eu quem estava mantendo a pessoa lá dentro. Assim que eu resolvi abrir a porta do vagão,  foram embora e sequer olharam para trás para acenar. Não que elas estivessem desconfortáveis ou infelizes, apenas era hora de ir e talvez embarcar em uma outra viagem de trem.

Mas o que fazer quando a sua melhor amiga - aquela pessoa com a qual você ficava horas conversando, compartilhando segredos, dividindo amores, lágrimas e sorrisos, fazendo mil planos sobre o futuro e imaginando como seria as nossas famílias, filhos, a nossa velhice juntas , que foi sua companheira de viagem por uns 10 anos - dá o sinal de pare porque ela quer descer na próxima estação? O sinal vem sendo dado ao longo dos últimos anos, pequenas mancadas, sumiço nos momentos que mais precisei, desinteresse/muito ocupada para manter contato... eu insisti, eu lutei, tentei conversar sobre o assunto, mas pra ser sincera eu cansei. Até quando a gente perdoa as mancadas, as ausências e pára de ficar insistindo em uma amizade que parece que só você está interessado?

Estou muito triste em ver esta pessoa tão querida saindo aos poucos da minha vida, não por escolha minha, mas por escolha dela, mas a estação está chegando e eu vou abrir a porta. Talvez ela resolva ficar mais um pouco, ou desça e siga o seu rumo. Não sei. A única coisa que espero é que ela tenha feito uma boa viagem e guarde boas memórias da jornada que tivemos juntas. Porque é exatamente isto que farei, apesar da dor da partida.

E a vida volta ao seu ritmo normal...

Adoro receber visitas em casa. Sempre gostei de reunir amigos em casa, fazer comida gostosa, preparar passeios, dar uma de guia turística, sentar no sofá por horas e horas e horas e horas a fio e conversar até altas horas da noite. A minha família é grande, então estava acostumada a sempre ter alguém aparecendo em casa sem avisar e a minha mãe recebendo a todos com alegria e sempre alguma coisa pra comer. Mas ter visitas em casa não tem sempre o lado bom e bonito, tem o lado ruim também. É extremamente cansativo, porque você corre de um lado para o outro o tempo inteiro para ter certeza de que todo mundo está bem alimentado, confortável e feliz.
Pois bem, nas últimas 2 semanas a família inteira do meu marido (pais, irmã e 2 sobrinhos) ficaram aqui em casa conosco, foram bons dias por um lado, mas extremamente cansativos e estressantes. Como ainda não estou 100% recuperada da crise de Lupus, acabei não aproveitando tanto a presença deles quanto gostaria e até fiquei um dia de cama bem doente porque numa ânsia de querer acompanhar o ritmo deles e de ter uma vida "normal", acabei puxando demais os meus limites e não cuidei tão bem da minha saúde quanto deveria...
Agora a casa está vazia e a rotina voltará aos poucos. Deixo para trás os perrengues e pequenos aborrecimentos e lembro-me com carinho dos bons momentos, das risadas e da gostosa sensação de ter família por perto, casa cheia e barulho, já que estes momentos são tão raros na vida de um casal expatriado.

Turistando por San Francisco - Pier 39

Às vezes me dá uma vontade de dar uma de turista e vou para San Francisco para os lugares mais frequentado por visitantes da cidade. O Fisherman's Wharf é um destes lugares.
Não existe nada de especial naquele lugar, pra ser sincera... é um ponto bem turístico da cidade com vários restaurantes e lojas, mas gosto de ver o movimento e observar as pessoas entrando e saindo das lojas e restaurantes e imagino a impressão que elas estão experimentando ao passar por lá pela primeira vez. Sempre está muito cheio e por este motivo geralmente eu e o meu marido optamos em ir de trem até a Caltrain Station e fazemos a longa caminhada até o Pier 39. Deve ter mais ou menos uns 5km de extensão, mas não dá para sentir porque é plano e ao lado da água, é um calçadão enorme, então nem atravessar rua precisa. É uma caminhada tranquila e divertida, mas se a pessoa não quiser caminhar, pode pegar um trenzinho que leva até a Embarcadero e de lá pegar um trolley que leva até o Pier. A passagem de ônibus em San Francisco custa 2 dólares e eles dão um papelzinho que é válido por 2 horas, então troca-se de transporte sem problemas. Mas vale dizer que eles só aceitam dinheiro certo, nos ônibus não há cobradores, só a catraca onde você deposita o dinheiro ao lado do motorista, ou eles usam aqueles bilhetes eletrônicos chamado Clipper que descontam na porta do ônibus. Estes cartões podem ser adquiridos em qualquer farmácia da cidade e é bem prático.
Mas caminhando da estação de trem, passamos pelo estádio de baseball da cidade chamado AT&T Park, depois  pela linda escultura do arco do cupido, a Bay Bridge, o Ferry Building, o pier 5 (um dos meus lugares favoritos também) e  continuamos caminhando entre pessoas, passando pelo Pier 33 onde se pega o barco para visitar Alcatraz, finalmente chegamos no Pier 39.
Além das lojas e restaurantes onde há uma grande concentração de restaurantes e lojinhas para turista, em dias em que não há neblina - (estes dias são raros no verão) tem-se uma vista incrível da ilha de Alcatraz e da Golden Gate Bridge. No Pier 39 também tem o aquário de San Francisco, eu nunca visitei porque acho ele pequeno, eu prefiro o que fica na cidade de Monterey e é lindo, mas me disseram que se você não tiver oportunidade de ir até Monterey, o aquário é bem bonitinho. Há naquela região um museu de cera também - que particularmente eu não gosto e um outro museu de acredite se puder. Coisinhas para fazer na região não falta, então gasta-se boas horas só passeando por ali mesmo.
E não posso falar do Pier 39 sem falar dos bons leões marinhos que dão um show à parte! Eu ficaria um tempão só olhando e narrando as peripécias destes bichos desengonçados, mas o meu marido não aguenta ficar lá por muito tempo por conta do cheiro! Eles são fedidinhos e tem alguns dias que o cheiro é insuportável mesmo, mas isto não tira o charme destas criaturas fofas :-).
Saindo um pouco daquela região há também um lugar onde você pode comprar passeios de barco que passam pela Golden Gate e vão para outras cidades como Tiburon e Sausalito, que eu recomendo muito visitar se houver a oportunidade! E claro, a famosa Boudin, a fábrica de pão Sourdough de San Francisco (como se fosse um pão italiano redondo), onde você pode ver através da vitrine os padeiros fazendo os pães com formatos de tartaruga, ursinho, etc e comer o famoso Clam Chowder, a sopa de mariscos que é marca de San Francisco.
A útlima vez que estive lá foi mês passado quando a minha mãe estava aqui, nós estacionamos perto do Pier 39 porque eu não tinha condições de caminhar uma longa distância e a gente quase enfartou quando viu o preço do estacionamento! Portanto, fica aqui a dica ao ir pro Fisherman's Wharf a melhor opção é ir de transporte público, porque o estacionamento é caro e super disputado também, a maioria estava cheio às 11h da manhã de sábado.
Lembrando sempre de levar um agasalho já que o local fica próximo da água e sempre tem um vento gelado por lá e nos meses de verão é muito comum a neblina deixar o tempo meio acizentado e até frio! Não é à toa que um dos itens mais vendidos nas lojas de souvenir da cidade são moletons/agasalhos já que a maioria dos turistas acreditam que porque San Francisco é na Califórnia a temperatura é sempre quente!
Mas chega de blábláblá.... algumas fotos da minha última visita ao Pier 39, infelizmente eu tirei as fotos do meu computador e não tenho fotos do caminho entre a estação de trem e o Pier, mas nada que o nosso amigo Google não ajude para dar uma idéia do passeio gostoso que é!

Pier 39 - Vista da ponte do estacionamento

Pier 39  - ao fundo a Golden Gate Bridge e o lugar para pegar os barcos de passeio
Num lindo dia dá para ver Alcatraz
E os famosos leões marinhos

A vitrine da Boudin, a padaria mais famosa da cidade

Dentro da loja da Boudin, dá uma fome e vontade de levar tudoooo!

O prato da cidade de San Francisco - Clam Chowder.



Eu queria tanto viajar...

Eu fui mordida pelo bicho da viagem sem saber. Desde quando eu me entendo por gente.
Ficava sempre deslumbrada com as aulas de geografia/história e imaginava na minha cabeça ver aqueles lugares ilustrados nos livros ao vivo e a cores. Um dia. Este dia parecia tão distante... enquanto isto eu viajava assistindo o Globo Repórter. Tanta coisa interessante, tanta coisa diferente, tanta coisa para se aprender...
E foi por causa desta vontade de viajar e conhecer que eu me dediquei ao máximo para aprender inglês, como já falei anteriormente.
Mas viajar era muito caro, coisa de gente rica. Fiz pouquíssimas viagens enquanto estava no Brasil, uma para a cidade natal dos meus pais na Bahia e outra para Vitória - ES. Parece uma vergonha mas durante a minha vida inteira só fui uma vez para o litoral paulista, culpa da nossa massante rotina trabalho-escola-casa e a falta de dinheiro...
E aí chegou a oportunidade que tanto esperei e me preparei.... a viagem para fora do Brasil. Para conhecer cultura diferente, língua diferente, pessoas diferentes... para ver os lugares das fotos (pelo menos algumas delas) e aí na minha andança pelo exterior conheci diversos brasileiros de lugares diferentes do Brasil e sabe o que descobri? Você NÃO precisa sair do Brasil para conhecer uma cultura nova, uma língua nova, pessoas novas... o nosso país é tão grande e tão diversificado que podemos dizer que somos vários povos unidos por uma mesma língua, moeda e linhas geográficas.
Ouvindo histórias de pessoas do Sul do País, do Centro-Oeste e do Nordeste eu percebi o quanto somos diferentes e o quanto a nossa cultura é rica e o quanto EU não sabia nada sobre o Brasil... - e a cada história eu adiciono um lugar na minha lista para visitar. Acho uma pena que muitos de nós brasileiros não damos valor para esta riqueza cultural e acabamos supervalorizando a cultura dos outros países - principalmente dos Estados Unidos.
Se eu pudesse (e o meu dinheiro desse) eu exploraria o Brasil inteiro do Norte ao Sul, pra absorver tudo de bom que o nosso país oferece, experimentar comidas novas, aprender novas palavras, escutar histórias incríveis de pessoas comuns, com a vantagem de não haver barreira de comunicação antes de embarcar para o exterior. Porque às vezes dá vergonha conhecer estrangeiro que conhece mais o Brasil do que eu...
Sei que muitos dirão que é caro viajar dentro do nosso país e eu concordo, nós ainda temos um longo caminho para melhorar estruturas que viabilizem o turismo, mas quem sabe com todo este zumzumzum de Copa do Mundo/ Olimpíadas isto mude? Espero que sim!! 
Toda viagem vale a pena, nem que seja para o bairro vizinho ao seu. As pessoas pensam que você cresce, amadurece quando viaja apenas para o exterior e isto não é verdade. Cada viagem tem uma história diferente e traz uma experiência diferente, se você estiver aberto para aprender vai fazê-lo com o seu vizinho, não precisa ir pra Paris. O simples fato de ter um passaporte e um carimbo nele não trasnforma ninguém num ser superior ou intelectualmente/culturalmente elevado.
Então prepare o seu coração, pegue sua mala/mochila e vá explorar o mundo. Ele é menor do que você imagina e começa no primeiro passo depois da porta da sua casa.

Faça algo grandioso ou não faça nada

Ultimamente tenho visto nas mais diversas mídias - jornais, telejornais, websites, blogs, livros, vídeos - histórias de pessoas que trazem inspiração para a nossa vida. Elas ajudam pessoas desconhecidas a enfrentar problemas reais de forma concreta e grandiosa - fazem arrecadação de dinheiro ou alimentos, desenvolve projeto para pessoas carentes, etc. etc.
Geralmente só aparece na mídia quando há um impacto muito grande - como o jovem britânico Stephen Sutton que arrecadou mais de 5 milhões de libras (o equivalente a uns 15 milhões de reais) para uma instituição que cuida de adolescentes com câncer. Através da mídia social e de sua comovente história de luta contra o câncer (ele acabou falecendo no início de maio), recebeu ajuda de muitos desconhecidos e pode ajudar muitas outras pessoas. O que ele fez é louvável e invejável.
Mas o que eu e você podemos fazer diante desta história?
Acho que todas as pessoas no planeta desejam encontrar o seu propósito, a sua missão aqui neste mundo. Ninguém nasce por acaso. Quando me deparo com este tipo de história, depois de enxugar o rio de lágrimas eu penso comigo: "Poxa vida, que lindo. Queria poder fazer isto. Queria poder impactar tantas pessoas como esta pessoa impactou. Ah se eu tivesse... " e aqui você pode continuar a frase. Se eu tivesse... dinheiro, tempo, conhecimento,  talento, conhecidos, a aparência, o desejo, a desenvoltura, o jeito de falar, etc, etc, etc. E aí como não consigo fazer algo "tão grandioso" o sentimento de querer fazer algo acaba sendo perdido e acabo não fazendo nada. Não porque eu não queira, mas porque eu não sei por onde começar, então fico esperando um sinal pra começar a fazer alguma coisa...
A verdade é que impactamos pessoas todos os dias em nossas vidas. Veja quantas pessoas você interage por dia. Sua família, seus amigos, mas também estranhos, conhecidos. Você realmente acha que não tem impacto nenhum sobre a vida deles? Você acha que nenhum gesto seu fará a diferença na vida destas pessoas? Experimente ajudar alguém do seu próprio ciclo. Não precisa ser algo grandioso, uma mão para pintar a casa, lavar a louça pra mãe nesta época de frio, oferecer pra ficar com a filhos de um casal para que eles possam sair para namorar. São coisas pequenas, mas que fazem uma enorme diferença na vida de quem recebe estes pequenos gestos.
Há uma imensidão de causas para serem abraçadas. Não é porque a sua vizinha é do Greenpeace que você tem que dar contribuição e ser  voluntária para ser importante. Procure algo que faça o seu coração bater mais forte e dedique o que você tem, aqui e agora para esta causa. Pode ser 5 minutos do seu tempo, pode ser uma contribuição financeira de 5 reais por ano. Não precisa ser um grande gesto, faça algo a seu alcance. Não fique esperando os holofotes bater em você.
Às vezes acho um pouco de hipocrisia as pessoas ficarem preocupadas com questões humaniárias que acontecem do outro lado do mundo enquanto passam por crianças famintas e pessoas abandonadas nas ruas em frente as suas casas, por exemplo.  Parece que ficamos com aquela idéia de que como não podemos dar um jeito nos problemas grandes do mundo acabamos negligenciando os problemas pequenos (como a fome de uma pessoa na minha frente) e que pode ser resolvido. O sentimento de impotência traz a inércia.
Acredito muito  que quando ajudamos uma outra pessoa com sua necessidade e tiramos os olhos do nosso próprio umbigo a vida fica bem melhor, faz muito mais sentido. E Deus acaba te recompensando - a velha e boa lei da semeadura, você colhe o que plantar. Não espere uma idéia mirabolante para salvar o mundo para começar a agir. Não deixe que os "ah se eu tivesse..." te paralisarem. Comece hoje, mesmo que seja algo pequeno e verá a diferença que você pode fazer no mundo. Todo mundo começou assim. Com uma decisão, mas principalmente com uma ação.