Os conflitos natalinos...

"It's the most wonderful time of the year!!!"... Se você mora pelas bandas de cá a esta altura do campeonato não consegue mais ouvir o refrão desta música natalina que toda sem parar, em várias versões diferentes no rádio, no shopping, no mercado, até mesmo no meio da rua... as músicas de Natal começam a ser tocadas nos rádios no dia depois do dia de Ação de Graças (este ano foi dia 27/novembro) e se eu não me engano páram no dia 26 de dezembro. - Graças a Deus a Simone não toca nas bandas de cá.
Mas será que este é realmente "a melhor época do ano"? Natal pra mim tem um grande significado porque eu sou cristã, mas isto fica meio perdido por aqui, afinal, a única coisa que o povo pensa é comprar. Comprar, comprar, comprar, comprar, comprar. Hoje a muito contra-gosto fui ao shopping devolver uma roupa que veio do tamanho errado e decidi ir às 10h da manhã, assim que o mesmo abrisse pois teria poucas pessoas. E qual foi a minha surpresa quando cheguei e o estacionamento estava lotado! Só descobri o motivo quando cheguei na porta do shopping e vi que esta semana ele abre as 8 HORAS DA MANHÃ! Pensa!
Mas não é sobre isto que queria falar neste post... acho interessante como as diferenças culturais aparecem nesta época do ano entre eu e o meu marido. Na maior parte das vezes a gente dá risada, mas tem horas que fico extremamente irritada e estressada quando chega esta época do ano.

PRESENTES
Bom, todo mundo gosta de ganhar presentes não é mesmo? E nesta época é comum a troca de presentes - ainda mais por aqui... o problema é que como você recebe o presente, você tem a OBRIGAÇÃO de dar presente também e todo ano rola o maior stress por conta disto. Acho que começa mesmo em novembro a minha sogra perguntando o que eu quero ganhar de presente de Natal. Acho bonito da parte dela querer me dar um presente, mas eu acho um saco ter que dizer pra pessoa o que quero ganhar... Alguns anos atrás eu estava de olho numa bota, num casaco, tudo bem, mas este ano eu simplesmente não quero/preciso de nada, acho que os 7 anos que já estou na família e o bom tempo que passamos juntas ultimamente daria idéia para ela comprar algo que eu goste, mas aí fica a pressão pra dizer algo que eu quero/goste. E o meu marido fica super aflito porque ele também me pergunta o que quero ganhar e eu digo que não precisa, não precisa e ele fica desesperado dizendo: "Não posso deixar minha esposa sem presente de Natal!!". O problema é que eles estão acostumados culturalmente a "pedir" presente. Primeiro para o Papai Noel, depois diz aos pais o que quer, assim ninguém ganha presente que não quer/gosta, o que é prático, ótimo, mas perde a graça... Só que aí entra o meu problema porque eu também sou obrigada a dar um presente pra sogra, pra cunhada, pros sobrinhos... porque eles me compram presente então preciso retribuir. Na minha família, presente de Natal era uma roupa nova e um brinquedo (e olhe lá) quando crianças. Depois que crescemos a gente comprava uma lembrancinha ou outra pra mãe e pronto. NInguém era obrigado a dar presente pra ninguém então eu acho este conceito bem estranho. Fora que ninguém merece pagar o dobro do valor do presente no envio do correio e torcer para chegar inteiro até o destinatário.

PAPAI NOEL
Meu marido cresceu acreditando em Papai Noel. Meus pais nunca me contaram a história do Papai Noel, via na televisão, nos desenhos, pra dizer a verdade acho que nenhum dos meus amiguinhos acreditava... achava legal a história, mas tinha coisas que nunca entravam na minha cabeça, como a entrega de presentes pela chaminé. Até aí tudo bem, os dois já estão bem crescidinhos pra saber que o bom velhinho não existe, mas os sobrinhos pequenos ainda acreditam. Detesto mentira e desculpa os defensores, mas pra mim história de Papai Noel é a primeira grande mentira que os pais contam para as crianças. E tem toda a enrolação de deixar as evidências de que ele passou na casa para deixar presente, a chantagem para o bom comportamento... Lembro-me que ano passado eu passei o Natal da casa deles e quase deixei escapar a verdade porque eu não estou acostumada a contar as histórias e tal. E olha, aqui entra a parte dos presentes e o motivo que a partir deste ano os meus sobrinhos vão ganhar dinheiro da nossa parte. Eu vi o MUNDO de brinquedos e coisas que eles ganham de Natal. O primeiro que eles abrem é o que o Papai Noel deixou, algo que eles pediram e lógico que ganharam porque se comportaram bem. O resto dos presentes... bem é apenas resto. Eu vi eles rasgarem com euforia presente atrás de presente, sem nem ao menos dar atenção o que era e quem deu. Veja bem, eles não são crianças mimadas, mas é assim que acontece quando se há muito ao mesmo tempo. E o presente que eu corri igual uma louca pra achar no shopping ficou lá no meio dos outros, fiquei sentindo meio chateada sabe? Pelo menos agora com o dinheiro eles tem o poder de economizar e comprar algo que querem, assim quem sabe dá um pouco mais de valor.

COMIDA
Esta parte é realmente interessante. A comida que pra mim representa Natal - além de Panetone, é claro, é salada de maionese. Não me pergunte porque mas quando era criança sempre achei que salada de maionese era comida que a gente só podia comer no Natal. Eu amo, amo, amo, amo, mais do que todo o resto do peru, do frango, dos doces. E o meu marido detesta. Odeia salada de batata normal e odeia azeitona. Então quando chega o Natal eu fico toda empolgada pra fazer salada de maionese, mas tenho que fazer só pra mim, porque ele não come.  Eles comem praticamente o que comemos na ceia, peru, purê de batata, salada de batata e os legumes cozinhos/assados. Agora o que é bastante tradição pra eles comer é "Christmas pudding" e um bolo que aqui nos EUA é motivo de piada (o bolo que só existe um e ninguém quer e vai passando de casa em casa) chamado Fruit Cake. Eu acho extremamente doce, mas o meu marido adora. Este ano tentei encontrar pra fazer parte da nossa ceia Natalina, mas os outros britânicos da região chegaram primeiro do que eu na loja e não consegui encontrar. Outra coisa que não suporto é o couve de bruxelas cozido. Dá arrepio só de pensar...

CARTÕES DE NATAL
Todo ano fazemos a lista da família e amigos para o qual iremos enviar cartões de Natal. Embora seja um hábito em muito desuso no Brasil, aqui e na Escócia é tradição levada a sério. Este ano eu resolvi fazer os nossos cartões e foi uma experiência ótima. O que me mata de rir é a diferença do que escrevemos dentro dos cartões. Os cartões que o meu marido escreve geralmente ele só coloca Feliz Natal e Feliz Ano Novo com amor e assina. Eu fico pasma. Não tem mensagenzinha de felicitações, votos para o próximo ano... bem simples e prático. Enquanto eu demoro pra escrever 1 cartão, ele já escreveu 10. Já tentei fazer ele escrever algo mais pessoal nos cartões, mas não deu certo, então seguimos com os nossos estilos.

Os conflitos são administrados com bom-humor e aos poucos estamos criando as nossas próprias tradições também. Gosto de decorar a árvore de Natal e um pouco a casa, mas não tem uma data certa, já que segundo ele deveríamos fazer apenas 12 dias antes do Natal, no Brasil eu aprendi que é no dia 6 de dezembro e aqui é quando der na telha, mas muitas famílias já decoram depois do dia de Ação de Graças. Eu amooooo ver as decorações de Natal das casas, então algumas vezes durante a noite, saímos pela vizinhança para olhar as decorações e eles capricham!!! Também vamos à apresentação de Natal da nossa igreja que acontece no começo de dezembro chamado Christmas Spectacular que já deixa a gente com o espírito do Natal. Também gostamos de ir até San Francisco para ver a árvore de Natal no pier 39.  Durante o tempo que estamos juntos, já passamos o Natal em casa, com família, com amigos, viajando... e cada um tem os seus sabores e dissabores, como sempre.

O importante pra mim nesta época é lembrar do nascimento de Jesus e tentar seguir o seu exemplo de humildade, paz e ajudar as pessoas próximas.  Espero que todos tenham um bom Natal e um ano de 2015 cheio de saúde porque com isto a gente consegue correr atrás do resto.

Comments

  1. Esse negócio de presente é bem estressante mesmo. Eu geralmente não compro presente pra ninguém, não peço nada a seu ninguém e nem faço lista,porque já participo de trocentos amigos secretos que acontecem em dezembro.
    .Como as pessoas aqui sentem-se na obrigação de lhe dar alguma coisa, acabo ganhando muito presente de grego, que não tem nada haver comigo. Marido e eu já não compramos mais presentes um para o outro, por causa dessa loucura do comprar e comprar. Outra coisa que não me entra é a pressão que eles fazem em cima de vc para ter uma árvore de Natal. E falo dos evangélicos! Se eles soubessem a origem da árvore de Natal não colocariam uma nas suas casas, e pasmem, nos PÚLPITOS DAS IGREJAS!!!!. Sim,árvore de Natal !!!!
    Fico me perguntando o que aconteceu com Cristo. Será que ele não é mais suficiente?

    Gisley Scott | A Exportada!

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    1. A questão dos presentes é difícil, mas tento entender que é tradição deles esta obrigacao de dar presentes.
      Decoro a minha casa e tenho árvore de Natal, não vejo mal nenhum nisto. Cristo continua sendo o motivo maior da celebração, sempre lembro e agradeço por ele ser Emanuel, Deus conosco

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  2. Amei o post e não sabia/lembrava que vc também é cristã.
    Acho engraçado essa parte dos cartões. meu ex também escreve todos os anos e é como uma obrigação. Acho bonitinho, mas não faz muito sentido pra mim. Sei lá.
    Eu estou com uma sobrinha de 6 anos aqui em casa e ela não acredita em nada de papai noel, fadas, etc. Fui assistir Malevola com ela e ela dizia: titia, isso é feito no computador, né? Porque não existe fada. Rs. Acho bom e ruim porque penso que o mundo é tão cruel que não faz mal acreditar que existe magia.
    Bom natal, querida e um beijo a toda sua família.

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    1. Espero que você tenha tido um bom Natal Paula!
      Eu gosto de mandar cartões, até este ano fiz personalizados mas dá uma tristeza quando você percebe que as pessoas não ligam muito sabe... Acho que toda coisa feita por obrigacao não é legal, se for pra fazer que seja de coração.
      A gente pode trabalhar tanto com a imaginação, não precisa acreditar em fadas e papai Noel... Eu era uma criança com a imaginação mais fértil do mundo, mas nunca acreditei nestas coisas de magia.

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