Adele & me

Nao sei muito bem quando a nossa relação de amor e ódio começou.
Lembro-me que escutava a música "someone like you" no rádio do carro e ficar muito tocada até que um dia, parada no trânsito prestei atenção na letra da música e fiquei muito p. Da vida, e comecei a dar lição de moral pra Adele dentro do meu carro vazio. Como é que ela tinha coragem de ter ido até a casa do ex quando ele já estava com outra pessoa?! Quem é que faz uma coisa dessas??! É por muito tempo eu e Adele terminamos o nosso relacionamento.
Não aguentava mais escutar "rolling in the deep" no rádio todas as manhãs e dei graças a Deus quando Taylor Swift tomou conta das estações de rádio com a música do Starbucks lovers (veja você que eu entendo muito de Taylor Swift...).
Tudo ia bem até que uma bela tarde de novembro, em São Paulo nós nos reencontramos... Quando ouvi a primeira vez a música "hello" eu aceitei ouvir Adele e nós tivemos uma DR sobre o nosso relacionamento. e confesso que fui atingida pela febre Adele.
Comprei o cd 25 e baixei o 19 no ITunes já que eu já tinha o outro álbum 21. E aí entendi porque Adele faz tanto sucesso. Porque ela canta as dores do coração e quem é que já não passou por aqueles mal pedaços? Quem pode julgar as atitudes de uma pessoa com coração partido? Eu mesma já fiz tanta besteira bem digna de uma Música de Adele...
Então quando fiquei sabendo que ela iria fazer um tour nos EUA ano que vem fiquei esperando as datas e quase morro de felicidade quando descobri que ela iria cantar no SAP Center, uma casa de shows em Sán José é bem próximo de casa. Duas datas para este lugar é em pior das hipóteses poderia ir até uma cidade próxima daqui chamada Oakland.
Mal sabia eu que a revanche da Adele estava a caminho...
Como ela não faz shows há quatro anos, a expectativa dos fãs é muito grande e todo mundo quer ir ao show. Fiquei sabendo que os ingressos seriam vendidos para todos os shows dos EUA INTEIRO no mesmo horário, em um mesmo site. Já imaginei que o mesmo estaria super congestionado e estava me preparando psicologicamente pra espera e não pegar bons lugares quando me dei conta que eu estaria naquele momento dentro de um avião.
Pronto. Sabia que não teria a menor condições de achar ingresso depois que aterrissasse 3 horas depois do início das vendas. Comecei a procurar se havia pré-venda dos ingressos e tinha, mas você tinha que ter registrado no site dela, coisa que eu não fiz. Acompanhei a pré-venda pelo Twitter e vi o desespero das pessoas e como os ingressos sumiram em minutos do início  das vendas.
Já estava sem esperança quando meu marido me disse que o avião tinha Wi-Fi disponível e estava disposta a pagar uma pequena fortuna pra acessar o site e garantir meus ingressos mesmo que estivesse nas alturas em algum lugar no meio do país.
Mas a minha relação com a Adele é complicada e nada poderia ser fácil...
O Wi-Fi do avião não funcionou o voo inteiro e sabia que as minhas chances de conseguir um ingresso tinha ido por água abaixo. Mesmo assim, quando cheguei ao meu destino ainda tentei achar algo e fiquei uns 40 minutos no site de vendas oficial (que eu odeio mais do que nunca) e apesar deles colocarem que talvez houvesse ingressos disponíveis tentei comprar e a resposta era a mesma. "Sorry no more tickets available". Juro que quase chorei de raiva.
Tentei me consolar dizendo pra mim mesma que eu nem sou fã assim dela é que tudo bem, mas olha fiquei bem chateada. Tão chateada que não posso nem ouvir falar o nome Adele é sobre os ingressos... Sei que não é culpa dela que tentou de todas as formas que os fãs pudessem ter acesso já que a pessoa que compra ingresso tinha o limite de 4 por pessoa e tem que apresentar o cartão de crédito com identidade pra poder entrar no dia do show, não existe ingresso físico pra evitar pessoas comprarem grandes quantidades e tentar vender depois.
Agora estou aqui... Literalmente cantando "hello from the other side... At least  I can say that I've tried..."
Pra mim e outros milhões restou de consolo um show gravado no Radio City Music Hall em NYC que foi gravado mês passado e foi o primeiro show que ela fez em 4 anos e foi bem emocionante, ela chorou agradecendo os fãs e o noivo que estava presente...
Agora sinto que ela brincou com meus sentimentos e eu to aqui tentando me recuperar do fora que Adele me deu.
E pra aqueles que conseguiram ingressos pro show dela "I wish nothing but the best for you two..."

Como eu vi São Paulo nesta última visita

Se existe uma coisa que eu D-E-T-E-S-T-O neste mundo é generalização. Quando você generaliza acaba simplicando demais e as chances de se equivocar sobre a opinião de um lugar ou de pessoas é muito grande. Por isto que vou colocar algumas observações de como EU enxerguei São Paulo - levando em consideração as pessoas com as quais conversei e por onde passei, já que isso acaba influenciando e muito a minha experiência.

A minha família continua morando na região do Capão Redondo, na Zona Sul da cidade. Quando estou por lá,  98% do tempo estou indo pra cima e pra baixo usando transporte público com a exceção da minha ida e retorno ao aeroporto e quando alguma alma caridosa me dá carona pra ir em algum lugar. Nós daquela região continuamos com o doce sonho (que já até virou piada) da conexão da linha lilás do metrô com a estação Santa Cruz. Pelo menos mais uma estação foi adicionada desde a minha última visita (Adolfo Pinheiro). Acredito que os meus bisnetos vejam esta obra completa, mas o meu marido sonha que daqui uns 3 anos tudo estará interconectado.

Achei o sistema de transporte público bom (antes que você me xingue e jogue pedra na minha cabeça como muitos tentaram fazer quando eu disse a mesma coisa à eles, deixe eu terminar o meu raciocínio). Como os ônibus andam por corredores pela maior parte do trajeto que usei (Av. Santo Amaro, Av. Ibirapuera, M'Boi Mirim, etc) é muito mais rápido chegar nos lugares de ônibus do que de carro, já que existem poucas faixas para carros, motos e os microônibus/van utilizarem. Fora que em alguns lugares há faixa de ciclovia que deixa espaço para os veículos menores e mais disputados. Sinceramente eu morreria de medo de dirigir na cidade, primeiro com medo de derrubar um motoqueiro e segundo porque haja paciência pra aguentar o trânsito da cidade que parece que já não tem mais horário pra estar ruim.

O problema do transporte público, claro, é que não tem ônibus suficiente pra tanta gente que usa o sistema, mas você paga R$ 3,50 e tem 3 horas pra fazer baldeação quantas vezes precisar. Ok, eu ODEIO ter que trocar de ônibus em terminais, assim a viagem acaba ficando mais longa e os ônibus mais cheios daquelas linhas que te levam para o Centro por exemplo sem ter que trocar de ônibus. Detesto aqueles ônibus novos que tem degrau dentro. Como assim degrau dentro do ônibus?? Morro de medo de cair, fico imaginando as pessoas que tem problema de mobilidade... E o tamanho daqueles corredores? Se duas pessoas ficam em pé em lados opostos ninguém na teoria, passaria. Na teoria né, porque todo mundo sabe que tem que passar e aí fica muuuuuito espremido! Mas os ônibus que peguei estavam pelo menos limpos. Me surpeendi até com a televisão, que a minha irmã disse que passa jornal, informativo, desenho, achei muito legal. Alguns ônibus novos tem ar condicionado e até mesmo wifi, mas estes não tive a felicidade de usar pra saber como era - até tive vontade de pegar a linha errada só pra testar!! E já tinha me esquecido do quão imenso e como chacoalha o ônibus bi-articulado!!! Os ônibus de São Paulo dão de 1000 a zero nos ônibus daqui do Vale do Silício da empresa VTA e o Muni de San Francisco. Pro sistema ficar melhor acho que os eles deveriam estar equipados com um mapinha dizendo as paradas e a sua localização como os ônibus daqui tem, porque muitos pontos mudaram de lugar e eu não tinha a menor idéia de onde descer! E uma informação essencial, avisar se a porta daquele ponto é do lado esquerdo ou direito porque vi muitas pessoas perguntando para o cobrador que lado a porta abriria.

O metrô estava cheio nos horários que peguei, mas gosto do metrô de São Paulo e através das novas integrações, consigo ir da casa da minha mãe até o Centro em pouco mais de uma hora. Ok, você precisa trocar de estações e ir até a linha amarela em Pinheiros (particularmente não gosto das duas milhões de escadas rolantes daquela estação), mas sabe que não vai ficar parada em trânsito. Ok, vocês vão dizer que eu não utilizei na hora do rush e que infelizmente por falta de manutenção e investimento as linhas dão problema e acaba atrasando principalmente quando chove. O sistema precisa ser ampliado e feito uma manutenção melhor, mas ainda acho que é o melhor tipo de transporte para a cidade, pois é rápido e eficaz pra levar uma quantidade grande de pessoas. Uma coisa que precisa ser melhorada são os mapas das linhas que ficam sempre escondidos em algum canto. Uma vez tive que literalmente caçar o mapa dentro de uma estação para saber qual a melhor opção para trocar de linha para chegar onde queria. Duas vezes que pedi mapa de papel para funcionários fui atendida de prontidão e vi que algumas linhas continuam com sinalização em inglês. Ok, deve ter algum app pra isso, mas sou meio tradicional pra estas coisas.

E por falar em app, acho que era a única na cidade utilizando um celular simples de flip (sabe igual aquele da Adele do clipe Hello?). Todo mundo estava conectado ao seu smartphone, que na maior parte eram celulares Android, mas vi pelos ônibus pessoas utilizando até mesmo Iphone 6! Deixei o meu telefone guardado em casa apesar das minhas irmãs e amigos acharem que eu era paranóica, mas gente, a única vez que fui assaltada na cidade foi justamente por causa de um celular e eu não quero mais ter a experiência de ter uma arma apontada na minha cabeça por causa de um aparelho. Apesar das pessoas estarem com celulares, era difícil ouvir alguém conversando, mas vi pelas telinhas muitos ouvindo músicas e em conversas com o Whatsapp. Febre isso no Brasil não? E melhor do que teclar agora muitos utilizam as mensagens de áudio, não é verdade? Aqui eu uso pouco e pra dizer a verdade eu moooooooooorro de preguiça de ouvir mensagens de áudio...

Fui algumas vezes em shoppings e fiquei horrorizada com o preço das coisas. E além das coisas serem muito caras, o que me assustou foi a qualidade dos produtos e infelizmente a má vontade e má serviço de alguns vendedores. Fui comer pão de queijo recheado com a minha mãe na Casa do Pão de Queijo e a atendente mal abriu a boca pra perguntar o que eu queria. Sorriso então nem pensar né? E aí quando sentei na mesa e dei uma mordida no meu pão percebi que não tinha recheio nenhum. Lóooogico que voltei lá numa boa pra reclamar que o meu pão recheado estava sem recheio, ela olhou pra mim com a maior cara de bunda do planeta, pegou o pão de volta e ao invés de pegar outro e rechear, pegou aquele mesmo e eu percebi que "só de raiva" ela colocou recheio muito mais do que precisava e ficou todo melequento. Ia dizer alguma coisa, mas deixei pra lá, o meu pão estava recheado e isso que importava. Não foi um pedido ou reclamação pessoal, mas ela levou pra esse lado não posso fazer nada...

Uma coisa que tinha esquecido é a facilidade que as pessoas tem de puxar conversa contigo na rua. Sério, eu quase me assustei quando estava conversando com o meu pai no ônibus sobre o ponto que eu precisava descer pra ir em determinado lugar e aí a moça que estava do lado entrou na conversa e deu informações. Ok, ela estava querendo ser útil, mas e da outra vez que perguntei se  o meu pai
tinha ouvido falar do acidente que aconteceu próximo da nossa casa no rádio e outra mulher começou a dizer que tinha visto na televisão e tal. A melhor de todas foi a mulher que começou a bater papo com a minha mãe e disse que estava indo fazer entrevista de emprego, que tinha 2 filhos de pais diferentes, tudo isso depois dela puxar papo dizendo quão quente que o dia estava. Acho que este povo em São Paulo anda muito carente viu? Deve ser porque seus amigos e companheiros passam muito tempo em frente ao celular mandando mensagem de Whatsapp... hehe

E tá certo que São Paulo é cidade grande, mas olha, ao mesmo tempo que as pessoas querem puxar papo contigo, percebi que grande parte das pessoas andam por aí com cara fechada, de poucos amigos. Um dia fui fazer feira com a minha mãe e estava parada no ponto cheia de sacolas esperando o ônibus passar, quando um homem veio por trás e literalmente me atropelou. Se ele tivesse pedido licença, teria dado espaço pra ele passar, mas nem tinha o visto porque ele veio por trás e ele já passou empurrando com tudo sabe. Achei uma tremenda falta de educação. As palavras "com licença", "desculpa"e "por favor" parecem que estão sumindo do vocabulário das pessoas. Elas empurram com cara feia dentro do ônibus, bufam atrás de você na fila... lembro de um tiozinho que começou a reclamar dentro do aeroporto porque a máquina não tinha lido o passaporte dele e o agente federal começou a bater boca. Tão desnecessário... mas acho que as pessoas estão tão de saco cheio de tanta coisa errada acontecendo ao redor que elas estão ficando meio duras sabe?

E a nova velocidade para circular nas Marginais e nas principais vias da cidade? Pra ser sincera não tenho uma opinião sobre o assunto. O meu marido diz que 50km/h até uma velocidade boa já que tudo está sempre parado por causa do trânsito, mas as coisas não são bem assim... O problema é que se diz muito que a redução de velocidade é pra proteger os pedestres nas vias, mas eu te pergunto "o que é que o pedestre está fazendo no meio da marginal????". Mas vi com os meus próprios olhos, ambulantes andando pela via na hora do trânsito, um até com carrinho de mão levando mercadoria. NO MEIO DE UMA VIA EXPRESSA!! Não faz sentido algum... se é lugar pra carro, que nem moto pode circular, então pedestre não deveria estar lá também!! O que muita gente me diz é que isso acabou virando uma fábrica de multas, gerando muito dinheiro para a prefeitura que não devolve pra cidade o que foi arrecadado (como vi numa reportagem esta semana no Jornal Hoje). Sinceramente, queria que as pessoas se respeitassem mais no trânsito. Carros, pedestres, motos, bicicletas. Todo mundo quer circular e ninguém é melhor ou tem mais prioridade do que ninguém. A vida na cidade está ficando cada dia mais impossível por conta do trânsito maluco.

Graças a Deus não presenciei nenhum tipo de violência na cidade, mas é só ligar o noticiário pra ver gente morrendo de graça por nada. A "modinha" na semana que estava lá era o arrastão no semáforo na região do Morumbi, apenas alguns quarteirões do Palácio do Governo. Imagina que medo você estar parado no sinal vermelho e várias motos te rodeando para te assaltar? Meus amigos disseram que estava paranóica, mas confesso que evitava a qualquer custo andar pela cidade à noite, já que eu teria que voltar de ônibus e tinha que caminhar uns 10 minutos do ponto até a casa da minha mãe. Penso em quantas vezes fui obrigada a fazer aquele trajeto quase meia noite, depois de retornar da faculdade, mas se eu tinha uma escolha, pra que ficar dando bobeira né?

Acho que por conta de toda a crise econômica e as pessoas perdendo emprego, vi muitas barraquinhas de comida pelos pontos de ônibus e nas calçadas e achei a idéia maravilhosa. Pensa que você está atrasado pra ir pro trabalho e tem uma barraquinha que vende café com leite e um pãozinho, uns biscoitos, bolo, tapioca, idéia genial né? Infelizmente isso é ilegal, pois a minha mãe me disse que foi proibido o comércio em calçadas, em frente às escolas. Acho que este tipo de coisa deve ser fiscalizado, mas as pessoas deveriam ter a oportunidade de trabalhar honestamente sabe? Tive um conhecido que vendia churrasquinho e teve o carrinho apreendido 2 vezes por fiscais, mas como é o ganha pão dele, ele juntou o dinheiro e montou negócio novamente. Igual as pessoas que vendem coisas dentro dos ônibus e metrô. Enche o saco? Sim !! Mas estas pessoas estão tentando ganhar algum dinheiro. Prefiro que eles façam isso a roubar as pessoas pra conseguir dinheiro. Ironicamente, os vendedores ambulantes nas marginais não são proibidos ou perseguidos... vai entender?

A forma como as notícia são transmitidas na televisão me deixou de boca aberta. Na época que assistia televisão lá, não mostrava pessoas sendo mortas, corpos mutilados, cenas de crimes ainda com sangue. É algo tão bárbaro e tão chocante, que eu saía de perto da televisão quando meu pai ligava pra ver aquelas coisas. Falta de respeito muito grande com os familiares dos mortos! Como a Mari mesmo disse em um comentário de um post anterior, quando a gente fica muito exposto a cenas de violência gratuitas, acabamos nos tornando insensíveis para as pessoas. Se eram pessoas "do bem" ou bandidos, não importa, eram pessoas e devem ser respeitadas. Quando estava em São Paulo ocorreu o tiroteio em Paris e a Globo mostrou "com exclusividade" cenas de pessoas ensanguentadas saindo dos locais, pessoas arrastando corpos pelas ruas e eu me pergunto o que acrescentou na vida de quem assistiu estas imagens? Engraçado que as mesmas imagens foram utilizadas aqui, mas quando chegava nesta parte mais grotesta a transmissão era cortada, o que acho justo.

Uma coisa que sempre me irritou e agora que moro há muitos anos por aqui me irrita ainda mais é a mania que algumas pessoas tem de idolatrar os EUA e sua cultura. Fiquei sem entender porque o Brasil estava adotando festas de Halloween e Black Friday que não fazem o menor sentido para a nossa cultura. Não há nada de errado de ver coisas boas de outras culturas e tentar incorporar em nossas vidas, mas acho que a supervalorização da cultura americana está aos poucos destruindo a nossa própria cultura e valores também. Festas a fantasia para crianças no Halloween tá, legal, mas acho muito mais válido ensinar as nossa crianças sobre as lendas e histórias do nosso folclore por exemplo.

Enquanto estava lá a minha mãe conversou com o agente de saúde da região que por sinal é um rapaz que era aluno da minha irmã mais nova. Achei o trabalho destes agentes de saúde maravilhoso! Não  consegui entender direito como funciona e se existe apenas na região mais carente da cidade ou em todos os bairros, mas pra minha mãe ele ajuda e muito marcando consultas, exames no posto de saúde e quando a minha mãe fez cirurgia para retirar a vesícula, foi uma enfermeira lá em casa para ver se os pontos estavam cicatrizando e pra medir a pressão da minha mãe. Ela também recebe remédios para a diabetes, pressão alta e colesterol de graça pelo posto, tem um esquema de trocar receita que não consegui entender, mas sei que ajuda e muito a minha mãe economizar com medicamentos. Gostaria que este sistema funcionasse bem e que atendesse todo mundo, cheguei até a agradecê-lo pelo trabalho que faz pois sei o quanto é importante pra minha família - E antes que alguém pergunte, não, este tipo de coisa NÃO existe aqui nos EUA, já que NÃO existe saúde pública aqui. Achei interessante a iniciativa de educação, palestras para prevenção de várias doenças, inclusive sexualmente trasmissíveis. Quando passei por um posto de saúde com a minha irmã ela me mostrou uma caixa bem na porta do posto com camisinha para as pessoas pegarem, de graça. É um trabalho de formiguinha, mas a educação é muito importante se queremos ver mudanças em nosso país.

E por falar em educação, que zona que está acontecendo no sistema de ensino de São Paulo? A minha irmã mais velha trabalha para a prefeitura da cidade e a minha irmã mais nova para o governo estadual e ambas reclamam da decadência do sistema de ensino. Infelizmente não é mais permitido que o aluno repita de ano, só em algumas séries, então fica difícil para os professores manterem motivação para que os mesmos estudem. As minhas irmãs contas histórias e mais histórias de alunos que chegam até a quarta série e não sabem ler e escrever. Fico abismada com isso pois lembro que saí da primeira série já lendo e escrevendo algumas coisas e na terceira série fazia trabalhos de pesquisa naquelas folhas de almaço (noooossa olha eu entregando a minha idade!!). Dá uma tristeza tão grande saber disso porque sei que em contra-partida as crianças que estudam em escolas particulares continuam sendo cobradas e mais conteúdo continua sendo dado, gerando uma melhor educação pra elas e um abismo entre aqueles que estudaram no sistema público de ensino. Aí vem o governador Geraldo Alckmin e decide  fazer reforma no sistema de novo, fechando escolas... Os alunos reclamam, ocupam escolas, o governador suspende as mudanças, mas os alunos não retornam pra escola pra estudar. Eu não entendo. Queria que todo este esforço fosse colocado pra aprender, pra respeitar colegas e professores também. Vamos ver onde isso  vai parar...

Uma coisa que achei interessante é que mais e mais pessoas estão saindo de suas casas para fazer passeios pelos museus, exposições, parques e cinemas da cidade. Infelizmente não está acessível para todos por causa de preços e também da localização destes lugares, mas fico feliz que as pessoas estão se abrindo para fazer coisas diferentes.

Infelizmente ainda percebi muitos preconceitos velados e descarados em relação à pessoas que sejam diferentes - sejam gays, negros, asiáticos, gordo, de outras religiões. Sei que eu também aceitava de forma passiva agressões, piadas e comentários preconceituosos porque fazem parte do dia-a-dia das pessoas, mas depois de morar tanto tempo no lugar do politicamente correto, há certas coisas que me deixavam de olhos arregalados. E por conta disso era difícil pra eu manter conversa com pessoas que antigamente eram meus amigos e até mesmo pessoas da minha família. Por algumas vezes tentei fazer com que a pessoa enxergasse o absurdo que estava sendo dito, mas só gerava conflito e eu via que aquela discussão não iria mudar em nada a opinião da pessoa, então eu ficava na minha. Mas quando alguém falou por exemplo que todos os muçulmanos são terroristas, instantaneamente já disse que a conversa não era bem assim. E acredito que é isso que devemos fazer. Confrontar com a verdade, mas sem julgar a pessoa que está falando o absurdo.

Uma coisa que me irrita ao extremo é ser julgada por exemplo pela forma como me visto. As pessoas reparam e já fazem uma análise do seu poder aquisitivo só de olhar pra você. Saí com a minha mãe para olhar lojas no shopping Ibirapuera, que nem é um dos mais chiques da cidade, mas em diversas lojas as vendedoras nem olharam pra gente quando entramos para comprar algo só porque não estávamos vestindo nenhuma roupa de marca. Isso é motivo suficiente pra eu sair da loja sem comprar nada. E isso não acontece apenas em shopping, eu fui na Livraria Cultura na Avenida Paulista e como tinha ido dormir na casa da minha irmã, estava com algumas sacolas e mochila, e fui perguntar pra uma vendedora sobre determinado livro e ela me ignorou na cara dura! Que ódio! Tive que sair atrás de outra pessoa pra ver se eles tinham o livro que eu queria e mesmo falando comigo o vendedor não me deu muita bola. Ok, o cara poderia ser assim, certo? Mas chegou um cara mais arrumadinho e o vendedor já o atendeu com sorriso no rosto. Detesto isso. As pessoas precisam aprender que ninguém é melhor do que ninguém e não importa como esteja vestido ou seu poder aquisitivo todos devem ser tratados com igualdade e respeito. Fico imaginando se o Mark Zuckerberg não tivesse o rosto reconhecido e fosse entrar em certas lojas em São Paulo, como ele seria mal-tratado!!!

No demais, a cidade continua barulhenta e suja. E cinza. E sempre com pressa. Ao passear tranquilamente pela cidade, observei o passo frenético das pessoas e a vida parece passar sem ninguém perceber. Fiquei me perguntando como é que consegui sobreviver por 26 anos naquela selva de pedra, e a resposta que tive é que não tinha escolha, ou entrava no ritmo da cidade ou ela me engolia. Da próxima vez que retornar, prometi pra mim mesma que quero explorar mais a cidade como turista e não como moradora saudosista, pois sei que há muitos lugares legais para visitar e explorar, mas nunca tive a oportunidade de aproveitar porque quando morava em Sampa, estava no automático casa-trabalho-faculdade e isso te dá uma visão totalmente diferente da cidade. E não quero fazer injustiça com São Paulo, afinal, muitas pessoas decidem ir pra lá e algo de bom esta cidade deve ter, senão 12 milhões de pessoas não a chamariam de casa.

Falando de coisas sérias

Reluto muito para escrever sobre certos assuntos aqui no blog porque gosto de manter um lugar leve, com informações que sejam relevantes e úteis para quem lê, mas como é o meu canto, estou com vontade de falar sobre os últimos acontecimentos daqui e do Brasil.

Tiroteio na Califórnia
Há 3 dias aconteceu em San Bernardino um tiroteio que deixou 14 pessoas mortas e 17 pessoas feridas. Num primeiro momento as autoridades não queriam falar muito sobre os atiradores que tinham escapado do local e depois que eles foram encontrados e mortos num confronto com a polícia, pouco se sabia ou era divulgado sobre eles. Isso deixou o povo por aqui muito alarmado e desconfiado de que se tratava de um ato terrorista e que as autoridades não queriam falar o que sabiam.
No dia seguinte as identidades das pessoas foram divulgadas, além de sua religião e ligações com supostos grupos terroristas. Pronto, começou o discurso de ódio de muitas pessoas contra os muçulmanos e alguns grupos até tiveram que ir até a televisão dizendo que não davam apoio e não concordavam com mais este ato horrível cometido por uma pessoa e não por uma instituição inteira. O problema é que muitas pessoas associam terrorismo a um determinado grupo religioso e todo mundo paga o pato.
Me dá medo e preocupação ouvir certos candidatos à presidência deste país falarem discurso que são tão racistas, tão ignorantes que me assusta como é que eles tem a "liberdade" de falar estas coisas abertamente e não serem processados. SE eu falasse metade do que eles falam, já estaria presa com certeza.
E aí entrou novamente em discussão o porte de armas de fogo por civis. Uma coisa que eu nunca vou conseguir entender é a paixão fervorosa que existe entre os americanos de garantir o direito do cidadão comum de portar armas porque a Segunda Emenda da Constituição garante este direito. Até hoje ninguém conseguiu me dar uma única razão para qual um cidadão comum precise ter um fuzil que foi construido com o único intuito de matar o mais rápido possível o maior número de pessoas. Ter mais armas de fogo nas ruas não é a solução para diminuir a violência, mas as pessoas aqui parecem que não entendem isso... E me dá medo, muito medo de escutar um discurso parecido aparecendo no Brasil...
Se você parar para pensar muito nem saí de casa, porque alguém pode começar um tiroteio sem razão alguma num shopping, no cinema, numa faculdade, num hospital, num ponto turístico... Infelizmente escolas estão dando treinamento para professores e crianças do que fazer num caso de tiroteio, coisa que tem se tornado "comum" neste país. Nem consigo expressar o quanto isso é errado e o quanto isso me deixa indignada e preocupada...

Impeachment ou não, eis a questão...
Esta semana o processo do impeachment da presidente Dilma foi aceito pelo presidente do Congresso e o processo vai começar e vai ser longo... Ouvi discursos da presidente e do Eduardo Cunha e olha, me revira o estômago ouvir discurso dos dois. Um acusando o outro, o sujo falando do mal-lavado. Não sei se o impeachment acontecer, as coisas irão melhorar, mas acredito que alguma coisa tem que ser feita para limpar esta sujeirada desta corrupção deslavada e descarada que está acontecendo no Brasil.  O dinheiro que foi desviado acho que daria para cobrir as despesas do governo federal e ainda sobrava! O Brasil não é um país pobre, é um país mal administrado e infelizmente quem acaba sofrendo é o povo brasileiro que paga imposto, trabalha duro e não tem o retorno do que investe. Sinceramente espero que toda esta sujeirada seja limpa e as pessoas comecem a abrir os olhos e perceber que não é a pessoa A ou B ou o partido X ou Z que são bons, mas cobrarem de seus políticos leis que beneficiem ao povo e não somente algumas pessoas.

Vitória da democracia!
Mas nem só de más notícias vivemos esta semana... o grupo de estudantes que estavam protestando em São Paulo e ocuparam várias escolas, foram mal tratados pelos policiais militares conseguiram se fazer ouvir e fizeram com que o governador Geraldo Alckmin voltasse com a decisão de reorganizar as escolas por faixa etária e fechar algumas escolas.
Bato palmas para estes jovens que lutaram pelo o que acreditaram, mesmo quando muitos alunos e até mesmo professores estavam contra a atitude deles, pois com as escolas ocupadas os dias letivos irão se arrastar por dezembro a dentro e até mesmo pode ser que vá até janeiro, sacrificando as férias. Alguns se sacrificaram para o benefício de todos.
Só espero que estes mesmos alunos que brigaram pelo direito de ter escolas abertas e de uma melhor educação sejam os mesmos alunos que respeitem seus professores e colegas, estudem e cuidem do patrimônio da escola. Não adianta nada protestar por uma educação melhor e não ir pra escola e estudar. MInhas duas irmãs são professoras e escuto com tristeza e horror as coisas que elas escutam e enfrentam em salas de aula, num sistema de ensino falido que não cobra do aluno nada além da presença para não reprovar de ano. Espero também que este seja o começo de uma reforma de verdade no ensino público de São Paulo, porque a coisa está feia por lá!

Tanta coisa ruim acontecendo ao nosso redor que é muito fácil ligar a televisão e ficar desanimado com o que acontece a  nossa volta, um sentimento de apatia e revolta muito  grande. Só se fala em crise ecônomica, recessão, guerra, desastre ambiental.. mas é preciso no meio disso tudo lembrar que somente as coisas ruins que dão ibope e que são noticiados. Há tanta coisa boa e bonita no mundo, que acaba passando desapercebido por nós. Por isto tente semear agora e sempre coisas boas por onde for, pelas mídias sociais, emails, cartas, conversas, blogs, txt messages, whatsapp messages... a gente precisa de carinho, de amor, de dar risada, não de vídeos com crueldade, notícias ruins, coisas feias, palavras cheia de racismo e ódio... é isso que tenho tentado fazer e até mesmo parei de assistir notícias e tenho escolhido com muita cautela as minhas fontes de informação.
Não podemos perder a esperança no amor e termos fé de que dias melhores virão e que Deus nos proteja.

Como tirar Cristo do Natal se Ele nunca esteve lá?

Você já parou para pensar que nem todo mundo nesta época do ano celebra Natal?
Que pra estas pessoas, Jesus, Papai Noel, Árvore de Natal, troca de presentes não faz sentido nenhum?
Pois é, pra maioria esmagadora dos brasileiros - mesmo aqueles que não são cristãos - estão acostumados com as festividades e já ouviram a história do Natal, já que o Brasil é um país onde a cultura cristã é bastante difundida. Então desejar Feliz Natal para as pessoas se torna uma coisa automática, não é mesmo?
Aqui todo ano tem sempre uma polêmica sobre os cristãos reclamarem de que estão cada vez mais querendo tirar "Christ of Christmas" ( "Cristo do Natal"), por causa dos termos politicamente corretos,  muitos chamam a Árvore de Natal de "Holiday Tree", e as festas de final de ano de "Holiday Party" e é cada vez mais comum ver cartões e pessoas desejando "Happy Holidays" ao invés do "Merry Christmas".  Este extremo cuidado de não "magoar" ninguém às vezes chega ser um pouco irritante, mas como cristã, isso não me incomoda de forma alguma porque o que importa é o que o o Natal realmente signifca pra você e como você celebra, porque convenhamos, sair por aí gastando fortunas para comprar presentes e preparar banquetes e ficar estressado no processo não me parece uma forma muito cristã de celebrar o nascimento de Jesus.
Ontem conversando com uma amiga muçulmana tive uma outra perspectiva sobre o assunto. Pra eles, o Natal não faz sentido algum já que eles não celebram aniversário. E achei interessante ela me dizendo que pra ela, Natal é apenas mais um feriado para que ela possa passar com a família. Acho que as pessoas judias que comemoram Hanukkah devem sentir a mesma coisa. E fiquei tentando imaginar como deve ser pra eles viverem numa cultura tão diferente, eles simplesmente aceitam as celebrações, enfeites e costumes só para sentir parte da sociedade - mesmo que não tenha nenhum sentido religioso, ou simplesmente ficam na deles?
Deve ser a mesma coisa que uma pessoa que more em um país muçulmano deve sentir por exemplo, na época do Ramadã, onde eles jejuam durante o dia inteiro, lojas fecham, a rotina das pessoas mudam. Como será que eu me comportaria vivendo numa sociedade tão diferente da minha?
Por isso que é tão importante que se ganhe conhecimento e principalmente respeito por outras pessoas e outras culturas. Eu não sei muito sobre Hanukkah por exemplo, mas sei que os judeus fazem uma celebração por 7 dias no mês de dezembro, porque nas lojas sempre tem o Menorá (aquele castiçal para colocar 7 velas) e cartões desejando feliz Hanukkah nesta mesma época do ano.
Por este motivo, comecei a pensar nos famosos cartões de Natal que por aqui as pessoas levam muito a sério. Você pode ficar um ano inteiro sem ouvir falar da pessoa, mas se ela tem uma grande consideração você entra na famosa "Christmas card list" e recebe um cartão da família. Quem tem crianças fazem cartões com fotos das crianças ou da família inteira (o que eu acho um barato porque você vai acompanhando o crescimento delas!). Muitas pessoas fazem cartões pela internet e enviam o famoso "Boas festas" (Happy Holidays) pra não ofender ninguém, mas eu sempre enviei cartão de Merry Christmas até mesmo para alguns amigos que não tinham religião cristã. Eles entendem que estou enviando de bom coração e sempre escrevo mensagem de um ótimo próximo ano - o que geralmente as pessoas não escrevem.
Após a conversa com a minha querida amiga, decidi que este ano vou escrever Merry Christmas para os meus amigos que sei que comemoram o Natal e para os outros Happy Holidays está perfeitamente adequado. Não vou deixar de ser menos cristã por causa disso e não vou tirar Cristo do meu Natal, mas acho que faz mais sentido enviar um cartão desejando muitas coisas boas para esta pessoa do que escrever simplesmente Feliz Natal. Não que a pessoa se sentirá ofendida, mas não terá nenhum significado especial, da mesma forma que eu não ficaria ofendida se alguém me desse um cartão de Happy Hanukkah (o que nunca aconteceu).
O que importa mesmo é que os sentimentos de amor, de paz, respeito e de esperança sejam compartilhados entre as pessoas que estão ao nosso redor, independente de sua religião. E isso deveria acontecer todos os dias, não somente nesta época de Natal.

Quase um mês depois...

Quase um mês que escrevi o último post, com a mente totalmente confusa em São Paulo.
Fiquei esperando a poeira baixar, os pensamentos voltarem para o lugar, conclusões serem feitas mas nada disso aconteceu durante este um mês de ausência daqui.
Assim me sinto em casa...
Vontade de escrever não faltou, eu juro. Escrever até me ajuda, mas desde que voltei pra casa dia 17 deste mês a minha vida parece que entrou numa correria sem fim.
Depois de 3 semanas em São Paulo eu estava pronta para voltar pra casa. E não foi nada demais que aconteceu por lá, mas estava cansada de viver a vida da minha família por lá. Engraçado como é possível se sentir totalmente deslocada de um lugar tão familiar... Até tentei durante este período encontrar alguns amigos e ser turista pela cidade, mas a única coisa de turista que fiz foi visitar um dos meus lugares favoritos da cidade, o Museu Paulista (popular Museu do Ipiranga) e ir ver o famoso parque da Independência logo à frente. Confesso que os meus olhos se encheram de água quando vi aquela bandeira enoooorme do Brasil voando ao vento naquele dia quente em São Paulo. A minha mãe diz que é coisa de gente que mora fora, não sei. Outra coisa que sempre procuro fazer quando estou na cidade é pisar naquela calçada com o mapa do Estado, me dá uma sensação real de que estou "em casa". Tive também a oportunidade de ir "visitar"(dar a volta pelo lado de fora e entrar na loja oficial) a nova casa do Corinthians, o famoso Itaquerão. O estádio é enorme e muito bonito, foi uma pena não poder visitar o lado de dentro, mas o meu pai ganhou o dia dele e eu também gostei muito do passeio. Da próxima vez prometi pra ele que iríamos assistir um jogo no estádio juntos. Os outros passeios ficaram para outra oportunidade. E as impressões da cidade e das pessoas prometo que escrevo com mais calma depois.


Monumento da Independência em frente ao corrégo do Ipiranga
Museu do Ipiranga

Itaquerão
Retornar para casa foi ótimo, mas a viagem foi mais cansativa do que o de costume. Da porta da casa da minha mãe até a minha casa foram praticamente 24h de viagem, entre conexões, aeroportos e viagem de carro. Pela primeira vez na minha vida encontrei uma figura pública no aeroporto, quer dizer a minha irmã viu e apontou e eu sem-vergonha fui lá tirar foto. A senadora Marina Silva, ex-candidata à presidente da república. Ela estava falando ao telefone e foi muito gentil em dar uma pausa na conversa e ir falar comigo e tirar foto, que esperava à uma certa distância dela.

Meu marido estava feliz em me ver no aeroporto e eu fiquei mais contente ainda em revê-lo. Ao contrário do que muitos pensavam no Brasil, retornei para uma casa limpa, marido bem-nutrido e cesto de roupa sujo vazio. Todo mundo pensou que o coitado iria morrer de fome e a casa estar uma zona, afinal, ele é homem e ficou sozinho por 2 semanas. Tsc,tsc,tsc...

Ao entrar na loja de departamentos daqui percebi que o tempo tinha passado e eu "perdi" uma estação do ano. Quando fui embora os doces para o Halloween estavam por toda a parte e agora já tem decoração e coisas para o Natal por todos os lados. Inclusive ontem, Dia de Ação de Graças, algumas rádios começaram a tocar  músicas de Natal sem parar, 24h por dia. E eu já não aguento mais ouvi-las. Pelo menos não tem a Simone cantando "Então é Natal...":-)

Por falar em Dia de Ação de Graças, ontem o jantar foi aqui em casa e convidamos um casal para celebrar este dia conosco. Tudo muito informal e descontraído e dentro do coração uma pontada de tristeza porque estamos curtindo os últimos momentos juntos, já que eles estão com viagem marcada de mudança para o Brasil.

Hoje é a famosa Black Friday e passei o mais longe possível de lojas e shoppings. Não há nada que eu precise comprar de imediato e sinceramente, prefiro manter a minha sanidade mental e ficar longe de filas e brigas por lugar para estacionar em troca de descontos.  Tem pessoas fazendo compras desde de manhã e madrugada, então o humor de muitos não estão lá os melhores também. Uma coisa que nunca entendi neste país como dois dias tão antagônicos podem fazer parte da mesma celebração. Um dia agradecer pelo o que se tem e no outro se matar para comprar coisas que muitas vezes não é necessária...

Estou animada para as programações e tradições de Natal aqui da região. Semana que vem pretendo ir visitar San Francisco e ver as duas árvores de Natal da cidade, a da Union Square e do Pier 39. É uma pequena tradição que eu e meu marido mantemos há alguns anos. Também visitamos a famosa Eucalyptos Street, uma rua na cidade de San Carlos onde as casas são decoradas com iluminação de Natal pra valer.

A coisa que mais tenho aproveitado é o friozinho gostoso que tem feito por aqui e as cores maravilhosas das folhas das árvores que ainda não caíram. O outono é uma das minhas estações do ano favoritas aqui na Califórnia e parece que este ano a natureza caprichou e há tanta cor por todos os lados que uma simples volta pelo bairro me deixa muito feliz.





Alguma coisa acontece no meu coração...

Toda vez que avisto do avião os primeros prédios de São Paulo o meu coração bate mais forte.
E eu sempre lembro da música Sampa do Caetano. A minha relação de amor e odio pela cidade é uma coisa inexplicável ás vezes.
Caminho por ruas tão familiares, mas tudo parece muito estranho ao mesmo tempo. E começo a reparar em detalhes que passavam desapercebidos antigamente. As ruas parecem mais estreitas, as ladeiras mais íngrimes. As pessoas estão menos simpáticas também...
A cidade me recebeu com uma recepção digna paulistana: céu nublado, garoa. Apesar de todos estarem reclamando muito, gostei do friozinho e até mesmo da chuva que caiu alguns dias por aqui.
A minha família está levando, mas é estranho porque ninguém toca no nome da minha vó é como se nada tivesse acontecido, mas respeito a posição deles. Quando alguém fala algo, escuto e assim aos poucos vou sabendo informações do que aconteceu e de como a família está reagindo.
Sinto-me completamente perdida às vezes, apesar dos lugares serem praticamente os mesmos, as paradas e linhas de ônibus mudaram e acho engraçado a minha mãe insistir em levar alguém caso me perca. Como se eu, que estou na minha cidade natal, falando a minha língua nativa, não conseguisse achar o meu caminho de volta pra casa.
Apesar da velocidade reduzida nas marginais, a cidade continua crescendo, se movimentando e parece que vai te engolir e sufocar a todo momento. Demorou alguns dias para me acostumar com o ritmo daqui e não ficar o tempo inteiro olhando ao meu redor, com medo de toda moto que se aproximava ou de uma pessoa mais mal encarada passando por mim. Coisa de gato escaldado sabe?
Tenho aproveitado para encontrar alguns amigos e comer muita comida gostosa. Mas o tempo ocioso e a distância do meu marido me faz ficar com muita saudade de casa.
Ainda estou processando muitas emoções, informações e observações. Volto quando conseguir diregir tudo isso.

Back to California

Viajar é uma delícia.
Voltar pra casa também.
Chegamos no sábado de manhã com uma hora de antecedência do previsto e tivemos que ficar de castigo sentados no avião porque a imigração não estava aberta ou o portão não estava disponível. Tudo o que você queria ouvir às 6:30 da manhã depois de 10h de viagem...
Não sabemos se foi este realmente o problema ou se o aeroporto estava sendo preparado para a decolagem de ninguém menos do que o Sr. Barack Obama. Quando ele viaja o espaço aéreo é fechado e existe todo um esquema de segurança (óbvio). Nada pudemos fazer a não ser esperar até nos liberarmos. Imigração tranquila, malas em mão. Só pensava na minha cama.
Sempre dá uma preguiça enorme ter que limpar e organizar a casa antes de viajar, mas eu nunca me arrependo quando abro a porta da minha casa e sei que pelo menos pelos próximos dias a única coisa que preciso fazer é lavar as roupas sujas e comprar comida. Depois de descansar algumas horas acordei com uma fome e uma energia fora do comum, então já lavei todas as roupas, fui fazer compras para cuidar de outros assuntos durante a semana.
Escrevi com muito carinho os cartões postais para as pessoas que enviaram o endereço, depois por favor me digam se  receberam!
Gostaria de agradecer também as mensagens de apoio à mim e a minha família com o falecimento da minha vó. A gentileza e o amor das pessoas nos tocam de uma forma mais profunda nestes momentos delicados da vida. Muito obrigada pelos pensamentos, orações e palavras escritas aqui.
Por conta de tudo isso, vou fazer avaliação médica e talvez passar algumas semanas no Brasil. Como disse para a minha mãe, a vó eu sei que está bem com Deus mas são os que ficaram aqui na Terra que precisam de apoio e carinho. É sempre interessante observar como as pessoas reagem às circunstâncias da vida e tudo depende do que e em que elas acreditam. A minha família precisa de mim agora e eu preciso deles também.
No meio de tudo isto estou levantando informações sobre cursos porque estou determinada a voltar para a escola ano que vem. O problema é que eu quero dar uma guinada total na minha carreira e esta viagem me ajudou muito a decidir o que eu "quero ser quando crescer". Existem várias opções e eu preciso pensar se quero fazer 4 anos de faculdade começando de onde deixei, tentar validar o meu diploma do Brasil que custaria um rio de dinheiro mas que poderia cortar estes 4 anos de estudo pois poderia fazer uma pós graduação, ou fazer apenas um curso de especialização que custaria bem caro mas me daria uma chance de retomar a carreira em menos de 2 anos. Decisões, decisões, decisões. Seria lindo se eu tivesse tempo para pesquisar e pensar sobre o assunto, mas agora, justamente agora é o momento de decidir pra poder fazer matrícula e começar os estudos em janeiro. Deus me dê sabedoria!
Por aqui continua verão, mas olha eu não reclamo. Digamos que seja "menos mal" temperaturas por volta dos 30C mas sem muita umidade do que temperatura por volta dos 30C com umidade de quase 90%. Juro que eu não sei como as pessoas vivem nestes lugares. E agora com a perspectiva de passar final de primavera em São Paulo ai... quero neve, frio, chuvaaaaa!
Quero muito escrever sobre a viagem, colocar fotos, compartilhar as coisas que aprendi, mas o meu laptop está com o HD cheio e em processo de upgrade. Acho ainda um absurdo que tenho que colocar um HD de 500GB pra colocar coisas "simples"como fotos e documentos no laptop. Dou risada quando lembro que o meu primeiro computador tinha apenas 10GB de HD e nossa, era muuuuuita coisa... enfim...
Os dias tem sido longos, as noites curtas, mas no geral estou bem. Só espero que a minha médica me dê boas notícias sexta-feira e eu possa seguir os planos de ir pra São Paulo.
E a vida continua...

Quimioterapia & Lupus

Semana passada a cantora Selena Gomez confirmou publicamente que ela foi diagnosticada com Lupus. Sempre houveram rumores de que ela tinha a doença, mas as pessoas ficaram surpresas em saber que ela sumiu dos holofotes para tratá-la com quimioterapia. Ela não comentou muito  sobre o assunto e algumas pessoas ficaram em dúvida o que é que Lupus tem a ver com tratamento quimioterápico.
Pois bem, vim aqui fazer a minha parte e esclarecer um pouco sobre o assunto já que também fui diagnosticada com Lupus e também fiz tratamento com quimioterapia. Mais uma vez vale lembrar que Lupus é uma doença auto-imune, ou seja, o sistema imunológico começa a atacar células e órgãos saudáveis do próprio corpo. É uma doença que atualmente não tem cura, e que tem sintomas variados e pode ser fatal se não for tratada adequadamente. Lupus não tem nada a ver com câncer (células malignas crescem incontrolavelmente).
Quando há comprometimento do funcionamento de órgãos vitais como coração, rins e pulmão, tratamentos mais agressivos são escolhidos para fazer com o que o sistema imunológico "páre de funcionar" dando assim uma chance para o corpo se recuperar e o órgão afetado voltar a funcionar normalmente. Este medicamento é chamado de imunossupressante, ou seja, é um tipo de quimioterapia que cessa a produção de glóbulos vermelhos e brancos da medula óssea.
Vale a pena ressaltar que este não é um tratamento "comum" para Lupus, é administrado em casos graves em que a doença está agressiva demais para ser tratada com outros medicamentos. Somente um médico pode avaliar a sua condição e é necessário um monitoramento constante para que a pessoa não contraia nenhuma infecção. Geralmente a quimioterapia é feita por alguns meses e depois com a melhora do quadro do paciente outros medicamentos são administrados.
Não sei qual a gravidade e qual órgão envolvido pela Lupus a cantora Selena Gomez teve, mas imagino o que ela deve ter passado principalmente como uma figura pública, porque  durante o tratamento com a combinação de outros medicamentos pode haver aumento/perda de peso e queda de cabelos. Você está lutando para sobreviver, pro seu próprio corpo não se auto-destruir e ainda precisa lidar com as manifestações exteriores da doença e os olhares críticos e língua maldosa das pessoas.
Eu não perdi totalmente o meu cabelo durante o tratamento que durou 6 meses, mas afinou muito e chegou um momento que tive que cortar bem curto. Aliado a isso o meu rosto inchou bastante e algumas pessoas não me recoheceram quando eu fui ao Brasil. Imagina como deve ser difícil para alguém que o trabalho e a vida inteira gira em torno de uma imagem perfeita?
Espero de coração que ela esteja recuperada 100% e que continue cuidando da sua saúde e que use a sua imagem para trazer mais conscientização sobre esta doença desconhecida e mal-interpretada por muitos.
E que nós possamos ter um olhar de mais compaixão para com as pessoas que sofrem de "doenças invisíveis" como Lupus, pois muitas vezes a pessoa não aparenta estar doente mas está sofrendo com muitas dores e problemas com órgãos internos que ninguém vê.

Quando é horrível morar fora...

Estou no meio de uma viagem que esperei há muito tempo fazer. Descobrindo lugares lindos e me encantando com a cultura e as pessoas de Seoul, Coréia do Sul e de Taipei, Taiwan.
E aí ligo pra casa naquela loucura de fuso horário, contando as minhas aventuras quando a minha mãe diz que a minha vó teve um derrame e estava internada. Fico puta da vida porque no meio de tanta tecnologia existente no planeta e fora dele, fiquei sabendo da notícia no dia seguinte do ocorrido. Tento manter a calma e converso muito com a minha mãe sobre a situação dela e faço ela  prometer me mandar mensagem não importa qual seja a hora com novidades.
No dia seguinte saio para fazer um passeio que já tinha programado, mas o coração não está em paz. O lugar é lindo, sorrio para as fotos mas não me sinto feliz. O meu coração está no Brasil, imaginando o que deve estar acontecendo por lá. Aí meu celular acaba a bateria e eu pego a bateria extra e recarrego um pouco. Quase no final da tarde o bateria morre de vez e só consigo ligar o celular uma hora depois quando retorno ao hotel.
O meu coração pára por um segundo quando vejo a mensagem da minha mãe que dizia "A mãe faleceu.". Ligo pra casa aos prantos, mas tento me controlar porque sei que é mais difícil pra minha mãe do que pra mim.  Eu perdi uma vó. Ela perdeu a mãe e eu já começo a chorar só de imaginar na dor que ela deve estar sentindo.
Minha vó morreu de complicações de pneumonia. Pensa, PNEUMONIA! Mas isso não importa, acredito que ninguém deixa este planeta um milionésimo de segundo antes ou depois do que deveria. Assim foi a vontade de Deus. Trocamos palavras de consolo e digo pra minha mãe que ela sempre foi uma filha maravilhosa. Dedicada, amorosa e ela esteve com minha vó algumas horas antes dela falecer. Teve a oportunidade de dizer adeus. Nós duas sabíamos no fundo, que seria uma despedida. Nos confortamos com a certeza de que agora a vó está descansando no Senhor, sem dores, sem sofrimento.
A tristeza fica para os que estão aqui. A falta, as perguntas, a culpa para alguns. Eles estão neste momento no velório e eu aqui sozinha. No meio deste mundo de gente, sozinha. Queria muito estar lá para poder dar um abraço na minha mãe e na minha família. Mas estou aqui do outro lado do mundo, passando por luto surreal. Entendo racionalmente o que está acontecendo, mas como não estou vendo e vivenciando a perda é tudo muito esquisito.
Nestas horas é muito difícil morar fora. Estar longe. Só por um momento queria uma máquina de tele-transporte pra poder estar lá, mesmo que seja divindo lágrimas e palavras de conforto.
Guardo no meu coração o último encontro com a minha vó, o abraço apertado, as lágrimas que ela deixou rolar dizendo que não sabia se me veria novamente. Não nesta terra, mas no céu a gente se encontra com certeza vó...
E se Deus permitir em breve vou dar um abraço na minha mãe...

California aprova a lei do "direito de morrer"

Na segunda-feira o governador do estado da Califórnia, Jerry Brown assinou a lei "right-to-die", que permite que um paciente com doença terminal solicite medicamentos para terminar sua vida.
Há mais ou menos um ano o debate desta lei cresceu muito no estado quando uma californiana de 29 anos chamada Brittany Maynard apareceu em rede nacional contando a sua história. Ela tinha câncer no cérebro e apenas 6 meses de vida e como no estado não havia lei que permitisse que ela terminasse sua vida, ela se mudou para o estado do Oregon, onde acabou tomando os medicamentos para falecer dia 1 de novembro de 2014.
Nos Estados Unidos apenas 5 estados tem leis que permitem que pacientes com doenças terminais façam suicídio assistido: Oregon, Washington, Vermont, Montana e agora California. A lei será provavelmente válida para o início de 2016. Entende-se como suicídio assistido, a forma que o paciente terminal tem de acabar com sua própria vida com medicamentos prescritos para este fim por médicos.
A lei determina que 2 médicos aprovem o uso do medicamento para terminar a vida e 2 testemunhas precisam estar presente quando o próprio paciente tomar os comprimidos. Ele não pode ser auxiliado por ninguém, precisa ser fisicamente capaz de tomá-los sozinho.
O debate sobre a liberação do suicídio assistido é muito grande. Algumas pessoas temem que pessoas incapazes e idosos acabem sofrendo algum tipo de abuso, mas organizações que apoiam o movimento de "Die with Dignity"(direito de morrer com dignidade) dizem que a maior parte dos pacientes que pedem as drogas nunca as tomam, mas eles tem a decisão e à disposição deles esta alternativa.
Confesso que quando fiquei sabendo desta notícia o meu coração doeu. Acredito que somente Deus tem o poder de tirar a vida de alguém, assim como é Ele quem a concede. Não teria jamais coragem de tirar a minha própria vida e teria muita dificuldade de aceitar que alguém que eu amo tomasse esta decisão, porém eu não condeno as pessoas que assim como Britany foram a diante e terminaram com sua própria vida.
Uma pessoa que tem uma doença terminal e que sabe que vai sofrer no final da vida pode querer tomar a decisão de poupar sofrimento tanto para ela quanto para às pessoas que a amam. Não deve ser uma decisão fácil de tomar, algumas podem dizer que é um ato de covardia ou de coragem depende do ponto de vista.
E vocês o que acham disto?


Como assim 4 anos de blog?

Tomei vergonha na cara e resolvi escrever hoje. Tenho alguns posts e idéias nos rascunhos, mas tenho passado por problemas de insônia e às vezes é muito difícil até mesmo lembrar o meu nome completo quanto mais desenvolver um texto e escrever.
Mas hoje eu entrei aqui e quando fui pesquisar os antigos posts pra ver se já tinha falado de determinado assunto, percebi que no dia 8 de agosto de 2011 eu publiquei o primeiro post do blog Paulistana na Califórnia, ou seja, este cantinho já tem 4 anos!
Sempre adorei escrever e desde adolescente mantenho blogs anônimos na internet, o primeiro foi um de poesias, o segundo sobre a minha vida de au pair, o terceiro onde fazia diário contando para minha família e amigos minhas aventuras e agora este aqui, o qual divido um pouco os meus pensamentos, curiosidades e minha humilde vida aqui na Califórnia.
Com a chegada das mídias sociais e a avalanche de informações que elas trazem diariamente em nossas vidas, sei que nem todo mundo tempo ou paciência de sentar e ler mais do que algumas linhas e sinceramente agradeço a você que neste momento está lendo minhas palavras aqui no meu cantinho.
Tenho percebido o aumento de tráfico de pessoas passando por aqui e espero sinceramente que as informações e bobagens que posto aqui sejam úteis de alguma forma. Fico extremamente contente quando alguém entra em contato comigo e diz que algo que escrevi ajudou a esclarecer uma dúvida ou foi uma dica valiosa. Sempre estou a disposição para conversar, tirar dúvidas, trocar idéias e isto é o que torna a vida de "blogueira" (momento confessionário: detesto este termo... ) pra mim gratificante, conhecer pessoas e ajudar no que for possível.
Bom, aproveitando esta oportunidade de aniversário do blog vou jogar aqui uma idéia que estou cozinhando a algum tempo...
Adoro enviar cartão-postal pois acredito que é uma forma concreta de manter a lembrança de um lugar vivo. Sei que a maioria das pessoas hoje em dia só recebe conta e lixo pelo correio, mas se você quiser receber um cartão postal meu terei o maior prazer em enviar, seja qualquer lugar do mundo que você morar. Basta enviar um comentário neste post com o seu nome e endereço completo que terei o maior prazer em enviar um cartão postal aqui da Califórnia. Não precisa se preocupar com a privacidade, eu juro que sou uma pessoa de bem e só quero espalhar amor pelo mundo, eu não irei publicar nenhum nome/endereço e nem irei armazená-los. Assim que escrever o cartão postal eu deleto o comentário com suas informações pessoais.
Bom, está lançada a idéia.
Obrigada pelo carinho e espero que possa permanecer por aqui por muito mais tempo, dividindo as minhas experiências de expatriada aqui na Califórnia.

Na minha humilde opinião...

O mundo mais do que nunca está super conectado. A troca de idéias, o acesso às informações ocorrem quase que instantaneamente e no meio deste mundo cheio de mudanças, conflitos, dilemas, disputas e crises parece que precisamos estar informados e claro, dar a nossa opinião sobre tudo o que acontece ao nosso redor.
Não acredito, em minha humilde opinião, que isto seja humanamente possível. Não é possível absorver tudo o que acontece ao redor, entender do que se trata e formar uma opinião em alguns minutos para poder colocar em palavras o que você pensa (ou acha que pensa) sobre o assunto em questão.
Alimente à esta necessidade de dar opinião a intolerância com as pessoas que pensam diferente e pronto, a receita para o desastre está pronta. É tanto bate-boca gratuito, ofensas, chateações que na maioria das vezes prefiro me manter calada, mesmo que por dentro a minha indignação e tristeza estejam fervendo em minhas veias.
Não tenho medo de dizer que não sei o que pensar sobre certo assunto, acho isso muito mais saudável do que dizer sobre algo que desconheço ou não tenho fatos o suficiente para argumentar. Tem dias que prefiro ficar indignada, fazer as minha orações para que as coisas melhorem e fingir que não li/ouvi certos absurdos de pessoas que não pararam para analisar o que estavam falando.
Não existem soluções fáceis para os problemas que o mundo e o Brasil estão passando hoje em dia, mas com certa respeito pelas pessoas e o que pensam, colocar-se no lugar do outro antes de falar alguma coisa já ajuda e muito a não piorar a situação.

City Hall em San Francisco

O City Hall é a sede da prefeitura e do condado de San Francisco, um prédio que algumas vezes passa desapercebido pelas pessoas que visitam a cidade. Ele foi construído em 1915 para substituir a prefeitura que acabou sendo destruída com o terremoto de 1906 que devastou a cidade.
Por falta de conhecimento, muitos passam apenas pela frente maravilhosa do prédio, tiram algumas fotos e vão embora sem saber que durante horário comercial de segunda a sexta o prédio é aberto ao público, então mesmo que a assembléia do conselho esteja em sessão e o prefeito esteja no gabinete, qualquer pessoa pode passear pelo prédio - lembrando é claro de não interromper as atividades públicas com barulho, pois o xerife pode lhe convidar educadamente a se retirar do recinto. :-)
Infelizmente este prédio lindo foi cenário de uma tragédia em Novembro de 1978 com o assassinato de Harvey Milk e do prefeito George Mascone por um outro político que tinha resignado e queria o cargo de volta, Dan White. Acho que foi por conta disso que hoje em dia para entrar no prédio é preciso passar por um detector de metais.

Após entrar no City Hall você pode verificar se há tours gratuitos estão acontecendo. Os horários dos tours são de segunda à sexta às 10, 12 e 2 da tarde. Eles duram 45 minutos, só colocar o nome e esperar o docente na entrada principal no horário de início. Participei de um há alguns anos e foi uma experiência maravilhosa porque o guia te leva para salas que não são abertas ao público e explica sobre a arquitetura do prédio. Você também pode passear sozinho se quiser e olha, não fique surpreso se você ver espalhado pelo prédio vários casais se casando pois como o prédio é sede do condado de San Francisco, o clerk office (cartório) é localizado lá dentro e 3 casamentos são realizados por juízes de paz a cada meia hora no local.

Eu ADOOOOROOOO ir ao City Hall e ver a diversidade de casais, noivas vestidas simples ou com super produção. O lugar também é bastante procurado por casais do mesmo sexo para se casar, já que San Francisco é uma cidade símbolo da luta e liberdade da comunidade por LGBT. Você pode assistir as cerimônias desde claro, respeite os noivos e seus convidados e não se coloque no meio de "Robert", além de ser de bom tom sempre pedir permissão para tirar fotos. As noivas adoram receber elogios e parabéns.

Eu fui uma noiva no City Hall há exatos 5 anos e apesar do fotógrafo lerdo que contratamos, foi um dia maravilhoso e guardo aquele lugar num lugarzinho especial do meu coração.

Se você quiser casar em San Francisco, é relativamente fácil. Você não precisa ser residente dos EUA ou da Califórnia, precisa comprovar que é solteiro e maior de 18 anos. Há dois passos que precisam ser feitos para se casar na Califórnia. Primeiro você precisa obter uma licença para se casar "Marriage License". Depois de obter este certificado, você tem 90 dias para realizar a cerimônia. Ela não precisa ser feita no City Hall, mas se você quiser fazer tudo num dia só, precisa agendar online um horário para tirar a marriage licence e outro horário para realizar a cerimônia pública.

Requerimentos para obter a Marriage License:
  • Um agendamento prévio e pré-pago deve ser feito online 
  • Documento legal com foto, no caso de estrangeiro passaporte
  • Caso seja divorciado, é necessário saber exatamente a data em que o divórcio foi finalizado, se acontecer há menos de 90 dias do dia que este certificado é pedido, precisa apresentar cópia do certificado de divórcio, se estiver em outra língua precisa ser uma tradução juramentada 
  • Custo da Marriage License $105,00 pago no momento do agendamento online
Requerimentos para realizar a Cerimônia Civil
  • Um agendamento prévio e pré-pago deve ser feito online 
  • Documento legal com foto, no caso de estrangeiro passaporte
  • Marriage License com validade menor do que 90 dias
  • Uma testemunha (irá assinar a sua marriage license, portanto não pode ser alguém do cartório, mas já vi casais pedindo para outros casais assinarem pra eles )
  • Custo da Cerimônia Civil  $ 78,00 pago no momento do agendamento online
A certidão de casamento é emitida apenas 4-6 semanas após a cerimônia civil, mas você pode requerer uma cópia online ou através do correio. No momento da cerimônia eles entregam um certificado simbólico, mas não tem valor oficial. Para nós brasileiros, este documento é válido, basta registrar o casamento no Consulado Brasileiro.

Bom, mas chega de blábláblá e vou deixar vocês com algumas fotos do local.

San Francisco City Hall
Salão principal - (olha os noivos no topo da escada)
Vista do salão principal do 4th floor
O 4th floor, onde pode ser realizados casamentos também
Dome

Se ficou curioso para saber como são os casamentos neste lugar maravilhoso, só colocar no google "San Francisco City Hall Wedding".  Existe a possibilidade de alugá-lo no sábado para festa privada, ou para uma cerimônia menor (100 convidados) durante a semana. Mais informações aqui, aqui e aqui

Viajante x Turista... o importante é viajar

Viajar é muito bom.
Você se desliga da sua realidade por alguns dias, semanas ou até mesmo meses (para os sortudos).
Conhece novos lugares, experimenta comidas diferentes, aprende um novo jeito de ver e viver a vida.
Não dá para colocar em palavras a imensa felicidade de ver com os próprios olhos lugares que se conhecia anteriormente apenas por fotos e vídeos.
Viajar é um investimento, um privilégio, um prazer.
Todas as vezes que entro em blogs ou artigos de viajantes encontro a velha (e muito chata) discussão sobre a diferença entre ser um viajante e um turista.
Aparentemente existe uma elite de pessoas que viajam para conhecer e experimentar a cultura e são seres superiores porque não fazem o que todos fazem em determinado lugar, comem em lugares diferente e descobrem coisas maravilhosas sobre o local que apenas os moradores conhecem e sabem. Ficam barbarizados com as pessoas que são turistas, chegam em ônibus de turismo, mapas nas mãos, câmeras penduradas no pescoço para registrar todos os momentos e tem uma lista de lugares para conhecer, restaurantes para comer sem deixar o conforto, claro.
Pra mim essa discussão é xarope de pessoas esnobes. Cada um viaja da forma como pode e aproveita como quiser.  Estas listinhas de o melhor jeito de viajar, lugares que você TEM que conhecer, coisas que você TEM que fazer, comidas que você TEM que experimentar quando vai a determinados lugares são muito chatas. O importante é fazer algo que você goste, no ritmo que você quiser, gastando o quanto puder. E ninguém tem nada a ver com isso. E não se sinta inferior ou superior pela forma como você viajou seja mochilando ou com malas da Louis Vuitton, se foi para todos os pontos turísticos da cidade ou se recusou a conhecer todos eles. Faça o que te deixar feliz e não tente empurrar o seu estilo de vida e jeito de viajar a outras pessoas.
Quando viajo procuro ler muito sobre os pontos de interesse e junto a minha disposição física, os meus gostos e os do meu marido para decidirmos  algumas coisas que queremos muito fazer/conhecer, sempre deixando tempo para tempo ocioso, soneca no meio do dia. Se o que quero fazer é taxado como turístico, eu não me importo. O que importa é eu experimentar o lugar da forma como queremos.
Já fui o tipo de pessoa que acordava 7 horas da manhã com o dia inteiro planejado até 9 horas da noite e ficava louca da vida quando as coisas não saiam como tinha planejado. Com os problemas de saúde vieram as limitações e tive que desacelerar o ritmo das viagens e posso afirmar com toda certeza de que elas não ficaram menos prazeirosas e interessantes.
O que importa mesmo é a atitude que a pessoa leva consigo e ser feliz independente de como viajar e pra onde ir. Se você é feliz sendo turista, seja turista! Se você é feliz sendo eu-não-quero-me-misturar-com-a-ralé-dos-turistas, que assim seja! Mas não venha me dizer que a sua experiência é melhor e mais significativa do que a minha porque fez x,y,z de forma tal porque isso não vou aceitar.





Violência doméstica

Semana passada estava conversando com algumas amigas a respeito das loucuras que pessoas fazem para conseguir green card. Uma delas é "comprar" um casamento com cidadão americano, pagando para casar e permanecer casada por 2 anos que é o tempo necessário para trocar o green card temporário que se ganha quando se casa, pelo permanente. Só para deixar bem claro esta é uma prática ilegal, e quando descoberta a fraude do casamento leva a prisão e deportação do imigrante e prisão por 5 anos e multa de 250 mil dólares para o cidadão americano.

Conheci pessoas que o fizeram e não tiveram problemas algum, seguiram suas vidas após o divórcio da forma como queriam. Uma até acabou encontrando amor durante estes 2 anos de convivência e permaneceu casada. Lembrei então de uma menina em particular que teve 22 meses e duas semanas de tranquilidade até que o marido exigiu que nas duas últimas semanas do casamento ela fizesse tudo o que ele quisesse para que ela não fosse denunciada. Então com medo e sem informação, ela passou 2 semanas sendo sexualmente abusada pelo marido até que pôde dar entrada nos documentos do green card permanente e sair de casa.
Mas ela não precisava ter passado por isto, se ela tivesse tido informação.

Em primeiro lugar, pode-se ficar chocado com o termo "ela foi sexualmente abusada pelo marido". Pois bem, aqui nos Estados Unidos sexo sem consentimento seja feito até mesmo com o esposo(a) é considerado abuso sexual e violência doméstica. E isto é crime.
De acordo com o site do Serviço de Imigração e Cidadania dos Estados Unidos (USCIS), violência doméstica é definida como: ".. é um padrão de comportamento onde um parceiro íntimo ou esposo(a) ameaça ou abusa o outro parceiro. O abuso pode incluir danos físicos, relações sexuais forçadas, manipulação emocional (incluindo isolamento ou intimidação), e ameaças econômicas ou de cunho imigratório. Enquanto a maioria de casos registrados de violência doméstica envole homem abusando mulheres e crianças, homem também pode ser vítima de violência doméstica."
Há uma definição muito mais ampla sobre o que é abuso no site National Domestic Violence Hotline - Definição de abuso, que inclui abuso físico, psicológico, econômico, digital, reprodutivo, etc. É um primeiro lugar para encontrar informação sobre o que fazer em caso de abuso doméstico. Colocarei abaixo deste post uma relação de sites com informações gerais sobre o assunto e também organizações específicas que podem ajudar vítimas de abuso aqui na Baía de San Francisco.
Vale a pena lembrar que ajuda para casos de violência doméstica não depende do seu status imigratório. A pessoa tem o direito de receber apoio da polícia, do sistema judiciário, ter acesso a abrigo para si e para os filhos caso necessário. Algumas instituições oferecem serviços jurídicos para as vítimas também.

O que fazer em caso de violência doméstica?

Em primeiro lugar certifique-se de que você e suas crianças estão seguras. Se achar que corre perigo ligue para 911 e peça ajuda. Eles podem prender a pessoa que está tentando colocar a sua vida em perigo. Fale para a polícia sobre casos anteriores e se há lesões ou marcas mostre para o policial também. 
É possível entrar com um pedido judicial chamado "restrained order" que vai impedir que o agressor chegue a certa distância de você ou a contacte. Se houver quebra deste pedido por parte do agressor o mesmo pode ser denunciado e preso. 
Há muitas organizações que oferecem serviços de interpretação, acessoria jurídica para pedidos de divórcio, pensão alimentícia para os filhos e até mesmo ajudar com questões imigratórias. Você NÃO PRECISA do seu parceiro para iniciar um pedido de divórcio.
A seguir está uma lista de organizações na Bay Area que pode oferecer serviços e ajuda neste momento tão delicado:

  1. Oakland, CA 94623-0006
  2. San Jose, CA 95128-2680
  3. San Francisco, CA 94108-4206
  4. San Francisco, CA 94110
  5. Oakland CA, 94612
  6. San Leandro, CA 94577-5103
  7. San Rafael CA, 94901-3923
  8. Gilroy CA, 95020
  9. San Francisco, CA 94103-3629
  10. San Francisco CA, 94110-1684
  11. San Mateo CA, 94403
  12. Oakland CA, 94612-2413
  13. San Francisco CA, 94103-2474
  14. Redwood CA, 94065
  15. Fairfield CA, 94533
  16. Santa Clara CA, 95052-0697
  17. Napa CA, 94558-6486
  18. Berkeley CA, 94712
  19. San Jose CA, 95112-4724
  20. San Francisco CA, 94103-3926
  21. Hayward CA, 94541-4202
  22. Fremont CA, 94538
  23. Fairfield CA, 94533
  24. San Francisco CA, 94109
  25. San Francisco CA, 94102-6053
  26. San Francisco CA, 94129
  27. Oakland CA, 94610-0102
  28. Concord, CA 94520-7979
  29. Livermore, CA 94550-7062
  30. San Francisco CA, 94103-3558
  31. Berkeley CA, 94702
  32. Santa Rosa, CA 95402-3506
  33. San Jose CA, 95112-3649
 Geralmente estas organizações também incluem serviço de intérprete. Após registrar o caso com a polícia local é bom entrar em contato com o Consulado Brasileiro da sua região, pois eles podem oferecer assistência de intérprete, tramites legais e informarções. 

O Consulado-Geral do Brasil em San Francisco fica localizado na 300 Montgomery St, suite 300, San Francisco - CA, 94104. Telefone (415) 981-8170, Fax (415) 986-4625, Plantão (para emergências) (415) 596-6926.

*E a minha situação imigratória?

De acordo com o site do USCIS, quando você obtém um green card baseado em casamento com um cidadão americano, ele precisa enviar os documentos junto com o imigrante para solicitar o status de residente permanente, incialmente feito quando casados - obtendo o green card temporário, e depois do segundo aniversário de casamento para o green card permanente. 
No caso do imigrante ser vítima de violência doméstica, é possível entrar com um pedido para remoção desta condição. O documento que precisa ser enviado para a imigração chama-se Petition for Amerasian, Widow(er), or Special Immigrant (Form I-360). Quando este pedido é aprovado, a pessoa pode então entrar com o pedido de Adjustment of Status (Form I-485) application  para se tornar um residente permanente (green card holder) diretamente. Pode-se encontrar mais informações a respeito disso no site USCIS . 
Caso o imigrante não tenha um status imigratório baseado em casamento e foi vítima de crime, pode ser pedido um outro visto da categoria U. A lista de crimes do qual você pode pedir este tipo de visto está descrita no site, incluindo abuso sexual. Este visto dá a condição do imigrante e seus dependentes de permanecer legalmente no país enquanto ajuda as autoridades a condenar o criminoso. Maiores informações sobre este visto pode ser encontrada AQUI.

*Lembrando que não sou especialista em direitos imigratórios, todas estas informações foram frutos de pesquisa nos sites de ajuda e suporte a violência doméstica e do próprio USCIS. Se você precisa deste tipo de assistência o melhor a ser feito é procurar um advogado especializado em imigração que poderá dar melhores esclarecimentos e ajudar no seu caso específico.

Não desejo que ninguém passe por isso, ainda mais em um país estrangeiro, mas lembre-se que você não está sozinho e existem recursos para ajudá-lo. Se você conhece alguém que está passando por violência doméstica, nãos se cale. Ajude. Informe-se. Às vezes informação e apoio é tudo o que a pessoa passando por abuso precisa para dar um passo em direção à liberdade do abusador. Faça a sua parte. 

Receita de coxinha

Algumas pessoas pediram a receita de coxinha do meu pai e vou colocá-la abaixo. Porém, esta não foi a primeira vez que fiz coxinha aqui nos EUA.
Utilizei várias vezes uma receita que a minha amiga achou no youtube e explica bem direitinho todo o processo. A receita fica leve e gostosa, mas a massa fica mais pesada para misturar e como não tenho tanta força, decidi fazer a coxinha do meu pai que utiliza batata na massa e fica melhor pra mexer.
Quem quiser utilizar a receita do vídeo eu aconselho a assistir todo o vídeo já que tem passo a passo, os ingredientes, as dicas e aí quando for fazendo vai seguindo as instruções novamente. :-)
 (a música é irritante, mas coloque um mute porque as instruções aparecem na tela)


Agora a receita do meu pai vai a seguir. As medidas foram as que eu usei, já que o meu pai é cozinheiro e não usa medidas pra fazer nada. Há algumas variações que coloquei nas considerações finais da receita

Coxinhas do pai da Paulistana :-)

Recheio:

1kg de peito de frango
Cebola
Cenoura
Alho
Salsinha
Massa de tomate
Azeitona & Catupiry(requeijão ou cream cheese) se desejar
Sal à gosto

Massa

1,5 litros do caldo do frango
1kg de farinha de trigo
5 ou 6 batatas pequenas (utilizei 3 batatas grandes do tipo Russell)

Modo de preparo

Recheio
  1. Cozinhar o os peitos de frango em mais ou menos 1,5 litros de água. Esta mesma água será utilizada para a massa da coxinha posteriormente, então para dar um sabor à agua coloque alguns pedaços de cebola, cenoura, salsinha para dar um gostinho. Pode-se usar caldo knorr também.
  2. Após o cozimento do peito de frango, reservar a água e desfiar o frango. Eu utilizo garfo para desfiar, mas existem várias técnicas de desfiar frango na internet como por exemplo colocar em processador de alimento ou liquidificador.
  3. Cortar 1 cebola média e uns 3 dentes de alho bem picados e fritar por alguns minutos. Acrescente o frango desfiado e coloque os temperos à gosto. Eu gosto de colocar salsinha um pouco de orégano. Coloque sal à gosto e molho de tomate o suficiente para que o frango fique molhadinho. Não coloque muito molho de tomate para não ficar líquido e ficar difícil pra fechar as coxinhas. Se quiser acrescente também azeitonas picadas.
Massa:
  1. Cozinhe as batatas e após cozidas faça um purê simples, apenas amassando as batatas com um pouco de manteiga/margarina. Espere esfriar completamente
  2. Coloque o 1,5 litro da água onde o frango foi cozinho em uma panela, acrecente o pure da batata e mexa por alguns minutos até que o purê se dissolva completamente na água.
  3. Acrescente mais ou menos 800gramas da farinha de trigo na água e mexa bem. Se a massa ficar mole, acrescente mais farinha aos poucos. Experimente a massa para ver se há necessidade de colocar mais sal. (eu mexi esta massa com uma colher de pau e depois de colocar a farinha utilizei o amassador de batata pra desfazer a maior quantidade de bolinhas possíveis)
  4. Retire a massa do forno e coloque em cima de uma superfície lisa (mesa ou bancada) com um pouco de farinha. Espere a massa esfriar um pouco e comece a desfazer as bolinhas da massa até ficar lisa. 
Montar as coxinhas & assar
  1.  Coloque um pouco de manteiga na mão pra massa não grudar. Pegue uma bolinha da massa e abra na palma da mão, não muito fina pra não quebrar depois.
  2. Coloque no fundo um pouco de requeijão/catupiry se quiser, uma colher de frango e feche a coxinha dando o formato
  3. Passe a coxinha no ovo batido, depois na farinha de rosca.
  4. Para assar as coxinhas no forno, coloque papel alumínio no fundo da forma, e spray com óleo em spray (se não tiver, coloque uma camada bem fininha de azeite de oliva, óleo de cozinha só para não grudar o fundo e dourar). Coloque as coxinhas e spray com o óleo (uma vez coloquei um pedacinho de manteiga em cima de cada uma só pra dar uma corzinha. 
  5. Assar em forno com temperatura 375F ou 185C por mais ou menos 40 minutos. 
Considerações finais:
Costumo assar todas as coxinhas e congelar. Pra esquentar coloco o forno na mesma temperatura por mais ou menos 25 minutos. Não sou a pessoa indicada para dar dicas de como fritar as coxinhas porque eu nunca fritei :-)
Esta massa pode ser utilizada para fazer risoles e bolinho de queijo também.
Não coloquei medida de sal e temperos, porque isto é algo bem pessoal. Eu utilizo o mínimo possível de sal na minha comida por questão de saúde, mas utilizo cebola e alho em pó para dar mais sabor.
Se quiser dar um gostinho a mais na massa, coloque cebola ralada e frita, fica uma delícia!
As coxinhas assadas no forno não ficam totalmente douradas como se estivessem fritas no óleo, mas ficam crocantes e o sabor é praticamente o mesmo.

Bom, espero que esta receita ajude a matar a vontade de vocês, depois me contem se fizeram e como ficou!

Vou te matar, antes que você me mate!

Tudo começou com uma simples foto. Esta foto que vi em algum lugar da internet.
Fonte: Algum lugar na internet...
 Achei a figura engraçada, dei risada, compartilhei com algumas pessoas. Mas aí deu muita vontade de comer coxinha. E aqui não tem padaria ou lanchonete logo ali na esquina pra matar a vontade de comer de coxinha facilmente. Assim,  a minha saga da coxinha começou...
Diz a lenda que aqui na região do Vale do Silício existem pessoas que vendem coxinha pra festa, até peguei o contato de uma mulher que foi super recomendada, mas eu tinha que matar a vontade imediata, não queria fazer encomenda entende?
Quando bate aquela vontade de comer coxinha tenho apenas duas saídas: ir até o MEU lugar favorito que fica em San Francisco, ou colocar a mão na massa e fazer eu mesma.
Fazer coxinha em casa não é a coisa mais complicada do mundo, mas dá trabalho. Geralmente faço um mutirão com uma amiga brasileira e a gente passa a tarde conversando, dando risada e quando percebemos a coxinha já está pronta. Porém ela está trabalhando em tempo integral atualmente e nossos horários não estão batendo, então contar com a ajuda dela estava fora de cogitação. Por isto a idéia de fazer eu mesma foi abandonada temporariamente.
Esperei pacientemente uma semana desde que a vontade bateu, sonhando todos os dias com aquela coxinha dourada e quentinha em minhas mãos (olha como expatriado sofre!) até que finalmente fui para San Francisco e dei uma parada na lanchonete, contabilizando quantas iria comer ali mesmo e quantas eu iria levar para casa.
Quando cheguei em frente à vitrine dos salgados, quase tive um treco. Estava praticamente vazia. Perguntei para o atendente se eles iriam repor mercadoria e ele apenas disse: "São 3 horas da tarde, fechamos às 5 hoje, o que tínhamos já vendemos, mas tem torta de frango, você quer?". Não moço, eu não quero torta de frango... torta de frango não é a mesma coisa que coxinha...
Juro que quase tive um ataque de choro de tanta decepção... como já estava lá e não tinha almoçado, decidi pedir açaí na tigela, mesmo eu não gostando de açaí. Voltei pra casa tão decepcionada e faminta...
Quando meu marido me recebeu saltitante achando que receberia um pacote com risoles, a vontade de chorar passou e deu lugar à determinação. Estava resoluta a fazer as coxinhas (e risoles) eu mesma! Comprei os ingredientes e peguei um dia esta semana que não tinha nada programado, arregacei as mangas e fiz as benditas coxinhas (e risoles para o maridão). Acabei experimentando uma receita nova que o meu pai que é cozinheiro e faz os melhores salgados do mundo me passou na última vez que estive no Brasil. Deu um trabalho imenso, mas quase chorei de emoção quando tirei as coxinhas prontas do forno.
O melhor disto tudo é que agora eu tenho um freezer cheio de coxinha e quando der a vontade louca novamente, só pegar e esquentar...
Servidos?
Sumiram em menos de 15 minutos :-)