Como eu vi São Paulo nesta última visita

Se existe uma coisa que eu D-E-T-E-S-T-O neste mundo é generalização. Quando você generaliza acaba simplicando demais e as chances de se equivocar sobre a opinião de um lugar ou de pessoas é muito grande. Por isto que vou colocar algumas observações de como EU enxerguei São Paulo - levando em consideração as pessoas com as quais conversei e por onde passei, já que isso acaba influenciando e muito a minha experiência.

A minha família continua morando na região do Capão Redondo, na Zona Sul da cidade. Quando estou por lá,  98% do tempo estou indo pra cima e pra baixo usando transporte público com a exceção da minha ida e retorno ao aeroporto e quando alguma alma caridosa me dá carona pra ir em algum lugar. Nós daquela região continuamos com o doce sonho (que já até virou piada) da conexão da linha lilás do metrô com a estação Santa Cruz. Pelo menos mais uma estação foi adicionada desde a minha última visita (Adolfo Pinheiro). Acredito que os meus bisnetos vejam esta obra completa, mas o meu marido sonha que daqui uns 3 anos tudo estará interconectado.

Achei o sistema de transporte público bom (antes que você me xingue e jogue pedra na minha cabeça como muitos tentaram fazer quando eu disse a mesma coisa à eles, deixe eu terminar o meu raciocínio). Como os ônibus andam por corredores pela maior parte do trajeto que usei (Av. Santo Amaro, Av. Ibirapuera, M'Boi Mirim, etc) é muito mais rápido chegar nos lugares de ônibus do que de carro, já que existem poucas faixas para carros, motos e os microônibus/van utilizarem. Fora que em alguns lugares há faixa de ciclovia que deixa espaço para os veículos menores e mais disputados. Sinceramente eu morreria de medo de dirigir na cidade, primeiro com medo de derrubar um motoqueiro e segundo porque haja paciência pra aguentar o trânsito da cidade que parece que já não tem mais horário pra estar ruim.

O problema do transporte público, claro, é que não tem ônibus suficiente pra tanta gente que usa o sistema, mas você paga R$ 3,50 e tem 3 horas pra fazer baldeação quantas vezes precisar. Ok, eu ODEIO ter que trocar de ônibus em terminais, assim a viagem acaba ficando mais longa e os ônibus mais cheios daquelas linhas que te levam para o Centro por exemplo sem ter que trocar de ônibus. Detesto aqueles ônibus novos que tem degrau dentro. Como assim degrau dentro do ônibus?? Morro de medo de cair, fico imaginando as pessoas que tem problema de mobilidade... E o tamanho daqueles corredores? Se duas pessoas ficam em pé em lados opostos ninguém na teoria, passaria. Na teoria né, porque todo mundo sabe que tem que passar e aí fica muuuuuito espremido! Mas os ônibus que peguei estavam pelo menos limpos. Me surpeendi até com a televisão, que a minha irmã disse que passa jornal, informativo, desenho, achei muito legal. Alguns ônibus novos tem ar condicionado e até mesmo wifi, mas estes não tive a felicidade de usar pra saber como era - até tive vontade de pegar a linha errada só pra testar!! E já tinha me esquecido do quão imenso e como chacoalha o ônibus bi-articulado!!! Os ônibus de São Paulo dão de 1000 a zero nos ônibus daqui do Vale do Silício da empresa VTA e o Muni de San Francisco. Pro sistema ficar melhor acho que os eles deveriam estar equipados com um mapinha dizendo as paradas e a sua localização como os ônibus daqui tem, porque muitos pontos mudaram de lugar e eu não tinha a menor idéia de onde descer! E uma informação essencial, avisar se a porta daquele ponto é do lado esquerdo ou direito porque vi muitas pessoas perguntando para o cobrador que lado a porta abriria.

O metrô estava cheio nos horários que peguei, mas gosto do metrô de São Paulo e através das novas integrações, consigo ir da casa da minha mãe até o Centro em pouco mais de uma hora. Ok, você precisa trocar de estações e ir até a linha amarela em Pinheiros (particularmente não gosto das duas milhões de escadas rolantes daquela estação), mas sabe que não vai ficar parada em trânsito. Ok, vocês vão dizer que eu não utilizei na hora do rush e que infelizmente por falta de manutenção e investimento as linhas dão problema e acaba atrasando principalmente quando chove. O sistema precisa ser ampliado e feito uma manutenção melhor, mas ainda acho que é o melhor tipo de transporte para a cidade, pois é rápido e eficaz pra levar uma quantidade grande de pessoas. Uma coisa que precisa ser melhorada são os mapas das linhas que ficam sempre escondidos em algum canto. Uma vez tive que literalmente caçar o mapa dentro de uma estação para saber qual a melhor opção para trocar de linha para chegar onde queria. Duas vezes que pedi mapa de papel para funcionários fui atendida de prontidão e vi que algumas linhas continuam com sinalização em inglês. Ok, deve ter algum app pra isso, mas sou meio tradicional pra estas coisas.

E por falar em app, acho que era a única na cidade utilizando um celular simples de flip (sabe igual aquele da Adele do clipe Hello?). Todo mundo estava conectado ao seu smartphone, que na maior parte eram celulares Android, mas vi pelos ônibus pessoas utilizando até mesmo Iphone 6! Deixei o meu telefone guardado em casa apesar das minhas irmãs e amigos acharem que eu era paranóica, mas gente, a única vez que fui assaltada na cidade foi justamente por causa de um celular e eu não quero mais ter a experiência de ter uma arma apontada na minha cabeça por causa de um aparelho. Apesar das pessoas estarem com celulares, era difícil ouvir alguém conversando, mas vi pelas telinhas muitos ouvindo músicas e em conversas com o Whatsapp. Febre isso no Brasil não? E melhor do que teclar agora muitos utilizam as mensagens de áudio, não é verdade? Aqui eu uso pouco e pra dizer a verdade eu moooooooooorro de preguiça de ouvir mensagens de áudio...

Fui algumas vezes em shoppings e fiquei horrorizada com o preço das coisas. E além das coisas serem muito caras, o que me assustou foi a qualidade dos produtos e infelizmente a má vontade e má serviço de alguns vendedores. Fui comer pão de queijo recheado com a minha mãe na Casa do Pão de Queijo e a atendente mal abriu a boca pra perguntar o que eu queria. Sorriso então nem pensar né? E aí quando sentei na mesa e dei uma mordida no meu pão percebi que não tinha recheio nenhum. Lóooogico que voltei lá numa boa pra reclamar que o meu pão recheado estava sem recheio, ela olhou pra mim com a maior cara de bunda do planeta, pegou o pão de volta e ao invés de pegar outro e rechear, pegou aquele mesmo e eu percebi que "só de raiva" ela colocou recheio muito mais do que precisava e ficou todo melequento. Ia dizer alguma coisa, mas deixei pra lá, o meu pão estava recheado e isso que importava. Não foi um pedido ou reclamação pessoal, mas ela levou pra esse lado não posso fazer nada...

Uma coisa que tinha esquecido é a facilidade que as pessoas tem de puxar conversa contigo na rua. Sério, eu quase me assustei quando estava conversando com o meu pai no ônibus sobre o ponto que eu precisava descer pra ir em determinado lugar e aí a moça que estava do lado entrou na conversa e deu informações. Ok, ela estava querendo ser útil, mas e da outra vez que perguntei se  o meu pai
tinha ouvido falar do acidente que aconteceu próximo da nossa casa no rádio e outra mulher começou a dizer que tinha visto na televisão e tal. A melhor de todas foi a mulher que começou a bater papo com a minha mãe e disse que estava indo fazer entrevista de emprego, que tinha 2 filhos de pais diferentes, tudo isso depois dela puxar papo dizendo quão quente que o dia estava. Acho que este povo em São Paulo anda muito carente viu? Deve ser porque seus amigos e companheiros passam muito tempo em frente ao celular mandando mensagem de Whatsapp... hehe

E tá certo que São Paulo é cidade grande, mas olha, ao mesmo tempo que as pessoas querem puxar papo contigo, percebi que grande parte das pessoas andam por aí com cara fechada, de poucos amigos. Um dia fui fazer feira com a minha mãe e estava parada no ponto cheia de sacolas esperando o ônibus passar, quando um homem veio por trás e literalmente me atropelou. Se ele tivesse pedido licença, teria dado espaço pra ele passar, mas nem tinha o visto porque ele veio por trás e ele já passou empurrando com tudo sabe. Achei uma tremenda falta de educação. As palavras "com licença", "desculpa"e "por favor" parecem que estão sumindo do vocabulário das pessoas. Elas empurram com cara feia dentro do ônibus, bufam atrás de você na fila... lembro de um tiozinho que começou a reclamar dentro do aeroporto porque a máquina não tinha lido o passaporte dele e o agente federal começou a bater boca. Tão desnecessário... mas acho que as pessoas estão tão de saco cheio de tanta coisa errada acontecendo ao redor que elas estão ficando meio duras sabe?

E a nova velocidade para circular nas Marginais e nas principais vias da cidade? Pra ser sincera não tenho uma opinião sobre o assunto. O meu marido diz que 50km/h até uma velocidade boa já que tudo está sempre parado por causa do trânsito, mas as coisas não são bem assim... O problema é que se diz muito que a redução de velocidade é pra proteger os pedestres nas vias, mas eu te pergunto "o que é que o pedestre está fazendo no meio da marginal????". Mas vi com os meus próprios olhos, ambulantes andando pela via na hora do trânsito, um até com carrinho de mão levando mercadoria. NO MEIO DE UMA VIA EXPRESSA!! Não faz sentido algum... se é lugar pra carro, que nem moto pode circular, então pedestre não deveria estar lá também!! O que muita gente me diz é que isso acabou virando uma fábrica de multas, gerando muito dinheiro para a prefeitura que não devolve pra cidade o que foi arrecadado (como vi numa reportagem esta semana no Jornal Hoje). Sinceramente, queria que as pessoas se respeitassem mais no trânsito. Carros, pedestres, motos, bicicletas. Todo mundo quer circular e ninguém é melhor ou tem mais prioridade do que ninguém. A vida na cidade está ficando cada dia mais impossível por conta do trânsito maluco.

Graças a Deus não presenciei nenhum tipo de violência na cidade, mas é só ligar o noticiário pra ver gente morrendo de graça por nada. A "modinha" na semana que estava lá era o arrastão no semáforo na região do Morumbi, apenas alguns quarteirões do Palácio do Governo. Imagina que medo você estar parado no sinal vermelho e várias motos te rodeando para te assaltar? Meus amigos disseram que estava paranóica, mas confesso que evitava a qualquer custo andar pela cidade à noite, já que eu teria que voltar de ônibus e tinha que caminhar uns 10 minutos do ponto até a casa da minha mãe. Penso em quantas vezes fui obrigada a fazer aquele trajeto quase meia noite, depois de retornar da faculdade, mas se eu tinha uma escolha, pra que ficar dando bobeira né?

Acho que por conta de toda a crise econômica e as pessoas perdendo emprego, vi muitas barraquinhas de comida pelos pontos de ônibus e nas calçadas e achei a idéia maravilhosa. Pensa que você está atrasado pra ir pro trabalho e tem uma barraquinha que vende café com leite e um pãozinho, uns biscoitos, bolo, tapioca, idéia genial né? Infelizmente isso é ilegal, pois a minha mãe me disse que foi proibido o comércio em calçadas, em frente às escolas. Acho que este tipo de coisa deve ser fiscalizado, mas as pessoas deveriam ter a oportunidade de trabalhar honestamente sabe? Tive um conhecido que vendia churrasquinho e teve o carrinho apreendido 2 vezes por fiscais, mas como é o ganha pão dele, ele juntou o dinheiro e montou negócio novamente. Igual as pessoas que vendem coisas dentro dos ônibus e metrô. Enche o saco? Sim !! Mas estas pessoas estão tentando ganhar algum dinheiro. Prefiro que eles façam isso a roubar as pessoas pra conseguir dinheiro. Ironicamente, os vendedores ambulantes nas marginais não são proibidos ou perseguidos... vai entender?

A forma como as notícia são transmitidas na televisão me deixou de boca aberta. Na época que assistia televisão lá, não mostrava pessoas sendo mortas, corpos mutilados, cenas de crimes ainda com sangue. É algo tão bárbaro e tão chocante, que eu saía de perto da televisão quando meu pai ligava pra ver aquelas coisas. Falta de respeito muito grande com os familiares dos mortos! Como a Mari mesmo disse em um comentário de um post anterior, quando a gente fica muito exposto a cenas de violência gratuitas, acabamos nos tornando insensíveis para as pessoas. Se eram pessoas "do bem" ou bandidos, não importa, eram pessoas e devem ser respeitadas. Quando estava em São Paulo ocorreu o tiroteio em Paris e a Globo mostrou "com exclusividade" cenas de pessoas ensanguentadas saindo dos locais, pessoas arrastando corpos pelas ruas e eu me pergunto o que acrescentou na vida de quem assistiu estas imagens? Engraçado que as mesmas imagens foram utilizadas aqui, mas quando chegava nesta parte mais grotesta a transmissão era cortada, o que acho justo.

Uma coisa que sempre me irritou e agora que moro há muitos anos por aqui me irrita ainda mais é a mania que algumas pessoas tem de idolatrar os EUA e sua cultura. Fiquei sem entender porque o Brasil estava adotando festas de Halloween e Black Friday que não fazem o menor sentido para a nossa cultura. Não há nada de errado de ver coisas boas de outras culturas e tentar incorporar em nossas vidas, mas acho que a supervalorização da cultura americana está aos poucos destruindo a nossa própria cultura e valores também. Festas a fantasia para crianças no Halloween tá, legal, mas acho muito mais válido ensinar as nossa crianças sobre as lendas e histórias do nosso folclore por exemplo.

Enquanto estava lá a minha mãe conversou com o agente de saúde da região que por sinal é um rapaz que era aluno da minha irmã mais nova. Achei o trabalho destes agentes de saúde maravilhoso! Não  consegui entender direito como funciona e se existe apenas na região mais carente da cidade ou em todos os bairros, mas pra minha mãe ele ajuda e muito marcando consultas, exames no posto de saúde e quando a minha mãe fez cirurgia para retirar a vesícula, foi uma enfermeira lá em casa para ver se os pontos estavam cicatrizando e pra medir a pressão da minha mãe. Ela também recebe remédios para a diabetes, pressão alta e colesterol de graça pelo posto, tem um esquema de trocar receita que não consegui entender, mas sei que ajuda e muito a minha mãe economizar com medicamentos. Gostaria que este sistema funcionasse bem e que atendesse todo mundo, cheguei até a agradecê-lo pelo trabalho que faz pois sei o quanto é importante pra minha família - E antes que alguém pergunte, não, este tipo de coisa NÃO existe aqui nos EUA, já que NÃO existe saúde pública aqui. Achei interessante a iniciativa de educação, palestras para prevenção de várias doenças, inclusive sexualmente trasmissíveis. Quando passei por um posto de saúde com a minha irmã ela me mostrou uma caixa bem na porta do posto com camisinha para as pessoas pegarem, de graça. É um trabalho de formiguinha, mas a educação é muito importante se queremos ver mudanças em nosso país.

E por falar em educação, que zona que está acontecendo no sistema de ensino de São Paulo? A minha irmã mais velha trabalha para a prefeitura da cidade e a minha irmã mais nova para o governo estadual e ambas reclamam da decadência do sistema de ensino. Infelizmente não é mais permitido que o aluno repita de ano, só em algumas séries, então fica difícil para os professores manterem motivação para que os mesmos estudem. As minhas irmãs contas histórias e mais histórias de alunos que chegam até a quarta série e não sabem ler e escrever. Fico abismada com isso pois lembro que saí da primeira série já lendo e escrevendo algumas coisas e na terceira série fazia trabalhos de pesquisa naquelas folhas de almaço (noooossa olha eu entregando a minha idade!!). Dá uma tristeza tão grande saber disso porque sei que em contra-partida as crianças que estudam em escolas particulares continuam sendo cobradas e mais conteúdo continua sendo dado, gerando uma melhor educação pra elas e um abismo entre aqueles que estudaram no sistema público de ensino. Aí vem o governador Geraldo Alckmin e decide  fazer reforma no sistema de novo, fechando escolas... Os alunos reclamam, ocupam escolas, o governador suspende as mudanças, mas os alunos não retornam pra escola pra estudar. Eu não entendo. Queria que todo este esforço fosse colocado pra aprender, pra respeitar colegas e professores também. Vamos ver onde isso  vai parar...

Uma coisa que achei interessante é que mais e mais pessoas estão saindo de suas casas para fazer passeios pelos museus, exposições, parques e cinemas da cidade. Infelizmente não está acessível para todos por causa de preços e também da localização destes lugares, mas fico feliz que as pessoas estão se abrindo para fazer coisas diferentes.

Infelizmente ainda percebi muitos preconceitos velados e descarados em relação à pessoas que sejam diferentes - sejam gays, negros, asiáticos, gordo, de outras religiões. Sei que eu também aceitava de forma passiva agressões, piadas e comentários preconceituosos porque fazem parte do dia-a-dia das pessoas, mas depois de morar tanto tempo no lugar do politicamente correto, há certas coisas que me deixavam de olhos arregalados. E por conta disso era difícil pra eu manter conversa com pessoas que antigamente eram meus amigos e até mesmo pessoas da minha família. Por algumas vezes tentei fazer com que a pessoa enxergasse o absurdo que estava sendo dito, mas só gerava conflito e eu via que aquela discussão não iria mudar em nada a opinião da pessoa, então eu ficava na minha. Mas quando alguém falou por exemplo que todos os muçulmanos são terroristas, instantaneamente já disse que a conversa não era bem assim. E acredito que é isso que devemos fazer. Confrontar com a verdade, mas sem julgar a pessoa que está falando o absurdo.

Uma coisa que me irrita ao extremo é ser julgada por exemplo pela forma como me visto. As pessoas reparam e já fazem uma análise do seu poder aquisitivo só de olhar pra você. Saí com a minha mãe para olhar lojas no shopping Ibirapuera, que nem é um dos mais chiques da cidade, mas em diversas lojas as vendedoras nem olharam pra gente quando entramos para comprar algo só porque não estávamos vestindo nenhuma roupa de marca. Isso é motivo suficiente pra eu sair da loja sem comprar nada. E isso não acontece apenas em shopping, eu fui na Livraria Cultura na Avenida Paulista e como tinha ido dormir na casa da minha irmã, estava com algumas sacolas e mochila, e fui perguntar pra uma vendedora sobre determinado livro e ela me ignorou na cara dura! Que ódio! Tive que sair atrás de outra pessoa pra ver se eles tinham o livro que eu queria e mesmo falando comigo o vendedor não me deu muita bola. Ok, o cara poderia ser assim, certo? Mas chegou um cara mais arrumadinho e o vendedor já o atendeu com sorriso no rosto. Detesto isso. As pessoas precisam aprender que ninguém é melhor do que ninguém e não importa como esteja vestido ou seu poder aquisitivo todos devem ser tratados com igualdade e respeito. Fico imaginando se o Mark Zuckerberg não tivesse o rosto reconhecido e fosse entrar em certas lojas em São Paulo, como ele seria mal-tratado!!!

No demais, a cidade continua barulhenta e suja. E cinza. E sempre com pressa. Ao passear tranquilamente pela cidade, observei o passo frenético das pessoas e a vida parece passar sem ninguém perceber. Fiquei me perguntando como é que consegui sobreviver por 26 anos naquela selva de pedra, e a resposta que tive é que não tinha escolha, ou entrava no ritmo da cidade ou ela me engolia. Da próxima vez que retornar, prometi pra mim mesma que quero explorar mais a cidade como turista e não como moradora saudosista, pois sei que há muitos lugares legais para visitar e explorar, mas nunca tive a oportunidade de aproveitar porque quando morava em Sampa, estava no automático casa-trabalho-faculdade e isso te dá uma visão totalmente diferente da cidade. E não quero fazer injustiça com São Paulo, afinal, muitas pessoas decidem ir pra lá e algo de bom esta cidade deve ter, senão 12 milhões de pessoas não a chamariam de casa.

Comments

  1. Muito interessante a sua visão, porque se por um lado você está fora há tanto tempo e está muito mais inserida na cultura de lá que consegue observar nossa realidade de maneira crítica, por outro lado você nasceu aqui, e portanto é uma visão crítica mas de quem conhece, de quem já esteve inserido na cultura aqui. O significado das coisas vistas aqui é diferente para você do que seria para alguém que nunca morou no Brasil.
    Aqui Curitiba eu acho que é de certo modo uma "pequena São Paulo". Curitibanos hão de me apedrejar mas eu vejo muitas semelhanças, só que em menor escala (e com um pouco mais de tranquilidade).
    Realmente o Whatsapp está uma febre! Eu confesso, diversas vezes já mandei áudio por preguiça de digitar, ou porque é mais rápido falar do que escrever. Me dá um pouco de desespero andar no ônibus e ver todo mundo com a cabeça baixa e enfiado no aparelhinho (apesar de que às vezes eu faço o mesmo, mas em geral prefiro a companhia de um bom livro). O que tem de Iphone 6 por aí não condiz com a realidade da economia brasileira e o que tem de gente se endividando "até as cuecas" para ter o celular do momento, nem cabe na estatística! Mas é parte da cultura do momento, do celular, da selfie, do instagram, de que os feitos e as festas não aconteceram se não há foto no face para provar. Enfim!
    Gostei de ler sua análise.
    Um abração!

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    1. Pois é Mari, eu não sou contra a pessoa ter um aparelho de telefone legal, mas ficar endividado pra isso não pode né? Às vezes eu me perguntava onde é que está a crise econômica do país com tanta ostentação! E você falou uma coisa certa... feito e festa sem foto em rede social não aconteceu! :p
      Abraço!

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