Os donos de toda a verdade

Durante o tempo em que moro nos EUA encontrei muitos, mas muitos brasileiros de todas as regiões do país e de todas as classes sociais. Independente de onde veio e o que veio fazer aqui, existe uma categoria de patrícios que são extremamente irritantes e que prefiro manter distância: aqueles que sabem e conhecem tudo,  generalizam tudo, odeiam o Brasil e os tipos "água e óleo".

1 - O tipo sei tudo, conheço tudo e generalizo tudo

Tem coisa mais irritante do que tentar manter uma conversa com uma pessoa que sabe absolutamente tudo sobre tudo? Este tipo geralmente coleta informação dos outros, de coisas que ouviu falar ou então viu na televisão e geralmente não sabe a história inteira ou todos os fatos. Mas acaba fazendo de sua própria opinião a verdade absoluta e ai de você se tentar contrariá-lo, especialmente em frente a outras pessoas. Explica pra mim como uma pessoa que morou a vida inteira no Sul do Brasil tem autoridade para falar sobre o Nordeste? Ou alguém de São Paulo dizer como é a vida em Manaus? No Brasil, a não ser que você seja milionário, a maioria das pessoas não tem oportunidade de viajar tanto dentro do nosso país  e ficar nestes lugares tempo suficiente para conhecer bem cada região, cada costume e cultura. Porque dentro do Brasil há vários "brasils" com sua própria característica. Mas os donos da verdade sabem de tudo sobre tudo e muitas vezes já vi gente dando informação equivocada sobre a minha querida São Paulo.
Quando alguém me pergunta algo sobre o Brasil, eu dou aquelas informações gerais, porque infelizmente não tive a oportunidade de viajar tanto em nosso país como tive aqui. O mais interessante é que quando encontro e converso com pessoas que ainda moram ou que acabaram de sair do Brasil, fico surpresa em como o nosso país mudou em 5 anos. Então agora quando dou informações eu sempre digo que "Há cinco anos, as coisas eram assim, mas estão mudando". Para as pessoas que sabem tudo eu escuto educadamente por 5 minutos e vou embora. Não tenho paciência e acho que não vale a pena confrontar, mesmo quando você sabe que a informação está errada. E como eu encontro isto em blogs! Especialmente quando a pessoa fala: Aqui nos EUA as coisas são assim! Mas peraí, você já morou em todos os estados e cidades americanas? Então não tem autoridade para falar como as coisas são nos EUA porque a enooormes diferenças entre estados e até mesmo entre cidades. Por exemplo: A Califórnia é muito grande e o estilo de vida das pessoas de Los Angeles e de São Francisco são muito diferentes. As cidades são diferentes, o clima é diferente.. .então eu não posso dizer que "Aqui na Califórnia as coisas são assim". Sempre vejo com desconfiança e pra mim, este tipo de comentário faz a pessoa perder totalmente a credibilidade.
Precisamos lembrar que somos pessoas diferentes e percebemos o mundo ao nosso redor de forma diferente e apesar do país e cidade em que moramos terem características comuns e uma cultura comum, há enorme diferenças de língua, costumes e cultura de região para região. Por isto tome cuidado com o que você ouve dos "Donos da verdade".

2 - O tipo: eu odeio o Brasil

Não sei se me dá nojo ou dó de pessoas assim. Acho que um pouco dos dois. O Brasil é um país perfeito? Não! Tem corrupção, tem falta de educação, de segurança, injustiça, pobreza. Mas isto também tem aqui nos EUA e em todo lugar do mundo. Nenhum lugar deste mundo é livre de defeitos e problemas, mas na cabeça destas pessoas o Brasil é um lixo e eles ficam felizes por terem saído de lá. Este tipo de atitude mostra uma pobreza de espírito muito grande. O Brasil é um país de potencial enorme e me traz tristeza muito grande de ver tantos recursos desperdiçados. Nós brasileiros somos os responsáveis pela situação em que o nosso país se encontra, não a nossa querida presidente e os políticos. Jogar a culpa neles é mais fácil, sentar e reclamar é mais fácil, tentar mudar dá muito trabalho e não adianta, então melhor é sair daqui.
Bom ou ruim, foi o país que você nasceu, onde recebeu educação (ou não), onde suas raízes estão. Nunca escondo os problemas do nosso país quando as pessoas me perguntam, mas tento enfatizar o lado bom porque sim, há muita coisa boa no nosso país que passa desapercebido ou desvalorizado como a alegria, a hospitalidade, as comidas, as belezas naturais, o potencial econômico, etc.
Encontrei pessoas aqui que faziam questão de esconder que eram brasileiros, tentavam a todo custo perder o sotaque e se americanizar o mais rápido possível. Um dia talvez estas pessoas aprenderão que eles podem mudar de endereço, podem até renunciar a cidadania brasileira se quiser, mas o Brasil será sempre parte da vida deles e isto não é motivo de vergonha para ninguém.
Um dia tive uma discussão daquelas com uma indiana que disse que quando EU me tornar cidadã americana não preciso mais me preocupar com passaporte e deveres brasileiros, afinal, eu serei americana. Ela me deu tal sugestão, porque foi o que ela fez. Se você perguntar pra ela o que ela é, ela é americana e não indiana. (prova que este tipo de pessoa está em todos os lugares do mundo). Pra este tipo de pessoa eu só posso dizer uma coisa, que posso até me tornar cidadã americana um dia, mas isto NUNCA vai mudar o fato de que sou brasileira. E se alguém me perguntar de onde sou, posso estar morando em Marte e ter uma coleção de 10 passaportes na minha bolsa, a resposta sempre será brasileira.
Às vezes penso que estas pessoas estão fazendo um enorme favor ao Brasil em sairem do país, espero que um dia elas possam achar um lugar realmente em que serão e se sentirão em casa.

3 - O tipo "água e óleo"

Acho que este é o tipo mais comum. A pessoa que não se mistura com os outros brasileiros de jeito nenhum, seja por vergonha, por medo de não se adaptar, ou simplesmente por achar que todo brasileiro é "gentalha" e deve ser evitado a todo custo.
Claro que é mais fácil encontrar e reconhecer os brasileiros festeiros e barulhentos pelos lugares em que passa, porque afinal, eles são barulhentos! Mas detesto quando vem a generalização de que "todo brasileiro é festeiro, não leva a vida a sério, só fala em português e só quer passar a perna nos outros." Existem este tipo de pessoas? Sim, claro que existe! Assim como americanos, chineses, coreanos, indianos... mas também há muitas pessoas que assim como qualquer pessoa comum trabalha, estuda, vai pra igreja, faz passeios saudáveis e está levando a vida numa boa. Estes a gente encontra por acaso, porque afinal, estão na deles vivendo a vida deles, então antes de torcer o nariz quando ouvir que a pessoa é do Brasil, as pessoas deveriam conhecê-la primeiro. Já fui alvo deste tipo de preconceito, porque sim, é um preconceito.Quando trabalhava numa escola de inglês, tinha contato com muuuuuuuuitos brasileiros. Gente de todos os níveis sociais e de diferentes personalidades. Tinha os barulhentos? Sim! Mas tinham médicos, pessoas mais velhas, donos de próprio negócio, estudantes focados num objetivo. Eu aprendi tanto com todos eles! Apesar de não se tornarem amigos mais íntimos porque tinham interesses diferentes dos meus, eram pessoas com quem eu trocava idéias e por morar mais tempo na Califórnia, alguém que eles podiam contar para uma ajuda ou um conselho. 
Da mesma forma que não se pode julgar um livro pela sua capa, não devemos fazer discriminação de pessoas por causa de suas nacionalidades. E pra mim, não há coisa mais patética do que discriminar alguém que  possue a mesma nacionalidade que você!

E alguém já se deparou com um destes tipos? Como você reage a eles?

Comments

  1. Ai ai ai...

    Eu NUNCA encontrei com ng assim (até agora). Já li em alguns blogs comentários como esses que vc citou, mas um -em especial- me chateou bastante.
    Foi de um blog que tenho muito carinho e respeito. A blogueira escreveu no blog dela e tb em comentário em outro blog a seguinte frase: "VC não odeia os homens brasileiros?"
    Fiquei chocada! Meu pai é um homem maravilhoso! Tenho muitos amigos respeitáveis e de caráter.
    Vale muito a pena pensar antes de escrever.

    Beijão!

    :)

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  2. Paulistana, compartilho do mesmo sentimento que voce. Eh bem isso, nao sei se tenho do ou nojo de pessoas assim.

    NUNCA deixarei de ser brasileira, amo meu pais.

    Tenho um amigo, que foi morar nos EUA porque se casou com uma brasileira que ja morava por la. O casamento nao deu certo, ele acabou voltando ao Brasil pq nao conseguiu o green card. Agora ele fica postando no face os problemas do nosso pais, desdenhando da nossa terra, ve se posso com isso??? Nao deixo barato nao!!!

    E nao fala mal da minha terra!!!!!!

    Beijos

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  3. Post ótimo!! Acho digno quem reconhece os problemas que há em todos os cantos do mundo, e me irrita profundamente quem sai do Brasil e só crítica o país!! Penso igual a vc, eu nunca vou deixar de ser brasileira, não importa quantas outras nacionalidade eu carregue!! Também detesto os donos da verdade, gente que escreve coisa sem conhecimento, acha que pq viveu uma coisa já pode falar por um país inteiro... Eu vejo cada coisa que chega a assustar!! Uma coisa que detesto também é gente que escreve coisas sobre a vida aqui que a gente sabe que não é verdade... Gente escreve algo para dizer que é especial, ou que o marido é especial, mas que lendo com critério a gente vê que não é verdade!! Não tenho paciência com pessoas em nenhuma destas situações, sinceramente, penso como vc, escuto por 5 minutos e saio, pq com este tipo de gente não têm argumento! Adorei o post!! Bjuss

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  4. Tb já encontrei gente desse tipo.Já encontrei com os brasileiros que só saem com brasileiros, já encontrei com os brasileiros que já se americanizaram. Tb já recebi e-mails e comentários de brasileiros que acham que o Brasil é terrível e os EUA é incrível, kkkkkkkkkk!!

    Eles acham que os EUA é o máximo pq a noção que eles têm de americano é aquela coisa de filme sabe? Eles acham que todo americano é trabalhador, super independente e persistente, que as mulheres americanas são lindas,descoladas, magras,independentes, morrem de ganhar de dinheiro, são super amigas e conhecem ricaços que nem as personagens do Sex and The City, quando quem realmente mora em Nova York sabe que ali é uma selva, é a verdadeira seleção natural: que vença o melhor, o mais forte.É cada um por si e Deus por nós.Conheço 3 pessoas que moraram em NY por muito tempo e todas me disseram a mesma coisa.Um deles é americano por sinal.Sim, ache ruim quem achar, falo mesmo!

    Ah mas que dá muita vontade de rir às vezes.

    Eu mesma posso enumerar muitas coisas que o Brasil é muito melhor.No Brasil, ninguém que tenha plano de saúde vai passar de 3 à 4 hrs na emergência esperando ser atendido.

    No Brasil tem ônibus para ir para todos os lugares nas grandes cidades.

    No Brasil vc pode fazer um depósito eletrônico de uma conta bancária para outra.Se isso tem por aqui, eu ainda não sei pq quando alguém manda algo pra gente, eles sempre tem que ir no correio mandar um cheque para que assim a gente mesmo possa depositar aqui.

    Quando se trata de hospitalidade, brasileiro deixa o americano no chinelo.Quando se trata de educação à mesa e no lidar com as pessoas, mais ainda.

    O sushi e o rodízio de pizza brasileiro é muito melhor do que o americano!

    Pra mim, não ligo se é americano,chinês, brasileiro, pra mim a premissa básica para se ter uma amizade é saber se a pessoa quer crescer e melhorar em todas as áreas da sua vida e se a pessoa de verdade quer ter amizade.Amizade demanda tempo e tempo demanda um querer nutrir.Yeah babe, I'm old school!


    Se eu vejo que a pessoa não tem isso como objetivo, pode ser rico, morar em Bervely Hills, ser poliglota e ter Phd, não vai rolar uma amizade comigo.Ponto!

    Eu acho que as pessoas estão perdendo a noção do que é realmente necessário para se associar à outras pessoas: não é status,nacionalidade, conhecimento.É ver se a pessoa presta mesmo, tem integridade,caráter, respeito à si próprio e ao outro ou não.Acho que é por isso que as amizades não duram, pq elas estão sendo analisadas por conceitos supérfluos.

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  5. Sabe, acho que tem isso em todo lugar (e de toda nacionalidade). Particularmente, eu tento não julgar, pois varia muito de pessoa em pessoa. No meu caso, por exemplo, me identifico muito mais com a cultura americana (e se vc quiser bem especifica, com a cultura americana do Northeast) do que com a cultura brasileira (carioca-paulista). Já lutei muito comigo mesma sobre isso, pois fico triste quando visito o Rio (ou São Luis, cidade natal do meu marido) e percebo que eu não "fit in," que me sinto muito mais a vontade, e "at home" em NY, NJ, CT, Chicago, DC, Boston, etc (mas se fosse Texas, provavelmente não estaria tão a vontade...). Já chorei muito por não me "identificar" mais com a cultura brasileira, porém, é assim que me sinto. Mas também, me mudei para NYC no dia do meu aniversário de 18 anos e há 11 anos que moro nos EUA. Não nego que no Brasil há muita coisa boa: AMO a MPB, morro de saudades do carnaval de rua do Rio, e até hoje não me conformo com a falta de "salgados" nas Starbucks e coffeeshops da vida (custava ter uma empadinha ou pastel no meio daqueles cupcakes e muffins?!) Mas, em termos de identidade no sentido amplo, não me identifico mais com o Brasil. Isso é triste? Alguns diriam que sim...Prefiro interpretar isso como uma consequência dos tempos, da globalização. Um amigo meu, que hoje é correspondente do Estadão em NY, escreveu um texto (que eu acho excelente) sobre isso ano passado: http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/de-sp-a-ny-aos-35-anos-um-relato-para-as-pessoas-que-como-eu-moram-fora-do-brasil/

    Como esse é um assunto que mexe comigo bastante (essa questão de identidade nacional, patriotismo, etc), ao longo do doutorado, cheguei a estudar bastante o tema. Um dos autores que me deu uma certa "calma" foi Benedict Anderson (um dos principais acadêmicos que estuda nacionalismo e identidade da nação). Na análise dele (e é uma análise bem respeitada no meio acadêmico) a nação é uma comunidade política socialmente construída, imaginada pelas membros que se vêem como parte desse grupo. Por esse ponto de vista, sua cidadania ao nascer não necessariamente define sua identidade cultural. Isso quem constroí é o próprio indivíduo (dependendo ou não se ele se identifica com a cultura regional...) Acho que é por aí que eu me encaixo hoje em dia. Reclamo muito do Brasil sim, mas também tenho bastante elogios. Porém, se você me perguntar, no senso amplo, com qual cultura me identifico, aonde eu "fit in" e me sinto a vontade, infelizmente a resposta não é no Brasil...
    Beijinhos, bom final de semana, e parabéns por abordar um tema tão delicado :)

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  6. Meninas obrigada pelo comentário!

    Helen... obrigada por dividir sua experiência conosco e pelo texto que enviou no seu comentário. Maravilhoso! Acho que ele captou com simplicidade e clareza a idéia de quem mora fora. É exatamente desta forma que vejo São Paulo e as pessoas e assim como eles me vêem também. São 5 anos longe do Brasil e todos falam que vou tomar um choque tremendo quando voltar pra casa. Ter o sentimento de "I don't fit in" eu também tinha quando mora no Brasil, mas é diferente daquelas pessoas que odeiam e negam o fato de serem brasileiras. As coisas boas da cultura americana absorvi com muita rapidez, mas ainda tem muita coisa que não concordo e não me conformo.

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  7. Paulista, quando li o comentario da Helen me vi nele. E concordo com ela, pois eh exatamente como me sinto. E lendo sua resposta ao dela, entendi melhor o que voce quis dizer. Eu ja conheci pessoas que tem vergonha de dizer que sao do Brasil. Eu reclamo muito de coisas especificas no Brasil mas tento evitar dizer que odeio o pais e seu povo no geral (afinal eu sou brasileira), e eu tenho muito orgulho de dizer que sou brasileira. Adoro quando notam meu sotaque (odeio quando nao entendem alguma palvra por causa do sotaque mas eu gosto de ter meu sotaque, eh algo que me faz "unique"). Eu realmente tenho uma relação de amor e ódio com o Brasil, confesso. Mas eu tento tb chamar a atencao as coisas boas. Infelizmente tb nao me vejo mais morando no Brasil, nem quando morava la eu sentia que estava "no meu lugar". Nao sei explicar. Eu nao gosto quando metem o pau no Brasil em geral e tb nao gosto quando metem o pau nos EUA em geral. Tanto o Brasil como os EUA tem coisas ruins e ótimas, e sempre falo que se pudéssemos juntar o bom (o melhor) dos dois mundos seria perfeito. Coisas que me fazem sentir bem aqui: a infra-estrutura, o trânsito, a segurança (sim aqui tb tem violência, mas nao é uma violencia banal; no Brasil eu tenho medo de andar da casa dos meus pais ateh a esquina pra ir ao mercado pois o número de assaltos aumentou muito nos últimos tempos), gosto do jeito Americano de ser de "cada um na sua" (mesmo sabendo que muitos Americanos tb gostam de uma fofoquinha, a maioria nao tem tempo pra isso, e eu adoro poder ser eu mesma aqui enquanto que no Brasil se eu dou um peido a familia inteira, os amigos, os vizinhos, os amigos dos vizinhos, a cidade inteira sabe e aumenta ainda neh?)...

    Quando morava em MA no comeco quando eu escutava portugues ja ia logo querendo fazer amizades, achando que soh porque falavam a minha lingua iriam ser meus amigos. Mas fui aprendendo que nao eh assim. Assim como tem pessoas legais e ruins nos EUA tambem tem no Brasil. Nao eh porque somos da mesma nacionalidade que nos daremos bem. Depois teve a epoca em que eu fugia de brasileiros. Mas nao acho que por preconceito, e sim por questão de objetivos. Meu objetivo na época era viver a cultura Americana e me dedicar ao inglês o máximo que eu pudesse, porque tinha muitos brasileiros por lá, e se eu só andasse com eles, seria o mesmo que estar vivendo no Brasil. Mesmo assim eu nao me negava a conhecer brasileiros se acontecesse, afinal, como voce falou, nem todos sao do mesmo jeito, tem os que tem objetivos parecidos com os nossos, etc. Aqui por eu nao conhecer muitos eu sinto falta de falar o portugues, entao as vezes procuro algum. Mas evito me envolver com comunidades de brasileiros, onde geralmente (tem excecoes claro) as pessoas soh sabem fazer fofoca, se vangloriar umas para as outras, cobrar assiduidade nos eventos, e soh porque viu uma vez ou outra ja se acha no direito de cobrar sua amizade, e assim vai. Nao gosto de gente com cabeca fechada. E eu vejo muito isso em comunidades (panelinhas). Eu hoje digo que gosto tanto de fazer amizades com brasileiros como com americanos. Mas eu me dou o direito de escolher, se clicou otimo, senao, bola pra frente. O segredo eh nao ter a mente "fechada" e sim aberta, e nao generalizar.

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  8. continuando...

    Porque olha, nao tem generalizacao apenas para as coisas ruins, mas tb para as coisas boas. Quando li o comentário da Gi, li ela dizendo "No Brasil, ninguém que tenha plano de saúde vai passar de 3 à 4 hrs na emergência esperando ser atendido", isso eh uma generalizacao, porque eu fiquei 14 horas na emergencia com apendicite (quase morrendeo) esperando um medico pra fazer uma cirurgia em mim, num dos melhores hospitais da minha regiao e detalhe: PARTICULAR, pagando do bolso, nao era nem seguro saude e nem sus, era particular. E nao foi apenas o meu caso, jah viu muitos. E em varios lugares do Brasil pessoas (com seguro saude) esperam horas para serem atendidos. Ou seja, do mesmo jeito que pessoas generalizam coisas ruins outras generalizam coisas boas. Isso acaba sendo comum. As vezes fazemos e nem percebemos.Outra coisa, do mesmo jeito que eu nao gosto de pessoas que dizem que nada no Brasil presta, eu tb nao gosto dos brasileiros que vem pra ca, moram aqui e vivem reclamando dos EUA, pra mim eh cuspir no prato que come. Eu nao acho errado a gente reclamar de aspectos no Brasil e aspectos nos EUA (eu odeio a violencia banal no Brasil, odeio a bagunca no transito, assim como odeio o sistema de saude dos EUA, odeio como as comidas aqui sao tudo artificias)... e nao acho errado tb alguem dizer que nao moraria mais no Brasil por nao gostar de como as coisas andam por lah. Eu sou uma delas. As vezes, eh a opiniao que a pessoa tem. Pra ela, para aquela pessoa, o Brasil do jeito que esta nao da mais. E nao adianta a gente dizer que quem tem que fazer algo sao as pessoas, os cidadaos, fazer como?? Eu fiz, saih de lah. Porque realmente, nao vejo solucao pros problemas do Brasil. O Brasil ta crescendo economicamente, mas o lucro ta indo (como sempre) pro bolso de poucos, sim, o desemprego nao eh lah mais tao alto quanto antigamente, e bla bla bla, mas a violencia soh aumenta, tem muita crianca em lixao... os candidatos que tem no Brasil sao "o ruim" e o "pior" ai a gente vota no "menos pior" e acaba dando na mesma... a realidade eh outra. Mas isso eh papo pra mais de manga.

    Entendi sim o que voce quis dizer. E gostei do post.

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  9. Concordo contigo Nani. Não dá para generalizar e defeitos tem em todo lugar do mundo. Tenho amigos que acham que os Estados Unidos é um lugar perfeito, quando na verdade não é bem assim... mesmo com suas imperfeições é o lugar que moro e sem dúvida nenhuma nos oferece uma qualidade de vida e segurança muito acima do que teríamos em qualquer lugar no Brasil. As veze as pessoas me criticam dizendo que americanizei e que não vou ao Brasil porque me acho superior, o que não é o caso!
    Como diria uma frase que vi uma vez na internet, lar é onde o coração está.

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  10. Concordo com tudo que você escreveu. Tive muitas discussões com algumas Brasileiras quando morava na Alemanha. Nunca escondi de ser Brasileira. Mas hoje me arrependo por ter voltado a morar no Brasil, o meu esposo e os meus dois filhos não queriam, mas eu queria muito voltar. Agora estou querendo voltar a morar no exterior. Eu moro em SP e o meu maior motivo de morar no exterior é a falta de segurança aqui no nosso País.

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    1. Olá Almada! Imagino a sua frustração em ter retornado, principalmente quando se mora em São Paulo. Cada vez que retorno à cidade eu me assusto! Quem sabe logo surge uma oportunidade e você retorna para a Alemanha?

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