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Salada gramatical

Com o término da faculdade acabaram-se também as aulas de espanhol. Havia prometido para mim mesma que continuaria estudando e praticando a língua em casa, o que óbvio não aconteceu. Quase 3 meses depois, a pilha de livros de gramática ficaram intocados na minha mesa então decidi que era hora de retornar para a sala de aula.
Há 2 semanas retornei a estudar na minha antiga escola de espanhol numa cidade próximo de casa.
Já conhecia a escola, as professoras e achei que seria uma boa idéia estudar pela manhã já que o meu cérebro estava mais atento para encarar as 3 hora seguidas de aula. As pessoas do curso são bem mais velhas - sou a caçula da turma, então achei que fosse uma turma ideal que levaria as coisas bem à sério e as aula seriam bem produtivas.
É verdade que todos fazem os deveres e estão sempre prontos para conversar, discutir assuntos e possuem o mesmo nível ou até melhor que o meu no idioma. Com apenas 6 alunos, falamos muito o tempo inteiro o que é ótimo, mas aí chega a parte da gramática e é um desastre total.
Estou revendo a maioria dos conceitos gramaticais que foram jogados em mim durante as 12 semanas do último trimestre da faculdade.  Nesta hora o bendito português ajuda e muito, principalmente quando vamos conjugar verbos e combinar diferentes tempos verbais na mesma frase. O problema é que algumas estruturas não fazem o menor sentido com a gramática da língua inglesa e os colegas passam uma grande parte da aula traduzindo e debatendo pra encaixar espanhol na gramática do inglês para fazer sentido pra eles, e a de gramática de 3 idiomas diferentes começam a se misturar na minha cabeça.
Em dias como hoje me pergunto porque eu não decidi aprender espanhol quando estava no Brasil, eu acho que seria muito mais fácil pra assimilar toda a salada de gramática e não me enrolar tanto com as palavras que às vezes escapam do vocabulário do português e não fazem o menor sentido em espanhol...
Depois dizem que aprender inglês é difícil... se você conseguiu aprender gramática da língua portuguesa, te garanto que inglês é uma fichinha!

Formada!

Esta semana fui buscar o meu diploma na faculdade. Estou oficialmente formada.
Na minha faculdade quando você está cursando o trimestre (no caso da minha faculdade que é trimestral) em que vai completar os créditos para concluir o seu curso, você pode entrar com o pedido do diploma. Depois do requerimento o pessoal da faculdade faz uma avaliação para ver se você tem todos os requerimentos e se, dependendo do que cursar, tem direito a mais de uma graduação ou certificado e em 3 meses o diploma fica pronto.
Quando recebi o email que poderia retirar fui toda feliz e contente pra ficar sabendo quando cheguei lá que o meu sobrenome estava escrito errado. 😒
No dia seguinte recebi email que a correção tinha sido feita e que eu poderia buscar o diploma. Fiquei tão feliz!
A mulher que me entregou o envelope me parabenizou e disse que eu deveria ficar muito orgulhosa. Saí de lá muito contente e com um misto de sentimentos dentro de mim. A cerimônia de colação de grau acontece apenas uma vez por ano no verão, por isso só terei a colação de grau no final de junho. Estou bem feliz que a minha mãe estará aqui e poderá participar deste momento comigo.
Agora a pergunta mais difícil que eu tenho que responder para os meus amigos no Brasil é do que eu sou formada já que não é um bacharelado, é um Associate Degree in Arts - Arts and Letters Emphasis e não tem um curso equivalente no Brasil. Tento explicar que é como se fosse um tecnólogo em artes e letras, mas por causa dos cursos que eu estudei, muito mais letras que artes - já que estudei francês e espanhol e só tive uma aula de artes porque era obrigatória.
Algumas pessoas aqui não dão muita importância para um Associate Degree, principalmente em algo que não seja "útil". Eu estava pensando em fazer um bacharelado de linguística, então é como se eu estivesse no meio do caminho. Daqui para frente só Deus sabe que rumo acadêmico e se é que irei continuar, tomarei.
Meu marido me perguntou se a sensação de receber o diploma foi igual ou diferente do diploma que recebi no Brasil. A minha resposta é que os dois tem um grande valor pra mim, mas o sabor de receber cada um é muito diferente.
Quando recebi meu diploma no Brasil a sensação que tive foi de liberdade. É como se estivesse recebendo uma carta de alforria para poder seguir o meu caminho, já que era a única coisa que me prendia no Brasil e a última etapa a ser vencida antes de embarcar para os EUA. Ele também era um símbolo de vitória porque muita gente não acreditou que eu obteria sucesso na área de tecnologia.
Já o diploma daqui tem sabor de superação e vitória. Foram tantos obstáculos a serem vencidos até chegar este dia! Fazer um curso universitário na minha segunda língua, numa cultura diferente, longe de casa e lidando com a burocracia de visto e posteriamente problemas de saúde.
Comparar os dois é injusto porque estava em fases muito diferentes  na minha vida, além dos sistemas de ensino e cursos não terem nenhuma similaridade mas  acho que o daqui me deu muito mais trabalho por conta das tarefas intermináveis e das milhões de provas e trabalhos para entregar.
Sem o apoio irrestrito do meu marido que acreditou em mim e muitas vezes teve que sacrificar horas de lazer porque estava atarefada, e ter muita paciência e carinho nas malditas semanas de prova, não chegaria até aqui.
Agora é hora de curtir umas merecidas férias 😄

Done!

Quinta-feira passada disse adeus à minha melhor amiga dos últimos 3 meses: a calculadora TI-84. Saí da prova de estatística e andei pelo campus da faculdade pela última vez como estudante.
Ao passar pela biblioteca e pátio central, o sino da faculdade que marca as horas começou a badalar e eu juro que me senti meio Cinderella escapando antes da meia-noite.
Um sonho que foi algo tão distante um dia, se tornou real.
Última sessão de estudo antes da prova de estatística   


Embora muitas pessoas me perguntem o que será daqui para frente eu ainda não estou preocupada com isso. Quero saborear o momento, o agora, a minha conquista.
Por que será nunca estamos contente com o que conseguimos e sempre temos que pensar no próximo passo, na próxima conquista, na próxima vitória?
Vou saborear este finalzinho com muita festa e muito feliz porque apesar deste ano de 2016 ter sido absurdamente maluco, foi um ano de grandes realizações pessoais.

Sei como você se sente Adele...

Quase lá...

Eu deveria estar estudando para minhas provas finais, mas ao invés disto estou aqui procrastinando escrevendo no blog.
Esta é a minha última semana na faculdade. Duas provas, um trabalho e pronto. ACABEI!!!
Foram longos 5 anos que deveriam ter sido 2 anos e 3 meses, mas hey, a vida nos últimos 3 anos me deu várias surpresas (agradáveis e nem tanto) e por isso agora estou finalmente me graduando.
Já ouvi várias pessoas tentando diminuir a minha auto-estima, já que para os americanos estou apenas na metade do caminho (sei que estou devendo escrever sobre o sistema de ensino americano, e vou fazê-lo assim que me livrar dele), pois ao contrário do nosso sistema onde você sai do ensino fundamental e vai direto pra faculdade da carreira que você escolheu, aqui os 2 primeiros anos todos estudam conhecimento gerais de certas áreas e somente depois você estuda matérias específicas para a sua carreira. Você pode tanto entrar direto para a faculdade de 4 anos e fazer tudo lá, ou para economicar (muito dinheiro) você vai para uma Community College e estuda os 2 primeiros anos lá e depois transfere para uma Universidade para terminar o seu curso de Bacharelado.
Dependendo do que você você estudar nestes 2 anos, você tem um certificado específico e já pode procurar emprego, mas entrará nas posições mais baixas da carreira - por exemplo trabalhar com contabilidade fará o trabalho mais maçante.
Enfim, voltado ao assunto, muitos dos meus colegas tentam diminuir o meu feito porque quase todos estão transferindo para uma Universidade e eu fico por aqui. Este ano foi uma loucura e já decidi que quando retornar para um banco de faculdade aqui, vou fazer um mestrado, já que o meu diploma do Brasil é válido aqui, eu só preciso fazer o processo de "validação".
Sinto-me muito orgulhosa porque estou me formando numa faculdade onde as matérias ensinadas são minha segunda língua. E só Deus sabe os obstáculos que tive que vencer para estar aqui.
Meu marido está super orgulhoso e por causa dele (e por minha mãe também) é que irei participar da cerimônia de graduação que acontecerá somente no final de junho, pois é quando termina o ciclo escolar oficialmente na faculdade.
Até lá eu vou descansar, viajar, organizar a minha vida e tirar vários projetos do papel e enfrentar novamente a selva que é o mercado de trabalho daqui.
Mas sem terminar as provas com sucesso desta semana isso não acontecerá então, deixa eu enfiar a cara nos livros por mais que eu não aguento mais olhar.
E você pode ter certeza de que vou tocar esta música bem alto saindo do estacionamento da faculdade!

Alice Cooper - School's out


O maior feito da minha vida

A minha professora de estatística teve uma ideia genial para a lista de chamada que assinamos todos os dias. Ao lado do nosso nome ela escreve uma pergunta do dia que varia todos os dias. Geralmente eu respondo - é facultativo fazê-lo - e confesso que às vezes acabo me distraindo lendo as respostas dos colegas dependendo da pergunta. Hoje foi o dia que mais me distrai, confesso.
Ela perguntou qual foi o seu maior feito na vida até o momento. Li diversas respostas e confesso que fiquei sem saber o que escrever já que poderia ter colocado várias respostas. Escrevi que foi ter viajado para vários lugares do mundo, mas não creio que este foi o maior depois de pensar um pouco sobre o assunto.
O que mais me chamou a atenção em relação às respostas dos meus colegas é que haviam coisas extraordinárias como também coisas bem simples. Esse tipo de pergunta invoca respostas bem diferentes e que nenhuma delas deve ser considerada melhor ou pior porque muitas vezes pequenas coisas que não damos muita importância são feitos extraordinário mesmo que não apareçam na televisão ou você ganhe um prêmio por isso.
Pois bem, já devo ter falado sobre isso mais de uma vez aqui mas acredito que o maior feito da minha vida foi simplesmente acreditar no meu sonho e trabalhar par torná-lo realidade.
Não foi uma única coisa mas diversos fatores que me ajudaram a realizar o feito que foi sair literalmente do conforto do meu lar e morar em outro lugar.
Primeiro eu tive que acreditar no impossível porque na época que eu decidi mudar de país eu era estagiária e universitária então a grana era muito curta e vindo de uma família humilde se eu quisesse realizar este sonho eu teria que lutar e bancar sozinha por ele. Fiz muitos sacrifícios para economizar o dinheiro e quando sai do Brasil tinha exatamente 200 dólares na minha mão.
Segundo eu me dediquei para conseguir tudo o que eu precisava para viajar. Pesquisei opções, procurei informação e fui sincera comigo quanto às minhas possibilidades. Nunca dei passos maiores que as minhas pernas e todos os passos foram calculados e estava meio que preparada para os riscos de cada opção.
Terceiro dividi meus sonhos apenas com pessoas que me apoiavam e acreditavam em mim. Para se ter uma ideia minhas irmãs só souberam que estava indo para os EUA quando o meu visto estava em mãos, depois de quase 1 ano e meio de preparação e planejamento. Lembra do primeiro passo? A situação já era difícil então pra que ter pessoas ao meu redor colocando dúvidas, zombando dos meus objetivos só porque era diferente dos delas?
E por último acredito que seja essencial ter coragem e ser autossuficiente porque muitas vezes você só terá você mesmo para solucionar problemas e enfrentar adversidades.
Depois que você conseguir conquistar o seu "maior feito" não pare de sonhar e não viva somente de memórias. Cada fase da nossa vida há um novo objetivo, sonho a ser conquistado e o mais importante é saborear cada pequena conquista e todas as etapas da jornada porque mesmo que ela seja difícil terá algo a ensinar e trará algo que você irá precisar no futuro ou te fará uma pessoa melhor.

O dia que a professora de espanhol quase enfartou em classe

Só percebi hoje que faz um mês que não atualizo o blog. E não é falta de assunto, é aquela velha história falta de tempo mesmo. Depois que voltei do Brasil já engatou-se uma reforma na cozinha da minha casa e o início das aulas e só agora me organizei.
Estes dias na faculdade estava pensando em escrever um pouco mais sobre vida de estudante por aqui, vai que alguém está precisando de um esclarecimento porque te digo que mesmo neste meio há 4 anos, tem muita coisa que não entendo... mas enfim...
Hoje aconteceu o pesadelo de qualquer professor de idiomas na minha sala de espanhol. Existem muitos nativos de espanhol na minha sala (ou eles cresceram falando espanhol em casa mas não aprenderam gramática ou então só querem ganhar crédito fácil do requisito língua estrangeira) e estamos em uma semana de apresentações sobres diversos temas.
Pois bem, hoje o tema era sobre a vida universitária de alguns países latinos. Aí uma menina que fala espanhol porque os pais são mexicanos foi apresentar uma sessão sobre gírias utilizadas no México e no Chile.
Pois bem, acho que ela não passou o material da apresentação para a professora e esta quase teve um enfarto quando a primeira gíria que ela apresentou foi "corno" referindo-se a qualquer homem. A professora deu um pulo da cadeira e disse que ela não podia nem pronunciar a palavra porque aquilo não significava homem e sim "um cara que tem uma mulher que dormiu com outro cara". Eu não conhecia a palavra mas quando a professora deu o significado, eu quase não consegui parar de rir. Maioria da sala ficou confusa e uma parte de pessoas que falam espanhol ficaram em dúvida do motivo do chilique da professora, já que eles também usam a palavra entre amigos e não sabiam que o termo era ofensivo.
Fiquei com dó da professora e da menina que apresentou que é um amor de pessoa e super certinha. Nos encontramos na saída da faculdade e ela me falou que a professora a chamou de canto e disse pra nunca mais aprensetar nada sem passar por ela, e foi uma grande surpresa porque ela disse que todos os outros mexicanos amigos dela se chamam assim.
Então um conselho pra você que está aprendendo idiomas, antes de sair por aí soltando o verbo, melhor verificar o real significado da palavra e saber se é um termo ofensivo para algum grupo ou não.
Mas que foi engraçado, foi...

Rotina

Demorei um pouco, mas finalmente vou responder a querida Paulinha! 

"ai que delícia poder perguntar rs. quero saber de vc, da sua rotina, da vida, de tudo rs. x" 

Acho que não dá pra resumir a minha vida inteira em um post, mas a Paulinha me deu uma idéia de escrever um pouco mais sobre a minha vida aqui, já que a gente sempre morre de curiosidades como são certas coisas em lugares diferentes.
Pra ser sincera, a maior parte do tempo acho a minha vida beeeeem normal e até fico um pouco entediada, porque apesar de morar na Baía de San Francisco, tenho a minha rotina e obrigações pra cuidar como em qualquer lugar do mundo...
Este mês eu decidi colocar as caras e fazer "curso de verão" na faculdade, apesar de ser apenas 2 matérias e só faltarem mais 3 semanas estou querendo jogar a toalha, não tem sido fácil.
Pense fazer todas as provas, leituras e ver matéria de 12 semanas em 6! Praticamente toda semana eu tenho prova pra fazer e uma das minhas classes eu tenho 4 livros pra ler consecutivamente e cada um tem cerca de 300 páginas cada... mas não estou reclamando, pois sei que este tempo de sacrifício será precioso pra que eu tenha mais tempo livre no ano que vem.
Prometo que quando esta loucura terminar vou escrever um pouco mais sobre como funciona o sistema de ensino por aqui.
Mas voltando à pergunta da Paulinha, meus dias praticamente são acordar, tomar café com torrada e café, ir pra faculdade de carro, estacionar e ficar sentada na mesma classe das 10 até 3 da tarde. Retornar pra casa e fazer as leituras e lição de casa do dia.
Às vezes o meu cérebro dá um piripaque, e aí eu vou assistir Grey's Anatomy mas olha, os episódios tem sido tão tristes que meu marido desistiu de assistir e eu vejo um só pra poder digerir os fatos. No final da noite eu sempre assisto um vídeo engraçado no youtube ou então sobre filhotes de gatos e cachorrinhos engraçados pra eu poder relaxar e dormir (me julguem!).
A Adele já começou o tour dela aqui nos EUA e quando dá eu assisto os shows (ou pedaços dele) pelo Periscope, mas olha isso não é vida viu... é muito sofrimento! Daqui 2 semanas ela estará aqui em San Jose e eu estou torcendo pra um milagre acontecer e conseguir um ingresso pro show dela. Meu marido está ficando doido já com a minha reclamação e de me ver assistindo quase todas as noites o mesmo show pelo Periscope! :-)
Semana passada eu passei um susto e tive que ir ver o meu médico, eu não sabia mas quem já teve catapora continua abrigando o vírus dentro do corpo e em alguns casos em que a pessoa tenha sistema imunológico baixo, pode desenvoler Herpes Zóster, uma erupção na pele com bolinhas que parecem cheias de água e que doem demais. É tipo uma catapora, mas não é. Olha fiquei uma noite inteira sem dormir e agradeço muito à minha médica por ter me encaixado e me visto como emergência no consultório porque pude assim tomar remédio pra tentar diminuir o estrago e poder tomar remédio para dor. Estamos um pouco preocupados com a situação da minha Lupus, então fiz exames e vou saber no final desta semana os resultados.
Final de semana eu queria muito poder descansar ir ao cinema, mas fico sentada fazendo mais lição. Morro de dó do meu marido que fica perdido sem saber o que fazer em casa então digo pra ele sair e fazer algo que goste, se distrair, não é porque eu não posso sair que ele deve ficar em casa também!
Em pouco tempo esta loucura termina e terei 6 semanas de férias pra poder descansar e colocar as coisas em ordem. Não vejo a hora! ESpero que até lá o filme "Procurando Dory" e "A vida secreta dos bichos" ainda estejam em cartaz! Faz um tempão que não vou ao cinema!
Paulinha, vou ficar devendo mais posts contando um pouco mais sobre as coisas aqui, ok?! Espero que tenha respondido pelo menos um pouquinho sua pergunta :-).

Está chegando o verão...

Amanhã é Memorial Day aqui nos EUA. Um feriado que acontece todos os anos na última segunda-feira do mês de maio que "marca" o início do verão pelas bandas de cá.
O feriado em si consiste em prestar homenagens àqueles que morreram durante batalhas em guerras em nome dos EUA. Geralmente milhares de voluntários vão em cemitérios militares e colocam uma bandeirinha americana em cada tumba é algo impressionante, mas também muito triste. Em vários lugares há pequenas cerimônias, minuto de silêncio e tocam uma melodia muito triste no trompete. Já há alguns anos eu não vou à igreja que frequento no domingo que antecede Memorial Day porque eles sempre fazem um culto homenageando os soldados, com a música triste no trompete e eu fico extremamente chateada e triste, mesmo sem conhecer ninguém que tenha morrido em uma guerra. Sei lá, eu tenho muita dó dos homens e mulheres que acabam morrendo em guerras que muitas vezes é apenas um jogo político e que nunca acaba bem, com nenhum "vencedor".
Voltando ao verão, eu sempre achei muito engraçado esta coisa do verão começar no final de semana do Memorial Day, as pessoas organizam churrasco, há várias promoções em shoppings e lojas e geralmente já está esquentando.
Logo em seguida as crianças começam a entrar de férias escolares, os jovens tem graduação do ensino médio (high school) e também da faculdade. É uma época festiva e cheia de expectativas. Pra quase todos, of course.
Ao mesmo tempo que o trânsito melhora porque as crianças não vão pra escola, começa a temporada oficial de viagem e ir para parques nacionais, e pontos turísticos começa a ficar um caos. Os hotéis ficam cheios e caros, aeroportos idem. O máximo que eu posso, evito viajar nesta época do ano, além do mais o calor pelas bandas de cá pode chegar à 40C (bandas de cá eu digo EUA no geral, São Francisco como já expliquei aqui é um caso à parte).
Existem poucos feriados prolongados por aqui, então o povo aproveita o máximo que pode. Eu claro, estou sentada na minha mesa da cozinha fazendo trabalho e estudando pra provas de quarta-feira, porque os professores acham que todos, menos os alunos tem direito de aproveitar um feriado prolongado né?
Pra mim, férias de verão estão longe de acontecer, meu trimestre termina no final de junho e acho que vou acabar emendando dois cursos no verão, vamos ver.
Mas que esta época deixa as pessoas um pouco menos carrancudas, isso deixa, mesmo morando aqui que Sol e dias lindos acontecem praticamente o ano inteiro. Pra nós residentes da  Califórnia, a maior preocupação é sem dúvidas as grandes queimadas que acontecem por causa da secura e da falta de chuvas da época, tomara que este ano não seja pior do que ano passado e que as pessoas continuem conservando água.
Ah no verão começam também as "Yard Sale" ou "Garage Sale", onde as pessoas colocam o que não quer e está em bom estado em frente de casa e no quinta pra vender a preço de banana. Minha mãe adora estas coisas, eu não tenho paciência de ficar parando e olhando coisas, mas se acha de tudo e algumas coisas valem a pena...
Ah, o verão... que ele traga coisas boas para o coração também, porque nós estamos precisando... e até quando as tão merecidas férias não chega, seguirei o conselho da Dory "keep swimming, keep swimming"(neste caso, infelizmente não no sentido literal).

Acabooooooooouuuuuuuu!!! Acabooooooooooooouuu!

Queria muito dizer que hoje acordei com a notícia de que a palhaçada do Brasil chegou ao fim.
Que somente pessoas honestas e com  vontade realmente de trabalhar para o bem da nação estão no poder.
Seria tão bom dizer que podemos sair de nossas casas tranquilamente todos os dias, sem medo de que um ataque inesperado aconteça trazendo dezenas de óbitos e muitos feridos como ocorreu em Bruxelas.
Melhor ainda seria se o medo e a dor não alimentasse mais o ciclo assassino do ódio.
Que pessoas públicas e aspirantes a presidente de uma nação não usassem os microfones e holofotes pra incitar os menos educados e mais medrosos a uma guerra sem fim gerado por um inimigo que ganha força a medida que a mídia passa e repassa cenas de horror sem fim.
Ah como eu queria que tudo isso tivesse acabado hoje. Mas infelizmente não é o caso.
As minhas aulas e provas deste trimestre do retorno à faculdade é que acabaram. Não é um algo extraordinário e no grande esquema das coisas, não vai fazer diferença no dia de hoje, mas é importante pra mim.
Estou me sentindo aliviada e feliz e mais encorajada para seguir em frente. Agora já tenho idéia do que quero ser quando crescer. Deus só precisa me ajudar a providenciar os meios financeiros pra isso. Um trimestre a menos. Um mais próximo da tão sonhada graduação.

Hoje me recuso a ligar a televisão pra assistir noticiário. Não porque eu queira ignorar o que está acontecendo no mundo e no Brasil. Mas é que acho que está na hora de não deixar a mídia sensaciolista alimentar ódio, sensação de impotência e medo.

Hoje decidi dar palavras de esperança e conforto aos meus amigos e família em Bruxelas e no Brasil. Há mais amor e pessoas boas neste mundo do que más. Lembre-se disso e faça alguém recordar desta verdade também.

Só mais um mês...

Alguém aí acredita que já estamos caminhando para o finalzinho do segundo mês do ano?
Ainda bem que este ano temos um dia extra! Uhuuu!!
Sentei para escrever uma dezena de vezes mas quando tinha inspiração, não tinha tempo disponível e quando tinha tempo disponível... na verdade isso é que tem faltado mesmo, o tal do tempo disponível...
Graças a Deus pelas faculdades que tem trimestres e não semestres como a minha. Verdade que os trabalhos e provas parecem se amontoar um em cima do outro e é preciso ter disciplina e não deixar as coisas para depois para que elas não se acumulem, mas quando você tem uma aula terrivelmente chata sabe que só precisa aguentar 3 meses!
A minha aula de história é a melhor, principalmente porque o professor sabe o que está falando! A de geografia é um tédio total, apesar do conteúdo ser muito bom, a professora não tem confiança em passar o conteúdo e enche a gente com vídeos e trabalhinhos em grupo pra pesquisar no celular durante a aula (Eu odeeeeio) a aula nunca passa... Semana passada eu estava esperando pra ver o que é que ela iria falar sobre o Brasil já que estamos estudando sobre a américa do Sul. Tanta coisa pra ela falar sobre o Brasil, mostrar fotos e tal advinhem as duas informações que ela achou interessante dizer pra classe? Falou sobre o Bolsa Família que tem ajudado a população a sair da pobreza e manter as crianças na escola (ai ai, nem vou comentar) e ficou surpresa em saber que entre 18 e 69 anos somos obrigados a votar (aqui voto é facultativo e uma porcentagem absurdamente pequena vota 57.5% dos que podem votar!). Eu não quis dar o meu pitaco no assunto porque a professora tem sérios problema de auto-estima... ela fica pedindo pra gente elogiar, dizer que está gostando da aula, etc, então não ia desmoralizar ou contrariá-la...
E a tediosa e trabalhosa aula de Negócios Internacionais... pensa que em 8 semanas eu já li 350 páginas do livro didático e tem mais 200 até o final do curso. Pergunta agora o que eu aprendi disso... nem vou comentar...
Mas não quero reclamar que eu sei que tenho os meus desafios lá na frente quando tiver aula de literatura, matemática, filosofia... Deus me ajude! Tinha pensado em estudar no verão pra tentar me formar o mais rápido possível, mas já desisti da idéia porque eu preciso de férias e minha mãe virá passar uns dias comigo (contagem regressiva!).
Uma outra hora gostaria de contar um pouco como são as aulas por aqui, mas adivinhem? Pleno domingão e tenho que estudar pra prova de amanhã ...
Retorno assim que puder respirar novamente.

De volta às aulas

2015 foi um ano em que decidi aproveitar toda oportunidade disponível e imaginável pra viajar, descansar, colocar a cabeça e as idéias no lugar, descobrir e desenvolver hobbies novos porque sabia que 2016 seria um ano dedicado à terminar o meu curso na faculdade.
Matriculei-me no finalzinho de novembro, online mesmo e a minha aprovação se deu em menos de 24h porque eu já tinha sido aluna da faculdade. O que foi engraçado foi os vários documentos que tive que enviar para administração para provar que eu era residente da Califórnia há mais do que 1 ano, pois assim eu teria direito a pagar os preços de residente. Aqui se você não é residente do estado (mora em outros estados ou é estudante internacional) paga um valor muito mais alto por crédito na faculdade. Depois de quase ter que mandar o tamanho e a cor da minha calcinha pra provar que moro aqui há mais de um ano como residente permanente, foi aceita e fiz o pagamento todo online também. (adoro estas facilidades daqui.).
Infelizmente como estou retornando após pausa de 3 anos, fiquei no final da lista para registrar para as aulas e não pude escolher as classes nos horários que gostaria, mas fiquei bem feliz com os meus cursoso. História, Geografia, Administração Internacional e um curso obrigatório de como fazer pesquisa.
Confesso que estava com muito medo já que o ritmo daqui é pauleira, pois as aulas em si não são difíceis, mas os professores passam trabalhos e lição de casa como se você não tivesse outra coisa para fazer na vida além de estudar. Isso porque nos EUA os estudantes de faculdade são de tempo integral, geralmente ou eles são bancados pelos pais ou pegam empréstimos no banco para dedicar-se inteiramente aos estudos. (na teoria pelo menos).
A minha faculdade não fica distante de casa e graças a Deus houveram mudanças nas linhas de ônibus aqui da cidade e agora tem um ônibus que passa em frente da minha casa e para na porta da faculdade. Gasto apenas 10 minutos a mais no ônibus do que gastaria dirigindo e não tenho a dor de  cabeça de tentar achar um lugar para estacionar e o pior, ter a surpresa de chegar no meu carro estacionado e ver que alguém bateu ou arranhou o mesmo (aconteceu comigo 3 vezes quando estudava lá da outra vez).
O começo é sempre apavorante porque os professores jogam pra você o "syllabus" que seria um programa dizendo o que é a classe, o que você vai aprender, suas responsabilidades, regras e também o calendário com os trabalhos e provas. Parece que é muita coisa e que não vai ser possível dar conta porque a faculdade é trimestral, ou seja, cada ciclo tem a duração de 3 meses (com a exceção das classes de verão que duram de 6 a 8 semanas) e tudo é muito corrido. O importante é começar a trabalhar desde o primeiro dia de aula pra não deixar as coisas acumularem.
Apenas duas das minhas 4 classes são presenciais e os professores são umas figuras. O professor de História tem uma boca suja pra caramba, pra ser sincera me incomodou muito porque de 2 palavras que ele fala, 1 é F*** e vive fazendo piadinha sem graça. Ainda bem que quando ele começou a dar aula de verdade, as f words sumiram e ele tem muito conhecimento do assunto então vai dar pra suportar as piadas sem graça dele do início das aulas. Já a professora de Geografia é muito boazinha, calminha e tenho aquela impressão de que ela quer ser mais nossa amiga do que professora. Esta semana já veio com a idéia da gente nomear todos os países da Europa, haha, se eu tiver que decorar aquele mapa estou ferrada! O melhor foi que ela colocou um joguinho de quebra-cabeça pra sala inteira participar colocando os países no mapa.
Retornar à faculdade foi uma ótima decisão e sei que vai implicar em vários sacrifícios como tempo livre, mas sei que vai valer a pena. Se Deus quiser este ano conseguirei concluir o curso e assim ficará mais fácil encontrar trabalho numa outra área. Estou querendo muito retornar ao curso de espanhol e mais do que isso praticar porque oportunidade por aqui é o que não falta, mas fico com muita vergonha. Como uma amiga aconselhou, um dia de cada vez mas não se esqueça de viver e se divertir durante a jornada.