Existe coisa melhor nesta vida do que comer?
Os meus hábitos alimentares mudaram e muito desde que vim morar nos EUA. Estes dias estava lendo um diário de quando cheguei aqui e tinha escrito toda orgulhosa que tinha feito pela primeira vez feijão e até que ficou bom (pelo menos na foto estava com cara boa). Na minha vida típica de jovem paulistana, saía de casa para trabalhar 7h da manhã e retornava 11h da noite, então não tinha tempo e graças à minha querida mãe também não precisava cozinhar.
Mas cozinhar está no meu sangue, veja bem. Praticamente nasci numa família de cozinheiros, chefs, padeiros e doceiros. Todos os meus tios por parte de pai e mãe trabalharam em restaurante e veja bem, meu pai também é cozinheiro até hoje.
Então desde pequena estava acostumada a experimentar comidas estranhas que meu pai trazida do buffet, lembro da primeira vez que vi um kiwi na minha frente quase pirei! Além de linda a fruta era muito gostosa, se estivesse madura claro! E as saladas e salgados maravilhosos que meu pai fazia quando estava de férias do trabalho era uma coisa incrível. (Momento desabafo: meu pai até hoje não me deu as receitas de salgadinhos como coxinha, kibe, esfiha que ele faz. Ele diz que só sabe de cabeça, mas um dia eu arranco isto dele, pois os salgadinhos dele são os melhores do mundo!)
Mas voltando aos hábitos alimentares por aqui... muita gente fala que aqui é a terra do fast food, comida godurosa e pouco saudável. É verdade que estes alimentos existem em abundância e infelizmente são os mais baratos por isto os mais consumidos. Durante a minha época de au pair lembro de ter vivido a base de McDonald's, Subway e quando em casa caia na tentação das pizzas e massas congeladas da marca Lean Cuisine. Quando comecei a namorar o meu marido foi que um mundo culinário se abriu pra mim...
Pra me impressionar ele fazia macarrão com uns molhos maravilhosos (que depois eu descobri que era tudo comida pré-preparada, mas o que valia era a intenção.) e também como passeávamos muito, começamos a comer em muitos restaurantes e graças a diversidade cultural aqui da Bay Area, as opções eram imensas: mexicana, tailandesa, indiana, chinesa, italiana, etc.
A princípio eu achava tudo apimentado e isto porque aqui eles usam pimenta do reino e sal para temperar tudo. Aos poucos fui me acostumando com o paladar e aprendi a escolher as comidas que me agradava. Acostumei tanto com o sabor da comida daqui que quando os amigos que visitam reclamam da pimenta da comida acho que eles estão todos malucos.
Hoje em dia cozinho muito mais do que como fora, a não ser que o marido esteja doido para comer comida chinesa (que eu detesto) ou comida indiana (que dá trabalho fazer em casa e nunca fica igual). Por questões de saúde também tive que eliminar o sal da minha dieta, então comer fora virou uma missão quase impossível já que o único tempero que eles conhecem além da pimenta do reino é o sal.
De vez em quando dá uma saudade de uma comidinha brasileira então vamos a algum restaurante aqui perto ou se a inspiração é muito grande, faço algo que seja simples em casa mesmo. Os ingredientes estão nos mercados só saber o nome em inglês e procurar.
Já deixei a fase de comer bobeira, doces e hoje em dia só entro no McDonalds se der a louca no marido de tomar café da manhã por lá. A minha alimentação é muito mais saudável do que era no Brasil, mas não tenho mais aquela paranóia de ficar restringindo comida por conta de dieta. A vida é muito curta pra gente ficar se torturando com dietas e depois que fui obrigada a restringir bastante a minha alimentação, fico feliz por ter aproveitado enquanto pude.
A dica se vier para as bandas de cá é ... não tenha medo de arriscar. SE você pedir algo que não gostou, paciência, pelo menos você provou. E se provar e gostar, colocará em seu cardápio mais um prato novo.
Algumas pessoas dizem que é muito difícil se adaptar ao paladar da comida daqui, então coloque a mão na massa e prepare você mesmo a sua comida. Há uma variedade enorme de alimentos pré-prontos, congelados, molhos e vários tipos de macarrão e se der saudade daquele feijão com arroz, nada impede você de preparar e comer feijão com arroz todos os dias! O que não falta na internet são milhões de receitas com vídeos, passo-a-passo para qualquer um virar um grande chef!
Só colocar a mão na massa e começar a comer!
Ah, e uma dica importante pra quem vem pra cá a passeio. Não tenha vergonha de pedir pratos em restaurante e dividir com uma outra pessoa. Apenas diga ao garçon: "We are going to share - Nós vamos dividir". As porções são gigantes e te garanto que mesmo que você divida ainda irá comer muito bem. Alguns restaurantes cobram uma taxa de alguns dólares para dividir, mas vale a pena pela economia da conta e também para evitar o desperdício. Mas se você pediu e não conseguiu comer tudo sozinho, peça uma "bag to go" e leve os restos para a casa. Assim você terá mais do que uma refeição e evitará o desperdício.
O gringo e o português
A maioria das pessoas quando sabe que o meu marido é "gringo" pergunta se ele fala português. E a resposta é sempre a mesma: "Bom, fome e vontade de ir ao banheiro eu sei que ele não passa no Brasil".
Ele já tinha contato com o português antes de me conhecer porque tinha amigos brasileiros (que só ensinaram palavrões pra ele), e aos poucos foi aprendendo os nomes dos pratos que ele gosta, algumas frases básicas, expressões, etc. Mas nada que pudesse manter uma conversa por mais de 2 minutos com alguém.
Quando a minha mãe veio nos visitar a primeira vez em 2010, ele acabou se vendo numa situação onde foi obrigado a conversar com ela, porque naquela época eu trabalhava e estudava e ele ficava em casa com ela sozinho e a minha mãe sem falar uma palavra em inglês não parava de conversar com ele um minuto se quer! Ele sobreviveu graças ao dicionário do celular :-)
Antes de irmos ao Brasil juntos em 2013 ele pediu para que ensinasse mais pra ele pois não queria perder a oportunidade de se comunicar com minha família e amigos e e dei algumas aulinhas de português pra ele (com lição de casa e tudo) e o vocabulário dele melhorou demais. E ele sobreviveu à viagem ao Brasil.
Depois disto ele desistiu das aulas, mas hoje em dia consegue entender muito conversas do dia a dia (já nem posso falar mal dele no telefone com a minha mãe ;-) ), e isto pra ele está de bom tamanho.
Mas nem todo gringo tem esta vontade de aprender português principalmente porque comparado com o inglês é uma língua muito mais complexa e cheia de regras. Tenta explicar por exemplo para alguém que tenha inglês como língua nativa quando se usa o verbo estar ou o ser...
Tenho amigas que os maridos falam português fluente e outros que nem dizem oi, tudo bem. Vejo que às vezes as amigas dos maridos que não falam português ficam muito frustradas com eles, e meio que querem obrigar eles a aprenderem o idioma. E eles se recusam e a frustração aumenta... aí já viu onde a história vai parar né?
Agora para aquelas pessoas que conhecem algum gringo interessado em aprender português e não sabe por onde começar, pelo amor de Deus não comece enfiando gramática na cabeça deles! Comece por vocabulário de coisas do interesse da pessoa, como comida, música, lugares e frases básicas do dia-a-dia. Vai introduzindo aos poucos a gramática e se errar, por favor não fiquem corrigindo o tempo inteiro! Conheci um casal que o cara tinha uma boa vontade enorme de aprender português, mas só falava quando a esposa estava longe porque era ela chegar perto começava a corrigir praticamente toda frase que ele falava e isto acaba o constrangendo e ele desistia de falar.
Aprender ou não português vai de cada pessoa, mas uma coisa que é essencial num relacionamento multicultural: o respeito com a cultura e as origens do outro e manter em algum idioma um ótimo nível de comunicação.
Ele já tinha contato com o português antes de me conhecer porque tinha amigos brasileiros (que só ensinaram palavrões pra ele), e aos poucos foi aprendendo os nomes dos pratos que ele gosta, algumas frases básicas, expressões, etc. Mas nada que pudesse manter uma conversa por mais de 2 minutos com alguém.
Quando a minha mãe veio nos visitar a primeira vez em 2010, ele acabou se vendo numa situação onde foi obrigado a conversar com ela, porque naquela época eu trabalhava e estudava e ele ficava em casa com ela sozinho e a minha mãe sem falar uma palavra em inglês não parava de conversar com ele um minuto se quer! Ele sobreviveu graças ao dicionário do celular :-)
Antes de irmos ao Brasil juntos em 2013 ele pediu para que ensinasse mais pra ele pois não queria perder a oportunidade de se comunicar com minha família e amigos e e dei algumas aulinhas de português pra ele (com lição de casa e tudo) e o vocabulário dele melhorou demais. E ele sobreviveu à viagem ao Brasil.
Depois disto ele desistiu das aulas, mas hoje em dia consegue entender muito conversas do dia a dia (já nem posso falar mal dele no telefone com a minha mãe ;-) ), e isto pra ele está de bom tamanho.
Mas nem todo gringo tem esta vontade de aprender português principalmente porque comparado com o inglês é uma língua muito mais complexa e cheia de regras. Tenta explicar por exemplo para alguém que tenha inglês como língua nativa quando se usa o verbo estar ou o ser...
Tenho amigas que os maridos falam português fluente e outros que nem dizem oi, tudo bem. Vejo que às vezes as amigas dos maridos que não falam português ficam muito frustradas com eles, e meio que querem obrigar eles a aprenderem o idioma. E eles se recusam e a frustração aumenta... aí já viu onde a história vai parar né?
Agora para aquelas pessoas que conhecem algum gringo interessado em aprender português e não sabe por onde começar, pelo amor de Deus não comece enfiando gramática na cabeça deles! Comece por vocabulário de coisas do interesse da pessoa, como comida, música, lugares e frases básicas do dia-a-dia. Vai introduzindo aos poucos a gramática e se errar, por favor não fiquem corrigindo o tempo inteiro! Conheci um casal que o cara tinha uma boa vontade enorme de aprender português, mas só falava quando a esposa estava longe porque era ela chegar perto começava a corrigir praticamente toda frase que ele falava e isto acaba o constrangendo e ele desistia de falar.
Aprender ou não português vai de cada pessoa, mas uma coisa que é essencial num relacionamento multicultural: o respeito com a cultura e as origens do outro e manter em algum idioma um ótimo nível de comunicação.
Despedidas e a saudade
Acho que a pior de todas e a que vai ser a primeira de muitas, é a despedida de "casa". Deixar para "trás" a vida que se conhecia, o conforto da familiaridade das coisas, da língua, da cultura. E as pessoas muito importantes da nossa vida: família e amigos.
Depois da primeira partida, a saudade vai ser moradora constante do coração. Quem disser que um dia ela some está mentindo para o mundo e para consigo mesmo. Basta ouvir uma música, sentir um cheiro, ver uma foto e ela vem à tona, às vezes trazendo uma dor ao peito muito grande. Mas ninguém morre de saudade, eu garanto a você.
Aos poucos a gente vai se acostumando, vai levando a vida e deixando a saudade de lado pra poder aproveitar o que está ao redor. Sou a favor do expatriado ter laços fortes com o país de origem e as pessoas que ficaram para trás sim, mas tem que ter limite para não ser sufocado por este laço e a ausência de coisas e pessoas tirarem a alegria de viver no novo lugar e se fincarem novas raízes.
Há tanta coisa boa para se explorar, conhecer. Se não houvessem estas coisas boas, tenho 100% de certeza de que a pessoa não teria se tornado um expatriado.
Quem diz que expatriado não tem coração ou não é ligado a família não sabe o que diz. Deve haver casos de pessoas que fugiu do país de origem e não quer ver as pessoas de lá nem pintados de ouro, entendo as razões de cada um. Mas a marioria muda de país pelo mesmo motivo que muita gente muda de emprego, muda de relacionamentos. Quer ser feliz, quer encontrar uma oportunidade melhor.
Quem dera que a despedida fosse somente a primeira ou então aquelas que são feitas em aeroporto depois de uma visita gostosa ao país querido! Muito pelo contrário. Parece que depois que se saí de casa, a vida é uma constante despedida. Tanta gente querida e amada passa, fica um tempo especial e vai embora. Tem gente que vai embora que a gente dá graças a Deus. Tem gente que vai embora e que deixa um enorme ponto de interrogação, sem saber o motivo da partida. Tem despedidas que doem demais e outras trazem alívio para o coração. A verdade é que parece que quando se está finalmente criando novos laços afetivos, bum. Lá vem outro momento de partida...
E por favor, não me digam que o Facebook ou outras das milhares opções das redes sociais estão aí para manter contato, manter estes laços próximos, porque não é mesma coisa. Você começa a ser espectador e comentador da vida das pessoas que faziam parte da sua vida, da sua rotina. E isto é completamente diferente. Ameniza, talvez até mantenha uma conexão, mas uma vez que alguém parte da sua vida, as coisas jamais serão as mesmas.
A coisa mais esquista do mundo é perceber que alguém que dividiu sonhos e segredos com você se tornou um contato com quem você virtualmente troca apenas informações do dia-a-dia, sem muitos detalhes, sem muito sentimento, porque afinal, ninguém hoje em dia parece ter tempo para conversas mais profundas, princicpalmente conversas que acontecem através de uma tela. Isto dói, pelo menos pra mim.
Lembro de uma vez que fiquei tão cansada de despedidas que decidi que não iria fazer nenhum laço novo, assim não teria que lidar com uma eventual despedida. Mas isto não é viver, é perder conscientemente a possibilidade de momentos bons porque se tem medo. As decepções também fazem parte das armadilhas de auto-proteção, que pode minar mesmo antes de começar um bom laço de amizade. É preciso ter cautela, mas baixar a guarda também. Um dos balanços mais difíceis de encontrar.
No fundo, torço para que as despedidas fiquem menos doloridas e que a saudade não machuque tanto. Como li e estou aprendendo aos poucos, cada pessoa passa pela nossa vida é muito especial e devemos sempre nos alegrar e ser agradecidos por elas terem nos acompanhando na jornada da vida. Não importa o tempo que esta jornada tenha sido e como tenha sido interrompida. O importante é manter no coração boas memórias, sorrisos e a esperança de que de certa forma se tenha deixado algo de bom para quem partiu também.
Depois da primeira partida, a saudade vai ser moradora constante do coração. Quem disser que um dia ela some está mentindo para o mundo e para consigo mesmo. Basta ouvir uma música, sentir um cheiro, ver uma foto e ela vem à tona, às vezes trazendo uma dor ao peito muito grande. Mas ninguém morre de saudade, eu garanto a você.
Aos poucos a gente vai se acostumando, vai levando a vida e deixando a saudade de lado pra poder aproveitar o que está ao redor. Sou a favor do expatriado ter laços fortes com o país de origem e as pessoas que ficaram para trás sim, mas tem que ter limite para não ser sufocado por este laço e a ausência de coisas e pessoas tirarem a alegria de viver no novo lugar e se fincarem novas raízes.
Há tanta coisa boa para se explorar, conhecer. Se não houvessem estas coisas boas, tenho 100% de certeza de que a pessoa não teria se tornado um expatriado.
Quem diz que expatriado não tem coração ou não é ligado a família não sabe o que diz. Deve haver casos de pessoas que fugiu do país de origem e não quer ver as pessoas de lá nem pintados de ouro, entendo as razões de cada um. Mas a marioria muda de país pelo mesmo motivo que muita gente muda de emprego, muda de relacionamentos. Quer ser feliz, quer encontrar uma oportunidade melhor.
Quem dera que a despedida fosse somente a primeira ou então aquelas que são feitas em aeroporto depois de uma visita gostosa ao país querido! Muito pelo contrário. Parece que depois que se saí de casa, a vida é uma constante despedida. Tanta gente querida e amada passa, fica um tempo especial e vai embora. Tem gente que vai embora que a gente dá graças a Deus. Tem gente que vai embora e que deixa um enorme ponto de interrogação, sem saber o motivo da partida. Tem despedidas que doem demais e outras trazem alívio para o coração. A verdade é que parece que quando se está finalmente criando novos laços afetivos, bum. Lá vem outro momento de partida...
E por favor, não me digam que o Facebook ou outras das milhares opções das redes sociais estão aí para manter contato, manter estes laços próximos, porque não é mesma coisa. Você começa a ser espectador e comentador da vida das pessoas que faziam parte da sua vida, da sua rotina. E isto é completamente diferente. Ameniza, talvez até mantenha uma conexão, mas uma vez que alguém parte da sua vida, as coisas jamais serão as mesmas.
A coisa mais esquista do mundo é perceber que alguém que dividiu sonhos e segredos com você se tornou um contato com quem você virtualmente troca apenas informações do dia-a-dia, sem muitos detalhes, sem muito sentimento, porque afinal, ninguém hoje em dia parece ter tempo para conversas mais profundas, princicpalmente conversas que acontecem através de uma tela. Isto dói, pelo menos pra mim.
Lembro de uma vez que fiquei tão cansada de despedidas que decidi que não iria fazer nenhum laço novo, assim não teria que lidar com uma eventual despedida. Mas isto não é viver, é perder conscientemente a possibilidade de momentos bons porque se tem medo. As decepções também fazem parte das armadilhas de auto-proteção, que pode minar mesmo antes de começar um bom laço de amizade. É preciso ter cautela, mas baixar a guarda também. Um dos balanços mais difíceis de encontrar.
No fundo, torço para que as despedidas fiquem menos doloridas e que a saudade não machuque tanto. Como li e estou aprendendo aos poucos, cada pessoa passa pela nossa vida é muito especial e devemos sempre nos alegrar e ser agradecidos por elas terem nos acompanhando na jornada da vida. Não importa o tempo que esta jornada tenha sido e como tenha sido interrompida. O importante é manter no coração boas memórias, sorrisos e a esperança de que de certa forma se tenha deixado algo de bom para quem partiu também.
Adeus
Não quero que você vá, fique comigo...
Segure-me um pouco mais, um pouco mais apertado.
Este momento não se repetirá novamente
Deixe-me saboreá-lo para guardá-lo comigo
E assim que você for
As coisas jamais serão as mesmas.
Meu coração dói, quero muito que você fique.
Mas eu te amo tanto, por isto deixo você ir
Mesmo com todas as incertezas da sua partida.
8 anos de EUA
Há 8 anos estava no aeroporto de Guarulhos, morrendo de ansiedade para entrar pela primeira vez em um avião. Mal sabia que aquela viagem iria mudar completamente o rumo da minha vida. Tinha 25 anos, mas o deslumbramento com as coisas e as experiências novas era de uma criança de 5 anos de idade. Incrível como o nosso olhar muda quando enxergamos as coisas pela primeira vez.
Inicialmente o plano era ficar 1 ano nos EUA, aperfeiçoar o inglês e voltar para casa. Mas aí surgiu a oportunidade de ficar mais um ano e pensei comigo, por que não? Afinal não tenho nada me prendendo lá no Brasil e me mudei para a Califórnia, o lugar que morria de medo de ir por causa de terremotos.
Mal coloquei os meus pés neste lugar e conheci o meu marido e a vontade de embora se foi, afinal, como poderia ir e deixar para trás o amor da minha vida? A decisão não foi fácil de ser tomada, mas valeu a pena.
Há quem pense que morar no exterior é um mar de maravilhas, mas não é. Tem muita coisa boa, aqui eu tenho uma vida tranquila, estabilizada. Gosto do clima daqui (apesar que uma chuva seria muito bem vinda neste momento!), das facilidades pra donas de casa,da mistura de pessoas, da oportunidade de sempre ver e conhecer algo novo. Dos muitos parques, das praias próximas, dos morros de San Francisco.
Mas a vida não é feita apenas de coisas e facilidades. A minha família não está próxima e meus amigos também não. Com o tempo você cria um mecanismo de defesa para amenizar a dor da saudade, e as pessoas vivem a vida delas sem você. Quando você deixa o seu país de origem, na maioria das vezes você deixa um pedaço de você, uma vida profissional que muitas vezes vai ficar para trás pelo menos até você se estabilizar no novo país. Muitas pessoas passam por uma crise de identidade profunda porque a situação no novo país é diferente, é preciso lidar com cultura, língua diferente e infelizmente preconceito.
Esta semana uma amiga compartilhou um vídeo do youtube sobre uma jovem imigrante espanhola que retornava para casa depois de 2 anos fora, fazendo uma surpresa para a família. O vídeo é curtinho e emocionante, mas o que mais me cortou o coração é a mensagem do final dele, que diz que as lágrimas doloridas de sua mãe pela partida da jovem é culpa daqueles que tiraram desta jovem a oportunidade de ter um bom futuro em seu próprio país. (vídeo aqui, com legenda em inglês)
Embora a curiosidade de ver o mundo tenha me feito sair do Brasil, foi a oportunidade de uma vida melhor não me deixou retornar. E como queria que as coisas fossem melhores no nosso país para que eu pudesse voltar e ter a oportunidade de ter a mesma qualidade de vida que tenho aqui, com a vantagem de poder ver a minha sobrinha crescer e meus pais envelhecerem.
É preciso ter muita coragem para deixar tudo para trás e começar tudo de novo em um lugar estranho, com pessoas, costumes, cultura e língua diferente. Tenho vontade de bater nas pessoas que dizem: "Ah, eu jamais deixaria a minha família porque sou muito ligada à eles...", como se todos os imigrantes fossem as pessoas mais desalmadas do mundo, que não estão nem aí para a família e só pensam em coisas materias e dinheiro. A vida é cheia de renúncias e às vezes é preciso fazer sacrifícios.
O importante é olhar ao redor e ver as coisas boas que existem na vida ao invés de enumerar as coisas que não se tem, trazendo assim a infelicidade e frustração, afinal, a vida é única e muito preciosa para ser desperdiçada independente do lugar onde se mora.
Por enquanto a Califórnia é meu lar e é aqui que vou fazer de tudo para ter uma vida feliz.
Inicialmente o plano era ficar 1 ano nos EUA, aperfeiçoar o inglês e voltar para casa. Mas aí surgiu a oportunidade de ficar mais um ano e pensei comigo, por que não? Afinal não tenho nada me prendendo lá no Brasil e me mudei para a Califórnia, o lugar que morria de medo de ir por causa de terremotos.
Mal coloquei os meus pés neste lugar e conheci o meu marido e a vontade de embora se foi, afinal, como poderia ir e deixar para trás o amor da minha vida? A decisão não foi fácil de ser tomada, mas valeu a pena.
Há quem pense que morar no exterior é um mar de maravilhas, mas não é. Tem muita coisa boa, aqui eu tenho uma vida tranquila, estabilizada. Gosto do clima daqui (apesar que uma chuva seria muito bem vinda neste momento!), das facilidades pra donas de casa,da mistura de pessoas, da oportunidade de sempre ver e conhecer algo novo. Dos muitos parques, das praias próximas, dos morros de San Francisco.
Mas a vida não é feita apenas de coisas e facilidades. A minha família não está próxima e meus amigos também não. Com o tempo você cria um mecanismo de defesa para amenizar a dor da saudade, e as pessoas vivem a vida delas sem você. Quando você deixa o seu país de origem, na maioria das vezes você deixa um pedaço de você, uma vida profissional que muitas vezes vai ficar para trás pelo menos até você se estabilizar no novo país. Muitas pessoas passam por uma crise de identidade profunda porque a situação no novo país é diferente, é preciso lidar com cultura, língua diferente e infelizmente preconceito.
Esta semana uma amiga compartilhou um vídeo do youtube sobre uma jovem imigrante espanhola que retornava para casa depois de 2 anos fora, fazendo uma surpresa para a família. O vídeo é curtinho e emocionante, mas o que mais me cortou o coração é a mensagem do final dele, que diz que as lágrimas doloridas de sua mãe pela partida da jovem é culpa daqueles que tiraram desta jovem a oportunidade de ter um bom futuro em seu próprio país. (vídeo aqui, com legenda em inglês)
Embora a curiosidade de ver o mundo tenha me feito sair do Brasil, foi a oportunidade de uma vida melhor não me deixou retornar. E como queria que as coisas fossem melhores no nosso país para que eu pudesse voltar e ter a oportunidade de ter a mesma qualidade de vida que tenho aqui, com a vantagem de poder ver a minha sobrinha crescer e meus pais envelhecerem.
É preciso ter muita coragem para deixar tudo para trás e começar tudo de novo em um lugar estranho, com pessoas, costumes, cultura e língua diferente. Tenho vontade de bater nas pessoas que dizem: "Ah, eu jamais deixaria a minha família porque sou muito ligada à eles...", como se todos os imigrantes fossem as pessoas mais desalmadas do mundo, que não estão nem aí para a família e só pensam em coisas materias e dinheiro. A vida é cheia de renúncias e às vezes é preciso fazer sacrifícios.
O importante é olhar ao redor e ver as coisas boas que existem na vida ao invés de enumerar as coisas que não se tem, trazendo assim a infelicidade e frustração, afinal, a vida é única e muito preciosa para ser desperdiçada independente do lugar onde se mora.
Por enquanto a Califórnia é meu lar e é aqui que vou fazer de tudo para ter uma vida feliz.
Pra chegar na Califórnia
Chegar até a Califórnia não é fácil e não é barato.
A não ser que você vá para Los Angeles, não existe um vôo direto do Brasil pra a região de San Francisco, é necessário fazer sempre uma conexão dentro do país.
Sei que a American Airlines desde o ano passado com a chegada da Copa faz um vôo direto de São Paulo para LAX, o Aeroporto Internacional de Los Angeles e a companhia coreana Korean Air tem voos para São Paulo também acho que 2 vezes na semana. Nunca peguei estes vôos porque eles são longos (+ ou - 13/14 horas até o Brasil) e teria que fazer uma conexão de San Francisco até lá (vôos de SF para LA dura mais ou menos 1 hora, é como se fosse a nossa ponte aérea Rio-SP, tem vários vôos, de várias companhias aéreas e preços variados dependendo do horário do dia).
Há vários vôos saindo da costa leste (NY, New Jersey, Flórida, South Carolina, etc, etc). Estes vôos são mais curtos chegando nos EUA, geralmente 9 horas de viagem e há companhias brasileiras que fazem este trecho como a Gol, Tam e a Azul. Nunca fiz viagem em companhias áreas brasileiras em vôos internacionais, mas tenho amigos que tem opiniões diferentes sobre o serviço e o custo benefício do preço e conforto das empresas. A maior comodidade de tudo é claro que a maior parte da tripulação falará português e isto lhe dará mais segurança.
Existem outras opções fazendo conexão no meio do país, sendo as mais comuns sendo Chicago e Houston no Texas. Acredite ou não para chegar em San Francisco, estas são as opções mais curtas, pois a viagem do Brasil até os EUA demora certa de 9 a 10 horas e depois de lá até aqui são mais 3-4, Comparando com o tempo de viagem da costa leste até aqui que dura cerca de 5 a 6 horas.
Dicas gerais de viagem para facilitar a sua vida...
A não ser que você vá para Los Angeles, não existe um vôo direto do Brasil pra a região de San Francisco, é necessário fazer sempre uma conexão dentro do país.
Sei que a American Airlines desde o ano passado com a chegada da Copa faz um vôo direto de São Paulo para LAX, o Aeroporto Internacional de Los Angeles e a companhia coreana Korean Air tem voos para São Paulo também acho que 2 vezes na semana. Nunca peguei estes vôos porque eles são longos (+ ou - 13/14 horas até o Brasil) e teria que fazer uma conexão de San Francisco até lá (vôos de SF para LA dura mais ou menos 1 hora, é como se fosse a nossa ponte aérea Rio-SP, tem vários vôos, de várias companhias aéreas e preços variados dependendo do horário do dia).
Há vários vôos saindo da costa leste (NY, New Jersey, Flórida, South Carolina, etc, etc). Estes vôos são mais curtos chegando nos EUA, geralmente 9 horas de viagem e há companhias brasileiras que fazem este trecho como a Gol, Tam e a Azul. Nunca fiz viagem em companhias áreas brasileiras em vôos internacionais, mas tenho amigos que tem opiniões diferentes sobre o serviço e o custo benefício do preço e conforto das empresas. A maior comodidade de tudo é claro que a maior parte da tripulação falará português e isto lhe dará mais segurança.
Existem outras opções fazendo conexão no meio do país, sendo as mais comuns sendo Chicago e Houston no Texas. Acredite ou não para chegar em San Francisco, estas são as opções mais curtas, pois a viagem do Brasil até os EUA demora certa de 9 a 10 horas e depois de lá até aqui são mais 3-4, Comparando com o tempo de viagem da costa leste até aqui que dura cerca de 5 a 6 horas.
Dicas gerais de viagem para facilitar a sua vida...
- Independente de onde fará conexão deixe pelo menos 3 horas entre a sua chegada até pegar o outro vôo, pois é necessário passar pela imigração americana, pegar as bagagens para passar pela alfândega, despachar as malas novamente, passar pela segurança do aeroporto e ir para o novo portão de embarque. A imigração americana por si só é uma caixinha de surpresas, pode ser que você passe em 5 minutos, pode ser que tenha chegado 3 aviões grandes antes do seu e você fique emperrado na fila por 3 horas!
- Sempre compre todos os vôos numa reserva só, pelo seguinte motivo: Se você chega em NY, mas o seu destino final é SF, como você veio do Brasil é considerada as regras de peso e cobrança de malas as que se aplicam a passageiros vindo do Brasil (2 malas de 32kg cada passageiro). Como sua origem é Brasil e seu destino final é SF, você não terá que pagar para despachar as malas em NY. Agora, se você comprar as passagens separadas, se aplicam as regras de malas de vôos domésticos (dentro dos EUA) e aí você pode desembolsar uma grana grande! Pois geralmente as companhias cobram 25 dólares por cada mala de 23kg, acima deste peso os preços para despachar mala variam muito de empresa para empresa. Só para se ter uma idéia a United cobra 25 dólares a primeira mala despachada até 23kg, 35 dólares a segunda. Agora se a mala pesar de 23kg a 32kg custa 100 dólares por mala. Isto acaba aumentando e muito o preço final da passagem. Se alguma companhia quiser cobrar estas taxas e você comprou o voo de conexão na mesma reserva bata o pé porque infelizmente alguns não sabem que o Brasil tem restrições de bagagem diferentes
- Evite fazer conexões na costa leste na época do inverno (dezembro-março) porque é comum nesta época do ano haver tempestades de neve e você acabar perdendo o vôo de conexão ou então ficar preso no aeroporto. As companhias aéreas não oferecem nenhum tipo de ressarcimento ou compensação se o cancelamento/atraso de vôo for devido a tempo. Por isto que eu evito o máximo que posso voar por Chicago, a não ser que Chicago seja o seu destino final! Sempre utilizo o aeroporto de Houston no Texas e nunca tive problemas com tempo, viajando a qualquer época do ano
- Todos os vôos originados do Brasil tem pelo menos 1 tripulante que fale português portanto, não se prenda tanto a companhia aérea por ser brasileira ou não. Hoje em dia os serviços das companhias aéreas estão mais ou menos os mesmos, os preços mais ou menos os mesmos também por isto seja fiel à companhia que oferece o melhor valor da passagem :-)
- Se viajar para Los Angeles, para chegar até San Francisco há duas possibilidades - uma conexão de 1 hora ou então dirigir que demora mais ou menos 6 horas de viagem. Há aí a grande oportunidade de fazer uma viagem pela famosa Highway 1, aquela estrada na Costa do Pacífico, mas veja bem se a disposição depois de uma viagem longa existe pra isto.
- Os vôos domésticos nos EUA não oferecem comida para a classe econômica, então se você for fazer conexão tenha certeza de levar algum lanchinho para comer. Eles oferecem sanduíches e saladas, mas são pagos. Só bebidas (não-alcóolicas) que são de graça.
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