Casamentos

Eu amo ir à casamentos.
Quando eu era adolescente, fazia parte de um grupo de jovens de uma igreja batista então de vez em quando sempre tinha um casamento acontecendo. Nesta época, a igreja inteira era convidada e eu sempre fazia questão de ir para a cerimônia e sempre chorava no momento do sim. - sou manteiga derretida assumida!
Eu queria estar ali para presenciar um momento bonito na vida dos meus amigos e confesso que nunca dei muita atenção para recepção, comes e bebes - que geralmente era alguns salgadinhos, bolo e refrigenrante. Quando podia contribuía para alguma vaquinha para comprar presentes, senão ia de mãos vazias mas com o coração cheio de alegria.
Ah, se as coisas continuassem tão simples como era antigamente...
Depois que me mudei para os EUA, participei somente de 2 casamentos - incluindo o meu e ambos foram bem diferentes de  casamentos tradicionais cheios de pompa e circunstâncias. No meio do ano em um período de 30 dias, vou participar de 2 casamentos - o primo do meu cunhado e minha irmã mais nova - e confesso que isso está gerando um pouco de ansiedade.
Primeiro porque um casamento será no Canadá e o outro no Brasil. É uma logística enorme conciliar vôos, hospedagens de hotel e não magoar o sentimento das pessoas no caminho. Porque sempre vai ter um que vai ficar triste/criticar porque você decidiu ficar em um hotel e alugar carro do que depender de pessoas que estarão super envolvidas na cerimônia e participação do casamento e a última coisa que eu e meu marido queremos é ser mais um peso para eles.
Aí vem questões menores, mas não menos importante de como se vestir, como é que vou me arrumar e o que dar de presente! Apesar de estar somente alguns meses de distância, não tenho a menor idéia de como será o  "estilo da cerimônia" e dizer pra mim que tudo será simples, não significa que vou de qualquer jeito - ainda mais com dezenas de olhos de parentes julgando cada milímitro da sua aparência.
Presentes pelo menos eu e o meu marido já decidimos que vamos dar em dinheiro, principalmente porque ambos casais já moram juntos ou tem casa quase pronta e nada pior do que receber um presente com carinho de alguém mas que é algo que você já tenha ou que seja quinquilharia. Sério, dinheiro é o melhor presente que alguém pode receber e não acho que o valor tenha importância. Seja qual for a quantia, mesmo que seja 5 reais, acho que é mais válido do que comprar algo que a pessoa não vai gostar. E desta forma o casal pode julgar em como gastar, pagando lua-de-mel, comprando coisas que gostem/precisem ou até mesmo ajudando com os gastos do casamento - que sabemos que não são poucos. Mesmo dinheiro sendo o presente mais útil, não entendo porque tem tanta gente que torce o nariz para esta prática.
Até julho espero encontrar vestidos para usar e encontrar um tutorial básico de como fazer maquiagem e cabelo sozinha, mas elegante e praticar muito porque não terei tempo de marcar para fazer com um profissional. Se alguém tiver uma sugestão aceito com muito gosto!!
Acho que será uma grande experiência, principalmente para o meu marido que nunca participou de nenhum tipo de cerimônia ou festa no Brasil. Espero que ele sobreviva.
E eu também.

Salada gramatical

Com o término da faculdade acabaram-se também as aulas de espanhol. Havia prometido para mim mesma que continuaria estudando e praticando a língua em casa, o que óbvio não aconteceu. Quase 3 meses depois, a pilha de livros de gramática ficaram intocados na minha mesa então decidi que era hora de retornar para a sala de aula.
Há 2 semanas retornei a estudar na minha antiga escola de espanhol numa cidade próximo de casa.
Já conhecia a escola, as professoras e achei que seria uma boa idéia estudar pela manhã já que o meu cérebro estava mais atento para encarar as 3 hora seguidas de aula. As pessoas do curso são bem mais velhas - sou a caçula da turma, então achei que fosse uma turma ideal que levaria as coisas bem à sério e as aula seriam bem produtivas.
É verdade que todos fazem os deveres e estão sempre prontos para conversar, discutir assuntos e possuem o mesmo nível ou até melhor que o meu no idioma. Com apenas 6 alunos, falamos muito o tempo inteiro o que é ótimo, mas aí chega a parte da gramática e é um desastre total.
Estou revendo a maioria dos conceitos gramaticais que foram jogados em mim durante as 12 semanas do último trimestre da faculdade.  Nesta hora o bendito português ajuda e muito, principalmente quando vamos conjugar verbos e combinar diferentes tempos verbais na mesma frase. O problema é que algumas estruturas não fazem o menor sentido com a gramática da língua inglesa e os colegas passam uma grande parte da aula traduzindo e debatendo pra encaixar espanhol na gramática do inglês para fazer sentido pra eles, e a de gramática de 3 idiomas diferentes começam a se misturar na minha cabeça.
Em dias como hoje me pergunto porque eu não decidi aprender espanhol quando estava no Brasil, eu acho que seria muito mais fácil pra assimilar toda a salada de gramática e não me enrolar tanto com as palavras que às vezes escapam do vocabulário do português e não fazem o menor sentido em espanhol...
Depois dizem que aprender inglês é difícil... se você conseguiu aprender gramática da língua portuguesa, te garanto que inglês é uma fichinha!

Formada!

Esta semana fui buscar o meu diploma na faculdade. Estou oficialmente formada.
Na minha faculdade quando você está cursando o trimestre (no caso da minha faculdade que é trimestral) em que vai completar os créditos para concluir o seu curso, você pode entrar com o pedido do diploma. Depois do requerimento o pessoal da faculdade faz uma avaliação para ver se você tem todos os requerimentos e se, dependendo do que cursar, tem direito a mais de uma graduação ou certificado e em 3 meses o diploma fica pronto.
Quando recebi o email que poderia retirar fui toda feliz e contente pra ficar sabendo quando cheguei lá que o meu sobrenome estava escrito errado. 😒
No dia seguinte recebi email que a correção tinha sido feita e que eu poderia buscar o diploma. Fiquei tão feliz!
A mulher que me entregou o envelope me parabenizou e disse que eu deveria ficar muito orgulhosa. Saí de lá muito contente e com um misto de sentimentos dentro de mim. A cerimônia de colação de grau acontece apenas uma vez por ano no verão, por isso só terei a colação de grau no final de junho. Estou bem feliz que a minha mãe estará aqui e poderá participar deste momento comigo.
Agora a pergunta mais difícil que eu tenho que responder para os meus amigos no Brasil é do que eu sou formada já que não é um bacharelado, é um Associate Degree in Arts - Arts and Letters Emphasis e não tem um curso equivalente no Brasil. Tento explicar que é como se fosse um tecnólogo em artes e letras, mas por causa dos cursos que eu estudei, muito mais letras que artes - já que estudei francês e espanhol e só tive uma aula de artes porque era obrigatória.
Algumas pessoas aqui não dão muita importância para um Associate Degree, principalmente em algo que não seja "útil". Eu estava pensando em fazer um bacharelado de linguística, então é como se eu estivesse no meio do caminho. Daqui para frente só Deus sabe que rumo acadêmico e se é que irei continuar, tomarei.
Meu marido me perguntou se a sensação de receber o diploma foi igual ou diferente do diploma que recebi no Brasil. A minha resposta é que os dois tem um grande valor pra mim, mas o sabor de receber cada um é muito diferente.
Quando recebi meu diploma no Brasil a sensação que tive foi de liberdade. É como se estivesse recebendo uma carta de alforria para poder seguir o meu caminho, já que era a única coisa que me prendia no Brasil e a última etapa a ser vencida antes de embarcar para os EUA. Ele também era um símbolo de vitória porque muita gente não acreditou que eu obteria sucesso na área de tecnologia.
Já o diploma daqui tem sabor de superação e vitória. Foram tantos obstáculos a serem vencidos até chegar este dia! Fazer um curso universitário na minha segunda língua, numa cultura diferente, longe de casa e lidando com a burocracia de visto e posteriamente problemas de saúde.
Comparar os dois é injusto porque estava em fases muito diferentes  na minha vida, além dos sistemas de ensino e cursos não terem nenhuma similaridade mas  acho que o daqui me deu muito mais trabalho por conta das tarefas intermináveis e das milhões de provas e trabalhos para entregar.
Sem o apoio irrestrito do meu marido que acreditou em mim e muitas vezes teve que sacrificar horas de lazer porque estava atarefada, e ter muita paciência e carinho nas malditas semanas de prova, não chegaria até aqui.
Agora é hora de curtir umas merecidas férias 😄

Memórias

No finalzinho do mês passado fizemos uma visita relâmpago para os meus sogros na Escócia e aconteceu um fato extraordinário naquela visita que me tocou profundamente.
A minha sogra é uma pessoa que guarda tudo. TUDO! Ela tem grande interesse na árvore genealógica da família e mantém registros e fotos de absolutamente tudo.  De vez em quando quando estou por lá ela pega alguma coisa para me mostrar - como álbum de fotos, vídeos de quando ela era solteira e do casamento dela, pedaços do jornal da cidade com fotos do meu marido, quando ele tocava na banda da escola e descobri que ele era um gênio no piano, passando nos exames com honras - a ponto de ir para o jornal.
Nesta última vez, enquanto estávamos assistindo a mais um programa de perguntas-resposta na noite antes de seguirmos viagem ela trouxe uma mala antiga que pertencia à mãe dela. De dentro desta mala tinha uma foto da mãe dela da época que ela era enfermeira na Segunda Guerra Mundial, cartões que eles utilizavam para pegar a comida que era racionalizada, fotos do pai dela. Já me deu um aperto no  coração ver aqueles pedaços de história, porque uma coisa é você ler e ouvir sobre guerra outra bem diferente é enxergar de uma forma tão pessoal, tão próxima de você.
E aí ela pegou um livrinho e disse que tinha sido o tio da avó dela. Era um diário de bordo, escrito durante a jornada entre Glasgow na Escócia até a Nova Zelândia em 1900. EM MIL E NOVECENTOS!!! O livrinho estava bem conservado, mas era difícil ler porque a caligrafia era bem trabalhada, mas fiquei encantada com o que tinha nas mãos. O conteúdo não era algo extradiornário, mas ele contava como era o jantar, com quem falou, como estava o mar... li apenas algumas páginas, mas não pude deixar de ver a última página que era justamente do dia que ele chegou na Nova Zelândia e ele se dizia esperançoso de que a irmã (mãe da vó da minha sogra - acho que é a tataravó do meu esposo??) recebesse o diário de bordo e que ela estivesse bem. A minha sogra disse que ele nunca mais retornou para a Escócia e acho que enviou poucas cartas para a casa.
Pra mim foi algo que tocou fundo no meu coração por milhões de motivos... Nunca que aquele homem iria imaginar que 117 anos depois uma brasileira que de certa forma era agora parente dele estaria lendo o seu livrinho, contando um pedaço da sua vida...
Sempre tive muita vontade de escrever, de contar fatos, sentimentos, de tirar fotos... não para postar em redes sociais, mas para guardar como memórias porque a gente pode não se lembrar disso com frequência, mas assim como os momentos, as pessoas em nossas vidas também são passageiras e a nossa memória falha e muito!!!
Quem é que nunca pegou uma foto antiga e tinha uma pessoa que a gente mal conseguia lembrar o nome? Ou que trouxe uma memória queria de alguém que já não está entre nós ou que simplesmente seguiu um rumo diferente na vida e que a gente nunca mais soube o que aconteceu?
Quando eu era au pair eu mantinha um registro semanal das coisas que eu via, aprendia e descobria aqui nos EUA e dividia com meus amigos e família no Brasil. Era o meu diário de bordo que demorava horas cada semana para ser escrito e que eu parei de escrever no segundo ano aqui porque comecei a perceber que ninguém tinha tempo ou se interessava para ler sobre o que eu vivia aqui.
Parei de escrever os emails semanais, mas continuei um blog pessoal, um diário e hoje, eu fico feliz de ter este registro comigo, até mesmo emails que trocava com amigas cheios de confidência, esperanças e sonhos porque a minha memória é traiçoeira e nem sempre consigo me recordar da forma real que me senti e o que vivi naquela época. As dores e as alegrias podem ser amenizadas ou exageradas em sua proporção e de vez em quando eu leio aqueles emails para me recordar da pessoa que EU mesma era um tempo atrás...
Por isso, continuo persistindo em escrever diário, imprimir fotos e fazer albuns porque sim a internet facilita e muito guardar estas coisas, mas nada como o bom e velho papel, algo concreto para guardar para futuras gerações ou até mesmo para si própria quando a memória dos dias da juventude forem apenas uma névoa na memória...
No fundo queremos ser lembrados e queridos para sempre, por muitos, mas lendo aquele diário eu percebi que o que falam é verdade, que em menos de 100 anos, a maioria de nós seremos apenas mais um ser humano que passou por este mundo e que a existência não é nem lembrada... o que dá um sentimento de humildade e de poder viver o melhor possível e poder fazer o bem para a maior número de pessoas possível porque mais cedo do que imaginamos, seremos apenas um nome, uma vaga memória, um rosto desconhecido num porta-retrato.

10 anos de EUA

Esta semana completou 10 anos que cheguei nos EUA.
UMA DÉCADA!
Engraçado que o aniversário da minha chegada aqui coincidiu com a minha chegada nos EUA de uma viagem internacional e estes dois momentos não poderiam ser tão diferentes!
Há 10 anos cheguei aqui com a minha vida inteira dentro de 2 malas e 200 dólares no bolso. Era uma manhã gelada no aeroporto JFK em Nova Iorque. Estava encantada e confusa ao mesmo tempo, tentando fazer sentido do que o oficial da imigração falava as 5 e pouca da manhã depois de 10h dentro de um avião. Esta tinha sido a minha primeira viagem de avião e lembro de ter me fascinado de ter conversado com a aeromoça em inglês e dela ter me entendido.  Tive que abafar a risada no banheiro do avião quando dei descarga e tomei um susto com a sucção do vaso, a primeira de tantas descobertas que faria nesta viagem... O meu avião estava cheio de brasileiras que também estavam indo para a semana de treinamento de au pair, mas eu sentei sozinha, na janela - cortesia da moça do check in que me deu este assento já que era a minha primeira viagem de avião. Queria saborear cada momento, cada sensação e não queria sentir vergonha das muitas lágrimas derramadas em meio aos pensamentos de ansiedade misturados com sonhos e a saudade, que seria a minha companheira dali por diante.
Fico feliz em ter registros escritos e através de fotos deste tempo aqui, porque assim posso reviver momentos, lembranças e revere pessoas que já não fazem parte da minha vida, mas que contribuiram para o meu crescimento e de alguma forma contribuiram para o que me tornei hoje.
Não me recordo se já comentei aqui, mas os meus planos iniciais era permanecer nos EUA somente por 2 anos e seguir caminho desbravando a minha "terra prometida" que era o Canadá.  Mas fico feliz com o rumo que a minha vida tomou e agora, quando o avião chega nos aeroportos de San Francisco ou de San José, o meu coração bate alegre pois sei que cheguei em  casa e que alguém que me ama muito está comigo ou me esperando no hall de chegada do aeroporto.
Quando cheguei em 2007 tinha muitos sonhos, esperanças e muitas dúvidas com o rumo que a minha vida estava tomando. Recebi muitas críticas por deixar a vida de recém-formada e recém-contratada para ser babá de gente rica e arrogante em outro país. Algumas pessoas me achavam louca e irresponsável, outras invejavam a coragem e determinação de desbravar sozinha terras estranhas e distantes. Mas não creio que estava sozinha pois em primeiro lugar, sempre soube que Deus estava comigo em todos os momentos e o amor e apoio da minha mãe e de alguns amigos também me sustentaram nos momentos difíceis. Pra ser sincera eu nem me achava nem corajosa e nem irresponsável, só estava fazendo o meu possível para realizar meus sonhos e objetivos.
Dos sonhos que trouxe comigo do Brasil, alguns se tornaram se realidade e outros nunca se concretizaram. Em compensação muitos que se tornaram realidade eu nem imaginava que viveria. É sempre bom não tentar seguir um roteiro na vida, pra dar oportunidade pras coisas inesperadas acontecerem.
Encontrei muitas dificuldades, enfrentei muita solidão, medo mas eu encontrei uma força e determinação dentro de mim que nem sabia que existia. É verdade o que as pessoas falam que às vezes a gente precisa estar só para poder se conhecer, avaliar crenças, valores e crescer. Estou longe de ser perfeita, mas creio que minha percepção do mundo e de mim mesma melhorou muito com o passar destes 10 anos.
Acredito que a decisão mais corajosa que tive não foi a de sair do Brasil mas sim permanecer nos EUA porque tive que abrir mão de participar da vida das pessoas que eu amo e que ficaram no Brasil.
Os relacionamentos mudaram e não sei se foi porque eu amadureci ou por conta da distância, as pessoas se acostumaram com a minha vaga presença em suas vidas. É o preço de quem mora longe, um preço muito alto e que é muito difícil de pagar. No meu caso, um preço que ainda vale a pena.
Os dias, as estações parecem que demoram tanto a passar, mas os anos passam muito rápido. Por isso  tento ter paciência quando os dias ruins chegam, quando as notícias não tão boas porque sei que por mais difíceis e dolorosos que sejam, eles não são eternos. E os momentos bons eu tento saborear o máximo que posso, tento guardar cada lembrança na memória,  porque sei que estes também são passageiros em nossas vidas e são eles que nos dão forças quando as coisas não estão tão bem.
Sou grata à Deus que me deu muitas boas oportunidades e também me deu sabedoria para saber escolher e aproveitar cada uma da melhor maneira possível.
Se eu pudesse ter uma conversa com aquela jovem de 25 anos no aeroporto de JFK,  eu iria dizer obrigada por ter sabiamente, mesmo sem saber, tomado várias decisões importantes que seriam fundamentais para a felicidade dela no futuro. E entrar naquele avião foi apenas uma delas.

Preenchendo formulários para embarque no antigo terminal internacional em Guarulhos - Fev/2007

Que janeiro foi esse?

Não acredito que janeiro já passou... 2017 chegou com tudo trazendo consigo muitas coisas boas mas muitas coisas nem tão boas assim...
Fiquei bem ocupada durante este  primeiro mês do ano com a preparação da casa para a chegada dos meus sogros e tios do meu marido que vieram nos visitar por algumas semanas. É muito bom ter a casa cheia de conversa e risada mas como anfitriã sempre tem muito trabalho para entreter e alimentar os hóspedes.
Na segunda metade de janeiro fomos com meus sogros para o Hawaii e foi muito bom poder descansar e recarregar as energias. Foi nesta viagem que passei alguns momentos sozinha antes do sol  nascer pensando na vida e encontrando respostas para o que estava me tirando o sossego há alguns dias. Fiquei decepcionada porque mais uma vez não foi possível ver a lava do vulcão ativo Kilauea porque estava chovendo muito para descobrir uns dias atras que ele está expelindo literalmente uma cachoeira de lava no Oceano...
Uma coisa incrível e inesperada aconteceu nesta viagem, estava em um supermercado por lá quando encontrei, quer dizer o meu marido encontrou uma amiga minha lá por acaso. Ele comentou que havia ouvido alguém falando português no mercado e a minha amiga que estava ao telefone o viu e o reconheceu!!! Tinha perdido contato com ela porque ela mudou de celular e foi muito bom revê-la. Ela se mudou para o Hawaii há algum tempo e está adorando a vida sossegada por lá, fiquei feliz porque ela tinha acabado de descobrir que estava grávida e compartilhamos alegrias e lágrimas ali mesmo na entrada do supermercado.
Retornar para casa foi retornar para as preocupações que tem invadido a maioria das casas das pessoas nos EUA nas últimas semanas. Ainda custo a acreditar que aquele homem laranja é o atual presidente do país. Não consigo acreditar que existem pessoas que o apoiam, mesmo ele trazendo medo e insegurança para muitas pessoas de bem.
Além de ele tomar atitudes protecionistas e xenofóbicas, fica cutucando países "inimigos" com a vara curta, quero dizer, com 140 letras pelo Twitter... e tem criticado publicamente a mídia e chamando instituições como CNN e New York Times de mídia falsa. Concordo que a forma que muitas coisas apresentadas ao povo americano é baseado em sensacionalismo e terror mas esse tipo de comentário tem basicamente atacado qualquer veículo que publique críticas dirigidas à ele e suas políticas.
Só sei que há um clima de instabilidade muito grande no país e pelo menos na baia de São Francisco tem gerado muitos protestos e indignação.
Vamos ver o que irá acontecer daqui pra frente mas não acredito que ele terminará o mandato de 4 anos...
Esta semana o que me embrulhou o estômago foram as reações das pessoas na internet quanto a morte da esposa do Lula. Sinceramente não entendo como as pessoas podem destilar tanto veneno e maldade quando estão por trás de uma telinha no conforto de sua casa. Independente de sua visão política e sua opinião sobre o Lula uma pessoa faleceu e acho que o mínimo que devemos ter é respeito pela dor do próximo. Li alguns discursos do próprio Lula usando a morte da esposa como desculpa para ataque político e isso é errado também.
2017 eu juro que pensei que você seria melhor do que 2016 mas a julgar por janeiro eu não sei não...