Encontros e despedidas...

Hoje pensei em tantas pessoas que encontrei durante a minha vida. Pessoas tão queridas, outras nem tanto. Mas foi com um pesar muito grande que me recordei de pessoas que gostaria que ainda fizessem parte do meu círculo de amigos próximos,mas que por mil motivos tornaram-se apenas recordações ou um rosto numa fotografia.
Deu saudade e não vou mentir, um pouco de tristeza também. E automaticamente uma trilha sonora veio à mente. A trilha sonora de todos nós, mas que se encaixa tão perfeitamente na minha vida neste exato momento.

Tudo junto e misturado...

Estou aqui há meia hora tentando decidir o que escrever. Idéias não faltam, mas sabe quando está tudo junto e misturado na sua cabeça? Pois bem, a minha está assim. Então vamos por partes...

Esta semana foi o famoso Fleet Week aqui em San Francisco e apesar de ter feito mil planos, decidimos ficar em casa arrumando papelada, fazendo lição de casa e apenas relaxando. Tivemos a oportunidade de ir em um restaurante mexicano que nunca tinha ido antes e adorei a comida, o arroz com feijão lembrou muito a comida brasileira, estava uma delícia. Hoje fomos passear num parque a beira da baía, apesar de estar totalmente despreparada (com o sapato errado, com bolsa pesada e sem óculos escuros) foi uma delícia. Adoro estes pequenos momentos em que posso caminhar de mãos dadas com o meu marido e esqueço do resto do mundo.

Esta semana começa a terceira semana de volta às aulas. Pela primeira vez em 4 trimestres que estou normal. Não estou estressada com os trabalhos, provas, aulas, colegas, professores. Organizo-me cada dia para fazer lições de casa, estudo, dou o meu melhor mas jamais deixo de passar um tempo com o meu marido, batendo papo com um amigo pelo telefone ou através de chat, e principalmente cuidar da minha saúde, porque estas coisas tem prioridade número 1 na minha vida.

E por falar em aulas, este trimestre estou tendo aula de "Gerenciamento de Stress". É isto mesmo que você leu. Faz parte das matérias de conhecimentos gerais e acho que chegou em boa hora. Tive apenas algumas aulas, mas o que eu já li e pesquisei sobre o assunto dá até medo. Medo porque estamos detonando a nossa saúde com stress muitas vezes desnecessários. E eu descobri que fico extremamente estressada no trânsito e tenho tentado controlar isto. Combater stress não é bicho de sete cabeças, na verdade é algo bem simples mas como é simples a  gente acredita que não deve funcionar, mas funciona. Tenho colocado em prática e tem funcionado.

Aliás, tenho tentado mudar a minha visão sobre a vida, sobre mim mesma. Viver de forma mais contente, mais otimista. E sabe o que eu descobri? Parece que pessoas otimistas irritam os demais. Porque não é normal você dizer que está se sentindo bem, mesmo que esteja com uma pilha  de problemas. Porque parece que as pessoas, até aquelas que se intitulam "amigos" parece que ficam esperando você chegar com uma lista de reclamações e insatisfações. Acho que é uma questão de empatia sabe. Uma destas "amigas" achou que eu estava com raiva dela só porque eu parei de conversar com ela todo dia assuntos fúteis, depressivos, parei de reclamar e principalmente de escutar as fofocas dela. A gente aprende a lidar com isto e se eu ficar com menos "amigos" por causa desta minha atitude de vida, só mostra que eu estava enganada em chamá-los amigos.

Mesma coisa quando você diz que está fazendo reeducação alimentar e se exercitando para emagrecer e ter uma vida mais saudável. Lógico que eu quero emagrecer, mas quero acima de tudo saúde. Aí o povo diz que você está bitolando demais com o assunto, que comer um docinho aqui e ali não faz mal e que amanhã você volta para a dieta. Dá medo. Então eu to dando o meu melhor para ser melhor e recebo o apoio de quem me ama de verdade. Lição nova aprendida: nem tudo que fazemos ou sentimos devemos sair contando por aí...

Estava lendo esta semana no site do uol (porque sim, eu moro nos EUA mas leio as notícias do Brasil todos os dias e sou às vezes melhor informada do que as pessoas que moram no Brasil...) de que haveria uma reunião entre diplomatas brasileiros e americanos para discutir questões diplomáticas (dãã) e um dos assuntos em pauta é a eliminação do visto de turista para ambos. Não acredito que isto vá acontecer, por mil e uma razões. ESte assunto só está sendo discutido porque os americanos querem ir para a Copa e as Olimpíadas no Brasil e não querem passar pela burocracia e gasto com vistos (como nós temos que fazer). Já vi entrevista de americanos para obtenção de visto no Consulado de San Francisco e tive vontade de dar risada. É praticamente um bate-papo camarada de 2 minutos e o visto sempre é concedido. E quem já passou pelo consulado dos EUA no Brasil sabe o terror que é aquele lugar (o de São Paulo seria cenário digno de filme de terror) e Deus me abençoe pra que que jamais precise colocar meus pés naquele lugar. Não acredito que aconteça nada em relação a isto, mas vamos ver. Os EUA parece que virou o novo Paraguai. Só fico curiosa pra saber onde o povo acha tanto dinheiro para gastar aqui, já que vivem reclamando no Brasil que a coisa tá preta. Vai entender...

Outra coisa engraçada que presenciei esta semana foi um casal de namorados brasileiros chegaram aqui na área e me encontraram através de um site de encontros, o meetup. Eu como boa menina, respondi o email enviado pela brasileira e logo de cara ela me pede pra adicionar no facebook. Sorry. E aí papo vai papo vem e ela veio com o velho "American Dream" de que em poucos meses em que estará aqui com o visto de turista, ela vai encontrar um trabalho que irá trocar o visto dela para visto de trabalho. Gente, será que o povo não assiste ou procura se informar sobre a economia americana antes de vir pra cá? Claro que há possibilidades disto acontecer e foi o que disse pra ela, mas a não ser que ela tenha uma habilidade excepcional para ser empregada na frente dos milhares de desempregados que possuem residência ou são americanos. E aí a pessoa quer que você pegue na mãozinha dela e mostre todos os truques, caminhos, dê dicas, conselhos, etc. Eu sou da opinião que se você não consegue ser auto-sustentável e procurar por si informações que lhe interessa, talvez você não seja a pessoa indicada para tentar morar em um outro país, porque aqui muitas vezes você contará apenas com Deus e a sua boa vontade para resolver as coisas.

Quando eu tiver mais tempo e as idéias da cabeça se organizarem melhor, volto para contar a minha experiência como aula universitária aqui nos EUA.

Boa semana para todas!

Até logo Endeavour...

Aqui na Califórnia não se falava em outra coisa durante esta semana. O ônibus espacial iria fazer o seu último vôo (acoplado em um Boing 747) em direção a um museum em Los Angeles e como a Califórnia foi o estado onde foi construído, iria fazer um trajeto especial passando por diversos pontos turísticos do estado.
Assim que ouvi no rádio de tal acontecimento, já procurei na internet maiores informações sobre o local, o horário e o melhor lugar para observar a passagem do ônibus espacial. A astronauta dentro de mim não perderia este evento por nada do mundo!
No começo o meu marido não deu muita atenção, pois há um campus da NASA numa cidade vizinha e no site oficial já dizia que 1.000 permissões para estacionar haviam sido emitidas e lógico que estaria lotado. Os portões iriam abrir às 6:00 da manhã, sendo que o vôo pela região estava previsto para acontecer entre 9:00 a 9:30.
Mas quando o dia foi chegando, ele mesmo entrou no site e achou maiores informações e disse que a gente não poderia perder de jeito nenhum este momento!
Então sexta-feira de manhã nos organizamos para ir a um lugar onde poderíamos ver a Endeavour, mas fugir da multidão. A Nasa estava lotada desde muito cedo, mas o meu marido disse que havia um campo de golfe que fica do lado oposto da pista de pouso do campus da Nasa. Não ficava muito longe de casa e com certeza não estaria cheio. Dito e feito! Haviam algumas pessoas com cadeiras no estacionamento, mas sem nenhuma multidão. Chegamos por volta de 9:30 da manhã porque estávamos acompanhando o trajeto do ônibus espacial pelo website da nasa e eles disseram que deveria passar por nós entre 10 e 10:30 da manhã.
A princípio somente o meu marido estava planejando tirar fotos, mas aí ele pediu pra eu usar o iphone dele pra filmar também.
E lá ficamos esperando até que alguém que estava com um rádio nos avisou que o ônibus espacial tinha acabado de passar pela Golden Gate Bridge e estava a caminho.
Quando olhei nos prédios ao redor todo mundo estava do lado de fora com câmeras e celulares na mão, esperando a passagem do ônibus espacial. Aí ouvi o meu marido dizendo, olha o avião de caça e aí comecei a gravar e quando me dei conta o ônibus espacial estava passando do outro lado! Uau!
Fiquei toda arrepiada!
Lógico que sabia que era um avião grande e que voaria baixo, mas eu não esperava que iria ser tão grande e que voaria tão baixo!!!
Foi um momento que durou apenas alguns segundos, mas que vai ficar marcado na memória para sempre! Não é todo dia que a gente vê uma coisa destas no céu lindo da Califórnia. E depois foi tão gostoso compartilhar as fotos com nossos amigos e familiares, e ver as outras fotos e vídeos através da televisão e também da internet.
A austronauta dentro de mim sentiu-se um pouco mais feliz!
E claro, seria egoísmo meu não compartilhar o vídeo que o meu marido editou e colocou no youtube, se você ainda não viu, veja!


E com certeza iremos fazer uma visitinha a Endeavour daqui a algum tempo lá em Los Angeles.

Doces lembranças do verão...

Apesar de tecnicamente ainda ser verão até o dia 22 de setembro, aqui nos Estados Unidos existe a "temporada de verão" que começa no Memorial Day, o feriado que sempre cai na última segunda-feira de maio e vai até Labor Day, que é a primeira segunda-feira de setembro.
Depois do Labor Day, o ano letivo começa em todas as escolas e faculdades, e aos poucos atrações de parques e praias terminam, porque o verão acabou.

Engraçado que aqui na região de San Francisco esta é a época mais quente do ano. É o que chamamos de "Indian Summer", onde a temperatura aumenta na cidade e fica aquele clima de verão, quando em todos os outros lugares já começa a dar uma esfriadinha por causa do outono.
Para a decepção e surpresa de muitos, San Francisco durante o verão tem temperaturas frias, já que a tal famosa fog (neblina) criada pelo efeito do ar quente nas águas geladas do Pacífico (se quiser uma explicaçao mais detalhada está aqui).

Sempre gostei demais dos verões daqui, mas sei que não é a expectativa que muitos turistas tem quando chegam na região, acho que porque somos saturados com a imagem da Califórnia como sendo o lugar dos surfistas, muita praia e gente jovem e bonita se bronzeando. Isto pode até ser verdade lá pelas bandas de Los Angeles, mas não acontece aqui.

Durante este verão tive a oportunidade de passar alguns dias maravilhosos em New York City e tinha me esquecido como aquele lugar fica quente e úmido no verão. Era só colocar o pé para fora do hotel que já começava a suar e aí dale água para manter a hidratação. A cidade fica bem movimentada até altas horas da noite, mas sinceramente... New York pra mim novamente só na época mais fria :-). Mas foi gostoso passear pela "minha" cidade, descobrir novos lugares com o marido e visitar velhos conhecidos. E foi uma delícia poder assistir a um concerto da Filarmonica de New York no Central Park, que muitos dizem ser o acontecimento do verão. E o Central Park também tão lindo, tão verde... bem diferente da última vez que o vi quando a neve estava da altura do meu joelho!

O outro oposto foi passar alguns dias em Las Vegas, pois a minha amiga queria muito conhecer a cidade. A temperatura estava batendo 45C todos os dias e sem umidade nenhuma, então era como se você estivesse torrando no forno como uma cookie. O que a gente não faz pela melhor amiga  né? Culpa dela que fui parar em Vegas na época mais quente do ano! A coisa boa é que os hotéis estão em promoção e muitos shows também, para atrair pessoas para a cidade. E lógico, as famosas pool parties, que não fazem o meu gênero. Tivemos a oportunidade de assistir um show do Cirque du Soleil, o Ka, que foi fantástico e também fui pela primeira vez no topo da Torre Eiffel do hotel Paris, com uma vista incrível da cidade.

Minha amiga passou 2 semanas aqui com o marido e foi muito bom. Fiquei afastada de computador, de preocupação com escola, nada, nada, nada. MInha única preocupação era para onde íamos e o que iríamos comer. Apesar de 2 semanas parecer bastante passou voando e  ficou com o gostinho de quero mais. Fiz uma lista de todas as atrações da cidade e ela escolheu as que queria ir e assim fomos cumprindo o roteiro pré determinado. Depois com mais calma eu coloco esta lista para quem estiver interessado em visitar a região da Bay Area.

Logo após a partida dela foi hora de comemorar os 2 anos de casamento com uma viagem que estávamos planejando desde a época que estávamos namorando e foi simplesmente maravilhosa! Fomos até San Diego de avião e retornamos de trem. Apesar das 14h de viagem entre San Diego e San Jose, não fiquei nem um pouco cansada ou entediada porque a viagem é linda, os trilhos do trem passa por sua grande parte pela costa da Califórnia, então víamos praias lindas, até golfinhos eu vi pelo trem. O dia estava lindo e depois de San Luis Obispo, viajamos pelas montanhas douradas da região, vinículas, parte agrícola. Foi uma experiência e tanto. Agora nós estamos fazendo planos de ir para Seattle com o mesmo trem de preferência na época de inverno, porque assim podemos ver as montanha cobertas de neve. O condutor disse que é uma viagem fantástica também e que vale muito a pena.

Então depois deste verão agitado, a realidade voltou. E a casa estava sozinha. E a saudade bateu. Pra mim os dias estavam cinzentos e frios como no inverno. Mas acho que é normal a gente se sentir um pouco triste depois de tanta gente, tanta diversão. Por isto preferi me recolher e cuidar um pouco de mim por uns tempos. Mas graças a Deus que existem pessoas maravilhosas neste mundo para trazer raios de luz e calor para a nossa vida e já estou animada novamente para a nova estação que está para chegar.

As minha aulas só começam no final do mês o que ainda está me dando algumas semaninhas extras para aproveitar o "Indian Summer" em San Francisco, com calor e quem sabe até um pouco de praia?

Voltando ao começo do post e toda a explicação sobre o tempo ( hehe), engraçado que ainda faltam algumas semanas para a entrada oficial do outono, mas dá para sentir no vento a chegada da nova estação. Estes dias estava no meu quintal cuidando das minhas flores e senti aquela brisa fria, tão gostosa e a única coisa que pude fazer foi fechar os olhos e pensar que o outono está bem próximo e que logo as folhas vão mudar de cores, a temperatura vai esfriar, vai chegar a época de Thanksgiving... mal posso esperar pois o outono é a minha estação favorita!

Enquanto isto, vou deixar algumas fotos do meu verão que já está deixando saudades e mil idéias para o verão de 2013!

PS: o Indiam Summer e a fog são características da cidade de San Francisco e de cidades costeiras, aqui na minha cidade teve bastante calor durante o verão e as temperaturas já estão baixando também!

Dia típico de verão em San Francisco

The Strip vista do alto da Torre Eiffel do Hotel Paris

A famosa fonte de águas dançantes do Bellagio

Times Square em plena meia noite de uma segunda-feira

Central Park - Simplesmente amo como ele fica verde


Coronado Beach, San Diego

Vista do trem Coast Starlight

Vista do trem Coast Starlight


"Wake me up when September ends..."

Obrigada a todas que deram opinião sobre a situação dos hóspedes, foi de muita ajuda e muito interessante ler e saber como as pessoas tratam os hóspedes em suas casas e como agem como hóspedes.
A estadia da minha amiga aqui foi muito bom e de uma importância enorme pra mim, mas depois que ela foi embora ficou um vazio.
Aos poucos eu e meu marido tomamos a nossa rotina e me dá tristeza só de pensar que no final de setembro começam as aulas na faculdade, que neste trimestre estarão mais puxadas e serão todos os dias! Não vejo a hora de me formar, esta é a verdade.
Ainda não recebi a notícia que estava esperando no começo de agosto, mas tenho fé que receberei em setembro, assim que eu tiver uma resposta positiva eu conto o que é e a minha saga para conseguir esta resposta.
O post está um pouco melancólico, mas é assim que estou me sentindo no momento. Em breve volto com mais notícias sobre o verão não tão quente do Norte da Califórnia.

A nossa hospitalidade brasileira...

Cresci na periferia de São Paulo. Uma casa modesta, que não tinha (e até hoje não tem) uma sala de estar. Eram 2 quartos, 2 banheiros um corredor e a cozinha. Desde pequena estou acostumada a ter a casa cheia de parentes, primos, amigos dos meus pais. A gente costumava ter uma festa na época do Natal em que grande parte dos meus tios vinham e a gente dançava forró até o pé cansar.
A minha família é grande e como nós brasileiros temos o costume de passar na casa de amigos e familiares sem avisar, a minha mãe sempre fazia mais comida do que necessário nos finais de semana porque era certeza de que alguém iria aparecer (e aparecia!). Foi com ela que aprendi o lema: "A casa não é bonita e é pequena, mas o coração é grande e sempre cabe mais um".
E aí eu vim parar na América.

Gente que choque!!!! A hospitalidade aqui nos Estados Unidos não é nada comparada com a hospitalidade que eu cresci e vivi durante a minha vida com a minha família. Isto é reflexo dos costumes e da cultura americana que são bem diferentes da brasileira, é um fato!

Não é com muita frequência, mas de vez em quando recebo alguns convidados aqui em casa. Amigos e família tanto meus como da parte do meu marido. E eu fico muito feliz! E acho que acostumada a ver a preparação da minha mãe quando era pequena, começo a preparar a casa para as visitas. :-)
Preparo menu, os passeios que faremos, limpo, organizo, e que satisfação de ter a casa cheia!

Quando conto para os meus amigos americanos que terei visita em casa, vejo muitas vezes eles virarem os olhos, achando uma loucura ter "tanta gente por tanto tempo" dentro da minha casa. É que os americanos prezam muito pela privacidade deles. Então parente e amigo ficar na casa deles, só em época de Natal e de Ação de Graças e olhe lá. Jamais você vai chegar sem ser convidado ou ter marcado na casa de um americano. É capaz dele fechar a porta na sua cara dizendo que no momento está ocupado e que não pode lhe atender.

E as festas? Todas elas tem um horário para começar e para terminar. Às vezes eles especificam (é, especificam) o traje que deve ser usado e se há necessidade de levar alguma coisa como salada, sobremesa, etc. Coisa de americano. Mas não julgo, algumas coisas acabei incorporando na minha vida. Hoje em dia, não me vejo mais tendo um ataque de espontaneidade e indo para a casa de alguém sem ter combinado antes. Acho que é uma questão de respeito.

Não importa qual é a sua cultura respeito tem que estar acima de tudo né? E tem gente que se aproveita da nossa boa hospitalidade brasileira para abusar um pouco.
Não sei se vocês já passaram por isto, mas por morar na Califórnia, o sonho de destino de viagem para muitos, já passei por umas saias justas e muitas pessoas ficaram de boca aberta com a forma como reagi em certas situações, e até começaram a dizer que eu estou muito americanizada( ou estou deixando de ser trouxa). Pois bem, vejam só:

Situação 1: Uma ex-colega de trabalho queridíssima do Brasil um dia entra no msn e diz que está com muitas saudades de mim e que pensa em ir me visitar. Lembrando que a casa não é só minha, mas do meu marido também, eu SEMPRE pergunto para ele se posso receber fulano ou siclano em casa (tirando família que são sempre bem-vindos, claro!) e ele olha na agenda pra ver se não estará fora da cidade, me pergunta sobre a pessoa e a relação que tenho com ela. A mesma coisa acontece do outro lado, ele sempre me pergunta se pode receber alguém em casa. Ele diz que por ele tudo bem, até esta amiga dizer que vai trazer a tira-colo o namorado mala dela. Veja bem, eu o conhecia muito bem. Ele era engenheiro na empresa onde trabalhava como estagiária e nem posso te contar quantas vezes o cara tentou me humilhar e fazer a minha vida difícil. Nunca me respeitou como profissional e como pessoa e agora... tcharam quer ser hóspede na minha casa? O que você faria?

Situação 2: Um casal de amigos durante a estadia deles aqui em casa  recusaram (educadamente) comer qualquer refeição conosco, afinal, eles não queriam nos dar trabalho nenhum. Saíam de casa 8 da manhã e só voltavam 10 da noite. Não fizemos nenhum passeio juntos, conversamos algumas horas antes de ir dormir e foram embora pra casa felizes cheio de sacolas, enquanto o meu marido ficou extremamente ofendido por eles terem ficado em nossa casa e não ter passado nenhum tempo consoco. Não aconteceu ainda, mas se eles se convidarem novamente pra ficar em casa a resposta será não. Nos sentimos usados, literalmente. E não quero que o meu marido fique chateado com uma situação destas novamente. E você o que faria nesta situação?

Situação 3: Amigo do meu marido que vem aqui em casa com certa frequência (2,3 vezes ao ano) e mora na Alemanha é muito, muito pão duro. Eu não me importo de cozinhar quando temos visita, afinal, se formos comer fora todos os dias, o nosso orçamento acaba furado e pra morarmos aqui, precisamos pagar contas né? Pois bem. Nas raras vezes que eu não estou com saco de cozinhar e vamos jantar fora, ele nunca oferece para pagar a conta. Gente, não quero que ele pague, acho justo cada um pagar a sua, mas sabe aquela coisa de pelo menos oferecer por educação? Não rola. E ele meio que fica na expectativa de chegar na nossa casa, abrir a geladeira e ter cerveja esperando por ele (nós não bebemos nada alcóolico em casa, mas compramos quando ele vem nos visitar). Não sei se é bom ou ruim, mas ele se sente tão a vontade em casa, que põe o pé no sofá, anda pela casa de pijama e reclama quando os ovos mexidos que eu faço passa sempre do ponto e ficam seco!

Situação 4: Aquele conhecido que nunca mais falou com você, acha o seu email e te manda um email dizendo que tá morrendo de saudades e que está planejando me visitar na época tal. E já diz no email que não vê a hora de conhecer a minha casa e passarmos tempos juntos, colocando as fofocas em dia. O que responder?!

Bom, depois de passar por todas estas situações eu aprendi a ser seletiva. De verdade. Amamos receber nossas famílias e amigos aqui em casa, mas também aprendemos a dizer não. Hotel é caro aqui na Califórnia e a gente infelizmente sabe que a vontade de algumas pessoas é ter acomodação gratuita, que inclua refeições e internet rápida e claro, um tour especializado dos locais, sem precisar pagar gasolina, pedágio e estacionamento. Hospitalidade tem limite e eu encontrei a minha. E aqui foram as respostas das situações acima:

Situação 1 - Resposta: Disse para a minha querida ex-colega de trabalho que ela era muito bem vinda na minha casa, mas que o namorado dela não era. Se ela quisesse, eu passava uma relação de hotéis próximos da minha casa onde ele poderia se hospedar. Ela achou que fui grossa e não tive consideração por ela, disse que ele mudou e blábláblá. Eles nunca vieram pra Califórnia, não que eu saiba, e engraçado... ela nunca mais mandou email pra mim...

Situação 2 - Resposta: Bom, não teve resposta. Depois do incidente  fiquei sem falar com eles um bom tempo e fiquei ainda mais chateada quando mandei 3 emails e eles não responderam. Engraçado que quando estavam planejando a viagem, me ligavam do Brasil 4, 5 vezes na semana. Acho que nem preciso dizer mais nada...

Situação 3 - Resposta: Ele ainda vem em casa, mas quando ele vem não compramos mais cerveja. SE ele quiser, pode ir até o mercado e comprar o que ele gosta. Uma vez ele disse que queria vir pra cá a trabalho, ou seja, a empresa estava pagando a viagem, mas ele queria hotel grátis pra ficar com o dinheiro das diárias. Dizemos que estávamos fora da cidade e ele ficou em um hotel. E fomos para outra cidade, 10 minutos da nossa casa :-). Acabamos encontrando com ele para jantar, mas cada um pagou a sua conta e o problema foi resolvido. Agora pra me agradar, ele sempre está trazendo chocolate :-).

Situação 4 - Resposta: Nem preciso dizer que esta foi  fácil. Mandei pro meu conhecido uma relação de albergues da juventude com precinhos de diárias bem camaradas em San Francisco. E falei pra ele quando viesse pra cidade, pra me avisar e nos encontrarmos por lá.

Assim como a casinha da minha mãe, a minha casa sempre estará de portas abertas para aqueles que amo, mas para os aproveitadores, eu fecho a porta na cara, sem dó! Que eu saiba em frente a minha casa tem apenas um número e não uma placa dizendo: Acomodação gratuita.

E por falar em hospedagem, nas próximas semanas ficarei ausente do blog por conta de viagens e estarei recebendo a minha melhor amiga aqui em casa, estou que não me aguento de felicidade!

Depois volto para contar as novidades deste mês de agosto que promete muito!