Viagem aos EUA com Insulina - Como trazer a mãe pros States e não enlouquecer parte 2

Há alguns anos escrevi algumas dicas de como preparo a viagem para a minha mãe vir para os EUA sozinha e eu não enlouquecer (POST AQUI). Este ano a minha mãe veio visitar e tive que fazer outras preparações já que ela teria que trazer insulina e seringas no avião.
Vários meses antes dela viajar entrei no site do TSA (Transportation Security Administration) a agência americana responsável pela segurança dos aeroportos para saber quais eram os requisitos para que a minha mãe pudesse trazer a insulina dela e as seringas que ela teria que utilizar durante a viagem e durante a estadia dela aqui. A agência permite que passageiros possuam qualquer tipo de remédio e medicamento necessário a bordo do avião inclusive que ultrapasse o limite de líquidos e não precisa estar naquela famosa saquinho plástico, mas é necessário avisar para o agente da segurança que o que você está carregando. As informações coletadas podem ser lidas em inglês AQUI.
Até aí tudo bem, só que eu me deparei com três pequenos obstáculos.
1 - a minha mãe não fala inglês. Se ela fosse questionada sobre o medicamento ela não teria como conversar com o agente e ela não iria poder seguir viagem sem a medicação dela
2 - como transportar a insulina que precisa ficar em baixa temperatura durante todo o tempo que ela estivesse em trânsito
3 - eu poderia comprar seringas nos EUA caso ela precisasse?

1 - A minha mãe não fala inglês.
As minhas irmãs me chamam de paranóica, mas quando a minha mãe vem para os EUA eu imprimo um monte de papel para ela trazer. SEMPRE tenha com você o itinerário da viagem (passagem ida e volta), comprovante de seguro de saúde, o endereço de onde você vai ficar. Como a minha mãe não fala inglês eu sempre escrevo uma carta para o oficial dizendo que ela não fala inglês, que ela fala somente português e meu endereço e telefone para contato, que ela vai ficar na minha casa e também a quantidade de dias que ela vai ficar.
Escrevi uma declaração em inglês para a médica da minha mãe assinar com o nome de todos os medicamentos que ela toma, além de dizer que ela necessita de insulina e por isso ela precisa ter com ela insulina e também seringas durante todo o tempo. A médica da minha mãe colocou as informações dela com número de telefone e assinou. E a minha mãe também trouxe com ela todas as receitas dos medicamentos e estes em suas embalagens originais.

2 - Como transportar a insulina que precisa ficar em baixa temperatura durante todo o tempo que ela estiver em trânsito?
Procurei muita informação na internet a respeito deste assunto. A princípio ia falar pra minha mãe pedir ajuda das aeromoças, para que elas dessem água gelada ou gelo para ela manter as insulinas frias, mas depois de muito pesquisar encontrei uma mala frigorífera especialmente para carregar insulina e seringas para diabéticos. Apesar do TSA não dizer publicamente que endorsa nenhum produto, esta malinha era aceitável e li muito a respeito que pessoas que tem diabetes nunca tiveram problemas no aeroporto. A que comprei para a minha mãe foi da marca Frio, o que manteria a insulina fria por um período de 24h. O importante neste caso é sempre avisar para o segurança que você tem insulina com você nesta malinha, se eles precisarem fazer uma inspeção especial. Quando a minha mãe veio do Brasil, o agente nem pediu para ela tirar da mala, mas quando estava retornando, ele pediu para tirar e colocar naquelas bacias que passa na máquina de raio-X.

3 - É possível comprar seringas nos EUA?
A resposta é sim e não. Sim, você pode comrpar seringas se você comprovar que é diabético e para isso você precisa de uma prescrição médica. O problema é que precisa ser um médico americano, a declaração que a médica da minha mãe no Brasil assinou não valia de nada para a farmacêutica. As regras para a venda de seringas descartáveis com agulhas varia de estado para estado. Aqui na Califórnia era possível que eu comprasse um pacote com 10 seringas por vez, ou seja, a cada 3 dias eu teria que ir na farmácia novamente comprar um novo pacote. Porém nada que uma pesquisada no Google não me mostrasse que era possível comprar uma caixa com 100 agulhas online. O preço era um pouco mais caro do que na farmácia, mas pelo menos a minha mãe teria acesso às seringas.

Outra coisa muito importante ressaltar é que não se pode colocar seringas usadas em lixo comum. Nós compramos na farmácia uma lata específica para descartar seringas usadas e os plasticos que ela mede a glicose (que contém sangue). Esta lata custa mais ou menos 7 dólares e aí quando estiver cheia você precisa olhar um posto autorizado próximo que receba esta lata. Aqui em casa foi possível levar para um hospital que recebe seringas somente dentro desta lata para descartar. Vale dizer que dentro de vários shoppings, aeroportos e lojas grandes no banheiro há também lugares específicos para descartar seringas, mas a minha mãe quando saía sempre guardava na bolsa e jogava na latinha em casa.

De vez em quando sempre aparece na televisão ou internet notícias de pessoas barradas na segurança ou imigração dos EUA e gente, não existe isso de que a pessoa foi barrada porque não conseguiu se comunicar. Nos aeroportos a maioria dos agentes falam espanhol também e há sempre serviço de intérpretes. Evite passar problemas na imigração levando documentação!! Não confie em eletrônicos, imprima documentos importantes e no caso de medicação sempre tenha a receita médica e traga medicamentos nas embalagens originais, porque isso ajuda os agentes a identificar o que você está carregando.

Com todos estes cuidados e preparos a viagem da minha mãe foi bem mais tranquila, mas isso não quer dizer que eu não me preocupei menos com ela. Desta viagem ela ganhou mais experiência e eu um punhado de novos cabelos brancos.

Casamento 1 - Canadá

Pois bem, o casamento do primo do meu marido aconteceu no começo deste mês e depois de muita preparação - principalmente psicológica - tudo deu certo e a experiência foi melhor do que eu imaginava.
Os noivos queriam algo bem informal, apenas uma oficialização e reunir os parentes para celebrar a união deles. O casamento não foi grande apesar da família quase inteira (faltou os 2 sobrinhos do meu marido) participar da festa - um total de 37 pessoas estavam presentes na cerimônia que aconteceu no salão de festas do prédio dos noivos.
Valeu a pena eu ter passado várias tardes frustradas em frente ao espelho da minha casa e assistindo tutorias de penteados "fáceis" e tentando ajeitar o cabelo sozinha, pois no dia da cerimônia meu cabelo ajudou e eu conseguir fazer um penteado que recebeu vários elogios. Pode parecer bobeira, mas isso estava me tirando o sono!
Era uma tarde quente e um pouco nublada em Vancouver e a vista do lugar era incrível - era possível ver as montanhas e também o aeoporto que ficava a apenas alguns quilometros de distância de onde eles moram. Achei interessante e até romântico a vista do aeroporto, afinal, sem ele teria sido quase impossível os noivos terem se encontrado já que ele é canadense e ela indiana.
A cerimônia foi simples feita por um juiz de paz e contou também com a presença dos pais e irmão da noiva. Todos estavam muito felizes e quando a noiva apareceu arrancou suspiros de todos presentes. E o noivo segurou para não chorar quando a viu.
Ela vestia um vestido vermelho de cetim maravilhoso, juro que ela parecia uma princesa de verdade, com um sorriso irradiante que contagiou e emocionou todos presentes.  Algumas pessoas pareciam surpresas com a escolha da noiva, mas eu já tinha pesquisado sobre a cultura indiana e sabia que ela não usaria branco, já que é associado com funeral e luto.
A cerimônia durou uns 15 minutos e depois disso passamos uma tarde gostosa conversando, comendo muitos quitutes e os parentes do meu marido colocando a conversa em dia e tirando mil fotos, já que a última vez que todos se reuniram foram há 22 anos no casamento de um outro primo.
A festa terminou acho que era umas 8 da noite com todo mundo feliz e satisfeito. Fiquei honrada quando a noiva deu um porta-joias de madeira de presente que os pais dela trouxeram da Índia e um pouco antes de nos despedirmos ela nos convidou para participar do casamento deles que acontecerá na Índia*.
Quando estávamos nos preparando para ir embora, dividimos o povo nos carros e aí a esposa do best man (o melhor amigo do noivo) ficou de ir conosco no carro. Ela estava tão bêbada, tão bêbada que não falava coisa com coisa. Ela quase surtou quando eu falei que era brasileira e aí ela falou com admiração que nunca tinha conhecido uma brasileira tão branca como eu, como era possível que eu era brasileira e que eu era muito exótica e que ela queria ter nascido em um lugar exótico ao invés de ser uma branca nascida no Canadá... Se fosse em outra circunstância eu até teria argumentado com ela, mas bêbada do jeito que ela estava não adiantava falar muita coisa, só ia dar mais pano para manga  e a conversa não iria terminar bem...
Apesar de ter sido um casamento bem informal e descontraído todo mundo estava bem vestido e fiquei feliz que não caí no conto de que os pais do noivo que estavam organizando disseram que poderia vestir qualquer coisa...
Outra coisa que achei bem interessante e só reforçou o que havia dito no post anterior, só havia 2 pacotes de presente numa mesa reservada para presentes aos noivos e havia um cestinho com vários envelopes ($$$).

*Casamento na Índia
Os pais da noiva como manda a tradição irá realizar um "pequeno" casamento hindu na Índia em dezembro e todos da família do noivo foram convidados a participar.  Eu quase pulei de tanta alegria porque isso é algo que eu SEMPRE tive vontade de participar e a Índia está na minha lista de lugares do mundo para conhecer desde que eu me considero gente. Estamos aguardando o convite oficial e resolver uns assuntos no trabalho do meu marido para comprarmos as passagens. Falei pra ele que não precisa me dar nenhum presente pelos próximos 10 anos se realmente formos para o casamento e tomara que tudo dê certo!
Será uma experiência sem igual, já que os casamentos indianos são mundialmente conhecidos pela alegria, tradições e riqueza cultural.

Será intessante ver a perspectiva do meu marido participando pela primeira vez de um casamento no Brasil, que apesar de fundamentalmente ser a mesma coisa, é completamente diferente de tudo o que ele já participou, ainda mais que nós seremos padrinhos da minha irmã e praticamente boa parte dos 250 convidados faz parte da minha família.

Uma questão de privacidade

Gosto muito de ler blogs de pessoas que compartilham além de seus pensamentos e opiniões um pouco de suas vidas. Existem pessoas que acompanho a muito tempo e parece até que a gente conhece a pessoa, a cidade, sua família. Cria-se uma relação muito próxima com alguém que a gente pode até nunca ter trocado uma palavra, um comentário. E confesso que fico triste quando de repente a pessoa some da esfera e espero que um dia a pessoa retorne para dar algumas notícias. Quem nunca acompanhou um blog que sentiu a mesma coisa levante a mão.
Apesar de gostar muito de ler blogs pessoais confesso que eu não tenho CORAGEM para expor mais da minha vida pessoal.
Há uns 8 anos eu tinha um blog da época em que era au pair, interagia muito com outras meninas que estavam no processo e encontrei amigas que se tornaram pessoas muito próxima de minha vida no mundo real. Era um lugar que eu desabafava sobre as chatices que é morar com os patrões e colocava a minha opinião e experiências sobre o que estava vivendo. Era o meu cantinho e escrevia muito, quase toda semana até que um dia... bem o mundo da internet não é tão grande assim e uma menina que era amiga da minha patroa começou a ler o meu blog e começou a compartilhar o que escrevia pra ela. Pensa que você está lá num bar desabafando com tua amiga o quanto o teu chefe é um incompetente, as merdas que ele faz e aí alguém que conhece você e teu chefe vai lá e diz pra ele tudo o que você falou. Já viu o desastre né?
Então eu comecei a escrever mais esporadicamente e meio vago e aí perdi a vontade de escrever e acabei fechando o blog de vez. Lição número 1 que aprendi é: você nunca sabe quem está lendo o que você escreve e o anonimato não é tão seguro hoje em dia...
Por isso quando resolvi escrever este blog eu decidi falar o suficiente da minha vida para que não ficasse uma coisa vaga, mas também não compartilho muitas fotos e histórias pessoais, porque depois do que aconteceu com o primeiro blog eu fiquei pé atrás. Algumas pessoas pedem e querem algo mais íntimo, mas não tenho coragem e sei que posso manter um blog com a minha cara sem mostrá-la.
Esta semana aconteceu algo que realmente me assustou muito e me deu certeza de que devo continuar preservando a minha privacidade.
Participo de um grupo que troca cartas com um grupo que começou no Brasil. Entrei neste grupo porque gosto muito de escrever e receber correspondência que não seja apenas contas no correio. Pois bem, antes de dar o meu endereço decidi abrir uma caixa postal no correio próximo da minha casa, porque né gente, se eu não gosto de compartilhar histórias sobre a minha vida na internet, muito menos iria colocar o meu nome e endereço real numa lista de correspondência para um monte de estranhos. Principalmente porque vivemos na época de Google maps onde você pode ver exatamente a casa, o bairro onde a pessoa mora - ( abrindo parênteses pra contar uma história engraçada... quando o Google estava fazendo o mapeamento em São Paulo, meu pai estava em frente da casa da minha mãe então quando bate uma saudade dele, só colocar no Street View o endereço da minha mãe que eu não só vejo a minha antiga casa como vejo o meu pai! Claro que eles embaçaram o rosto dele, mas quem o conhece o identifica! - fecha parêntesis).
Pois bem, comecei a trocar correspondências principalmente com pessoas no Brasil e sei que a curiosidade é muito grande pra saber como é a vida aqui, mas olha, eu não moro em Beverly Hills e todos aqueles filmes e idéias de vida californiana que passam nos filmes e seriados passam de longe com a minha realidade... maaaas, algumas pessoas ainda acreditam que eu tenho uma piscina de dinheiro igual o Tio Patinhas na minha casa, saio dirigindo Ferrari e viajando de jatinho particular por aí ou então tomando suco a beira da piscina da minha mansão...
Esta semana recebi duas cartas de uma mesma pessoa que me deixou de cabelo em pé. Como os correios estavam de greve a primeira carta datava de abril e a segunda de maio.
Já havia me correspondido com essa pessoa anteriormente, recebi uma carta dela ano passado e havia respondido, a pessoa estava passando por problemas de saúde e depressão e escrevi uma carta dando palavras de apoio e tal.
Na segunda carta que ela me mandou, pediu o MEU TELEFONE pra adicionar no whatsapp e trocar emails. Bom, dei uma cortadinha de leve dizendo que entrei no grupo de cartas para trocar CARTAS e que preferia que mantivéssemos correspondências assim.
Voltando às cartas que recebi nesta semana, a primeira era uma carta de umas 5 páginas dizendo que ela tinha ficado chateada mas que entendia que eu não passaria informação pessoal, aí contou a história da vida dela, dos problemas de saúde, só que a carta começou a ficar muito confusa, as histórias misturadas e aí ela falou que estava ficando surda por problemas de saúde, mas não queria usar aparelho auditivo que teria que fazer um tratamento caro pra não ficar surda de vez e que tinha tentando fazer uma vaquinha online só que ninguém tinha visualizado a página dela - AGORA PASMEM - aí ela pediu pra EU abrir uma página pedindo dinheiro pra ajudar no tratamento dela na página GoFundMe, que é um site onde pessoas contam suas histórias e pedem doações só que o dinheiro é apenas depositado em alguns países da America do Norte e Europa, então ela precisava de alguém que morasse nos EUA pra receber o dinheiro e mandar pra ela e que se eu fizesse isso poderia ficar com uma porcentagem da doação...
Ela disse que entenderia se eu não quisesse abrir a conta, mas que ela sem tratamento iria ficar surda e que depois me mandaria mais detalhes pra abrir a página e mandou o email dela.
Meu, sério que fiquei um tempo sem saber o que fazer. Eu fiquei imaginando o desespero da pessoa pra me mandar uma carta destas, mas ao mesmo tempo comecei a pensar se era realmente verdade o que ela estava falando e dei graças a Deus que ela não tinha o meu endereço e nome verdadeiro ( eu uso o nome de solteira neste grupo), porque se eu quisesse responder, ela nunca poderia me achar.
Confesso que fiquei com dó mas joguei a carta no lixo, eu simplesmente não ia responder nada até que dois dias depois chegou a segunda carta dela contando como ela estava ficando surda e que iria se matar se ficasse surda mesmo porque senão não conseguiria viver desta forma.
Meu, que desespero senti... não tem jeito acabo me envolvendo demais e eu me importo com a dor das pessoas, ainda mais quando alguém fala em suicídio. Por experiência própria eu sei que a maioria das pessoas que falam em cometer suicídio não estão brincando... e eu não queria ser responsável por uma tragédia (to falando que me envolvo demais?!).
Então eu sentei, pedi sabedoria pra Deus e respondi a carta dizendo que não poderia ajudar abrindo a página por questões práticas - teria que colocar meus dados bancários e burocráticos - como eu iria enviar o dinheiro para o Brasil?, mas também dei palavras de apoio e sugestão para procurar ONGs e até mesmo o hospital da USP para recursos para fazer tratamento.
Meu marido disse que não deveria escrever nada, mas não podia não fazer nada... então fiz o que era possível e torço para que esta pessoa encontre ajuda que precisa.
Só que com esta história veio a certeza de que eu não estou errada em me proteger não divulgando informações pessoais e queria só compartilhar esta história para dizer que nem só de gente boa e com bom senso está este mundo de internet... pra gente tomar cuidado o que fala e escreve por aí, nunca se sabe quem lerá e o que fará com as informações que colocamos por aí.

Casamentos

Eu amo ir à casamentos.
Quando eu era adolescente, fazia parte de um grupo de jovens de uma igreja batista então de vez em quando sempre tinha um casamento acontecendo. Nesta época, a igreja inteira era convidada e eu sempre fazia questão de ir para a cerimônia e sempre chorava no momento do sim. - sou manteiga derretida assumida!
Eu queria estar ali para presenciar um momento bonito na vida dos meus amigos e confesso que nunca dei muita atenção para recepção, comes e bebes - que geralmente era alguns salgadinhos, bolo e refrigenrante. Quando podia contribuía para alguma vaquinha para comprar presentes, senão ia de mãos vazias mas com o coração cheio de alegria.
Ah, se as coisas continuassem tão simples como era antigamente...
Depois que me mudei para os EUA, participei somente de 2 casamentos - incluindo o meu e ambos foram bem diferentes de  casamentos tradicionais cheios de pompa e circunstâncias. No meio do ano em um período de 30 dias, vou participar de 2 casamentos - o primo do meu cunhado e minha irmã mais nova - e confesso que isso está gerando um pouco de ansiedade.
Primeiro porque um casamento será no Canadá e o outro no Brasil. É uma logística enorme conciliar vôos, hospedagens de hotel e não magoar o sentimento das pessoas no caminho. Porque sempre vai ter um que vai ficar triste/criticar porque você decidiu ficar em um hotel e alugar carro do que depender de pessoas que estarão super envolvidas na cerimônia e participação do casamento e a última coisa que eu e meu marido queremos é ser mais um peso para eles.
Aí vem questões menores, mas não menos importante de como se vestir, como é que vou me arrumar e o que dar de presente! Apesar de estar somente alguns meses de distância, não tenho a menor idéia de como será o  "estilo da cerimônia" e dizer pra mim que tudo será simples, não significa que vou de qualquer jeito - ainda mais com dezenas de olhos de parentes julgando cada milímitro da sua aparência.
Presentes pelo menos eu e o meu marido já decidimos que vamos dar em dinheiro, principalmente porque ambos casais já moram juntos ou tem casa quase pronta e nada pior do que receber um presente com carinho de alguém mas que é algo que você já tenha ou que seja quinquilharia. Sério, dinheiro é o melhor presente que alguém pode receber e não acho que o valor tenha importância. Seja qual for a quantia, mesmo que seja 5 reais, acho que é mais válido do que comprar algo que a pessoa não vai gostar. E desta forma o casal pode julgar em como gastar, pagando lua-de-mel, comprando coisas que gostem/precisem ou até mesmo ajudando com os gastos do casamento - que sabemos que não são poucos. Mesmo dinheiro sendo o presente mais útil, não entendo porque tem tanta gente que torce o nariz para esta prática.
Até julho espero encontrar vestidos para usar e encontrar um tutorial básico de como fazer maquiagem e cabelo sozinha, mas elegante e praticar muito porque não terei tempo de marcar para fazer com um profissional. Se alguém tiver uma sugestão aceito com muito gosto!!
Acho que será uma grande experiência, principalmente para o meu marido que nunca participou de nenhum tipo de cerimônia ou festa no Brasil. Espero que ele sobreviva.
E eu também.

Salada gramatical

Com o término da faculdade acabaram-se também as aulas de espanhol. Havia prometido para mim mesma que continuaria estudando e praticando a língua em casa, o que óbvio não aconteceu. Quase 3 meses depois, a pilha de livros de gramática ficaram intocados na minha mesa então decidi que era hora de retornar para a sala de aula.
Há 2 semanas retornei a estudar na minha antiga escola de espanhol numa cidade próximo de casa.
Já conhecia a escola, as professoras e achei que seria uma boa idéia estudar pela manhã já que o meu cérebro estava mais atento para encarar as 3 hora seguidas de aula. As pessoas do curso são bem mais velhas - sou a caçula da turma, então achei que fosse uma turma ideal que levaria as coisas bem à sério e as aula seriam bem produtivas.
É verdade que todos fazem os deveres e estão sempre prontos para conversar, discutir assuntos e possuem o mesmo nível ou até melhor que o meu no idioma. Com apenas 6 alunos, falamos muito o tempo inteiro o que é ótimo, mas aí chega a parte da gramática e é um desastre total.
Estou revendo a maioria dos conceitos gramaticais que foram jogados em mim durante as 12 semanas do último trimestre da faculdade.  Nesta hora o bendito português ajuda e muito, principalmente quando vamos conjugar verbos e combinar diferentes tempos verbais na mesma frase. O problema é que algumas estruturas não fazem o menor sentido com a gramática da língua inglesa e os colegas passam uma grande parte da aula traduzindo e debatendo pra encaixar espanhol na gramática do inglês para fazer sentido pra eles, e a de gramática de 3 idiomas diferentes começam a se misturar na minha cabeça.
Em dias como hoje me pergunto porque eu não decidi aprender espanhol quando estava no Brasil, eu acho que seria muito mais fácil pra assimilar toda a salada de gramática e não me enrolar tanto com as palavras que às vezes escapam do vocabulário do português e não fazem o menor sentido em espanhol...
Depois dizem que aprender inglês é difícil... se você conseguiu aprender gramática da língua portuguesa, te garanto que inglês é uma fichinha!

Formada!

Esta semana fui buscar o meu diploma na faculdade. Estou oficialmente formada.
Na minha faculdade quando você está cursando o trimestre (no caso da minha faculdade que é trimestral) em que vai completar os créditos para concluir o seu curso, você pode entrar com o pedido do diploma. Depois do requerimento o pessoal da faculdade faz uma avaliação para ver se você tem todos os requerimentos e se, dependendo do que cursar, tem direito a mais de uma graduação ou certificado e em 3 meses o diploma fica pronto.
Quando recebi o email que poderia retirar fui toda feliz e contente pra ficar sabendo quando cheguei lá que o meu sobrenome estava escrito errado. 😒
No dia seguinte recebi email que a correção tinha sido feita e que eu poderia buscar o diploma. Fiquei tão feliz!
A mulher que me entregou o envelope me parabenizou e disse que eu deveria ficar muito orgulhosa. Saí de lá muito contente e com um misto de sentimentos dentro de mim. A cerimônia de colação de grau acontece apenas uma vez por ano no verão, por isso só terei a colação de grau no final de junho. Estou bem feliz que a minha mãe estará aqui e poderá participar deste momento comigo.
Agora a pergunta mais difícil que eu tenho que responder para os meus amigos no Brasil é do que eu sou formada já que não é um bacharelado, é um Associate Degree in Arts - Arts and Letters Emphasis e não tem um curso equivalente no Brasil. Tento explicar que é como se fosse um tecnólogo em artes e letras, mas por causa dos cursos que eu estudei, muito mais letras que artes - já que estudei francês e espanhol e só tive uma aula de artes porque era obrigatória.
Algumas pessoas aqui não dão muita importância para um Associate Degree, principalmente em algo que não seja "útil". Eu estava pensando em fazer um bacharelado de linguística, então é como se eu estivesse no meio do caminho. Daqui para frente só Deus sabe que rumo acadêmico e se é que irei continuar, tomarei.
Meu marido me perguntou se a sensação de receber o diploma foi igual ou diferente do diploma que recebi no Brasil. A minha resposta é que os dois tem um grande valor pra mim, mas o sabor de receber cada um é muito diferente.
Quando recebi meu diploma no Brasil a sensação que tive foi de liberdade. É como se estivesse recebendo uma carta de alforria para poder seguir o meu caminho, já que era a única coisa que me prendia no Brasil e a última etapa a ser vencida antes de embarcar para os EUA. Ele também era um símbolo de vitória porque muita gente não acreditou que eu obteria sucesso na área de tecnologia.
Já o diploma daqui tem sabor de superação e vitória. Foram tantos obstáculos a serem vencidos até chegar este dia! Fazer um curso universitário na minha segunda língua, numa cultura diferente, longe de casa e lidando com a burocracia de visto e posteriamente problemas de saúde.
Comparar os dois é injusto porque estava em fases muito diferentes  na minha vida, além dos sistemas de ensino e cursos não terem nenhuma similaridade mas  acho que o daqui me deu muito mais trabalho por conta das tarefas intermináveis e das milhões de provas e trabalhos para entregar.
Sem o apoio irrestrito do meu marido que acreditou em mim e muitas vezes teve que sacrificar horas de lazer porque estava atarefada, e ter muita paciência e carinho nas malditas semanas de prova, não chegaria até aqui.
Agora é hora de curtir umas merecidas férias 😄