O inglês não é um vilão

Desculpem-me as pessoas que odeiam inglês, não entendo vocês.
Sei que é difícil aprender um idioma estrangeiro quando se é adulto, que fomos traumatizados com as massacrantes e tediosas aulas de inglês durante o primário/colegial (ok, ensino fundamental e médio para as novas gerações), que a pronúncia é muitas vezes complicada mas sempre digo para as pessoas que conheço que se você conseguiu aprender português, você consegue aprender inglês.
Desde que me entendo por gente tive o desejo de poder aprender uma língua em que me fosse útil para me levar para qualquer lugar do mundo. Na minha cabeça de criança, todo mundo "lá fora" falava inglês, então se quisesse ser exploradora do mundo teria que aprender este idioma.
Sempre que podia ouvia as traduções daquelas músicas românticas/meladas no rádio. Tentava traduzir pequenas palavras, mesmo quando não conseguia pronunciar, memorizava o significado e a grafia das mesmas, o que me ajudou muito no futuro.
Lembro de ficar extremamente animada quando fui para a quinta série e teria as minhas primeiras aulas de inglês! Mal sabia que durante os próximos 7 anos da minha vida (os 4 últimos do primário e os 3 do colegial) os mais diversos professores iriam tentar matar o meu amor por aquela língua. Todos tentaram enfiar guela abaixo o tal do verbo to be em suas mais diferentes formas, e  nenhum deles ensinaram a pronúncia correta das palavras. O máximo de conversação seria os cumprimentos e perguntas básicas sobre família, cores e comida que iriam ser cobrados numa prova oral.
Não me surpreende que haja tanta resistência com o coitado do inglês depois destes anos todos de tortura e repetição.
Porém, estava determinada a aprender e a oportunidade de receber um bom desconto numa escola da Wizard perto de casa foi o que precisava para juntar os trocos que ganhava como estagiária e começar o curso "de verdade" de inglês.
Não posso discutir métodos de ensino de outras escolas, pois só estudei na  Wizard, mas o método deles funcionou pra mim. (e não estou recebendo pra fazer propaganda!). Desde o primeiro dia de aula aprendemos palavras de vocabulário, treinamos pronúncia, formulamos pequenas frases, respondíamos perguntas em inglês, traduzíamos frases, escrevíamos pequenas frases e escutávamos um CD para treinar os ouvidos.  Como boa brasileira tinha dificuldade terrível para falar o famoso TH, e olha, eu chorei de alegria quando consegui pronunciar corretamente a palavra Thank you. (teacher Carla, nunca vou te esquecer!). Foi um orgulho e um impulso tremendo para continuar.
Estudei durante 5 anos na mesma escola e lá tive professores excelentes e professores ruins também, que só estavam ali para receber salário e estavam pouco se importando com o aprendizado. E durante aqueles anos de curso de inglês, percebi que o que importa mesmo é o desejo que você tem de aprender, os motivos que te levam a fazer alguma coisa, pois não era fácil ir para a escola depois de um dia cansativo no trabalho. Muito menos "perder" o sábado quando tinha que ir para a aula 2 horas da tarde nos últimos anos que estive por lá.
Foi difícil, mas valeu a pena e o inglês abriu portas pra mim no Brasil mesmo. Graças à ele, consegui um estágio muito bom em uma multinacional no departamento de TI e era eu, mesmo com o meu inglês mais ou menos quem ia ajudar diretores e presidentes da empresa que eram estrangeiros quando visitava o nosso site. Tenho certeza de que naquela época cometia erros horríveis de pronúncia e gramática, mas o importante era que a gente se entendia. Não precisei sair do Brasil para aprender inglês. A ortografia e gramática que aprendi naqueles anos de Wizard foram suficientes para escrever muito bem durante os meus estudos numa faculdade americana. E modéstia a parte, os professores ficavam admirados quando falava que o inglês era a minha segunda língua porque segundo eles, a qualidade das minhas redações eram superiores ao dos meus colegas americanos. Sem sombra de dúvida  morar num lugar onde o idioma é falado ajudou muito na evolução da pronúncia e assimilação do mesmo e sempre dou o maior apoio para quem tiver a oportunidade de mesmo que por algumas semanas estudar fora do país. Viver a língua é sempre a melhor maneira de aprender.
Hoje em dia há tantos recursos ótimos e gratuitos na internet, apps para se aprender um idioma que realmente só não o faz quem não quiser ou não tem força de vontade. Queria que existisse algo que colocasse uma nova língua no nosso cérebro com apenas uma noite de sono, mas enquanto isto não é possível, o velho esforço, dedicação e prática serão essenciais. Mesmo morando nos EUA há mais de 8 anos e me sentindo muito confortável para usar o inglês em qualquer circunstância e com qualquer pessoa, continuo aprendendo coisas novas todos os dias.
Por isto, não desista e não fique postergando o aprendizado! Citei neste post as coisas boas que tive na vida porque sabia falar inglês, e os benefícios só aumentam a cada dia!
Dê uma chance para o inglês, tenho certeza de que você não vai se arrepender!

Como se livrar de multas desnecessárias em San Francisco

Semana passada tive que ir ao consulado brasileiro em San Francisco, que fica bem no centro financeiro da cidade. Um lugar que fica convenientemente localizado próximo de uma das estações de metrô da cidade, mas eu não moro em San Francisco, então a minha opção para chegar mais rápido é ir até a cidade de carro.
Eu ODEIO do fundo do meu coraçãozinho dirigir no miolo da cidade. Se for para ir nas partes periféricas, é tranquilo, tenho meus atalhos, mas quando tenho que dirigir no centro da cidade eu preciso primeiro do GPS e de muita, muita paciência.
Todo mundo vai dizer que dirigir em cidade grande é a mesma coisa, os mesmos problemas com muitos carros e poucos lugares para se estacionar. Adicione a isso muitos, mas muitos ciclistas que usam na maior parte da cidade as mesmas faixas dos carros, os bondinhos, os pedestres e claro, os "perdidos" e os morros da cidade (sempre agradeço nestas horas pelo carro automático). Sempre acabo chegando no destino final, mas não sem antes uma dose de emoção e um pouquinho de raiva.
Agora em toda a parte da cidade existem construções, o que acaba invibializando os poucos e disputadíssimos locais para estacionar na rua, que não são baratos, mas são convenientes, já que as garagens para estacionar na cidade cobram uma fortuna por apenas algumas horas.
Se você for para San Francisco, evite ter um carro na cidade pois praticamente não existe um lugar para se estacionar de graça, principalmente por muitas horas ou durante a noite, por exemplo.  Agora, se você for corajoso ou precisar dirigir na cidade vou citar abaixo algumas dicas que podem salvar a sua vida e o seu bolso, evitando que seu carro seja multado e até mesmo guinchado.

  • Preste atenção nas cores das "guias" das calçadas! Não sei se estas regras de cores de calçadas existem em outros estados americanos ou no Brasil, mas antes de estacionar o carro certifique-se de que a calçada não esteja pintada das seguintes cores que restringue/proibe a parada de carros:

Vermelho: não estacione. Ponto final. Você será multado e provavelmente guinchado. Geralmente calçadas vermelhas estão perto de saídas de garagem, perto de hidrantes, pontos de ônibus, curvas.
Exemplo de calçada vermelha onde é proibido estacionar

Amarelo: parada para carregamentos comerciais. É o lugar onde caminhões e vans podem estacionar para descarregar/carregar e geralmente tem um tempo limitado também. Somente carros comerciais podem estacionar nestas vagas
Branco: entrada/saída de passageiros. É possível parar nas calçadas brancas, mas geralmente não por mais do que 5 minutos e somente para a descida ou subida de passageiros no veículo. O motorista precisa estar no carro a todo momento. Geralmente estas calçadas estão em frente de escolas, restaurantes, hotéis, hospitais.
Verde: parada por tempo curto. É possível estacionar nestes locais por um tempo curto como por exemplo 15 a 30 minutos. Geralmente em frente a pequenos estabelecimentos comerciais, caixas eletrônicos, etc. 
Azul: estacionamento para pessoas que possuem a placa de deficiente. Não há restrições ou tempo de limite para estacionamento desde que o veículo esteja com a placa de deficiente. Estacionar nestes lugares sem esta placa é uma falta grave.

Placa de deficiente temporária
Placa de carro de deficiente
  • Street Cleaning warnings: existem por toda cidade placas indicando o dia da semana e o horário em que a rua é limpa por um caminhão da prefeitura, que passa sempre no horário indicado para limpar as beiradas das ruas. Carros são multados com certeza se você estacionar naquele horário, sempre passa o fiscal de trânsito uns minutos depois do horário determinado e passa multa sem dó em quem estiver parado por lá.
Exemplo de placa restringindo estacionamento por conta de limpeza da rua
Caminhão que faz a "limpeza" da rua
  • Restrições por conta de eventos/construções: às vezes o local para estacionar está vago e você estaciona, só para ver que há uma placa próxima ou mesmo pregada no parquímetro. Observe os horários e dias para a restrição, pois às vezes eles colocam com alguns dias de antecedência para que as pessoas que costumam estacionar naquele local fiquem cientes que de em determinado dia, aquele local estará indisponível, mas pode ser que esteja válido e a sua parada ali vai custar uma multa e até mesmo guincho em caso de eventos públicos onde a rua será fechada por exemplo.
Exemplo de restrição temporária
  • Respeite os horários dos parquímetros eletrônicos. - O valor para estacionar na rua depende do lugar e do dia, pois dependendo da oferta/demanda pode ser que fique mais caro ou mais barato. Achei no lugar perto do consulado um que custava 3 dólares a hora e o limite para estacionar era de apenas 2 horas em horário comercial. Leia sempre as instruções do parquímetro como limite para estacionar e dias de funcionamento, porque em alguns casos não é preciso pagar o parquímetro nem dias de domingo, por exemplo. Jamais pare em uma vaga cujo parquímetro esteja quebrado, pois se você não pagar a taxa, mesmo que seja culpa do equipamento quebrado, o fiscal vai te dar multa. A maioria é pago com moedas de 25 centavos, mas graças a Deus estão modernizando os parquímetros e agora você pode pagar com cartão de crédito ou então através de um aplicativo para smartphones onde você se cadastra, coloca os dados do seu cartão e aí só precisa colocar o número do parquímetro que está e adicionar o tempo que quer parar. E quando não houver parquímetro, leia com atenção as restrições de estacionamento.
  • Leia estas placas com atenção! Permits são concedidas apenas para moradores daquela região
  • Lembre-se de virar o pneu do carro quando estacionar nos morros - além de garantir a segurança de que em caso o carro perca o freio, não vá parar no meio da rua e machucar alguém, evita-se uma multa também se você esquecer de virar o pneu quando estacionar. Se estacionar em uma subida, vire os pneus para fora da calçada, em direção à rua e deixe o carro voltar um pouco, pois o ideal é o pneu tocar de leve na calçada. Se estacionar numa descida, vire o pneu em direção para a calçada. Nestas situações, o ideal é sempre acionar também o freio de mão.
Sempre vire os pneus do carro quando estacionar nos morros!!!
  • Outra coisa importante, o máximo que você pode estacionar na rua em um mesmo lugar sem que haja restrições é de 72 horas. Se passar deste limite, o carro pode ser guinchado, eles fazem isto para que as pessoas não abandonem carros na rua.
  • Preste atenção com os pedestres e bicicletas!! Na teoria as bicicletas podem circular nas mesmas vias que os carros quando não há ciclovia disponível, porém eles precisam respeitar as regras de trânsito, sinalização e limite de velocidade, porém na prática isto infelizmente deixa um pouco a desejar. Já tive que dirigir a 15km por hora porque havia uma bicicleta na minha frente e você não pode buzinar ou tentar apertar para ultrapassar porque você pode ser multado. 
  • Em teoria existe também em efeito na cidade de San Francisco uma lei que previne pedestres de "jaywalking" ou seja, atravessar as ruas em lugares que não sejam na faixa de pedestres. Em teoria eles receberiam multa caso sejam pegos (já tive colega de classe da faculdade que foi multado por isto), mas na maior parte do tempo as pessoas atravessam as ruas onde bem entenderem e como há lei na Califórnia em que o pedrestre sempre tem direito de atravessar em qualquer lugar que seja, preste atenção e esteja preparado para parar.
  • Você pode dirigir na rua onde passam os bondinhos. Apesar de morrer de medo do pneu escorregar, ou sei lá do bondinho atrás de mim não conseguir puxar o freio (os bondinhos de San Francisco são movidos por cabos e o freio é o motorista puxando uma alavanca que segura o cabo que está abaixo da superfície da rua), você pode dirigir no lado da rua em que os trilhos dos bondinhos estão.
Rua com trilhos para o bondinho - veja  o carro subindo a rua utiliza aquele espaço também
  • Se infelizmente você se envolver em um acidente, seja derrubando/machucando um pedrestre, ciclista ou até mesmo se você bateu em um carro que estava estacionado, SEMPRE pare e preste assistencia e espere a polícia chegar para prestar esclarecimentos, pois se você for embora, pode ser responder pelo crime de "Hit and run" (bateu e fugiu) e isto acaba agravando e muito a situação do motorista. Se você bater em um outro carro e não houver vítima, e o carro puder ser removido, vá para o lado da calçada e espere a polícia chegar para averigar o ocorrido. Geralmente o policial já faz o boletim e indica ali mesmo quem seria o responsável pelo acidente e aí a outra pessoa precisa passar informações como nome, telefone e o seguro do automóvel para que o outro receba a assistência necessária. Se bateu em um veículo que não esteja ocupado, deixe pelo menos no parabrisa do carro atingido o seu nome e telefone para trocar informações com o dono do veículo. É a coisa certa a se fazer e também evita problemas futuros, pois um conhecido quase foi preso porque arranhou um carro estacionado e ele "fugiu". só que ele foi pego por uma câmera de segurança e dias depois a polícia o parou na estrada por "hit and run".

Espero que estas dicas ajudem de alguma forma e sempre fique de olho pois os guardinhas de trânsito aparecem do nada por aqui e eles estão em serviço principalmente em pontos turísticos da cidade.

Atenção com os guardinhas prontos para multar infratores!

 * Todas as imagens foram retiradas do google, exceto a da calçada vermelha retirada do site sfmta.com


Passaporte brasileiro AINDA com validade de 5 anos...

No final do ano passado quando saiu no diário oficial que o passaporte brasileiro teria 10 anos de validade, dei pulinhos de alegria.  Era a coisa mais sensata a fazer, já que a maioria das pessoas que conheço de outras nacionalidades tem passaporte com validade mínima de 10 anos.
Então quando tive que ir renovar o meu passaporte pela 3 vez, paguei com gosto a taxa de 80 dólares pois sabia que só teria que voltar ao consulado em San Francisco em 2015.
Bem, qual foi a minha surpresa quando ao conferir o passaporte hoje a validade era de apenas 5 anos. Fiquei morrendo de raiva! Ao perguntar para a atendente porque o passaporte tinha apenas validade de 5 anos, ela disse que apesar de ter sido aprovada a mudança da validade ainda não está valendo a mudança e não há previsão de quando os mesmos terão a nova validade em vigor.
Ai disse pra ela: quem sabe daqui a 5 anos quando vier renovar novamente a nova validade esteja em vigor... ela apenas deu risada e concordou.
Bom, dei uma pesquisada na internet e fiquei sabendo que parece que precisam ser modificadas ou feitas alterações para medidas de segurança num novo tipo de passaporte para que a validade de 10 anos entre em vigor.
Haja paciência...

Remédios nos EUA

A primeira vez que entrei em uma farmácia nos EUA quase tive um treco e também rolou uma lagriminha no meu olho de emoção. Deixa eu explicar...
O treco foi em ver a quantidade enorme de medicamentos que você pode comprar na farmácia sem precisar de receita médica, os chamados "Over the counter medication". Colírios, remédios para dores, problemas digestivos, respiratórios, até para tratar problemas femininos, vitaminas, tudo ali ao alcance das mãos. E os americanos fazem uso destes medicamentos! Acho até eles um pouco hipocrondríacos, mas sabendo o quanto custa uma visita ao médico, dá para entender porque as pessoas se auto-medicam aqui.
A minha emoção foi encontrar um corredor com vários tipos de Tylenol, o único analgésico que posso tomar já que sou alérgica a aspirina.
Agora, se você precisar de um antibiótico ou tratar problemas de saúde mais sérios ou até mesmo anticoncepcionais, será necessário a receita médica que só é obtida após uma consulta com um médico, são os chamados "Prescribed medications"
Algumas farmácias como o Walgreens e a CVC possuem um consultório onde existe uma enfermeira licenciada para prescrever medicamentos, então ela pode passar a receita para males mais comuns como uma pneumonia por exemplo.
O que acho super interessante é que você não saí com a receita na sua mão. O médico envia a sua receita com todas as instruções como : quantidade de comprimidos, quando tomar, por qual período direto para a farmácia. Você informa para o médico a farmácia mais próxima da sua casa e a receita é enviada pra lá.
Isto é feito para que as pessoas não vendam remédios controlados e para que não haja abuso de medicamentos. Se você precisa tomar um remédio de uso contínuo como por exemplo para pressão alta, você recebe 30 comprimidos para um mês e só apenas depois de quase 30 dias é que você pode pegar mais medicamento, assim se evita o uso demasiado ou errado de remédios.
O uso de medicamento é pessoal e intrasferível, no frasquinho do remédio tem o seu nome, o nome do seu médico, as instruções de uso, a cor e forma dos comprimidos e o nome do componente ativo.
Agora uma coisa que eu acho engraçada por aqui... da última vez que viajei para o Brasil precisei pedir com antecedência alguns remédios pois os que tinha iriam terminar enquanto estava viajando. Apenas liguei na farmácia e disse que iria viajar ao Brasil de tal a tal data. Achei que eles fossem pedir a passagem como prova de que iria viajar mesmo, mas eles não pediram nada. Talvez se fosse um remédio "tarja preta" ele fossem mais rígidos.
O valor dos remédios variam muito de acordo com o convênio médico que você tenha. Alguns planos cobrem a medicação 100% outros você precisa pagar uma parcela que pode ser um valor pequeno. Se a pessoa nã tiver plano de saúde, os medicamentos podem ser muito caros, lembro de ter tomado um antibiótico por 3 dias que custou 120 dólares a 7 anos atrás! E o xarope pra tosse que o médico me receitou iria custar 500 dólares, então não comprei, preferi tomar um xarope  Anticoncepcionais por lei não são cobrados, mas é preciso receita médica.
O bom mesmo é não precisar tomar nenhum remédio, mas se você é alérgico a algum medicamento ou precisa tomar um determinado medicamento e não sabe como se chama aqui, o importante é conhecer o principal ingrediente ativo do seu medicamento, aí só procurar no Google que geralmente o princípio ativo dos medicamentos são muito parecidos, pra não dizer iguais ao inglês.
E nunca confie no Dr. Google, se estiver sentindo que alguma coisa está errada, procure orientação médica, não tome remédio sem indicação, mesmo que seja "over the counter" porque pode trazer mais problema do que a solução que se espera.

Comer, comer...

Existe coisa melhor nesta vida do que comer?
Os meus hábitos alimentares mudaram e muito desde que vim morar nos EUA. Estes dias estava lendo um diário de quando cheguei aqui e tinha escrito toda orgulhosa que tinha feito pela primeira vez feijão e até que ficou bom (pelo menos na foto estava com cara boa). Na minha vida típica de jovem paulistana, saía de casa para trabalhar 7h da manhã e retornava 11h da noite, então não tinha tempo e graças à minha querida mãe também não precisava cozinhar.
Mas cozinhar está no meu sangue, veja bem. Praticamente nasci numa família de cozinheiros, chefs, padeiros e doceiros. Todos os meus tios por parte de pai e mãe trabalharam em restaurante e veja bem, meu pai também é cozinheiro até hoje.
Então desde pequena estava acostumada a experimentar comidas estranhas que meu pai trazida do buffet, lembro da primeira vez que vi um kiwi na minha frente quase pirei! Além de linda a fruta era muito gostosa, se estivesse madura claro! E as saladas e salgados maravilhosos que meu pai fazia quando estava de férias do trabalho era uma coisa incrível. (Momento desabafo: meu pai até hoje não me  deu as receitas de salgadinhos como coxinha, kibe, esfiha que ele faz. Ele diz que só sabe de cabeça, mas um dia eu arranco isto dele, pois os salgadinhos dele são os melhores do mundo!)
Mas voltando aos hábitos alimentares por aqui... muita gente fala que aqui é a terra do fast food, comida godurosa e pouco saudável. É verdade que estes alimentos existem em abundância e infelizmente são os mais baratos por isto os mais consumidos. Durante a minha época de au pair lembro de ter vivido a base de McDonald's, Subway e quando em casa caia na tentação das pizzas e massas congeladas da marca Lean Cuisine. Quando comecei a namorar o meu marido foi que um mundo culinário se abriu pra mim...
Pra me impressionar ele fazia macarrão com uns molhos maravilhosos (que depois eu descobri que era tudo comida pré-preparada, mas o que valia era a intenção.) e também como passeávamos muito, começamos a comer em muitos restaurantes e graças a diversidade cultural aqui da Bay Area, as opções eram imensas: mexicana, tailandesa, indiana, chinesa, italiana, etc.
A princípio eu achava tudo apimentado e isto porque aqui eles usam pimenta do reino e sal para temperar tudo. Aos poucos fui me acostumando com o paladar e aprendi a escolher as comidas que me agradava. Acostumei tanto com o sabor da comida daqui que quando os amigos que visitam reclamam da pimenta da comida acho que eles estão todos malucos.
Hoje em dia cozinho muito mais do que como fora, a não ser que o marido esteja doido para comer comida chinesa (que eu detesto) ou comida indiana (que dá trabalho fazer em casa e nunca fica igual). Por questões de saúde também tive que eliminar o sal da minha dieta, então comer fora virou uma missão quase impossível já que o único tempero que eles conhecem além da pimenta do reino é o sal.
De vez em quando dá uma saudade de uma comidinha brasileira então vamos a algum restaurante aqui perto ou se a inspiração é muito grande, faço algo que seja simples em casa mesmo. Os ingredientes estão nos mercados só saber o nome em inglês e procurar.
Já deixei a fase de comer bobeira, doces e hoje em dia só entro no McDonalds se der a louca no marido de tomar café da manhã por lá. A minha alimentação é muito mais saudável do que era no Brasil, mas não tenho mais aquela paranóia de ficar restringindo comida por conta de dieta. A vida é muito curta pra gente ficar se torturando com dietas e depois que fui obrigada a restringir bastante a minha alimentação, fico feliz por ter aproveitado enquanto pude.
A dica se vier para as bandas de cá é ... não tenha medo de arriscar. SE você pedir algo que não gostou, paciência, pelo menos você provou. E se provar e gostar, colocará em seu cardápio mais um prato novo.
Algumas pessoas dizem que é muito difícil se adaptar ao paladar da comida daqui, então coloque a mão na massa e prepare você mesmo a sua comida. Há uma variedade enorme de alimentos pré-prontos, congelados, molhos e vários tipos de macarrão e se der saudade daquele feijão com arroz, nada impede você de preparar e comer feijão com arroz todos os dias! O que não falta na internet são milhões de receitas com vídeos, passo-a-passo para qualquer um virar um grande chef!
Só colocar a mão na massa e começar a comer!

Ah, e uma dica importante pra quem vem pra cá a passeio. Não tenha vergonha de pedir pratos em restaurante e dividir com uma outra pessoa. Apenas diga ao garçon: "We are going to share - Nós vamos dividir". As porções são gigantes e te garanto que mesmo que você divida ainda irá comer muito bem. Alguns restaurantes cobram uma taxa de alguns dólares para dividir, mas vale a pena pela economia da conta e também para evitar o desperdício. Mas se você pediu e não conseguiu comer tudo sozinho, peça uma "bag to go" e leve os restos para a casa. Assim você terá mais do que uma refeição e evitará o desperdício.

O gringo e o português

A maioria das pessoas quando sabe que o meu marido é "gringo" pergunta se ele fala português. E a resposta é sempre a mesma: "Bom, fome e vontade de ir ao banheiro eu sei que ele não passa no Brasil".
Ele já tinha contato com o português antes de me conhecer porque tinha amigos brasileiros (que só ensinaram palavrões pra ele), e aos poucos foi aprendendo os nomes dos pratos que ele gosta, algumas frases básicas, expressões, etc. Mas nada que pudesse manter uma conversa por mais de 2 minutos com alguém.
Quando a minha mãe veio nos visitar a primeira vez em 2010, ele acabou se vendo numa situação onde foi obrigado a conversar com ela, porque naquela época eu trabalhava e estudava e ele ficava em casa com ela sozinho e a minha mãe sem falar uma palavra em inglês não parava de conversar com ele um minuto se quer! Ele sobreviveu graças ao dicionário do celular :-)
Antes de irmos ao Brasil juntos em 2013 ele pediu para que ensinasse mais pra ele pois não queria perder a oportunidade de se comunicar com minha família e amigos e e dei algumas aulinhas de português pra ele (com lição de casa e tudo) e o vocabulário dele melhorou demais. E ele sobreviveu à viagem ao Brasil.
Depois disto ele desistiu das aulas, mas hoje em dia consegue entender muito conversas do dia a dia (já nem posso falar mal dele no telefone com a minha mãe ;-) ), e isto pra ele está de bom tamanho.
Mas nem todo gringo tem esta vontade de aprender português principalmente porque comparado com o inglês é uma língua muito mais complexa e cheia de regras. Tenta explicar por exemplo para alguém que tenha inglês como língua nativa quando se usa o verbo estar ou o ser...
Tenho amigas que os maridos falam português fluente e outros que nem dizem oi, tudo bem. Vejo que às vezes as amigas dos maridos que não falam português ficam muito frustradas com eles, e meio que querem obrigar  eles a aprenderem o idioma. E eles se recusam e a frustração aumenta... aí já viu onde a história vai parar né?
Agora para aquelas pessoas que conhecem algum gringo interessado em aprender português e não sabe por onde começar, pelo amor de Deus não comece enfiando gramática na cabeça deles! Comece por vocabulário de coisas do interesse da pessoa, como comida, música, lugares e frases básicas do dia-a-dia. Vai introduzindo aos poucos a gramática e se errar, por favor não fiquem corrigindo o tempo inteiro! Conheci um casal que o cara tinha uma boa vontade enorme de aprender português, mas só falava quando a esposa estava longe porque era ela chegar perto começava a corrigir praticamente toda frase que ele falava e isto acaba o constrangendo e ele desistia de falar.
Aprender ou não português vai de cada pessoa, mas uma coisa que é essencial num relacionamento multicultural: o respeito com a cultura e as origens do outro e manter em algum idioma um ótimo nível de comunicação.