Quem é vivo, aparece!

 Cof, cof, cof! Que poeira que está isso aqui!

Não acredito que fiquei mais de um ano sem postar nada por aqui! Mas de repente bateu aquela vontade de escrever, então aqui estou com novidades e muitas dúvidas.

2020 nem precisa de explicação né? Acho que pela primeira vez em muitos anos vou ficar até meia-noite acordada e vou fazer uma festa quando este ano acabar! Meu marido disse que a gente devia cancelar 2020 todo e fazer de conta que ano que vem é 2020 hahahaha. Só espero com toda a sinceridade do meu coração que as coisas realmente melhorem no ano que vem!

Mas 2020 não começou ruim pra mim... a minha mãe veio pra cá em dezembro/2019 e ficou até meados de janeiro deste ano e a gente aproveitou muito a estadia dela por aqui! Foi a primeira vez que ela passou o inverno aqui nos EUA e ela virou criança vendo as luzes e decorações de Natal! Fizemos vários programas natalinos e ela se divertiu muito! Nos animamos também pra decorar melhor a casa e até colocamos penduramos stockings e trocamos presentes do dia do Natal. Foi bem diferente pra ela que passou o primeiro Natal fora de casa e ela gostou bastante.

Como de costume fizemos várias comemorações para a chegada de 2020 (inocência nossa!...), horário do Reino Unido, do Brasil e da outra costa. Quando chegou meia noite na Califórnia a nós já estávamos cansados!!

No começo de janeiro fomos pro Hawaii e que delícia foram os 5 dias que passamos lá. A minha mãe ficou encantada com o lugar, com o hotel, com a comida, com tudo! Deu pra passear bastante e até curtimos uma praia. No dia da nossa partida ainda conseguimos ver várias baleias no oceano pra fechar com chave de ouro! Fiquei tão feliz de poder proporcionar esta experiência para a minha mãe, porque ela disse que nunca tinha tido férias tão maravilhosas e num lugar tão lindo!

Ela retornou pra casa a tempo de escapar da loucura que estava prestes a vir...

Pra ser sincera depois disso 2020 virou um borrão. Lembro dos primeiros casos, da minha última viagem de avião de máscara e clorox em mãos desinfetando tudo... e os casos aumentando, a loucura do papel higiênico, de encontrar certos alimentos. Casos aumentando, cenas horríveis primeiro vindo da Europa e depois de NY... e os meses foram passando, primavera chegou e foi embora, verão chegou e foi embora... e já estava tão cansada de tudo... 

No começo da pandemia lembro que as pessoas se encontravam na rua com um olhar de cumplicidade, davam bom dia e tudo era tão silencioso. As ruas vazias, sem carros... mas de repente a gente se acostumou com a nova realidade, e mais pessoas começaram a sair, os sorrisos desapareceram para dar lugar à testas franzidas. O verão chegou e ninguém mais queria saber de quarentena e como as coisas começaram a melhorar um pouco todo mundo quis sair pra aproveitar o verão...

E foi no meio do verão que eu e meu marido decidimos tomar a decisão que estava nos rondando a muito tempo... decidimos vender a nossa casa e nos mudarmos para Oregon. Tudo foi tão rápido, graças à competência do nosso amigo e corretor de imóveis. Ele nos deu várias dicas de como preparar a casa para as fotos e para as pessoas visitarem. Nós colocamos a casa à venda dia 13 de agosto e no final de semana seguido ficamos em um hotel para as pessoas poderem olhar a casa. Na segunda-feira após as visitas recebemos as propostas e fechamos negócio! No dia 20, ou seja, uma semana depois de colocar a casa à venda, assinamos os papéis aceitando a oferta de compra e aí foi uma loucura total. 

Infelizmente nesta mesma época as queimadas na Califórnia começaram e nós compramos caixas e empacotamos as coisas. A princípio a gente ia pra Oregon no final de setembro, mas o ar estava tão ruim que decidimos antecipar a mudança. Encontramos uma casa online para alugar, olhamos o vídeo da casa, pesquisamos muito a região e às cegas fechamos o aluguel. Colocamos coisas de valores no carro e nosso cachorrinho e dirigimos rumo à nossa nova casa. Foi tudo meio surreal porque justamente quando estávamos fazendo a viagem para o norte, as queimadas começaram em Oregon também! Foi uma loucura!

Mas graças a Deus chegamos bem e depois de uns perregues com o adiamento da chegada da mudança nos instalamos em nossa nova casa. O lugar é bem gostoso, tem bastante parques e reservas naturais e tem um quê de cidade pequena, apesar de estarmos cerca de 20 minutos do centro de Portland. Até o nosso cachorro está mais disposto e feliz por aqui. 

Quando estava tudo entrando nos eixos, o marido decidiu que não queria ficar um ano pagando aluguel e a gente começou a olhar casas para comprar aqui, já que gostamos bastante da cidade. A gente não contava que as casas à venda estavam indo mais rápido do que as casas na Califórnia! E tinha muita competição porque parece que nós não somos os únicos a deixar a Califórnia e lugares mais caros para viver num lugar mais tranquilo... Com a ajuda de anjos enviados do céu (recomendação do nosso corretor da Califórnia), nós conseguimos encontrar e fechar negócio na nossa nova casa aqui em Oregon. Então estou em processo de mudança novamente!

Infelizmente os casos de COVID estão aumentando e muito na região e em todo o país. É inacreditável que há 10 meses estamos lutando contra esta doença e principalmente contra a ignorância de pessoas que não acreditando na ciência e se recusam a tomar as medidas de contenção como usar a máscara. E infelizmente todos estamos pagando um preço alto com muitos casos e infelizmente mortes. Estamos esperançosos de que com a chegada da vacina as coisas melhorem, mas sinceramente acho que não veremos um grande impacto até o segundo semestre de 2021. Tomara que esteja errada, vamos ver o que vai acontecer.

O melhor deste ano foi sem dúvida a notícia de que o palhaço laranja que atualmente administra este país perdeu a eleição presidencial e dia 20 de janeiro haverá uma festa nacional sem precedentes quando o Joe Biden assumir a presidência deste país. Há um sentimento de esperança de que as coisas vão melhorar porque alguém sensato está no poder. Tomara mesmo.

Morar na Califórnia para sempre nunca esteve em nossos planos e acho que finalmente chegou o momento em que a gente pôde fazer a mudança consciente sabendo que tivemos o privilégio de poder escolher para onde ir. A Califórnia estará para sempre no meu coração e sempre será um lugar muito especial porque foi onde tanta coisa importante e marcante na minha vida aconteceu. Mas estou feliz por estar em Oregon e tenho certeza de que seremos felizes por aqui. Ainda estamos nos acostumando com o lugar e o modo de vida, é um pouco estranho porque não podemos sair para explorar por causa da COVID, mas com o tempo tudo vai se encaixar.

Bom, por enquanto é isso.

 Paulistana em Oregon. 💙

Papel e a felicidade

Andei sumida e a culpa é do papel.
Nos últimos meses resolvi me dedicar ao meu hobby/terapia favoritos que é a criação de cartões.
Apesar de não ser um hobby caro, se não tomar cuidado acabo gastando uma fortuna comprando papéis novos, colas, adesivos, carimbos, tintas, canetas. Aliás, dizem que comprar materiais é um hobby à parte e é a mais pura verdade.
Aproveitei este momento de inspiração e tempo livre para fazer cartões de Natal que enviarei para família e amigos e comecei a assistir vários tutoriais do youtube  onde aprendi a fazer álbuns de fotografia, reciclar cadernos velhos ou baratinhos e fazer caixas apenas usando o material que já tinha em casa. Entrei numa onda de inspiração que só tinha vontade de no tempo vago  ver vídeos e fazer novas coisinhas com papel.
"Papel-terapia" é o que tem me ajudado a enfrentar uma das fases mais complicadas da minha vida e sou grata porque agora tenho espaço dedicado para fazer os meus projetos e apoio do meu marido para fazer o que me deixa feliz.
Infelizmente neste processo o blog ficou meio de lado, mas com tanta inspiração e idéias na cabeça precisava passar por aqui para dar uma atualizada.
Estou pensando de no ano que vem voltar a utilizar agenda de papel já que poderia unir literalmente o útil ao agradável, porque poderia treinar um pouco mais caligrafia, fazer desenhos e me manter organizada - e tenho mais uma desculpa para comprar coisas fofas na loja de papelaria :-).


Orgulho de terminar estes projetos!

Reflexões de aniversário

Ontem completei 38 anos de idade. Pelo menos é o que diz a minha carteira de motorista porque eu ainda não acredito que passei dos trinta.
A minha sobrinha de 12 anos me mandou mensagem no WhatsApp perguntando quantos anos estava fazendo e quando respondi, ela mandou um emoji gargalhando e disse que estava ficando velha. Quantas e quantas vezes fiz o mesmo comentário. Lembrei-me quando a minha MÃE completou os 38 anos dela. Incrível como o tempo passa!
Gosto de fazer aniversário. Aliás, eu amo fazer aniversário. Sinto-me muito grata e feliz por ter completado mais um ano de vida e não me importo de ver os cabelos brancos e as rugas aparecendo. Sinal de que vivi e vi muitas coisas. Para as minhas amigas que reclamam que estão ficando velhas, sempre digo que a alternativa de ficar velha é pior. 😉
Mas este ano foi um ano estranho. Nem parecia que era o meu aniversário.
E hoje em dia, se você não tem perfil em rede social, seu aniversário simplesmente não existe. 
A manhã passou rápida e foi deliciosa. Depois de  deixar o marido no aeroporto, fui para San Francisco com o Doug e passamos a manhã inteira na praia. Achei que ficaria triste por estar sozinha, porém me senti leve e em paz. Sinal de que a maturidade realmente vem com o tempo e que não há coisa melhor do que viver o presente e contar suas benções.
Ano que vem tem mais, se Deus assim permitir (e tomara que ele permita!)

Sorry Seems to Be the Hardest Word...

Nas últimas semanas tenho pensado muito em uma amiga com a qual não falo há alguns anos.
Nós éramos "melhores amigas" até 2014 quando nós duas passamos mais ou menos ao mesmo tempo por uma série de problemas.
Apesar de enfrentar os meus próprios demônios, tentei dar apoio e estar presente na vida dela o máximo que eu consegui, mas ela é do tipo que tinha que ficar na dela para processar as informações e acabou se afastando.
Além de não entender muito a sua recusa em ser ajudada ou manter contato, fiquei magoada porque estava precisando de apoio. Ela nunca tinha tempo/disposição/jeito para conversar por telefone/skype então o que nos restou foi comunicação por email que acabou em muito desentendimento.
Palavras são facilmente distorcidas neste tipo de comunicação porque processamos o que lemos não somente com a nossa inteligência, mas com o coração. Diria que principalmente com o coração no meu caso.
Hoje, anos mais tarde, consigo enxergar que tudo não passou de um enorme mal entendido. Que eu poderia ter usado palavras diferentes e sido mais compreensiva com ela. Mas quando estava no meio do furacão foi difícil enxergar o "lado dela" da história e fiquei sim magoada e com muita raiva.
E não me orgulho em dizer que praticamente mandei um email pra ela dizendo que não a considerava mais minha amiga. E a nossa comunicação foi esfriando mais e mais. Não havia felicitações de aniversário, Natal, Ano Novo. Até que um dia (numa atitude muito "madura" da minha parte) fiz uma limpeza nos meus contatos do celular e a deletei.
Pra ser sincera tinha esperança de que um dia ela iria por livre e espontânea vontade entrar em contato comigo novamente. Mandar uma mensagem, já que eu era a única que fazia comentários no status do WhatsApp dela. Mas isso não ocorreu. Ela nunca mais me procurou e eu não tenho mais o telefone dela.
Como não tenho redes sociais, resolvi usar o bom e velho email para contacta-la, porém acho que sou a única criatura no planeta terra que ainda acha que pessoas utilizam email para comunicar-se fora do ambiente profissional. Passaram-se semanas e nada de resposta, o que é uma pena.
Sei que pessoas passam pela nossa vida, mas realmente gostaria que ela tivesse permanecido. Sinto saudades dela.

Sorry Seems to Be the Hardest Word - Elton John
What have I got to do to make you love me
What have I got to do to make you care
What do I do when lightning strikes me
And I wake to find that you're not there?
What have I got to do to make you want me
What have I got to do to be heard
What do I say when it's all over?
And sorry seems to be the hardest word
It's sad, so sad (so sad)
It's a sad, sad situation
And it's getting more and more absurd
It's sad, so sad (so sad)
Why can't we talk it over?
Oh it seems to me
That sorry seems to be the hardest word
It's sad, so sad (so sad)
It's a sad, sad situation
And it's getting more and more absurd
It's sad, so sad (so sad)
Why can't we talk it over?
Oh it seems to me
That sorry seems to be the hardest word

Fevereiro

Fevereiro foi um mês curto porém intenso!
Por várias vezes sentei em frente ao computador para escrever e embora quisesse muito colocar para foras as idéias, observações, memórias de momentos importantes, as palavras me falharam e tudo acabou ficou guardando dentro de mim.
Talvez o maior acontecimento deste mês tenha sido a viagem para NYC no começo do mês. A minha sogra completou 70 anos e ela acabou decidindo que queria passar um final de semana prolongado na cidade, assim teria a oportunidade de estar com a família reunida. Eles voaram direto da Escócia e nós saímos de San Francisco 6 horas da manhã na sexta-feira e voltamos para casa na terça-feira pela manhã, fugindo da nevasca que assolou New Jersey e New York State. 
A viagem foi boa, é sempre muito bom colocar meus pés em NYC. São tantas lembranças que tenho daquela cidade, bateu saudades enormes de tantas pessoas que encontrei no meu caminho na época que morava pelas bandas de lá. Ainda acho estranho que eu me viro melhor caminhando e pegando metrô em NYC do que em São Paulo. 
Desta vez foi uma viagem diferente porque estávamos como "babysitter" dos meus sogros, já que a minha cunhada tinha o roteiro de viagem dela e queria mostrar a cidade e aproveitar com os filhos e não tinha a menor condição de arrastar os pais juntos. Foi bom porque passamos algum tempo com eles, geralmente durante a noite, mas  na minha singela opinião fazer viagem para reunir a família e cada um ir para um canto durante a viagem não faz o menor sentido, mas o importante é que todos ficaram contente e não houve briga. 
Eu e o meu marido já tínhamos uma idéia de que isto iria acontecer então nos preparamos e fizemos um roteiro que seria bom para os meus sogros e que não exigisse tanto fisicamente deles. Mas estar em NYC e não caminhar/ pegar metrô é praticamente impossível! Fico sempre preocupada com eles, principalmente no metrô porque os nova-iorquinos passam por cima de você num piscar de olhos se você estiver no meio do caminho deles e meus sogros caminham sem a menor preocupação no mundo ou prestando atenção ao redor deles. Apesar do meu stress, deu tudo certo e sobrevivemos à NYC.
Pra mim esta viagem teve um outro motivo muito especial, pois enquanto estava por lá marcou o aniversário de 12 anos que cheguei aqui nos EUA. Na data exata que marcou o dia da minha chegada ao país nós pegamos a balsa para ir até Staten Island só para passar pela Estátua da Liberdade e confesso que fiquei emocionada. Quem diria que 12 anos depois do nosso primeiro encontro eu retornaria a vê-la não como imigrante, mas como cidadã deste país. Queria muito visitar o museu do imigrante durante esta viagem mas não deu tempo. Fica para uma próxima vez.
Foi bom também passar um tempo com os meus sobrinhos que agora estão com 13 e 11 anos. Gente, como eu me sinto velha e xarope ao lado deles. Tenho uma amiga que diz que este é o trabalho dos sobrinhos: nos colocar no devido lugar e nos mostrar que já não somos tão jovens como imaginamos. Engraçado as conversas que a gente tem e eu tentei saber um pouco deles, do que gostam e fugir daquelas perguntas de sempre sobre a escola e o que você quer ser quando crescer porque não importa a sua idade, estas perguntas são muito chatas de responder.
Foi durante esta viagem que também tive a oportunidade de conhecer pessoalmente a Monique e foi ótimo bater um papo pessoalmente - e sair no frio de loja em loja atrás de luvas touch. Pena que o encontro foi corrido mas foi muito bom poder dar risada e reclamar da vida juntas. Espero que seja o primeiro de muitos e que tenha a oportunidade de encontrar outras pessoas queridas com quem só tenho contato online.
Depois deste encontro com a Monique e com a família do meu marido me bateu uma saudade muito grande da minha família e dos meus amigos. Queria deixar um pouco a visita para o Brasil para depois mas não deu, sinto que preciso recarregar as energias e estou planejando viagem pra São Paulo em abril. Como sempre vai ser corrido, mas acho que valerá a pena.