O sabor do Brasil...

Incrível como a nossa relação com comida não é apenas algo necessário para mantermos o bom funcionamento do nosso corpo. Este final de semana assisti um filme muito bom com o meu marido chamado "The hundred-foot journey" que fala sobre o encontro de culturas/comidas diferentes. Quem tiver a oportunidade de assistir, eu recomendo e muito!
Mas uma das cenas mais bonitas do filme e que me fez chorar muito, foi quando o chef de sucesso estava saindo do seu restaurante famosíssimo onde ele cozinhava comidas bem sofisticadas e encontrou um colega de trabalho comendo uma comida típica do pais deles e este compartilha da sua comida. O famoso chef então começa a comer e imediatamente ele começa a lembrar de coisas que aconteceram no seu passado e o seu colega diz: "Cada bocado te leva pra casa, não?".
Ahhh, só quem mora longe de casa sabe o significado desta frase... às vezes dá uma vontade louca de comer algo que às vezes a gente nem dava muita bola quando morava no Brasil. Acredito que seja mais do que vontade de comer a comida em si, de sentir o sabor, mas das lembranças associadas que esta comida traz dos lugares onde se esteve e das pessoas com quem se compartilhava aquela comida.
Muitas coisas me lembram o Brasil... durante a minha vida de expatriada aprendi a cozinhar muitas comidas pra ter o gostinho de casa - as vezes até as amigas ajudam na preparação como o dia em que resolvo fazer coxinha  - mas pra mim não tem uma coisa que me lembre mais o Brasil do que couve,  que aqui é chamado de collard greens. É só dar "um sustinho" nela bem fininha com azeite, alho e cebola (devido as minhas restrições alimentares nada de sal ou bacon) e eu estou lá, num dia qualquer no Brasil rodeada das pessoas que eu amo. E olha que eu nem comia tanto couve no Brasil, mas o sabor me transporta diretamente para lá, da mesma forma os lanches do Subway me lembram muito a época em que eu era au pair e ia passear em New York com minhas amigas.
Perguntei para o meu marido qual era a comida que lembrava a Escócia e ele falou: curry (comida indiana) e fish & chips (peixe empanado frito com batatas fritas). Achei a resposta interessante e sei que se perguntasse para outro escocês, a resposta provavelmente seria diferente.
E pra você, qual comida que te lembra o Brasil ou lembra algum lugar especial ou época da sua vida?

Ninguém

Hoje acordei com vontade de cantar música bem alto em Português.
Resgatei o meu Ipod velhinho, sincronizei com o computador e pluguei no carro. E cantei alto algumas músicas do Skank, Legião Urbana, Ira!, Pitty, Paralamas do Sucesso... ahhh que delícia cantar aquelas melodias tão conhecidas e tão cheias de memórias...
E aí eu cheguei na playlist da Maricel Ioris, uma cantora que conheci através de uma amiga brasileira... E escutei a mesma música, uma, duas, três, quatro, cinco vezes... como consegue traduzir bem em palavras e melodia o que estava na minha cabeça, no meu coração...


Ninguém - Maricel Ioris


Aquele que corre precisa que alguém o espere, que alguém o aguarde
Aquele que não vê precisa que alguém o guie, que alguém o ampare
Aquele que ama precisa da sua musa e do seu desejo
Aquele que dorme precisa que guardem silêncio e falem mais baixo
Aquele que ensina precisa que olhem, que ouçam e que o indaguem
Aquele que trabalha precisa que o motivem e o paguem
Aquele que guia precisa ligar o rádio e ouvir outras vozes
Aquele que toca e que canta precisa ouvir os aplausos e os bises

Ninguém é alguém sem ninguém
É alguém sem ninguém
(ninguém é alguém sem ninguém e eu não sou ninguém sem você)
Ninguém é alguém sem ninguém
É alguém sem ninguém
(ninguém é alguém sem ninguém, você precisa saber)

Aquele que não ouve precisa que alguém preste atenção nos seus gestos
Aquele que está solitário precisa que alguém o ensine a ser feliz
Aquele que dança precisa de espaço e alguém que acompanhe seus passos
Aquele que aprende a andar precisa de uma mão que segure a sua.

Ninguém é alguém sem ninguém
É alguém sem ninguém
(ninguém é alguém sem ninguém e eu não sou ninguém sem você)
Ninguém é alguém sem ninguém
É alguém sem ninguém
(ninguém é alguém sem ninguém, você precisa saber)

Aquele que vai embora precisa de saudade pra voltar pra casa
Aquele que ainda chora precisa de perdão pra esquecer a culpa
Pra se consolar
É preciso ouvir
Alguém falar
Pra não desistir
E procurar
A verdade em tudo
É valioso o relacionamento humano


As outras músicas dela você pode ouvir online por aqui ou pode baixas as músicas no Itunes.

Você vai sair dessa...



Às vezes esta frase não traz nenhum conforto porque geralmente vem de alguém que simplesmente não sabe o que dizer pra você, provavelmente quando você está enfrentando um problema ou um obstáculo na vida. Num naqueles momentos onde a dor é maior do que a alegria de viver, o desespero é maior do que a esperança de que dias melhores virão. Escutei esta frase várias vezes, especialmente nos últimos meses. Eu sei como é, não são todos os dias que acordo feliz e cantando louvores com o que vejo.
Porém, sexta-feira na cadeira do hospital, olhando ao meu redor e vendo outros pacientes a capa do livro com esta frase “Você vai sair dessa.” fez sentido pra mim. Fechei os meus olhos e me vi sozinha no leito de hospital desejando apenas um banho quentinho. Também me vi na minha própria cama, no escuro desejando apenas ter forças para caminhar lá fora, sair de casa e fazer as minhas atividades rotineiras como limpar, dirigir, fazer compras no mercado. Estou num lugar maravilhoso agora? De forma alguma, mas já estive em lugares piores, com certeza.
Não é fácil lidar com a dor, não importa como ela venha. Pode ser que seja um problema de saúde ou financeiro, um relacionamento quebrado ou sonhos não realizados. Dor é dor. Não é possível compartilhar dor, também não pode ser comparada ou medida. A dor machuca, mas não dura para sempre.
Eu vou sair dessa. E você também. Não estou sozinha e nem você, mesmo que você não acredite. Deus está esperando por você com Seus braços abertos. Ele entende a sua dor. Nós vemos o passado e o presente. Ele vê o que o futuro trará para você. Nosso trabalho é confiar Nele e pedir a Sua ajuda.
Seja paciente.
Olhe ao seu redor e veja as coisas boas que você já teve/tem. Isto vai dar forças para você continuar. Isto vai alimentar a sua esperança e a fé para dias melhores que estão por vir. Isto é o que faço quando os momentos/dias negros chegam. Isto é o que estava pensando sexta-feira e isto é o que estou pensando agora.
Não sei ou entendo porque tenho que passar por este caminho, mas confio que Deus está comigo e este caminho me levará para um lugar melhor e eu vou ter dias melhores. Não esquecerei destes momentos sombrios e de dor porque eles irão construir o meu caráter, eles irão me fazer uma pessoa melhor e mais forte. O que eu sei é que estes momentos não tão felizes vai fazer com que eu seja mais grata pela vida e valorizar o que realmente tem valor. A vida é tão preciosa e nós não damos o devido valor à ela muitas vezes… mais do que deveríamos, nós perdemos tempo com pequenos aborrecimentos e perdemos a visão do que é viver. A vida é boa e não deve ser desperdiçada. Nós nos esquecemos de sorrir e aproveitar a jornada. A breve jornada que temos aqui na Terra com os nosso amados.

Quando é preciso deixar partir...

A lição mais difícil que tive que aprender na vida foi deixar pessoas partirem.
Sabe aquela famosa metáfora de que nossa vida é um trem e que pessoas entram e saem em determinadas estações? Pra mim, os meu trem se assemelharia ao metrô de SP na estação da Sé em horário de pico. Abarrotado. E mesmo assim, não queria que ninguém saísse.

Pois bem. Desde muito jovem eu me agarrava demais às pessoas. Sofria horrores por paixões não correspondidas. Por anos! Curei-me da minha primeira paixão - que foi não correspondida depois de uns 4 anos de rejeição após me apaixonar e ser rejeitada novamente e ficar sofrendo por mais uns 2 anos. E assim por diante. Gastei grande parte da minha juventude sofrendo porque quem eu gostava não gostava de mim. Mas eu tinha os meus amigos. E isto acabava compensando tudo, certo? Errado.

Por muito tempo na escola eu fui odiada pelos meus colegas porque era a CDF, a chata puxa-saco da professora (mesmo não sendo puxa-saco coisa nenhuma) que sempre tirava notas boas. Não me perguntem porque mas eu não tinha muitos amigos na escola e sempre tinha alguém que queria me pegar na hora da saída, pelo simples fato de eu "ser metida". Claro que eu nunca briguei na porta da escola, eu ia pra casa mesmo sob vaias de "arregou, arregou, arregou". E foi somente na minha adolescência que eu encontrei a minha turma, no grupo de jovens da igreja em que frequentava.

Achava que todo mundo era meu amigo e que nós iríamos crescer juntos e conquistar o mundo juntos! E que a amizade iria durar eternamente, até chegarmos ao céu. Como eu era ingênua...
Bastou uma crise de depressão - por conta de um dos amores rejeitados - que vi um a um, todos os meus supostos amigos sumirem. E aí veio a primeira dura lição. A lição de que nos momentos mais negros da sua vida, naqueles momentos em que você não tem nada de bom para oferecer para ninguém, são pouquíssimas as pessoas que irão até você e te extender a mão para te tirar do fundo do poço.

Depois daquela depressão nunca mais fui a mesma. Nunca mais entrei no meio da multidão, não tive mais sorriso fácil e me arrisquei a fazer amizades com quem simplesmente olhasse pra mim. Comecei a ser seletiva porque o meu coração estava muito machucado. E não existe amizade sem doação certo? Mesmo assim, ao longo da minha vida, por todos os lugares por onde passei - trabalhos, faculdade, cursos, lugares onde morei sempre existe pelo menos uma pessoa com a qual consegui construir um laço de amizade que dura até hoje e isto pra mim é uma conquista enorme. Talvez estas pessoas não estejam tão presentes na minha vida como eu gostaria, mas sei que apenas um clique ou um telefonema basta para reconectar.

Algumas pessoas muito boas eu tive que deixar pra trás contrariada, porque era chegada a hora delas partirem, descerem em alguma das estações da vida. Percebi que elas estavam no meu trem porque a porta estava fechada. Era eu quem estava mantendo a pessoa lá dentro. Assim que eu resolvi abrir a porta do vagão,  foram embora e sequer olharam para trás para acenar. Não que elas estivessem desconfortáveis ou infelizes, apenas era hora de ir e talvez embarcar em uma outra viagem de trem.

Mas o que fazer quando a sua melhor amiga - aquela pessoa com a qual você ficava horas conversando, compartilhando segredos, dividindo amores, lágrimas e sorrisos, fazendo mil planos sobre o futuro e imaginando como seria as nossas famílias, filhos, a nossa velhice juntas , que foi sua companheira de viagem por uns 10 anos - dá o sinal de pare porque ela quer descer na próxima estação? O sinal vem sendo dado ao longo dos últimos anos, pequenas mancadas, sumiço nos momentos que mais precisei, desinteresse/muito ocupada para manter contato... eu insisti, eu lutei, tentei conversar sobre o assunto, mas pra ser sincera eu cansei. Até quando a gente perdoa as mancadas, as ausências e pára de ficar insistindo em uma amizade que parece que só você está interessado?

Estou muito triste em ver esta pessoa tão querida saindo aos poucos da minha vida, não por escolha minha, mas por escolha dela, mas a estação está chegando e eu vou abrir a porta. Talvez ela resolva ficar mais um pouco, ou desça e siga o seu rumo. Não sei. A única coisa que espero é que ela tenha feito uma boa viagem e guarde boas memórias da jornada que tivemos juntas. Porque é exatamente isto que farei, apesar da dor da partida.

E a vida volta ao seu ritmo normal...

Adoro receber visitas em casa. Sempre gostei de reunir amigos em casa, fazer comida gostosa, preparar passeios, dar uma de guia turística, sentar no sofá por horas e horas e horas e horas a fio e conversar até altas horas da noite. A minha família é grande, então estava acostumada a sempre ter alguém aparecendo em casa sem avisar e a minha mãe recebendo a todos com alegria e sempre alguma coisa pra comer. Mas ter visitas em casa não tem sempre o lado bom e bonito, tem o lado ruim também. É extremamente cansativo, porque você corre de um lado para o outro o tempo inteiro para ter certeza de que todo mundo está bem alimentado, confortável e feliz.
Pois bem, nas últimas 2 semanas a família inteira do meu marido (pais, irmã e 2 sobrinhos) ficaram aqui em casa conosco, foram bons dias por um lado, mas extremamente cansativos e estressantes. Como ainda não estou 100% recuperada da crise de Lupus, acabei não aproveitando tanto a presença deles quanto gostaria e até fiquei um dia de cama bem doente porque numa ânsia de querer acompanhar o ritmo deles e de ter uma vida "normal", acabei puxando demais os meus limites e não cuidei tão bem da minha saúde quanto deveria...
Agora a casa está vazia e a rotina voltará aos poucos. Deixo para trás os perrengues e pequenos aborrecimentos e lembro-me com carinho dos bons momentos, das risadas e da gostosa sensação de ter família por perto, casa cheia e barulho, já que estes momentos são tão raros na vida de um casal expatriado.

Turistando por San Francisco - Pier 39

Às vezes me dá uma vontade de dar uma de turista e vou para San Francisco para os lugares mais frequentado por visitantes da cidade. O Fisherman's Wharf é um destes lugares.
Não existe nada de especial naquele lugar, pra ser sincera... é um ponto bem turístico da cidade com vários restaurantes e lojas, mas gosto de ver o movimento e observar as pessoas entrando e saindo das lojas e restaurantes e imagino a impressão que elas estão experimentando ao passar por lá pela primeira vez. Sempre está muito cheio e por este motivo geralmente eu e o meu marido optamos em ir de trem até a Caltrain Station e fazemos a longa caminhada até o Pier 39. Deve ter mais ou menos uns 5km de extensão, mas não dá para sentir porque é plano e ao lado da água, é um calçadão enorme, então nem atravessar rua precisa. É uma caminhada tranquila e divertida, mas se a pessoa não quiser caminhar, pode pegar um trenzinho que leva até a Embarcadero e de lá pegar um trolley que leva até o Pier. A passagem de ônibus em San Francisco custa 2 dólares e eles dão um papelzinho que é válido por 2 horas, então troca-se de transporte sem problemas. Mas vale dizer que eles só aceitam dinheiro certo, nos ônibus não há cobradores, só a catraca onde você deposita o dinheiro ao lado do motorista, ou eles usam aqueles bilhetes eletrônicos chamado Clipper que descontam na porta do ônibus. Estes cartões podem ser adquiridos em qualquer farmácia da cidade e é bem prático.
Mas caminhando da estação de trem, passamos pelo estádio de baseball da cidade chamado AT&T Park, depois  pela linda escultura do arco do cupido, a Bay Bridge, o Ferry Building, o pier 5 (um dos meus lugares favoritos também) e  continuamos caminhando entre pessoas, passando pelo Pier 33 onde se pega o barco para visitar Alcatraz, finalmente chegamos no Pier 39.
Além das lojas e restaurantes onde há uma grande concentração de restaurantes e lojinhas para turista, em dias em que não há neblina - (estes dias são raros no verão) tem-se uma vista incrível da ilha de Alcatraz e da Golden Gate Bridge. No Pier 39 também tem o aquário de San Francisco, eu nunca visitei porque acho ele pequeno, eu prefiro o que fica na cidade de Monterey e é lindo, mas me disseram que se você não tiver oportunidade de ir até Monterey, o aquário é bem bonitinho. Há naquela região um museu de cera também - que particularmente eu não gosto e um outro museu de acredite se puder. Coisinhas para fazer na região não falta, então gasta-se boas horas só passeando por ali mesmo.
E não posso falar do Pier 39 sem falar dos bons leões marinhos que dão um show à parte! Eu ficaria um tempão só olhando e narrando as peripécias destes bichos desengonçados, mas o meu marido não aguenta ficar lá por muito tempo por conta do cheiro! Eles são fedidinhos e tem alguns dias que o cheiro é insuportável mesmo, mas isto não tira o charme destas criaturas fofas :-).
Saindo um pouco daquela região há também um lugar onde você pode comprar passeios de barco que passam pela Golden Gate e vão para outras cidades como Tiburon e Sausalito, que eu recomendo muito visitar se houver a oportunidade! E claro, a famosa Boudin, a fábrica de pão Sourdough de San Francisco (como se fosse um pão italiano redondo), onde você pode ver através da vitrine os padeiros fazendo os pães com formatos de tartaruga, ursinho, etc e comer o famoso Clam Chowder, a sopa de mariscos que é marca de San Francisco.
A útlima vez que estive lá foi mês passado quando a minha mãe estava aqui, nós estacionamos perto do Pier 39 porque eu não tinha condições de caminhar uma longa distância e a gente quase enfartou quando viu o preço do estacionamento! Portanto, fica aqui a dica ao ir pro Fisherman's Wharf a melhor opção é ir de transporte público, porque o estacionamento é caro e super disputado também, a maioria estava cheio às 11h da manhã de sábado.
Lembrando sempre de levar um agasalho já que o local fica próximo da água e sempre tem um vento gelado por lá e nos meses de verão é muito comum a neblina deixar o tempo meio acizentado e até frio! Não é à toa que um dos itens mais vendidos nas lojas de souvenir da cidade são moletons/agasalhos já que a maioria dos turistas acreditam que porque San Francisco é na Califórnia a temperatura é sempre quente!
Mas chega de blábláblá.... algumas fotos da minha última visita ao Pier 39, infelizmente eu tirei as fotos do meu computador e não tenho fotos do caminho entre a estação de trem e o Pier, mas nada que o nosso amigo Google não ajude para dar uma idéia do passeio gostoso que é!

Pier 39 - Vista da ponte do estacionamento

Pier 39  - ao fundo a Golden Gate Bridge e o lugar para pegar os barcos de passeio
Num lindo dia dá para ver Alcatraz
E os famosos leões marinhos

A vitrine da Boudin, a padaria mais famosa da cidade

Dentro da loja da Boudin, dá uma fome e vontade de levar tudoooo!

O prato da cidade de San Francisco - Clam Chowder.