Do Japão para a Índia

Acho que não poderíamos ter feito uma viagem tão, mas tão contraditória como ir do Japão para a Índia. Foi uma viagem extremamente cansativa, mas que vai ficar na memória para sempre - tanto pelas coisas boas como pelas coisas ruins! Depois que voltei para casa com o relógio biológico totalmente zoado e o resfriado - que ainda não passou, demorou um pouco para digerir tudo o que vivenciei nos últimos dias de 2017 e acho que agora dá para escrever com calma as minhas experiências nestes dois lugares incríveis.

Japão / Tokyo

A viagem para o Japão foi muito, muito breve. Não conseguimos nem ver muita coisa em Tokyo, mas deu para ter um gostinho da cidade.
Fiquei muito emocionada  quando o avião pousou em Narita. O aeroporto é muito moderno e super organizado. Achei engraçado que um dos fiscais da fila de imigração viu meu passaporte e disse: "Oi Brasileira!". Meu marido ficou impressionado e eu lembrei que muitos, muitos brasileiros migram para o Japão e a nossa presença por lá é significativa, ou era pelo menos.
Uma coisa que percebi é que o povo japonês adora placas de sinalização. Existem placas com instruções, desenhos, localização, setas. Mesmo assim, demorei um pouco para me situar porque as placas estão - obviamente - em japonês e os sinais em inglês as letras são menores e mais difícil de enxergar.
Do aeroporto pegamos o trem Narita Express que nos deixou na estação de trem perto do hotel. Nesta hora dei graças a Deus que o meu marido é um expert em trens e já viajou muitas vezes para o Japão porque além do sono e cansaço, eu não tinha a menor idéia de onde estava e para onde deveria ir.
O hotel foi bem localizado próximo da estação Shinagawa de trem. Um ônibus de graça levava a gente da estação para o hotel, o problema foi que a placa do ônibus tinha o nome do hotel em japonês, ou seja, a gente ficou 30 minutos numa temperatura quase abaixo de zero esperando o ônibus que não chegava - e que passou por nós 3 vezes - até que uma boa alma viu a gente com as malas e disse que aquele era o ônibus certo.
A gente praticamente saía do hotel de manhã depois de tomar um belo café da manhã e batia perna até cansar ou começar a dar sono. Fiquei impressionada com o sistema de transporte de Tokyo que apesar de ser super confuso, funciona bem. Meu marido disse que as sinalizações das estações e trens melhoraram muito - agora tem os nomes em inglês - e eu só fiquei pensando no sufoco que os milhões de turistas vão passar indo pra Tokyo na época das Olimpíadas. A melhor forma de navegar pela cidade é usar o Google Maps ou o Apple Maps, que dá corretamente o nome dos trens, onde desce, onde faz conexão e muito importante - qual a saída da estação utilizar porque cada estação tem milhões de saídas.

Não tinha a menor idéia de onde ir


Durante a nossa estadia na cidade fez muito, muito frio - o que significa que qualquer lugar fechado estava muito muito calor por causa dos aquecedores, mas graças a Deus não choveu nenhum dia então deu para aproveitar bastante.
Fomos visitar o Museu do Trem (para alegria do meu marido), passeamos também na região de Asakusa para visitar o templo budista mais antigo da cidade e observar a feirinha em frente ao templo. Também fomos olhar Tokyo do observatório do prédio do governo no centro da cidade, porque eu queria tentar ver o monte Fuji, mas não queria pegar filas enormes ou pagar muito por isso. O  dia em que fomos lá estava claro e tivemos uma vista maravilhosa do Monte Fuji e acho que foi naquele momento que caiu realmente a ficha de que estava no Japão.
Pavilhão principal do Museu do Trem em Tokyo

Olá Monte Fuji!

A noite fomos visitar aquele famoso cruzamento da cidade, e claro que atravessamos umas duas ou três vezes para desespero do meu marido. Encontramos um prédio que vendia records e entramos apenas com a intenção de olhar, mas ambos compramos CDs - Eu a edição limitada do CD da Adele 21 e o meu marido a caixa comemorativa do Elton John.
O passeio que mais gostei da cidade foi sem dúvida ter ido até Odaiba, uma ilha artificial anexada à cidade através de uma ponte chamada Rainbow Bridge (a ponte é iluminada com as cores do arco-íris à noite). Esse é um local cheio de entretenimento, shopping, restaurantes e parque. Eu queria ver a estátua gigante de um robô chamado Gundan e também olhar a réplica da estátua da liberdade que ficava no parque à beira mar e com uma vista maravilhosa da cidade. Acabamos caminhando por lá e vimos o mais bonito entardecer da viagem, sentamos para tomar café e admirar a paisagem.

Vista de Tokyo de Odaiba

Porque a gente comia muito bem no café da manhã, comíamos besteirinhas durante o dia e a noite pegamos alguma coisa na estação do trem ou comemos no restaurante do hotel. Não sou fã de comida japonesa crua - sushi, sashimi - mas gosto muito de ramen e curry. O meu problema era encontrar esses pratos sem carne de porco porque não gosto muito e a maioria da comida sempre vinha com carne de porco. Já estava triste porque não iria encontrar ramen quando encontrei e pude saborear um delicioso Ramen antes de deixar o Japão.

Adoro olhar as comidas de plástico nas vitrines em Tokyo

A viagem passou correndo e quando a gente percebeu já era hora de seguir caminho para Delhi.

Índia - New Delhi / Agra / Jaipur

O choque cultural começou quando a porta do avião abriu no aeroporto de New Delhi. Era 1 hora da manhã quando chegamos e o aeroporto estava coberto por uma névoa, que na verdade não era névoa mas pura poluição! Tínhamos sido alertados para levarmos máscaras com filtros para nos proteger porque o ar da cidade estava com níveis de poluição perigoso para a saúde, já que alguns agricultores ao norte estavam fazendo queimadas para preparar o solo para plantio e toda a fumaça estava indo pra New Delhi.
A primeira impressão era que tudo era tons de bege, marrom e laranja. A imigração não foi uma das mais eficientes, tivemos que trocar de fila 3 vezes porque cada um dava uma informação diferente de onde deveríamos ir. Ali nós percebemos que teríamos que ter muita paciência e bom humor para aguentarmos os dias que ficaríamos por lá, porque tudo na Índia tem as suas próprias regras e também o seu próprio tempo.
Chegar num lugar desconhecido à noite nunca é uma experiência agradável porque a gente nunca sabe o que encontrar. Acabamos ficando num hotel próximo do aeroporto porque era muito tarde para seguirmos viagem no meio da cidade - além de ter sido alertados que não era muito seguro.
Ao chegar no hotel, o carro é revistado para poder entrar pelos portões que dá acesso a entrada do hotel. A gente passa pelo raio-x e nossas malas são levadas para ser escaneadas e só a vemos quando entramos no lobby do hotel. Eu fiquei impressionada com tamanha segurança, mas meu marido disse que medidas de segurança começaram a apertar em hotéis depois que um hotel em Mumbai sofreu um atentado com bomba em 2008. Passamos por raio-x todas as vezes que entrávamos do hotel em todos os hotéis que ficamos.
A nossa aventura realmente começou no dia seguinte quando nossa família - que tinha chegado no dia anterior foi nos buscar no hotel para seguirmos viagem para onde ficaríamos 3 dias em Delhi e onde a recepção do casamento aconteceria. A gente mal sabia o que estava por vir...
Antes de viajar para a Índia pesquisei muito sobre costumes,  sobre os lugares que iríamos e lembro que uma frase ficou muito marcada comigo: "Você não visita a Índia, você vive a experiência de estar na Índia". Isso é a mais pura verdade. Daqui por diante vou falar dos aspectos da Índia por sessões porque senão o relato ficaria extremamente longo e poderia deixar de escapar os meus pensamentos sobre esse lugar fascinante.

Poluição / Cheiro
O que haviam falado sobre a poluição é verdade.  O ar do lugar tinha gosto. Você tinha a sensação de que podia tocar o ar, aquele ar marrom. A gente não vê o azul do céu, é um alaranjado constante, principalmente no meio de Delhi. Eu e meu marido usamos a máscara - não tanto quanto deveríamos por vergonha, mas ninguém do restante da família usou. Resultado: todos sem exceção voltaram para casa com problemas respiratórios decorrentes da poluição. Portanto, se for pra lá use máscara!
Achei que a Índia iria feder muito mais. Talvez por conta da poluição e também por ser inverno o cheiro não era tão insuportável. Digo isso porque quando a gente saiu do centro de Delhi em direção ao interior, víamos ao longo de muros e de quintais pilhas de discos amontoados e quando perguntei para a minha prima indiana o que era aquilo ela falou que era esterco de vaca! Eles modelavam o esterco em discos e depois utilizavam como combustível para cozinhar - não todas as pessoas, mas as mais pobres. Meu fiquei imaginando aquele monte de esterco ao céu aberto no calor de 45C!

Esterco secando para virar combustível 

A gente passou por vários lixões e o cheiro lá era insuportável, mas no geral - e com o uso de máscara com filtro - o cheiro não era tão ruim.

Trânsito
Jurei pra mim mesma que nunca mais iria reclamar de trânsito em lugar nenhum. Simplesmente não há ordem e as linhas das ruas e avenidas são apenas sugestões que ninguém obedece. Se tem espaço, carros e tuk-tuks (aquelas motinhos de 3 rodas) se enfiam. Fora as buzinas. CONSTANTEMENTE. É ensurdecedor e constante! Engraçado é que de alguma o caos forma funciona e o trânsito flui. Além dos carros, tuk-tuks e caminhões,  elefantes e vacas transitando pelas ruas junto com os pedestres atravessando a rua. No meio de New Delhi não há animais nas ruas, mas saindo da cidade a presença dos mesmos é constante!
Ninguém usa cinto de segurança a não ser os passageiros da frente e num carro sempre cabe mais do que 5 pessoas- e nos tuk-tuks também! Um dia nós fomos para o centro de New Delhi para achar uma Starbucks - eu queria comprar uma caneca para a minha coleção - e achar um restaurante para almoçarmos e experimentamos o perigo e a diversão que é atravessar uma avenida na Índia! A gente achou - por sorte! - um cruzamento com semáforo e fomos que fomos. Depois deste primeiro cruzamento tivemos que cruzar ruas menores, e desta vez fomos com a cara e a coragem. O segredo é quando surgir uma brecha vá e não páre. Os tuk-tuk e carros desviam de você, por nada deste mundo hesite no meio da rua, continue caminhando! Imagina 8 pessoas - incluindo 4 idosos - cruzando a rua no meio da cidade! A gente falou que deveríamos ganhar um troféu de "sobrevivemos cruzar ruas em New Delhi".

Pequeno exemplo do trânsito em Delhi


Sujeira / Pobreza - Limpeza / Luxo
Lemos muito e ouvimos muito falar sobre a sujeira e pobreza que existe na Índia. E ela existe. Infinitamente maior do que imaginamos. Há lixo EM TODO LUGAR. No meio da cidade, no meio da rua, entre as casa, entre o mercado a céu aberto. E no meio do lixo há vacas procurando comida, crianças brincando. Choca. E muito. E da mais aperto no coração ainda quando saímos do caos das ruas da cidade e entramos em hotéis para os turistas, cheios de luxo. Ou quando passamos por um shopping center com lojas de marcas famosas. É uma desigualdade social muito grande por lá. A gente sempre tem em mente aqueles pobres indianos mas há muita gente rica na Índia. Podres de rico. É aquele velho problema da corrupção e poucas pessoas segurando poder e dinheiro e mantendo a situação de pobreza para uma grande parte da população.
Confesso que o tempo todo que estive na Índia me senti muito incomodada e desconfortável. Enquanto estava olhando a beleza do país, vivendo a Índia com sua beleza e observando como espectadora os diversos problemas, no final do dia ia para o meu hotel confortável e sabia que dali alguns dias eu iria pegar o avião e deixar tudo aquilo para trás, enquanto muitas pessoas jamais irão sair daquela vida de pobreza.
O interessante é observar que a maioria tem expressão sofrida, mas também expressa felicidade e muita espiritualidade. Pra mim ainda é muito difícil expressar o que senti vendo tanta pobreza por lá, é algo que nunca vou esquecer.
Vista da janela do hotel "5 estrelas" em Agra, próximo ao Taj Mahal

Perguntei para a minha prima o que ela achava das infinitas ONGs que tentam ajudar a aliviar a pobreza na Índia e o que os indianos pensavam dos estrangeiros que vinham para ajudar. Ela falou que é um assunto muito complexo e que é um band-aid para um problema muito sério. Ela disse que infelizmente muitas ONGs não são tão bem intencionadas assim e que acabam usando a desculpa de ajudar e servem como um canal para lavagem de dinheiro e corrupção e que muitas pessoas vão para a Índia ajudar para se sentirem bem consigo mesmas, mas que a longo prazo não estão ajudando mesmo as pessoas. É um assunto muito complexo que gostaria apenas de deixar aqui para reflexão.

Os animais - vacas, camelos, elefantes, cachorros, macacos
Há animais soltos por todo lugar. Vacas - que são sagradas, porcos, cachorros, camelos, elefantes. Ás vezes a gente não acredita nos nossos próprios olhos quando os vê entre os carros. Perguntei pra minha prima sobre as vacas se elas pertenciam a alguém e ela disse para minha surpresa que elas tem sim donos, mas que muitos não tem o que alimenta-las então acabam soltando durante o dia para elas acharem comida onde podem e essas pessoas tiram leite das mesmas para alimento. Ela falou que o governo está tentando combater isso porque infelizmente muitas vacas estão ficando doentes por comer plástico dos lixos, então está tendo uma campanha para recolher restos orgânicos das casas das pessoas para alimentar as vacas. Ela falou também que durante a noite uma pessoa as recolhe e as levam para um lugar seguro para dormir. Ela não soube dizer o que eles fazem com elas quando elas morrem.
Vi camelos sendo usados para transporte, mas fiquei morrendo de dó de ver elefantes caminhando pela estrada pela manhã ou a noite (depois de um dia de trabalho) principalmente na cidade de Jaipur, onde há muitos lugares onde os turistas vão para montar em elefantes. Em uma das atrações da cidade, o Amber Fort há a opção de subir a montanha montada no elefante, mas acho isso cruel com os animais. Por mais que os tratadores digam que eles são bem cuidados, isso não é lugar de elefante! Tenho muita vontade de um dia poder vê-los em seu habit natural, mas jamais teria coragem de pagar para alimentar, dar banho ou montar em um porque isso só acaba incentivando mais e mais a prática de manter-los em cativeiro.
Elefantes na estrada em Jaipur

Cachorro abandonado tem aos montes também, mas eu não lembro de ter visto gatinhos.
Outro animal selvagem que vi aos montes eram macacos. Não queria de jeito nenhum chegar perto, porque eles não tinham uma cara muito amigável, sabe-se Deus que tipo de doença carregam e também porque são muito imprevisíveis e atacam mesmo as pessoas.
Macacos no Taj Mahal

Comida
A pergunta que mais me fizeram antes e depois da viagem foi sobre a comida na Índia. Era também o tópico que estava me deixando mais preocupada porque é muito, muito comum pessoas que visitam o país sofrerem de "Delhi belly" ou seja problemas gastrointestinais por conta de intoxicação alimentar.
Quando digo que não tive nenhum problema com a comida lá as pessoas ficam surpresas, mas é verdade. Em primeiro lugar eu AMOOOOO comida indiana e já era familiarizada com alguns pratos e tive a oportunidade de experimentar muita coisa. Comi muitos pratos vegetarianos - a família da minha prima é vegetariana, mas há tanta coisa gostosa pra comer que sinceramente carne não fez falta. Principalmente porque comemos muito paneer (um queijo tipo coalho cortado em quadrados e que faz parte de curries deliciosos). Tem uma variedade enorme de pães para acompanhar com os curries, que para a minha surpresa não eram tão apimentados como eu imaginei que seria. A gente comia comida indiana no café da manhã, almoço e janta! É na verdade a comida mais segura para comer porque tudo é cozido e servido bem quente! Quando comíamos em restaurante e havia opção de frango assado ou curry com frango a gente comia sem problema nenhum.
O que evitei o tempo inteiro foram comidas não cozidas - então nada de salada ou frutas, ou comidas de buffet - que não estavam muito quentes.
Jantar especial em Jaipur chamado Thali - um pouco de cada coisa - estava uma delícia

Quando a gente viajou entre New Delhi e Agra (3 horas de carro) e Agra para Jaipur (7 horas de carro) a gente parou em restaurantes na estrada, mas eu preferi não arriscar e comemos os salgadinhos, biscoitos e lanchinhos que levamos de casa pra lá. Nós sabíamos que iríamos passar muitas horas na estrada e era o nosso backup caso não encontrássemos algo para comer. A nossa família deu risada, mas no fim todos acabaram compartilhando dos lanches também.
Água a gente só bebia de garrafa e sempre verificava se estava realmente lacrada. Alguns de nossa família foram mais aventureiros e até comeram algumas frutas, mas todos seguiram mais ou menos a mesma regra e graças a Deus nenhum de nós sofremos com "Delhi belly".
Confesso que depois de uma semana a primeira comida que comi quando cheguei no Japão para fazer a conexão foi um hambúrguer!

Higiene / Banheiro
A água da Índia não é segura para beber e tomamos precauções extras para não ficarmos doentes como utilizar apenas água mineral para escovarmos os dentes também. Todos estavam munidos de álcool gel e sempre utilizávamos antes de comer e depois de ir ao banheiro.
Encontramos banheiros em todos restaurantes e pontos turísticos. Nos pontos turísticos tinha que pegar uma pequena taxa para entrar e às vezes tinha uma pessoa lá dentro dando papel higiênico pra você (em troca de gorjeta). A dica que dou é sempre tenha na sua bolsa rolo de papel higiênico ou lencinho de papel porque nestes lugares raramente tem papel - e eu não ia usar um papel que outra pessoa tocou né? Os banheiros são usáveis e a maioria tem vaso sanitário. Só aconteceu uma vez da gente ir a um banheiro que só tinha o buraco pra agachar e fazer as necessidades. Porque estava sempre com papel e álcool gel, não tive maiores problemas.
Achei interessante que em todos os banheiros existe uma mangueira do lado do vaso sanitário porque como de costume, algumas pessoas não usam papel higiênico, lavam o que tem que lavar com agua e a mão esquerda, por isso quando for comer evite usar a mão esquerda ou pegar coisas com a mão esquerda.
Nos restaurantes que comemos tinha talheres, mas algumas comidas a gente usava a mão mesmo. Por isso a importância de ter sempre álcool gel consigo. Além dos cuidados com a comida, o uso constante do álcool gel manteve a gente livre de doenças.

Roupas
Antes de viajar estava preocupada se as roupas que estava levando seriam adequadas para a Índia. Apesar de ser inverno as temperaturas giravam em torno de 25C durante o dia e esfriava um pouco a noite. O problema maior era saber se eu tinha roupas modestas o suficiente para um país tão conservador. Acho que as roupas que levei foram mais do que adequadas - jeans, camiseta de manga cumprida e sempre usava um encharpe/lenço ao redor do pescoço que poderia ser jogado como um xale. As mulheres indianas usam e muito o sari e também batas com calça jeans, mas em Delhi muitas usam camisetas, calça jeans normais. Vi alguns estrangeiros usando regatas e shortinhos, mas sinceramente eu não aconselharia primeiro porque as pessoas encaram você pelo simples fato de você ser "diferente". E num país tão conservador não ia querer chamar mais atenção ainda. Engraçado que da mesma forma como a gente achava tudo diferente e tirava fotos das pessoas, ruas, vi muitas pessoas tirando fotos da gente também. As crianças sempre mais desinibidas, davam tcham, falavam oi e caiam na gargalhada.
Indian woman walking about - for them it was cold!
Gorjeta / A "taxa do estrangeiro"
Uma coisa que me irritou extremamente na Índia é a questão da gorjeta. Em todo lugar sempre tinha alguém pedindo gorjeta por um serviço prestado, informação dada, favor feito. Algumas coisas é cortesia dar gorjeta como restaurante, o motorista da van, o guia turístico. Mas a moça que entrega papel higiênico pra você no banheiro, alguém que te dá informação de onde o banheiro está, o cara que pega a sua mala sem você pedir. Chegou uma hora que eu não tinha mais notas pequenas e comecei a ser a "mal-educada" porque não dava mais gorjetas.
Um sentimento terrível é que você está sendo "roubado" ou "enganado" o tempo inteiro com relação a preços. Em todos os pontos turísticos há dois preços para a entrada: indianos e estrangeiros. Nós pagamos a "taxa para estrangeiros" o que significa é que pagamos sempre mais porque somos estrangeiros. A entrada do Taj Mahal por exemplo, para estrangeiro são 1000 rúpias, o equivalente a 10 dólares mais ou menos enquanto um indiano paga 40 rúpias para entrar mais ou menos 40 centavos! E em todas as lojas que não tinha preço marcado o preço dado pra gente era sempre maior - muito maior! Por isso é importante sempre pechinchar - e mesmo assim você vai acabar pagando mais provavelmente. Apesar da minha prima ser indiana e poder negociar em hindi o preço, eu fiquei sem vontade de olhar coisas para comprar e acabei nem comprando uns souvenirs que queria muito.

O casamento
O primo do meu marido já havia oficialmente casado com a esposa indiana em julho do ano passado, mas como nem toda a família dela pôde ir para o Canadá, a família dela organizou uma festa para celebrar a união. A principio eu achei que teria aquele casamento com toda a pompa e circunstância, só fiquei sabendo que era uma recepção quando cheguei la e pude conversar melhor com a minha prima (falo minha prima pra ficar melhor de escrever do que colocar o nome dela ou dizer a esposa do primo do meu marido - que no final das contas é prima mesmo! hehe). A princípio eu queria muito comprar uma roupa tradicional, mas chegando apenas 2 dias antes da festa, decidi não arriscar e comprei um vestido que até tinha uns toques indianos pela internet -e me deu a maior dor de cabeça porque tive que mandar para a costureira consertar depois. Depois eu meio que me arrependi porque eles faziam vestidos lindos sob medidas em menos de 24h, mas a gente estava com um horário de atividades tão apertado, não queria abrir mão de passeios por conta de um vestido!
Mesmo sendo apenas a festa de celebração teve toda uma preparação e a gente participou de uma tradição onde a noiva e a família dela faz aquelas tatuagens de henna nas mãos e braços. Fiquei super feliz em participar mas na hora faltou coragem de fazer o braço inteiro - como a noiva fez - e escolhemos -eu, mãe e tia do noivo e mãe da noiva - um mesmo desenho para as palmas das mãos e fizemos desenhos diferentes nas costas das mãos. Foi uma manhã muito divertida, com muita risada. Eu nunca imaginei que eles fizessem aquela tatuagem elaborada tão rápido - 15 minutos e as duas mãos estavam prontas, mas dois rapazes fazia um cada mão. O problema foi esperar secar 2 horas sem poder fazer muita coisa! Depois eles passam um óleo pra cor ficar mais viva e mais 30 minutos você tira o excesso e o desenho fica na sua mão. Primeiro a cor fica um alaranjado, mas com o passar dos dias fica mais escura. A minha tatuagem durou 1 semana, até começar a desaparecer aos poucos!
Esperando a henna secar
No horário marcado para o início da festa só nós estávamos lá no horário combinado,  os outros convidados só chegaram horas depois e de pouquinho em pouquinho! Foi uma festa bem legal, com musica ao vivo, boa comida e muita conversa.
Foi engraçado que a gente estava numa roda conversando e de repente a roda começou a dançar do nada e entrei no embalo! Ainda bem que a minha família entrou na dança também, acho que deve ter um monte de vídeos pela internet da gente dançando por aí. Todos foram muito simpáticos e vieram com muita curiosidade conversar conosco. Foi sem dúvida uma das melhores festas que já participei na vida.

Nunca me diverti tanto numa festa!
Passeios
Como havia dito anteriormente, o tour foi programado pela minha prima e a família dela. Estava bem nervosa com o planejamento porque às vezes você tem seus gostos e preferências de passeios, mas como estava num grupo as coisas tinham que ir de acordo com o gosto e passo de todos. 7 dias não foram nada para explorar os lugares onde passamos. Visitamos poucas atrações em Delhi, em Agra fomos ver o Taj Mahal e o Agra Fort e em Jaipur fomos apenas no Amber Fort e no City Palace. Tinha muita, mas muita coisa para ver e pouco tempo. Infelizmente o trânsito não ajudava na locomoção e acabávamos ficando muito cansados para nos locomover de um lugar para o outro.
Acho que como parte do pacote os guias sempre tentavam empurrar a gente pra uma determinada loja ou fábrica com preços incríveis e produtos autênticos o que acabou nos irritando um pouco e tirava um tempo do dia precioso para passearmos. Como não estávamos interessados e não comprávamos nada o guia ficava meio injuriado e depois ficava meio de mau humor e má vontade para mostrar os outros lugares. Você pode visitar muitos lugares mais sossegado sem a ajuda de um guia, mas confesso que as vezes ajudou bastante ter um guia para nos ajudar a navegar nas filas de entrada que era uma bagunça sem fim. Primeiro porque tem fila para indianos e estrangeiros, mas depois a fila divide novamente entre homens e mulheres porque é preciso fazer revista e somente mulheres podem revistar mulheres - aliás, em todo lugar há separação entre mulheres e homens na segurança, inclusive nos aeroportos, portanto é importante cada um ter o seu ticket para entrar nos lugares.
A minha maior frustração com o guia foi quando fomos visitar o Taj Mahal, que era a atração esperada por todos e que o guia saiu praticamente correndo com a gente pelo jardim, enfiou a gente no meio da muvuca pra entrar dentro do Taj no escuro - já estava escurecendo - e foi a experiência mais agonizante e aterrorizante da viagem. Era tanta gente espremida num lugar pequeno e escuro que dava medo de alguém entrar em pânico e saísse pisoteando uma a outra. Mas graças a Deus nada de ruim aconteceu e foi uma experiência que pudemos vivenciar juntos, como família, ver aquele monumento lindo que nenhuma foto ou vídeo será capaz de capturar.
Vista do Taj Mahal ao entrar no East Gate
Apesar de todos os pesares, faria essa viagem novamente sem pestanejar, foi uma aventura inesquecível e que ficará para sempre na memória. Quando estávamos retornando para Delhi de Jaipur, resolvemos pegar um vôo de 45 minutos entre as cidades já que à noite iríamos iniciar o nosso retorno para casa.
Lá no aeroporto encontramos um casal de brasileiros viajando com duas filhas e a menina quase caiu para trás quando eu disse pra ela em português que conhecia a música que ela estava cantando - o hino nacional. A partir dali começamos a conversar um pouco e foi interessante ouvir a opinião de outros brasileiros sobre a Índia.
Nós concordamos que apesar da pobreza e da sujeira, eu não me senti insegura caminhando ou passeando pelos lugares turísticos. Claro que sempre precisamos ficar atentos porque há muito trombadinha em todo lugar - no meio da muvuca do Taj alguém colocou a mão no bolso do meu marido - mas confesso que me senti muito mais tranquila caminhando por lá do que em São Paulo.
O casal mora aqui no Colorado, mas é do Rio de Janeiro, ele começou a viajar um pouco dizendo que a Índia é melhor do que o Brasil e aí eu acho que ele já começou a viajar na maionese. É muito difícil fazer comparação entre os dois países com seus problemas tão complexos de pobreza e corrupção, mas é inegável que há muitas similaridades entre os dois tanto positivas como negativas.
Posso dizer que fui e experimentei um pouco o que a Índia tem a oferecer, mas saí de lá com muita vontade de retornar - ir novamente no Taj! - e conhecer outros lugares, as regiões montanhosas do Himalais, Goa. Não sei quando terei novamente oportunidade, mas espero que um dia possa retornar e vivenciar um pouco mais a inesquecível e incrível Índia.

Recomeço

"1 de janeiro. Ano novo, vida nova. Este ano será diferente e vou tirar do papel as 2.346.864.964 idéias e planos para a minha vida. Vou emagrecer, ter mais saúde, ser mais alegre, colocar a minha vida em ordem."
Esta era a forma que eu recebia o novo ano, mas este ano as coisas estão um pouco diferentes. Talvez porque agora tenha a maturidade suficiente para saber que virar o ano no calendário não me dá super poderes para me tornar uma pessoa diferente. É preciso mudar atitudes para se ter uma vida nova, resultados novos. É preciso começar para poder chegar à algum lugar. E é justamente aí que o bicho pega.
Assustei-me quando olhei para o calendário e vi que já é dia 9 de janeiro. Nos primeiros dias do ano estava lutando para colocar o relógio biológico em ordem, já que o fuso horário de 13h30min da Índia pra cá bagunçou todo o meu ciclo de fome e sono. Quando as coisas começaram a entrar nos eixos, bum, fiquei doente. Achei melhor não esperar e fui no consultório do meu médico e respirei um pouco mais aliviada porque era apenas um resfriado forte e não algo mais sério como a gripe que está assolando por aqui.
Então estou aqui esperando este resfriado passar e eu recuperar energia para poder "começar o ano" e escrever sobre a viagem ao Japão e Índia.
Por hoje é só pessoal.


Retrospectiva 2017

2017 acabou. Que ano intenso!
Foi um ano bem complicado, cheia de coisas ruins acontecendo ao redor e passei por muitas lutas pessoais. Porém houveram tantos momentos bons e inesquecíveis, realizações de sonhos!
Espero que 2018 traga mais equilíbrio e serenidade pra eu enfrentar os obstáculos e vibrar com cada conquista!

  1.  O que você fez em 2017 que você nunca tinha feito antes? Comecei a tomar lições para tocar piano e fiquei super emocionada quando toquei a minha primeira "música". Um sonho antigo que se tornou realidade, mas preciso continuar a praticar e aprender muita coisa, estou só no comecinho.
  2. Você manteve as suas resoluções de ano novo, e você fará novas resoluções para o próximo ano? Consegui manter algumas das minhas resoluções do ano passado que foi cuidar um pouco mais da minha saúde (mental e física). Não sei se farei resoluções para o este ano que chega, mas tenho alguns objetivos que quero muito que se tornem realidade! 
  3. Alguém próximo de você teve filhos? Não.
  4.  Alguém próximo de você morreu? Não.
  5. Quais países você visitou? Coréia do Sul, Escócia, Itália, Canadá, Brasil, Japão e Índia 
  6. O que você gostaria de ter em 2018 que lhe faltou em 2017? Mais confiança e auto-estima para desenvolver meus projetos para minha vida pessoal e profissional.
  7. Quais as datas de 2017 que ficarão em sua memória e por quê? 30 de junho - o dia em que caminhei orgulhosa usando uma bata na frente da minha mãe, esposo e família para pegar o meu diploma. Foi o final de uma jornada de superação de muitos obstáculos e a concretização do sonho de uma adolescente paulistana. 24 de dezembro - o dia em que vi com meus próprios olhos o tão sonhado Taj Mahal refletindo a luz do por do Sol. Foi uma experiência que me tirou palavras e até agora não consigo descrever a emoção que senti pois é um lugar que sempre tive muita vontade de conhecer.
  8. Qual foi a sua maior realização neste ano? Ter sobrevivido os altos de baixos de 2017. 
  9. Qual foi a sua maior falha? Ter me isolado tanto de outras pessoas.
  10. Você teve alguma doença/sofreu acidente? Graças a Deus não.
  11. Qual foi a melhor coisa que você comprou? Viagens! Acho que não existe melhor uso de dinheiro.
  12. Onde você gastou a maior parte do seu dinheiro? Viagens e contas.
  13. O que mais te deixou animada? Preparar e fazer roteiros de viagens e participar de 2 casamentos na família
  14. Qual música vai te fazer lembrar 2017? "Paradise" do Coldplay
  15. Comparando com a mesma época no ano passado, você está:
    1. mais feliz ou mais triste? Mais feliz
    2. mais magra ou mais gorda? Mais gorda
    3. mais rica ou mais pobre? Mais rica
  16. O que você gostaria de ter feito mais? Parece que esta parte nunca muda... ter cuidado mais da minha saúde física, ido mais à academia e ter aproveitado mais os dias de Sol.
  17. O que você gostaria de ter feito menos? Perdido tempo ruminando sobre problemas que estavam fora do meu controle para serem resolvidos. 
  18. Como você passou o seu Natal? Putz, o Natal de 2017 vai ficar pra história. A manhã de Natal passei em Agra Forte e depois foi na estrada, numa van com meu marido, sogros e um casal de tios e primos na Índia entre as cidades de Agra e Jaipur. A gente comeu de almoço batata frita porque não tinha restaurante decente pra gente parar. Foi o Natal mais sem cara de Natal da minha vida. 
  19. Qual foi o seu programa favorito? Grey's Anatomy - apesar da nova temporada ter deixado muito a desejar e ter só melhorado nos últimos capítulos, estou revendo novamente as antigas temporadas e às vezes me pego filosofando com as falas e monólogos dos personagens.  
  20. Quais foram os seus livros favoritos neste ano? I am Malala da Malala Yousafzai. E o livro Endurance do astronauta Scott Kelly, que ainda estou na metade mas que é fascinante! 
  21. Qual foi a sua música favorita neste ano? Don't You Remember da Adele
  22. Qual foi o seu filme favorito este ano? Este ano não houve nenhum filme que marcou, pra ser sincera os filmes que tem sido estreados estão bem fraquinhos.  
  23. O que você fez no seu aniversário e quantos anos você completou? Completei 36 anos! Acordei com bolo de chocolate,  cantei parabéns e tomei café gostoso ao lado da minha mãe e marido e no almoço fomos num restaurante indiano que adoro! Foi um dia simples, mas perfeito ao lado das duas pessoas que mais amo nesta vida. 
  24. O que faria o seu ano imensuravelmente mais satisfatório? Ser mais paciente comigo mesma e aproveitar de verdade o que cada momento e fase está me trazendo ao invés de ficar sofrendo pela vida que queria ter. 
  25. O que a manteve sã? O amor incondicional e companheiro do meu marido e nossas aventuras pelo mundo.
  26. Conte uma lição de vida preciosa aprendida em 2016.  Viva o agora, o este momento, a vida que você tem. Os momentos difíceis e dores também fazem parte da vida e são eles que geralmente trazem o maior crescimento e aprendizado. Não lute contra as pessoas e a situação, faça o seu melhor e deixe Deus cuidar do resto.

À caminho da Índia

A tão esperada viagem para a Índia acontecerá em apenas  duas semanas mas novembro foi praticamente um mês de preparação para esta viagem tão esperada.
Na verdade a minha preparação começou em outubro quando ainda estava no Brasil. Desde que soube que iríamos para a Índia em dezembro e compramos a passagem comecei a pesquisar quais eram os requisitos para viajantes brasileiros visitar o país e fico feliz que comecei a pesquisar com antecedência porque assim pude evitar possíveis dores de cabeça durante a viagem.

Visto para a Índia 

A solicitação de visto para a Índia é um processo bem simples. O Brasil está entre um grupo de países que podem solicitar visto online se o viajante tem como propósito turismo e o tempo de permanência é menor do que 90 dias. O único detalhe que precisa ser levado em consideração é o que o visto não pode ser pedido com mais de 90 dias ANTES da chegada à Índia. O valor do visto foi 50 dólares (para brasileiros) e a aprovação no meu caso demorou menos de 24h.
O formulário é simples, mas um pouco confuso e a única coisa chata é que você precisa fazer upload de foto e da primeira página do passaporte que precisam seguir critérios específicos de tamanho. Essa foi a parte mais chata do processo e que consumiu mais tempo. Depois de tudo preenchido e valor pago pela internet ficamos no aguardo do email de confirmação para poder imprimir o papel que entregaremos para a imigração quando chegarmos no aeroporto.
Vale frisar que é  importante tomar cuidado em qual site solicitar o visto. Entrei no site da embaixada da Índia em San Francisco e a do Brasil para ter certeza de que o site que entrei para solicitar o visto era o oficial. Por ser uma página do governo é uma página bem simples e visualmente parece um site amador e há vários sites que tentam se passar por oficial e cobram pelo preenchimento do formulário, por  isso é bom tomar cuidado!

Vacina contra febre amarela e outras vacinas

No site da Anvisa e da embaixada da Índia no Brasil há a informação de que residentes do Brasil precisam ter a vacina contra febre amarela e apresentar o certificado internacional de vacinação da  mesma.
A vacina é um requerimento do governo indiano para todos os residentes de países que tenham febre amarela de forma endêmica ou epidêmica. No Brasil a febre amarela é endêmica - há casos no norte do país e recentemente teve novos casos em São Paulo, então tecnicamente brasileiros precisam tomar a vacina e apresentar a carteira de vacinação, porém, não encontrei nenhuma informação se brasileiro que more no exterior é obrigado a tomar a vacina.
A penalidade para quem não tomou a vacina é ficar de quarentena por 6 dias, ou seja, se eu não tomasse a vacina e eles dissessem que era obrigatório que eu tivesse,  perderia o casamento que estava indo e as férias na Índia. Liguei para uma clínica de médico de viagem daqui da região e a pessoa me informou que esta vacina está em falta nos EUA e que se eu encontrasse pagaria 300 DÓLARES por ela. Quase caí da cadeira quando ela me deu esta informação!
Graças a Deus que eu estava com viagem marcada ao Brasil e decidi pesquisar se conseguiria tomar a vacina DE GRAÇA no Brasil. Depois de entrar no site da Anvisa de novo vi que muitos postos de saúde possuem a vacina contra febre amarela, mas o problema é que apenas alguns lugares emitiam o certificado internacional e precisaria marcar hora, exceto... se eu fosse até o Hospital das Clínicas de São Paulo. Eles possuem uma  clínica de viagem onde eu poderia ir a qualquer hora tomar a vacina e receber o certicado na hora. A única coisa que precisava era fazer um cadastro com meus dados pessoais na Anvisa. Problema resolvido... ou quase...
Aí chegou a  dúvida se eu poderia ou não tomar a bendita da vacina porque eu tomo remédios que comprometem o meu sistema imunológico e a vacina é contra-indicada nestes casos. Conversei com a minha médica e ela liberou, então um dia das minhas férias no Brasil eu fui lá no Hospital das Clínicas e já resolvi isso. O que eu não sabia é que eu poderia ter agendado uma hora para conversar com um médico da clínica de viagem de lá (o serviço é gratuito), ele passa informações de como se prevenir e tratar de doenças enquanto se viaja à determinados lugares e eles também passam a recomendação para tomar todas as vacinas que é necessário tomar de acordo com o destino da viagem. 
Como eu não sabia que poderia agendar para conversar com o médico, apenas tomei a vacina contra febre amarela, mas fui em uma clínica de viagem aqui na Califórnia. Aqui o serviço é pago além do custo das vacinas. Precisei tomar vacina contra Hepatite A e Febre Tifóide que custaram 200 dólares! Talvez ninguém nem olhe o certificado de febre amarela, mas achei melhor prevenir do que remediar.

Visto para o Japão

Como vamos fazer uma parada no Japão antes de seguirmos para a Índia, também precisei solicitar visto para o Japão, mas este eu precisei ir pessoalmente até o consulado japonês em San Francisco. O processo é bem simples, só preencher o formulário de solicitação de visto e também uma folha com o seu itinerário diário, nome do hotel que irá permanecer durante a sua estadia do país. Parece ser um passo bem bobo, mas vi uma pessoa tendo o pedido negado na hora porque ela não tinha este documento. Não precisa colocar muitos detalhes, apenas a região que pretende ficar e o nome do hotel que estará a cada dia. Mesmo permanecendo no mesmo hotel durante toda a minha estadia, repeti o nome do hotel e todas as informações novamente a cada dia. De novo, melhor prevenir do que remediar.
Uma coisa que é diferente para brasileiros residentes aqui nos EUA dos que moram no Brasil é que no Brasil eles pedem comprovante do imposto de renda e também extratos bancários, aqui eu só precisei levar extrato bancário do último mês e também prova de que eu sou residente permanente no país. Se você está nos EUA com visto de turista tipo B1/B2 não é possível solicitar visto para visitar o Japão, mas com os vistos tipo J1 e F1 e de trabalho é possível, mas tem que levar prova do status imigratório.
Como vou retornar para a Califórnia via Japão, decidi conversar com a pessoa que me entrevistou se era melhor eu pedir um visto de trânsito ou de 2 entradas, e ele me concedeu um visto com duas entradas. Essa foi uma informação que achei bem confusa quando estava procurando na internet, mas funciona da seguinte forma: se você vai apenas fazer conexão no Japão por algumas horas, você não passa pela imigração, saí de um avião para o terminal de embarque da sua conexão, então não precisa de visto de trânsito ou de turista. O visto ficou pronto em alguns dias e retornei em San Francisco para pagar e pegar o meu passaporte.

Depois de acertar toda esta parte burocrática veio a parte mais legal que é sentar com o meu marido e planejar o que vamos fazer durante a viagem, pelo menos durante os 3 dias que ficaremos em Tokyo. A viagem para a Índia está sendo planejada pela esposa do primo do meu marido e a família dela. Depois de vários emails e ligações recebemos um itinerário dos dias que ficaremos por lá e estou super animada e tentando manter a atitude de que vai dar tudo certo apesar do frio da barriga do desconhecido. É a primeira vez que vou para uma viagem que não planejo nada e isso pode render boas aventuras ou ser um desastre. Tomara que seja a primeira opção!

Então é Novembro, mas vamos falar de Outubro

Um mês passou desde que escrevi o último post.
Outubro foi um mês que passou voando, pra ser sincera nem vi passar.
Fui ao Brasil de férias por 2 semanas, apesar de ter corrido de um lado para outro em São Paulo, parece que não fiz absolutamente nada durante o tempo que passei por lá.
A coisa boa desta viagem é que tive a oportunidade de finalmente ir para Curitiba. A cidade que se sempre tive vontade de conhecer e morar se tivesse ficado no país. Deve ter sido culpa das cenas com o jardim botânico nas novelas ou as crianças cantando músicas de Natal no comercial do Banco Bamerindus (olha eu mostrando a idade...).
Aproveitei que minha grande amiga se mudou pra lá e eu e a minha mãe fomos visitá-la. Foi tão bom revê-la depois de tantos anos, conversar até ficar praticamente bêbada de sono e ela me mostrar a cidade linda que ela tanto ama. Conheci vários parques e pude ver com os meus olhos os cenários das histórias que ela sempre me contava. Se não fosse o calor de Rio de Janeiro na cidade, teria sido um passeio perfeito pra mim. Com certeza voltarei lá para fazermos a viagem que tanto planejamos com o trem que passa no precipício e ir de um jeito ou de outro até Foz. Engraçado como saí de lá com mais saudades do que quando cheguei.
São Paulo aquela correria de sempre! Eu tinha uma missão enquanto estava por lá que era tomar a vacina contra a febre amarela. Na dúvida se eu precisava ou não para viajar para a Índia, resolvi correr atrás e o único lugar onde eu poderia ir sem marcar hora para tomar a vacina e pegar o certificado internacional de graça foi no Hospital das Clínicas. O problema de ir em qualquer lugar em São Paulo é sempre a demora para chegar até o local. Confesso que ficava desanimada quando pensava nas intermináveis bandeações entre metrô+trem+ônibus com mais 2 milhões de pessoas para poder fugir um pouco das 5 milhões de pessoas que resolveram dirigir na cidade.
Às vezes eu ficava me perguntando como é que eu aguentava essa rotina de segunda a sexta das 7 da manhã até as 11 da noite. E a resposta é muito simples: fazia porque era o que tinha que fazer. A gente é obrigado a se adaptar para poder viver naquela selva de pedra.
Outra coisa que parece que piora cada vez que eu vou até a cidade é a tensão e medo de alguma coisa acontecer constantemente. E olha que eu nem assisto aqueles programas de televisão que só falam e mostram desgraça. Não consigo caminhar em paz nas ruas, estou sempre olhando para os lados. Só sossego quando entro dentro da casa da minha mãe. Pra piorar a situação, agora uns maloqueiros na rua onde ela mora decidiram se juntar todas as noites bem no portão da garagem pra "fumar uma". E não adianta reclamar com eles, pedir para sairem. Chamar a polícia não deu em nada e quem mora por lá sabe bem que infelizmente às vezes é melhor fazer vistas grossas e ser camarada do que tentar exercer o seu direito de cidadão. Mas isso me deixa com mais medo ainda de sair pelas ruas que antigamente quando eu ainda sentia que estava na minha quebrada. Não conheço mais ninguém e ninguém me conhece e por isso acho que não tenho mais "a imunidade de ser alguém da área" e andar pelas ruas sem medo.
E é aquela correria de sempre, meus amigos lidando com as responsabilidades de vida de adultos com filhos, emprego, e cônjuges. Poucos foram aqueles que abriram espaço para que eu pudesse encontrá-los. Antigamente eu ficaria magoada, chateada, mas desta vez disse que estava tudo bem e deixei pra lá. Coisa frágil esse negócio de amizade à distância. Mesmo que haja tanta tecnologia para se falar de graça o dia inteiro se quiser. Se amizade é uma planta que precisa ser cuidada para sobreviver, muitas das minhas amizades vão morrer pelo simples fato de que esqueceram de colocar água. Estou aprendendo a aceitar aos poucos isso e ser grata pelas pessoas que abriram seus corações e agendas para me receber e bater um papo comigo.
Depois de 2 semanas, nenhuma comidinha da mamãe e frutas deliciosas da feira tem o poder de te convencer a ficar. A minha vida e o meu coração não está mais em São Paulo, estava na Califórnia a minha espera. É sempre difícil dizer adeus para a família, ainda mais quando vejo que meus pais estão envelhecendo e ficando com problemas de saúde.
A viagem até Houston foi boa, só que a tempestade que começou a cair quando o dia começou a clarear me deu o pressentimento de que seria um longo dia... Tinha uma conexão para San Jose as 9:10 da manhã que acabou decolando apenas 3:00 da tarde. A cada 15 minutos eles mudavam a estimativa e eu tive que ficar perto do portão do embarque, cansada e sem ter muito o que fazer esperando por uma confirmação de partida. Os comissários de bordo tentarm amenizar o problema sendo extra amigável conosco - o que acabou me rendendo uma caixa de lanche de graça e algumas milhas como compensação. A recompensa maior foi voar por cima do Grand Canyon e admirar tanta beleza com um ponto de vista privilegiado.
O resto de outubro seguiu com preparações para a viagem de final do ano e para a cirurgia de dente da qual estou me recuperando agora, mas essa história fica para uma outra hora, já que eu tenho que ir deitar e assistir muitos filmes e tomar bastante sorvete. Ordens médicas.

Preparando para decolagem em Congonhas - sempre aperto no coração decolar e aterrissar neste aeroporto

São Paulo do alto

Finalmente conheci o famoso Jardim Botânico de Curitiba

Anoitecer lindo no Capão Redondo

A caminho de casa voando sobre o Grand Canyon

Reencontro com uma antiga paixão

Esta semana reencontrei  uma paixão dos meus tempos de adolescente. E o amor continua o mesmo, posso dizer que até aumentou com o passar dos anos.
Muito mais do que amor pela música deles, gosto da atitude dos integrantes da banda que sempre dão exemplos de amor ao próximo, humildade e usam sempre o sucesso para ajudar as pessoas que estão em necessidade.
O Coldplay foi muitas vezes, a minha única companhia nos momentos mais difíceis e solitários da minha vida. Músicas como Yellow, The Scientist, Talk e principalmente Fix You foram praticamente a trilha sonora da minha vida.
Agora tanto eles, como eu estamos numa fase diferente. Uma fase mais alegre e fico feliz que não sou a única que os ama.  O Levi's Stadium estava lotado com 50 mil pessoas cantando em uníssono os maiores e novos sucesso da banda. Pessoas tão diferentes, mas com algo em comum: amor ao Coldplay.
Eu e muitos dos que estavam ali precisavam de algumas horas de alegria e entretenimento, já que as últimas semanas não tem sido fáceis por aqui. Até mesmo o Chris Martin desabafou durante o show sua frustração e tristeza com o que anda acontecendo no mundo, mas também deu uma palavra de ânimo e esperança. E concordo com sua mensagem de que no meio deste mundo turbulento, podemos fazer algo sim: sorrir e tentar espalhar gentileza e amor por onde passarmos. A gente pode não mudar o mundo inteiro, mas com certeza faremos a diferente para uma pessoa.
Eu não queria que o show acabasse, duas horas passaram voando e eles já deixaram saudades.
Espero que não demore pra gente se reencontrar, enquanto isso...

"I turn the music up, I got my records on
I shut the world outside until the lights come on
Maybe the streets alight, maybe the trees are gone
I feel my heart start beating to my favourite song


And all the kids they dance, all the kids all night
Until Monday morning feels another life
I turn the music up
I'm on a roll this time
And heaven is in sight"

(Every Teardrop is a Waterfall - Coldplay)


Até a próxima meus amores!