Eleições 2018

Este ano o consulado de San Francisco mudou o local de votação. Ao invés de ser feita no próprio consulado, foi realizada numa faculdade no coração de San Francisco.
No site do consulado havia uma sugestão de horários para votar de acordo com o seu nome pra evitar as filas quilométricas da última eleição (na qual eu fiquei 3 horas!).
Resolvi sair de casa 7:30 da manhã e enfrentar a fila da abertura porque justamente nesta semana tem Fleet Week em San Francisco e a cidade que já tem um trânsito ruim no final de semana iria ficar mais cheia ainda. 
Cheguei no local às 8:30 da manhã e achei que não teria muita gente quando cheguei no cruzamento e avistei a fila. Pulei do carro enquanto ali mesmo e atravessei pra entrar na fila enquanto meu marido tentou encontrar um lugar para estacionar.
A gente odeia fila, mas apesar o novo local na City College San Francisco foi muito mais conveniente para chegar - perto da estrada, além de ser muito mais organizado! Demorava mesmo só pra entrar no prédio porque tinha uma pessoa controlando pra não ficar uma bagunça, mas eles tinham pelo menos umas 6 salas com pelo menos duas urnas (na eleição anterior eram apenas 3 ou 4!!). De quando cheguei até o momento que saí não demorou nem 40 minutos - o que eu achei uma vitória.
No caminho de volta pra casa o meu marido me perguntou porque mesmo que eu tinha que dirigir 70km pra votar, se eu não podia arrumar uma desculpa qualquer pra justificar.
A verdade é que eu estava tão desanimada - principalmente porque as urnas aqui não haviam nem fechado quando foi anunciado que haveria segundo turno. A gente aqui vota mais por obrigação e pra evitar a fadiga das consequências de não estar em dia com a justiça eleitoral do que por achar que o nosso voto vale alguma coisa.
Este ano graças à transmissão ao vivo da Rádio Jovem Pan pelo youtube pude acompanhar a apuração dos votos ao vivo que não demorou nem 1 hora pro TSE afirmar que as eleições presidenciais teriam segundo turno.
Sobre o resultado eu só posso dizer uma coisa: "A gente podia fazer melhor Brasil".


A saga do presente (fim) e as encomendas

A saga do presente finalmente terminou com um final feliz, depois de muito stress e dor de cabeça.
Apesar do site ter prometido que a entrega seria feita em até 5 dias úteis, demorou mais de 2 semanas para o presente finalmente chegar às mãos do meu amigo.
Acompanhei o pedido pela internet e quase tive um ataque quando o status mudou para: "Tentativa de entrega sem sucesso." Liguei para a Central de Atendimento no Brasil e a pessoa me disse que não havia ninguém na casa e que eles tentariam entregar novamente 2 vezes. Caso as novas tentativas não fossem bem sucedidas, o produto voltaria para a loja e eu teria que ligar pra lá e pedir para entregar novamente num prazo de 10 dias úteis...
Com medo de que isso ocorresse, tive que estragar a surpresa do meu amigo e pedir para que ele ou alguém ficasse em casa para receber o presente. Lógico que não fiquei surpresa ao saber que no dia da tentativa de entrega sem sucesso ele estava o dia inteiro em casa...
Agora eram dois ansiosos esperando pela entrega do pacote e ficamos nesta expectativa por mais dois dias até que ele me mandou uma mensagem de WhatsApp super feliz com a foto da camiseta personalizada. Apesar da empresa ter estragado a surpresa do presente ele não sabia o que viria e ficou super contente.
Valeu a pena o stress? Em partes. Foi bom ter enviado algo especial para um amigo querido em seu aniversário e vê-lo super contente, mas depois de passar quase 20 dias correndo atrás de uma encomenda, decidi que mandar coisas para o Brasil só em caso de extrema urgência.

E por falar em encomendas para o Brasil, em setembro os Correios decidiram começar a cobrar taxas de importação de todos os pacotes internacionais que chegam ao país. Acho que o pessoal estava fazendo a festa comprando de sites como o AliExpress e além de pagar pelo frete agora é preciso pagar uma taxa de "importação" de 15 reais.
Foi bem nesta época que eu tinha enviado daqui uma caixa com algumas coisas que comprei pra minha sobrinha e pra minha mãe e fiquei aqui aflita acompanhando o pacote transitar daqui pro Brasil. Eu não mando encomenda registrada, só primeira classe porque é mais barata, não tem um registro de rastreamento ou garantia de entrega e seguro para reclamar caso o pacote suma. No entanto, toda encomenda aqui tem um código e esse código permite rastrear no site dos correios e por lá fui acompanhando o trajeto dos mesmos. Para a minha surpresa a caixa da minha sobrinha chegou em uma semana! Eu quase não acreditei porque isso nunca aconteceu antes e não precisei pagar nenhuma taxa para ser liberado - talvez porque enviei como presente e foi de pessoa física pra pessoa física. A encomenda da minha mãe chegou alguns dias depois e eu decidi que é melhor não abusar da minha sorte e não mandar mais nada pelo correio principalmente porque com a chegada do final do ano, o volume de pacotes aumentam e as chances de algo se perder/atrasar aumentam muito mais.

Onde setembro foi parar?

Este mês foi punk.
E graças a Deus está no finalzinho.
E graças a Deus o marido tirou uma semana de férias pra gente tirar um tempo para respirar, aproveitar o que de bonito a Califórnia tem e esquecer um pouco os problemas da vida, dos EUA, do Brasil, do mundo.
Por 2 dias eram só nós 2 e o Oceano Pacífico, no nosso carro ao som de Adele, Elton John e música dos anos 70.
Na minha cabeça só vinha a trilha sonora do seriado "The OC - Um Estranho no Paraíso". ( Californiaaaaaaa, Californiaaaaaaaa, here we comeeeeeeeeeeeeeee).
A gente não percorreu toda a Highway 1, mas um dos trechos mais bonitos. Passamos pelo grande deslizamento de terra que ocorreu no ano passado e entendemos porque a estrada ficou fechada por tanto tempo. Ainda há construção no local, mas está bem mais segura. A gente nem gosta de pensar o quanto a estrada é frágil, à beira do abismo numa área propensa a terremotos...
Não teve grandes passeios planejados. Paradas pra olhar a paisagem, tirar fotos, caminhar na praia. Eu juro que desta vez eu vi uma baleia do carro e quando paramos para averiguar, o meu marido disse que havia sim um animal na água mas não dava pra ter certeza do que era. Vimos golfinhos, leões marinhas, lontras marinhas. Os elefantes marinhos não estavam na praia, mas tudo bem, fica pra uma próxima vez.
Dias como os dois passados eu me dou conta da benção que é poder pegar o carro e estar num lugar tão lindo e depois de 3 horas de viagem poder retornar para casa. Eu queria poder tirar mais férias pra poder aproveitar a Califórnia e ter a vida que as pessoas que estão no Brasil acham que eu tenho...
Voltar pra casa é uma delícia principalmente porque o coração estava apertado de saudades do Doug que ficou num hotel pra cachorro já que foi impossível encontrar hotéis de gente que aceitasse animal de estimação.
Ainda estou curtindo uma preguicinha com o retorno da curta e divertida viagem.
Mês que vem será punk porque vou passar a maior parte do mês sozinha pois meu marido irá viajar muito a trabalho.
Então deixa eu ir aproveitar o resto das férias dele e volto depois pra contar mais novidades.

Harbor de Monterey

Trecho da Highway 1

Parte do deslizamento que fechou a estrada por mais de 1 ano

Túnel e estrada na "nova parte da costa californiana"

Pacific Grove

Ponte famosa da Highway 1 em Big Sur

Assunto mórbido?

Minha mãe e meu marido odeiam quando eu começo a falar de "coisas mórbidas".
Entenda-se "falar de coisas mórbidas" o simples fato de discutir sobre o que eu gostaria que acontecesse depois que eu morrer.
A verdade é que a gente evita muito falar sobre a morte, testamento, doenças graves porque muita gente acha que falar sobre o assunto atrai coisa ruim, ou então como diz um amigo: "Quando eu morrer os vivos que se virem".
O assunto é muito delicado eu sei, mas a gente precisa ter consciência que a morte é parte da vida e que se a gente tomar algumas providências enquanto temos capacidade mental e estamos vivos, podemos evitar mais sofrimento para aqueles que ficaram. Não apenas mais sofrimento, mas infelizmente em alguns casos brigas e discórdias também.
Acho importante conversar, ou até mesmo deixar por escrito em testamento, os seus desejos em relação à:
- Doação de órgãos
- Cremação ou enterro
- Local de sepultamento / o que fazer com as cinzas.
- Retornar restos mortais para o Brasil ou não.
Além disso, vale a pena pensar também sobre o que fazer caso você tenha morte cerebral ou uma doença gravíssima e irreversível que te deixe num estado vegetativo. Pode parecer algo egoísta, mas vai novamente evitar mais sofrimentos para o seu ente querido que terá que tomar a decisão por você.
No caso dos EUA e de outros países da Europa e Canadá você pode fazer um "testamento em vida" que dá diretrizes de quais procedimentos médicos você quer que seja realizado em caso você não tenha capacidade de  decidir sobre a sua saúde. Algumas pessoas que sofrem com doenças graves assinam um "DNR" (Do Not Ressuscitate - Não ressuscitar) que também pode fazer parte do "testamento em vida" caso você não queria que não haja intervenção médica se você tiver parada cardíaca ou respiratória.
São decisões difíceis e até podem ser consideradas "mórbidas" mas que de certa forma protegem as pessoas que você ama e que ficam para trás.
Confesso que tenho minhas opiniões e preferências sobre o assunto, mas ainda não formalizei os meus desejos porque o meu marido sempre muda de assunto e nunca corri atrás.
A gente sempre acha que tem muito tempo para decidir essas coisas e só quando acontece o óbito de alguém perto da gente é que começamos a pensar nestas questões novamente.

A saga do presente - parte 2

Depois de muito matutar, decidi que iria comprar uma camisa de futebol para o meu amigo.  Quase caí pra trás quando vi os preços das camisas oficiais na internet, ainda me assusta e impressiona como roupas são tão caras no Brasil.
Após pedir ajuda de uns 3 amigos diferentes para estimar qual seria o tamanho certo da camisa, já que algumas são mais justinhas que outras e eu detestaria comprar algo que meu amigo gostasse muito mas que não servisse. E nem adianta dizer que é um incentivo para emagrecer, porque eu sei como é frustrante ter uma peça de roupa que você gosta muito e não te serve.
Escolhido o modelo e o tamanho lá vou eu com uma dose extra de paciência entrar no site brasileiro para efetuar a compra. Ao fazer o cadastro no site já imaginei que algo iria dar errado porque eles só aceitam cadastro de pessoa que possua CPF, telefone e endereço no Brasil. Utilizei as informações de endereço e telefone da casa da minha mãe e o CPF usei o meu mesmo já bate com o meu nome de casada.
Estava com medo deles checarem o cartão de crédito com o CPF e o endereço pois o meu cartão é daqui e não ia bater as informações com o banco. Para a minha surpresa o cadastro foi efetuado com sucesso e o pagamento foi tranquilo também. Estava feliz da vida imaginando a alegria do meu amigo ao receber o presente até o dia seguinte pela manhã quando abri o meu email.
O pedido havia sido cancelado.
Entrei no site e fui verificar o motivo do cancelamento e fui informada que o pedido não havia sido confirmado. Como assim??? No dia anterior o site deu a mensagem que a compra foi feita com sucesso?!!
Procurei um número de central de atendimento no Brasil e liguei para saber o que tinha acontecido. Um rapaz muito simpático me atendeu e disse que o pedido foi cancelado porque eles ligaram para o telefone de cadastro (o número da minha mãe) e ninguém atendeu para confirmar o pedido. C-O-M-O A-S-S-I-M?? Nunca tinha ouvido falar que você faz uma compra na internet e eles ligam pro telefone do cadastro pra confirmar se você comprou mesmo... Expliquei pra ele que eu morava no exterior e que o endereço e telefone era da minha da mãe e se havia outra forma de confirmar a compra além de ligar no telefone do Brasil. Ele me passou para a televendas e explicou que poderia efetuar a comprar e confirmar a mesma por telefone.
Pronto, lá vou eu passar todas as informações e repetir o pedido novamente a pessoa me GARANTIU que tinha dado tudo certo e que a compra seria processada em apenas alguns "minutinhos".
Desliguei o telefone e fiquei acompanhando o pedido pela internet e o status ainda mostrava que o pedido precisava ser confirmado. Liguei novamente para a central e eles falaram que o sistema demorava no máximo 72h para atualizar e alguém fazia a confirmação de todos os pedidos MANUALMENTE...
Esperei o dia inteiro e para o meu alívio no dia seguinte o pedido foi confirmado e a produção da camisa estava em andamento.
Estava achando tudo eficiente até que a minha mãe ligou e me perguntou pra quem eu tinha comprado um presente! Como assim?? Ela explicou que uma pessoa tinha acabado de ligar pra casa dela perguntando se eu tinha feito uma compra pela internet e pediu pra minha mãe confirmar o endereço de entrega, pra quem era, o meu nome completo, data de nascimento e qual a relação que ela tinha comigo. Ou seja, o meu pedido só foi confirmado porque eles ligaram pra minha mãe pra confirmar e deram sorte que ela estava em casa! Ou seja, o televendas foi tão inútil quanto o site...
A única coisa que eu gostei do sistema de compra e gostaria que fosse implementado aqui é que quando eu fui passar as informações do cartão de crédito por telefone para efetuar o pagamento, fui transferida para um sistema eletrônico que coletou o número do cartão. Aqui você ainda passa estas informações para uma pessoa e acho que não é um sistema muito seguro.
Agora estou esperando a entrega do mesmo, espero que toda esta dor de cabeça tenha valido a pena e que ele goste do presente...

A arte e a dor-de-cabeça de presentear

Dar presente é uma arte. E uma enorme dor-de-cabeça também.
Fica bem mais fácil comprar um presente pra alguém que você conhece, tem uma noção dos gostos da pessoa e principalmente das coisas que ela não gosta. Pelo menos na teoria.
Obrigação é algo que mata a alegria e a criatividade de dar presente e eu sou vítima disso. Perdi as contas de quantas coisas ganhei e nunca usei ou que não tem absolutamente nada a ver comigo.
Por este motivo entro em pânico quando preciso comprar algo para alguém hoje em dia. Tenho pavor de gastar dinheiro e tempo escolhendo algo que a pessoa irá detestar/nunca usar e mesmo assim dizer que amou o presente.
Quando cheguei ao EUA fiquei confusa e indignada com a idéia do gift card (cartão presente) que pode ser encontrado em praticamente todas as lojas e também restaurantes. Achava uma falta de criatividade e preguiça dar um cartão com valor X em dinheiro para a pessoa ir até a loja e escolher o que ela quer. Agora entendo a praticidade e como esses pedaços de plástico podem salvar a sua sanidade mental quando precisa comprar algo para alguém que você não tem a menor idéia do que gosta.
Falando ainda de cartão presente, acho super legal que hoje em dia eles evoluíram mais ainda e é possível comprar experiências para as pessoas como por exemplo dar de presente um dia no spa, uma manicure, uma aula de cozinha ou pular de pára-quedas. É uma oportunidade de dar algo que a pessoa normalmente não usaria o dinheiro para experimentar. Além de ser uma opção para aquelas pessoas que você julga que já tem tudo na vida e não quer acumular mais coisas dentro de casa.
Pra mim os melhores presentes são aqueles dados com amor e carinho e que muitas vezes não precisa  gastar quase nada. É um jantar preparado com amor, passar uma tarde batendo papo sem distração na praia, uma cartinha escrita com carinho, um telefonema sincero em tempos de áudio e mensagens no WhatsApp.
Enquanto escrevo este post estou aqui matutando o que vou comprar para o aniversário de 40 anos de um amigo lá no Brasil.
Que pena que a Amazon não chegou no Brasil.  Ela salvaria a minha pele!