Friday, February 17, 2017

10 anos de EUA

Esta semana completou 10 anos que cheguei nos EUA.
UMA DÉCADA!
Engraçado que o aniversário da minha chegada aqui coincidiu com a minha chegada nos EUA de uma viagem internacional e estes dois momentos não poderiam ser tão diferentes!
Há 10 anos cheguei aqui com a minha vida inteira dentro de 2 malas e 200 dólares no bolso. Era uma manhã gelada no aeroporto JFK em Nova Iorque. Estava encantada e confusa ao mesmo tempo, tentando fazer sentido do que o oficial da imigração falava as 5 e pouca da manhã depois de 10h dentro de um avião. Esta tinha sido a minha primeira viagem de avião e lembro de ter me fascinado de ter conversado com a aeromoça em inglês e dela ter me entendido.  Tive que abafar a risada no banheiro do avião quando dei descarga e tomei um susto com a sucção do vaso, a primeira de tantas descobertas que faria nesta viagem... O meu avião estava cheio de brasileiras que também estavam indo para a semana de treinamento de au pair, mas eu sentei sozinha, na janela - cortesia da moça do check in que me deu este assento já que era a minha primeira viagem de avião. Queria saborear cada momento, cada sensação e não queria sentir vergonha das muitas lágrimas derramadas em meio aos pensamentos de ansiedade misturados com sonhos e a saudade, que seria a minha companheira dali por diante.
Fico feliz em ter registros escritos e através de fotos deste tempo aqui, porque assim posso reviver momentos, lembranças e revere pessoas que já não fazem parte da minha vida, mas que contribuiram para o meu crescimento e de alguma forma contribuiram para o que me tornei hoje.
Não me recordo se já comentei aqui, mas os meus planos iniciais era permanecer nos EUA somente por 2 anos e seguir caminho desbravando a minha "terra prometida" que era o Canadá.  Mas fico feliz com o rumo que a minha vida tomou e agora, quando o avião chega nos aeroportos de San Francisco ou de San José, o meu coração bate alegre pois sei que cheguei em  casa e que alguém que me ama muito está comigo ou me esperando no hall de chegada do aeroporto.
Quando cheguei em 2007 tinha muitos sonhos, esperanças e muitas dúvidas com o rumo que a minha vida estava tomando. Recebi muitas críticas por deixar a vida de recém-formada e recém-contratada para ser babá de gente rica e arrogante em outro país. Algumas pessoas me achavam louca e irresponsável, outras invejavam a coragem e determinação de desbravar sozinha terras estranhas e distantes. Mas não creio que estava sozinha pois em primeiro lugar, sempre soube que Deus estava comigo em todos os momentos e o amor e apoio da minha mãe e de alguns amigos também me sustentaram nos momentos difíceis. Pra ser sincera eu nem me achava nem corajosa e nem irresponsável, só estava fazendo o meu possível para realizar meus sonhos e objetivos.
Dos sonhos que trouxe comigo do Brasil, alguns se tornaram se realidade e outros nunca se concretizaram. Em compensação muitos que se tornaram realidade eu nem imaginava que viveria. É sempre bom não tentar seguir um roteiro na vida, pra dar oportunidade pras coisas inesperadas acontecerem.
Encontrei muitas dificuldades, enfrentei muita solidão, medo mas eu encontrei uma força e determinação dentro de mim que nem sabia que existia. É verdade o que as pessoas falam que às vezes a gente precisa estar só para poder se conhecer, avaliar crenças, valores e crescer. Estou longe de ser perfeita, mas creio que minha percepção do mundo e de mim mesma melhorou muito com o passar destes 10 anos.
Acredito que a decisão mais corajosa que tive não foi a de sair do Brasil mas sim permanecer nos EUA porque tive que abrir mão de participar da vida das pessoas que eu amo e que ficaram no Brasil.
Os relacionamentos mudaram e não sei se foi porque eu amadureci ou por conta da distância, as pessoas se acostumaram com a minha vaga presença em suas vidas. É o preço de quem mora longe, um preço muito alto e que é muito difícil de pagar. No meu caso, um preço que ainda vale a pena.
Os dias, as estações parecem que demoram tanto a passar, mas os anos passam muito rápido. Por isso  tento ter paciência quando os dias ruins chegam, quando as notícias não tão boas porque sei que por mais difíceis e dolorosos que sejam, eles não são eternos. E os momentos bons eu tento saborear o máximo que posso, tento guardar cada lembrança na memória,  porque sei que estes também são passageiros em nossas vidas e são eles que nos dão forças quando as coisas não estão tão bem.
Sou grata à Deus que me deu muitas boas oportunidades e também me deu sabedoria para saber escolher e aproveitar cada uma da melhor maneira possível.
Se eu pudesse ter uma conversa com aquela jovem de 25 anos no aeroporto de JFK,  eu iria dizer obrigada por ter sabiamente, mesmo sem saber, tomado várias decisões importantes que seriam fundamentais para a felicidade dela no futuro. E entrar naquele avião foi apenas uma delas.

Preenchendo formulários para embarque no antigo terminal internacional em Guarulhos - Fev/2007

Friday, February 3, 2017

Que janeiro foi esse?

Não acredito que janeiro já passou... 2017 chegou com tudo trazendo consigo muitas coisas boas mas muitas coisas nem tão boas assim...
Fiquei bem ocupada durante este  primeiro mês do ano com a preparação da casa para a chegada dos meus sogros e tios do meu marido que vieram nos visitar por algumas semanas. É muito bom ter a casa cheia de conversa e risada mas como anfitriã sempre tem muito trabalho para entreter e alimentar os hóspedes.
Na segunda metade de janeiro fomos com meus sogros para o Hawaii e foi muito bom poder descansar e recarregar as energias. Foi nesta viagem que passei alguns momentos sozinha antes do sol  nascer pensando na vida e encontrando respostas para o que estava me tirando o sossego há alguns dias. Fiquei decepcionada porque mais uma vez não foi possível ver a lava do vulcão ativo Kilauea porque estava chovendo muito para descobrir uns dias atras que ele está expelindo literalmente uma cachoeira de lava no Oceano...
Uma coisa incrível e inesperada aconteceu nesta viagem, estava em um supermercado por lá quando encontrei, quer dizer o meu marido encontrou uma amiga minha lá por acaso. Ele comentou que havia ouvido alguém falando português no mercado e a minha amiga que estava ao telefone o viu e o reconheceu!!! Tinha perdido contato com ela porque ela mudou de celular e foi muito bom revê-la. Ela se mudou para o Hawaii há algum tempo e está adorando a vida sossegada por lá, fiquei feliz porque ela tinha acabado de descobrir que estava grávida e compartilhamos alegrias e lágrimas ali mesmo na entrada do supermercado.
Retornar para casa foi retornar para as preocupações que tem invadido a maioria das casas das pessoas nos EUA nas últimas semanas. Ainda custo a acreditar que aquele homem laranja é o atual presidente do país. Não consigo acreditar que existem pessoas que o apoiam, mesmo ele trazendo medo e insegurança para muitas pessoas de bem.
Além de ele tomar atitudes protecionistas e xenofóbicas, fica cutucando países "inimigos" com a vara curta, quero dizer, com 140 letras pelo Twitter... e tem criticado publicamente a mídia e chamando instituições como CNN e New York Times de mídia falsa. Concordo que a forma que muitas coisas apresentadas ao povo americano é baseado em sensacionalismo e terror mas esse tipo de comentário tem basicamente atacado qualquer veículo que publique críticas dirigidas à ele e suas políticas.
Só sei que há um clima de instabilidade muito grande no país e pelo menos na baia de São Francisco tem gerado muitos protestos e indignação.
Vamos ver o que irá acontecer daqui pra frente mas não acredito que ele terminará o mandato de 4 anos...
Esta semana o que me embrulhou o estômago foram as reações das pessoas na internet quanto a morte da esposa do Lula. Sinceramente não entendo como as pessoas podem destilar tanto veneno e maldade quando estão por trás de uma telinha no conforto de sua casa. Independente de sua visão política e sua opinião sobre o Lula uma pessoa faleceu e acho que o mínimo que devemos ter é respeito pela dor do próximo. Li alguns discursos do próprio Lula usando a morte da esposa como desculpa para ataque político e isso é errado também.
2017 eu juro que pensei que você seria melhor do que 2016 mas a julgar por janeiro eu não sei não...

Sunday, January 1, 2017

Retrospectiva 2016

Ufa! Acabou 2016... e que ano hein?
Apesar de tanta coisa ruim ter acontecido durante 2016, pra mim foi um ano muito bom, cheio de conquistas, superação e alegrias. Espero que o ano que se inicia seja melhor para todos nós e vamos torcer para o Tio Laranja não destruir o mundo até o próximo 1 de janeiro...
Seguindo a tradição e sem mais demora segue a curta retrospectiva de 2016.

  1.  O que você fez em 2015 que você nunca tinha feito antes? Ido à um funeral budista nos EUA.
  2. Você manteve as suas resoluções de ano novo, e você fará novas resoluções para o próximo ano? Mantive a minha maior resolução que foi terminar a minha graduação na faculdade. Não foi fácil, mas valeu a pena!
  3. Alguém próximo de você teve filhos? Sim, as minhas 4 amigas que estavam grávidas tiveram seus lindos bebês, então a minha sobrinhada está aumentando cada vez mais!
  4.  Alguém próximo de você morreu? Sim, um vizinho aqui e um primo
  5. Quais países você visitou? Canadá e Brasil.
  6. O que você gostaria de ter em 2017 que lhe faltou em 2016? Mais tempo para cuidar da minha saúde física e mais viagens!!!
  7. Quais as datas de 2016 que ficarão em sua memória e por quê? 30 de julho - o dia em que vi a Adele cantando ao vivo. Melhor show da minha vida! E 15 de dezembro quando entreguei meu último exame na faculdade concluindo então meu curso.
  8. Qual foi a sua maior realização neste ano? Sem dúvida a maior realização foi ter completado o curso da faculdade!
  9. Qual foi a sua maior falha? Ter demorado para entender que os meus caminhos sou eu quem escolho e que não devo dar ouvidos a quem fica dando palpite pra minha vida.
  10. Você teve alguma doença/sofreu acidente? Puxa fiquei doente em julho com herpes-zóster (cobreiro), conhecida aqui como shingles.
  11. Qual foi a melhor coisa que você comprou? Este ano as melhores compras foram novamente para shows! O da Adele e do Coldplay! Valeu cada centavo!
  12. Onde você gastou a maior parte do seu dinheiro? Pagando contas e faculdade
  13. O que mais te deixou animada? Concluir a faculdade
  14. Qual música vai te fazer lembrar 2015? "When We Were Young" da Adele
  15. Comparando com a mesma época no ano passado, você está:
    1. mais feliz ou mais triste? Mais feliz
    2. mais magra ou mais gorda? Mais magra
    3. mais rica ou mais pobre? Mais rica
  16. O que você gostaria de ter feito mais? De novo, ter me exercitado mais e ter me preocupado de menos
  17. O que você gostaria de ter feito menos? Ficar justificando minhas escolhas pras pessoas.
  18. Como você passou o seu Natal? Com o meu marido em New York City. Nada de neve, de novo!
  19. Qual foi o seu programa favorito? Gilmore Girls - os 4 episódios do One Year in Life.
  20. Quais foram os seus livros favoritos neste ano? The Happiness Project da Gretchen Rubin. Foi totalmente diferente do que eu imaginava, mas mudou a minha perspectiva sobre felicidade.
  21. Qual foi a sua música favorita neste ano? When We Were Young da Adele
  22. Qual foi o seu filme favorito este ano? Não foram filmes novos, mas me marcaram muito foram dois filmes que trouxeram mensagens poderosas pra mim: "Joy" e "Big Eyes"
  23. O que você fez no seu aniversário e quantos anos você completou? Completei 35 anos! Sabe que eu não lembro o que fiz?
  24. O que faria o seu ano imensuravelmente mais satisfatório? Menos pressão pra fazer coisas
  25. O que a manteve sã? o amor e apoio do meu marido
  26. Conte uma lição de vida preciosa aprendida em 2016. Deus é o único que sabe o que vai acontecer amanhã e eu não devo me preocupar com o que poderá acontecer. Devo fazer as minhas escolhas no agora, da melhor forma possível e ter fé que tudo vai dar certo no final.
 Que 2017 traga boas surpresas e coisas boas para todos nós!

Monday, December 19, 2016

Done!

Quinta-feira passada disse adeus à minha melhor amiga dos últimos 3 meses: a calculadora TI-84. Saí da prova de estatística e andei pelo campus da faculdade pela última vez como estudante.
Ao passar pela biblioteca e pátio central, o sino da faculdade que marca as horas começou a badalar e eu juro que me senti meio Cinderella escapando antes da meia-noite.
Um sonho que foi algo tão distante um dia, se tornou real.
Última sessão de estudo antes da prova de estatística   


Embora muitas pessoas me perguntem o que será daqui para frente eu ainda não estou preocupada com isso. Quero saborear o momento, o agora, a minha conquista.
Por que será nunca estamos contente com o que conseguimos e sempre temos que pensar no próximo passo, na próxima conquista, na próxima vitória?
Vou saborear este finalzinho com muita festa e muito feliz porque apesar deste ano de 2016 ter sido absurdamente maluco, foi um ano de grandes realizações pessoais.

Sei como você se sente Adele...

Monday, December 12, 2016

Quase lá...

Eu deveria estar estudando para minhas provas finais, mas ao invés disto estou aqui procrastinando escrevendo no blog.
Esta é a minha última semana na faculdade. Duas provas, um trabalho e pronto. ACABEI!!!
Foram longos 5 anos que deveriam ter sido 2 anos e 3 meses, mas hey, a vida nos últimos 3 anos me deu várias surpresas (agradáveis e nem tanto) e por isso agora estou finalmente me graduando.
Já ouvi várias pessoas tentando diminuir a minha auto-estima, já que para os americanos estou apenas na metade do caminho (sei que estou devendo escrever sobre o sistema de ensino americano, e vou fazê-lo assim que me livrar dele), pois ao contrário do nosso sistema onde você sai do ensino fundamental e vai direto pra faculdade da carreira que você escolheu, aqui os 2 primeiros anos todos estudam conhecimento gerais de certas áreas e somente depois você estuda matérias específicas para a sua carreira. Você pode tanto entrar direto para a faculdade de 4 anos e fazer tudo lá, ou para economicar (muito dinheiro) você vai para uma Community College e estuda os 2 primeiros anos lá e depois transfere para uma Universidade para terminar o seu curso de Bacharelado.
Dependendo do que você você estudar nestes 2 anos, você tem um certificado específico e já pode procurar emprego, mas entrará nas posições mais baixas da carreira - por exemplo trabalhar com contabilidade fará o trabalho mais maçante.
Enfim, voltado ao assunto, muitos dos meus colegas tentam diminuir o meu feito porque quase todos estão transferindo para uma Universidade e eu fico por aqui. Este ano foi uma loucura e já decidi que quando retornar para um banco de faculdade aqui, vou fazer um mestrado, já que o meu diploma do Brasil é válido aqui, eu só preciso fazer o processo de "validação".
Sinto-me muito orgulhosa porque estou me formando numa faculdade onde as matérias ensinadas são minha segunda língua. E só Deus sabe os obstáculos que tive que vencer para estar aqui.
Meu marido está super orgulhoso e por causa dele (e por minha mãe também) é que irei participar da cerimônia de graduação que acontecerá somente no final de junho, pois é quando termina o ciclo escolar oficialmente na faculdade.
Até lá eu vou descansar, viajar, organizar a minha vida e tirar vários projetos do papel e enfrentar novamente a selva que é o mercado de trabalho daqui.
Mas sem terminar as provas com sucesso desta semana isso não acontecerá então, deixa eu enfiar a cara nos livros por mais que eu não aguento mais olhar.
E você pode ter certeza de que vou tocar esta música bem alto saindo do estacionamento da faculdade!

Alice Cooper - School's out


Monday, December 5, 2016

O maior feito da minha vida

A minha professora de estatística teve uma ideia genial para a lista de chamada que assinamos todos os dias. Ao lado do nosso nome ela escreve uma pergunta do dia que varia todos os dias. Geralmente eu respondo - é facultativo fazê-lo - e confesso que às vezes acabo me distraindo lendo as respostas dos colegas dependendo da pergunta. Hoje foi o dia que mais me distrai, confesso.
Ela perguntou qual foi o seu maior feito na vida até o momento. Li diversas respostas e confesso que fiquei sem saber o que escrever já que poderia ter colocado várias respostas. Escrevi que foi ter viajado para vários lugares do mundo, mas não creio que este foi o maior depois de pensar um pouco sobre o assunto.
O que mais me chamou a atenção em relação às respostas dos meus colegas é que haviam coisas extraordinárias como também coisas bem simples. Esse tipo de pergunta invoca respostas bem diferentes e que nenhuma delas deve ser considerada melhor ou pior porque muitas vezes pequenas coisas que não damos muita importância são feitos extraordinário mesmo que não apareçam na televisão ou você ganhe um prêmio por isso.
Pois bem, já devo ter falado sobre isso mais de uma vez aqui mas acredito que o maior feito da minha vida foi simplesmente acreditar no meu sonho e trabalhar par torná-lo realidade.
Não foi uma única coisa mas diversos fatores que me ajudaram a realizar o feito que foi sair literalmente do conforto do meu lar e morar em outro lugar.
Primeiro eu tive que acreditar no impossível porque na época que eu decidi mudar de país eu era estagiária e universitária então a grana era muito curta e vindo de uma família humilde se eu quisesse realizar este sonho eu teria que lutar e bancar sozinha por ele. Fiz muitos sacrifícios para economizar o dinheiro e quando sai do Brasil tinha exatamente 200 dólares na minha mão.
Segundo eu me dediquei para conseguir tudo o que eu precisava para viajar. Pesquisei opções, procurei informação e fui sincera comigo quanto às minhas possibilidades. Nunca dei passos maiores que as minhas pernas e todos os passos foram calculados e estava meio que preparada para os riscos de cada opção.
Terceiro dividi meus sonhos apenas com pessoas que me apoiavam e acreditavam em mim. Para se ter uma ideia minhas irmãs só souberam que estava indo para os EUA quando o meu visto estava em mãos, depois de quase 1 ano e meio de preparação e planejamento. Lembra do primeiro passo? A situação já era difícil então pra que ter pessoas ao meu redor colocando dúvidas, zombando dos meus objetivos só porque era diferente dos delas?
E por último acredito que seja essencial ter coragem e ser autossuficiente porque muitas vezes você só terá você mesmo para solucionar problemas e enfrentar adversidades.
Depois que você conseguir conquistar o seu "maior feito" não pare de sonhar e não viva somente de memórias. Cada fase da nossa vida há um novo objetivo, sonho a ser conquistado e o mais importante é saborear cada pequena conquista e todas as etapas da jornada porque mesmo que ela seja difícil terá algo a ensinar e trará algo que você irá precisar no futuro ou te fará uma pessoa melhor.

Friday, November 18, 2016

Meu gato que não é meu

Sou o que eles chama aqui de "dog person". Eu AMOOO cachorros, desde que eu me entendo por gente meus pais tiveram cachorros em casa. Tínhamos 4 cadelas que não eram castradas, então já viu... vira e mexe aparecia uma barriguda e era a maior festa quando os filhotes nasciam e até a gente distribuir, era aquela festa de filhote + criança que a minha mãe tanto odiava - bagunça e trabalho em dobro hehehe. Lembro que era a maior choradeira quando alguém iria buscar os filhotinhos, lembro do nome de todos os cachorros que tivemos e quando vou na casa da minha mãe tenho o maior xodó pelos cachorros dela.
Por ser rodeada de cachorros, nunca fui chegada em gatos. Não tenho nada contra eles, mas sou uma pessoa carente e não iria conseguir ter um animal de estimação que não dá a mínima pra mim e só me usa para ganhar comida e um lugar pra viver.
Tenho uma amiga que tem os gatos mais fofos do planeta e a gente se deu muito bem, porque eles parecem mais cachorros do que gatos, no comportamento claro, já que eles ficam em busca de atenção e carinho o tempo inteiro. A minha amiga me ensinou muitas coisas sobre comportamento de gatos, o que está me ajudando e muito agora...
Veja bem, eu tenho um gato, mas o gato não é meu...
Em mais ou menos abril deste ano percebemos que tinha um gato preto pequeno no meu quintal. Nós já tinhamos nos acostumados com um gato cinza sem rabo que anda pela vizinhança, bem mal encarado. Mas nunca tínhamos visto este gato preto antes e achamos estranho...
Um belo dia fui caminhar pela manhã e vi vários cartazes de animal perdido e eu sempre leio porque sei a dor que é perder um bichinho de estimação. Não é que alguém estava procurando um gatinho preto?
Anotei o telefone e liguei mais tarde pra pessoa, dizendo que tinha um gatinho que combinava com a descrição no quintal da minha casa. O cara disse que depois iria buscar pela região - detalhe, ele disse que mora num complexo de apartamento que fica literalmente 1 quadra da minha casa. Ok.
O gato aparecia sempre de manhã, eu liguei pro cara 2 vezes pra ele fazer um flagrante e nada dele aparecer. Até que um sábado o meu marido tirou uma foto com o celuluar do gato, mandou pro cara e ele confirmou que era realmente o gatinho dele e que dali a dois dias ele iria dar uma olhada na região pra ver se encontrava.
Olha, eu fiquei bem brava porque quem é que coloca um cartaz pedindo pra achar um bichinho e quando você manda informações de onde o gato está a pessoa não vai procurar? Ele oferecia 50 dólares de recompensa e sinceramente eu não queria o dinheiro, só que ele pegasse o bichinho e levasse pra casa.
Pois bem, ele nunca apareceu e eu morrendo de dó comecei a jogar pão de forma pro gatinho comer. A princípio estava bem arisco, mas acho que estava com tanta fome que começou a esperar perto da porta por alguma comida.
Foi então que contra a vontade do meu marido - que é super alérgico a gatos - eu fui até uma pet shop e comprei um pouco de ração e um potinho de comida e comecei a alimentar o gatinho...
Desde então vem todos os dias de manhã e de noite pra comer, mas não se aproxima de nós de jeito nenhum. Por mais que não corra mais de medo, só vai comer a comida depois que fechamos a porta da cozinha.
A verdade é que eu pensei em ligar para alguma associação pra vir buscar, mas sei que tem algumas que acabam sacrificando e eu decidi continuar alimentando o bichinho. Só que agora está começando a ficar muito frio à noite e eu estou preocupada com o gatinho novamente. Já fiz uma caminha, mas se recusa a entrar. O meu marido disse pra eu não me preocupar, mas fico morrendo de dó.
De vez em quando sai briga com o gatinho mal encarado, já que os dois querem marcar território, mas a gente torce pelo gatinho, que na verdade é uma gata e se chama Jelly (gelatina) mas a gente acostumou de chamar de Gatinho.
O meu marido também acabou se rendendo e sempre dá comida e fica conversando com o Gatinho, mesmo que ela não dê bola pra gente e só quer saber da comida.
Nem se a gente quisesse poderíamos colocar pra dentro de casa porque não sabemos se carrega alguma doença, pulga e eu com problema no sistema imunológico não sou aconselhada a ficar muito próxima de gatos.
Dá dó. Mas por enquanto vou fazendo a minha parte. De fome eu sei que ela não morre.
Gatinho esperando pelo café da manhã